Posts Tagged ‘Catherine Hardwicke

14
jul
10

Eclipse – Guia Oficial Ilustrado do Filme

Mais um caça-níquel já está disponível para compra no mercado editorial brasileiro: “Eclipse – Guia Oficial Ilustrado do Filme”.

O primeiro filme também ganhou um guia ilustrado, “Crepúsculo – Livro de Anotações da Diretora”, mas sob a ótica da diretora Catherine Hardwicke e algumas das suas anotações sobre cenas, figurino, maquiagem, penteado e afins das personagens.

Em “Lua Nova” não foi diferente. Desta vez, os leitores e apaixonados pela série, tanto nos livros quanto no cinema, são convidados para um tour pelos bastidores de gravação do filme.

O autor Mark Cotta Vaz parece ter gostado de lucrar em cima da curiosidade, do fanatismo e do amor incondicional dos fãs de Bella (ou Kristen), Edward (ou Rob) e Jacob (ou Taylor), pois não satisfeito em lucrar bastante com o “Lua Nova – Guia Oficial do Filme”, repetiu a dose em “Eclipse – Guia Oficial Ilustrado do Filme”.

Mas eu me pergunto: será que ele está errado? Tem mercado para isso e os fãs adoram. Então go on Vaz! “Amanhecer” vem por ai e é mais uma chance de lucrar – duplamente, já que o filme terá duas partes – e entreter o público adolescente. Mas como já passei desta fase, esse livro não terá o prazer de fazer parte da minha estante!

Sinopse

Os bastidores do filme inspirado em Eclipse, o terceiro livro da série best-seller de Stephenie Meyer.

Nesse guia ilustrado, impresso em cores, Mark Cotta Vaz apresenta os bastidores dessa superprodução: equipe, elenco, locações, sets – tudo o que acontece por trás das câmeras revelado em fotos e entrevistas exclusivas. Uma chance única de olhar de perto o processo de criação de um filme e ter acesso a imagens e depoimentos dos astros que povoam os sonhos de todos os fãs: Robert Pattinson (que interpreta Edward Cullen), Kristen Stewart (Bella Swan) e Taylor Lautner (Jacob Black).

19
abr
10

Diretor de ‘O sexto sentido’ diz que ‘adoraria’ dirigir 4º filme ‘Crepúsculo’

Matéria publicada no site do G1

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL1552429-7086,00.html

Diretor de ‘O sexto sentido’ diz que ‘adoraria’ dirigir 4º filme ‘Crepúsculo’

 

M. Night Shyamalan fez declaração à MTV no evento Kid’s Choice Awards.
O diretor diz que ‘Crepúsculo’, o filme, foi um de seus favoritos em 2008.

 

31/03/10 – 13h32 – Atualizado em 31/03/10 – 16h51

 

 Do G1, em São Paulo

 

O diretor M. Night Shyamalan no set de filmagens de ‘Sinais’ (Foto: Divulgação)

 

O diretor M. Night Shyamalan (de ‘O sexto sentido’ e ‘A vila’) afirmou em entrevista à MTV norte-americana durante o evento Kid’s Choice Awards que tem grande interesse em dirigir o quarto filme da saga “Crepúsculo”, baseado no livro “Amanhecer”, de Stephenie Meyer.

“Eu adoraria [ser o diretor do filme]. Gosto muito da série literária e o primeiro filme, dirigido pela Catherine Hardwicke, foi um dos meus preferidos no ano em que foi lançado. Após assistí-lo até liguei para ela para lhe dar os parabéns. Sou um grande fã”.

O diretor de “Amanhecer” ainda não foi escolhido pela produtora da série, a Summit Entertainment. Nomes como o de Gus Van Sant (de “Elefante” e “Paranoid Park”) e de Sofia Coppola (de “Maria Antonieta” e “As virgens suicidas”) já foram cogitados;

De acordo com o site IMDb o filme deve estrear nos cinemas em 2011. Os atores Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner, ícones da saga vampiresca teen, continuarão no elenco.

 

27
nov
09

Lua Nova desperta a esperada euforia nos fãs, mas decepciona

Como estudante de jornalismo, apoio a liberdade de imprensa e com a propagação de blogs na internet, todos podem falar o que quer e acho isso um peso e duas medidas. Mas não concordo com muito do que foi dito nesta matéria.

Eu não vi ainda o filme, mas duvido muito que Kristen Stewart esteja tão mal assim no filme. Ela não é uma garota tão conhecida e com tanta bagagem como Dakota Fanning, por exemplo.  Mas dizer que a garota é inexpressiva, pra mim, é demais.

A coisa mais natural do mundo é um livro, ou uma coleção deles, fazer o maior sucesso e quando ganha uma adaptação para o cinema não ser tão bom, mas fazer sucesso na sétima arte por causa dos fãs dos livros… pra mim já é demais. “A Bússola de Ouro”, primeiro livro da coleção Fronteiras do Universo de Philip Pullman é uma obra fantástica. A coleção foi publicada no início dos anos 90 e só em 2007 ganhou uma adaptação para o cinema do primeiro livro, e quado vi me decepcionei.  Mas me decepcionei por uma série de fatores, não por atuação de um ou outro ator, até porque o elenco do filme é muito bom.

Todo mundo que viu “Lua Nova” me disse que o filme é muito melhor que “Crepúsculo” em termos de técnica, efeitos visuais, efeitos especiais, maquiagem dos atores etc. Será mesmo que é tão ruim quanto essa jornalista descreve? Não sei não… Vou assistir e conferir…

Como diz Noblat:  “Médico acha que é Deus e jornalista tem certeza”. Como aluna da faculdade de comunicação da Universidade Federal da Bahia, digo que ele está certíssimo, pois na faculdade em que estudo há muitos pseudointelectuais que se acham o suprassumo da sabedoria. Prefiro os humildes e que escrevem o que realmente pensam, não somente utilizar o seu papel de formador de opinião para criticar e esculhambar alguma coisa… Quando se é crítico de cinema, de literatura ou crítico cultural como um todo, deve-se ter cuidado com o que se diz e realmente com o que se vai criticar. Principalmente quando se é algo voltado para o público infanto-juvenil. Nem sempre eles encaram e entendem as argumentações como os adultos…

Pronto! Falei! Posso até ser criticada por isso. Mas aqui é um espaço democrático. Não recebo sempre elogios. E as críticas construitivas são sempre muito bem vidas.

Matéria publicada no Caderno 2 do jornal A Tarde, na página 3, no dia 21 de novembro de 2009.

Lua Nova desperta a esperada euforia nos fãs, mas decepciona

Maria Santossa

Gritinhos histéricos, suspiros e sessão lotada marcaram a estreia de “Lua Nova”, segundo filme da saga “Crepúsculo”, em Salvador, na madrugada de ontem. Os fanáticos teens (sobretudo garotas), aparentemente alheios ao quanto o filme deixa a desejar, se derreteram toda vez que Edward (Robert Pattison) surgiu, tirou a camisa ou se declarou a Bella (Kristen Stewart).

Escrita pela dona de casa norte-americana Stephenie Meyer, a serie de quatro livros sobre o amor de uma humana por um vampiro – ambos adolescentes (quer dizer, ele tem 17 há 109 anos) – virou best-seller, com mais de 80 milhões de livros vendidos desde 2005. Nesta segunda parte da história, um incidente na casa dos Cullens leva Edward a terminar o relacionamento e a abandonar Bella, que encontra forças na amizade (ou seria no amor?) de Jacob.

Ao lado de Taylor Lautner (Jacob), a atriz Kristen Stewart (Bella) fica ainda mais inexpressiva

Surpresa

O personagem de Taylor Lautner, inclusive, ganhou – literalmente – corpo na trama. Criticado pela falta de carisma após o primeiro filme (“Crepúsculo”, 2008), ele é a surpresa do elenco principal. Perto dele, Stewart ficou ainda mais inexpressiva. As sobrancelhas semicerradas, os olhos fixos no chão e a boca entreaberta acompanharam a garota em diversas cenas. Como a trama está mais arrastada, os atores receberam um foco dramático. Azar deste foco pousar justamente em atuações medíocres e sorte do enredo, que, de tão envolvente, não desanda.

Orçado em US$ 50 milhões, “Lua Nova” deve ser sucesso de bilheteria mais por causa dos inúmeros fãs da série do que pela qualidade técnica. Nem mesmo a substituição da diretora Catherine Hardwicke por Chris Weitz (de “A Bússola de Ouro”) injetou apuro e sofisticação.

A maquiagem amadora e os efeitos nada especiais melhoraram, mas não tanto. O brilho da pela vampiresca ao sol está mais verossímil e a fotografia foi mais bem cuidada; a transformação de garotos em lobos gigantes, no entanto, é risível.

Há quem diga que o interesse no pretenso romance (na vida real) de Kristen e Pattison e o polêmico posicionamento do Vaticano, que considerou o longa “um desvio moral”, possa atrair o público a ponto de o filme bater os mais de US$ 383 milhões arrecadados no longa anterior. Os mais críticos e espertos, no entanto, devem se preparar e esperar menos de “Eclipse”, o terceiro longa da série, previsto para junho do ano que vem.

27
nov
09

Descabeladamente romântico

Matéria publicada na revista Veja do dia 18 de novembro de 2009.

Descabeladamente romântico

“Lua Nova”, o segundo filme da saga “Crepúsculo”, quer atrair agora também os garotos, com lobisomens superpoderosos e cenas de ação. Mas, para manter fiéis as meninas que a-do-ram a série, reforça ainda mais o drama de amor adolescente entre o vampiro cavalheiresco Edward e a adolescente casta Bella.

Jarônimo Teixeira, de Los Angeles

Corações partidos: Bella (Kristen) desesperada com a perda de seu vampiro, é socorrida pelo lobisomem Jacob (Lautner): tentativas de suicídio e muitos peitorais nus, apesar do frio

Como tantos adolescentes do ensino médio, os enamorados Edward (Robert Pattison) e Bella (Kristen Stewart) estão mais interessados no seu ti-ti-ti íntimo do que naquilo que os professores tentam ensinar. O professor de literatura, irritado com a desatenção de Edward, pede que ele reproduza a fala de Romeu, de Shakespeare, pouco antes do suicídio – e Edward o surpreende. Conhece o trecho de cor e o recita com sentimento: “A morte, que sugou o mel do teu hálito, não teve poder contra tua beleza”. “Foi esquisito fazer aquela cena”, disse o ator inglês Robert Pattison, de 23 anos, a VEJA. “Toda a sala, cheia de extras, olhava para mim. Errei e tive de recomeçar várias vezes”. Dificilmente essa será a sequência mais lembrava de “Lua Nova” (The Twilight Saga: New Moon, Estados Unidos, 2009), a continuação de “Crepúsculo”, que estreia no país na próxima sexta-feira. As garotas – público primordial dos filmes baseados nos best-sellers de Stephenie Meyer – vão suspirar diante do inefável Pattison. Um novo imã para seus olhares é o pedaçudo Taylor Lautner (que interpreta o lobisomem Jacob), exibindo seus peitorais malhados. No esforço de incrementar o apelo para os rapazes, há mais sequências de ação e muita computação gráfica. A citação de “Romeu e Julieta”, porém, dá o tom do filme, em tudo fiel ao espírito do livro original. Stephenie Meyer, mórmon praticante, dispensa o ardor sexual do jovem casal criado por Shakespeare – mas, nos quatro romances que já venderam mais de 80 milhões de exemplares ao redor do mundo, não tem pudor de retratar, com as tintas mais encarnadas, o drama desesperado que é o amor adolescente.

Dirigido por Catherine Hardwicke, “Crepúsculo”, o primeiro filme, trazia o início do amor entre o vampiro Edward, virtualmente imortal, dotado de força e velocidade sobre-humanas e capaz de ler mentes, e a humana Bella, uma desajeitada garota que se muda do ensolarado Arizona para o frio estado de Washington (as locações não são lá: no primeiro filme, foram no Oregon; em “Lua Nova”, em Vancouver, no Canadá). Com o orçamento relativamente modesto de 40 milhões de dólares, o filme teve bilheteria mundial de 350 milhões de dólares e projetou Kristen e Pattison como o casal mais queridinho do cinema (sim, eles namoraram fora das telas, mas agora estão aparentemente dando um tempo). “Lua Nova” é sobre rompimento e dor. No seu aniversário de 18 anos (a atriz tem 19), Bella começa a se angustiar com o fato de que está envelhecendo, enquanto seu namorado, que tem 108 anos, estacionou na aparência de 17. Edward, cioso dos perigos que a companhia dos vampiros traz à amada, acaba se afastando de Bella, na tentativa de protegê-la. Ele tem sede do sangue de Bella, mas contém-se: não quer transformá-la no monstro que ele mesmo julga ser. Essa abstinência tem sido interpretada como uma pregação da contenção sexual para os jovens, muito de acordo com o ideário religioso da autora. A menina entra em desespero, até encontrar consolo na companhia do lobão Jacob.

Edward – quase um deus, mas acessível para a prosaica Bella – inflama a imaginação das fãs. Depois de “Crepúsculo”, fotos de Pattison ganharam as paredes dos quartos de adolescentes e pré-adolescentes de todo o mundo. “Nunca imaginei algo assim. No meu tempo de escola, eu não era nem de longe o garoto mais desejado da classe”, diz o encabulado ator de cabelos desgrenhados, enquanto seus dedos de unhas um tanto sujas atarraxam e desatarraxam ansiosamente a tampa de uma garrafa de água mineral.

Com Edward ausente em grande parte da história, tudo indica que chegou a hora de Taylor Lautner, 17 anos. Sua participação no primeiro filme era pouco mais do que uma ponta. Em “Lua Nova”, o papel cresceu – e Lautner também: ameaçado de ser substituído, o ator franzino malhou e engoliu meses de dieta proteica. “Eu tinha de comer a cada duas horas. Não era agradável”, diz ele. Seu torso esculpido tornou-se um recurso dramático primordial para o novo filme. “Era meio esquisito trabalhar o tempo todo sem camisa no frio de Vancouver, onde todo mundo anda encasacado”, diz o ator. Lautner está namorando a cantora country Taylor Swift (mais um casal dos sonhos…), que recentemente lhe mandou um recadinho carinhoso no monólogo de abertura do programa cômico Saturday Night Life (para em seguida estrelar uma hilária paródia de “Crepúsculo”, com Frankensteins no lugar de vampiros).

Nas entrevistas que o elenco concedeu em Los Angeles, todos se fecharam ferreamente contra “perguntas pessoais”. “Kristen é uma ótima atriz”, diz Pattison quando lhe perguntam sobre a química que os dois demonstram na tela. Dá-se como certo que a situação entre ambos é o inverso daquela representada no filme: teria sido Kristen a responsável pelo fim do namoro. Na entrevista, a atriz filosofou sobre a tristeza mortal de Bella ao ser abandonada pelo namorado hematófago: “A dor de Bella ao perder Edward, embora metaforicamente represente algo muito real, é colocada em um mundo com o qual não temos como nos relacionar. Eu acho que a história se sustenta sem os aspectos míticos, tem uma dinâmica sólida entre os personagens, mas… Eu me perdi totalmente. O que você perguntou mesmo?”

Os aspectos míticos e a dinâmica dos personagens são o de menos: o enredo é descabeladamente romântico. O torturado Edward dá o fora em Bella e, ato contínuo, Bella perde-se, alucinada, na floresta, até desabar entre as árvores. Edward, exilado em um Rio de Janeiro de fancaria, recebe a notícia equívoca de que alguém morreu, logo conclui que foi Bella – e parte para tentar o suicídio (muito difícil de conseguir entre os vampiros). Até os lobisomens são hipertrofiados: no lugar da criatura tradicional, meio canina, meio humana, são lobos enormes – do tamanho de um cavalo. Tudo isso é um tanto indigesto para o público maduro. Mas “Lua Nova” deve abocanhar a bilheteria com dentões enormes – de vampiro ou lobisomem, agora tanto faz.

Apavorante ou pavoroso?

Europeus – E, portanto, malvados

Os vampiros imaginados por Stephenie Meyer são diferentes daqueles consagrados em clássicos como “Drácula”, de Bram Stoker. Expostos ao sol, não viram cinza, mas brilham. Não são necessariamente maus – podem escolher o caminho do bem, como fizeram Edward e sua família. Em “Lua Nova”, porém, surgem personagens mais clássicos: nas ruas sinuosas de Volterra, na região italiana da Toscana (substituída, nas locações, pela cidade próxima de Montepulciano), vive o clã dos Volturi, a realeza do mundo doa vampiros. Fazem parte desse núcleo dos dois atores mais experientes do elenco: o galês Michael Sheen, 40 anos, que interpretou o primeiro ministro britânico Tony Blair em três produções, e a americana Dakota Fanning, que, apesar dos tenros 15 anos, acumula uma filmografia respeitabilíssima. Os Volturi representam a visão mais tradicional desses monstros: europeus, aristocráticos, sofisticados e muito perversos. Mas, com suas perucas compridas e o figurino cheio de fru-frus, o bando resulta mais pavoroso do que apavorante. Sheen tem uma filha de 10 anos que, leitora apaixonada de Stephenie Meyer, exultou ao saber que o pai iria trabalhar em “Lua Nova”. Dakota, que cursa o ensino médio, faz parte do público típico dos livros. “Li todos os quatro livros em uma semana. E depois fiquei triste por ter acabado tão rápido”, diz, com seu sorriso ainda infantil, de dentes pequenos. É o seu primeiro papel de vilã – ela interpreta Jane, uma vampira que tem o poder de, apenas com o olhar, submeter suas vítimas a uma dor excruciante. Seus grandes olhos claros aparecem ocultos por lentes de contato, de um vermelho bizarro. “Dakota fica assustadora com as lentes vermelhar. Já eu fico parecendo um coelho”, afirma Sheen, com seu humor britanicamente autoderrisório.

26
nov
09

O sanguessuga adota a moral da classe média

Matéria publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo no dia 14 de novembro de 2009, na página D4

O sanguessuga adota a moral da classe média

O jovem Edward, que só fica nas preliminares, é uma vergonha para ancestrais libidinosos como Drácula

Antonio Gonçalves Filho

O vampiro Edward da série criada por Stephenie Meyer está condenado à eternidade, como, aliás, todos os seres dessa espécie, mas ainda carrega nas costas outra condenação, a de pertencer à classe média e arrastar pela noite eterna todos os preconceitos de sua categoria social. Assim, não admira que a atividade sexual desse sanguessuga se resuma às preliminares mais longas de todos os tempos, como bem reconheceu a própria diretora de “Crepúsculo”, Catherine Hardwicke. Não causa espanto, igualmente, que o torturado Edward e sua namorada candidata à vampira, Bella, sejam ídolos da moçada habituada mais a “ficar” do que a estabelecer vínculos. Relações duradouras quase sempre não ultrapassam o plano da idealização. Melhor ter um vampiro apaixonado por toda a eternidade do que um sanguessuga sem poderes extraordinários fisgado numa rave.

As meninas são loucas por Edward. Enlouquecem mesmo os pais para comprar os livros da série (as quatro edições da série já venderam 2,2 milhões de livros só no Brasil e 77 milhões no mundo todo). Mandam cartas e mensagens eletrônicas para conselheiros amorosos, perguntam o que fazer para chamar a atenção do vampiro e, histéricas, soltam gritos quando casal Robert Pattison e Kristen Stewart, na versão cinematográfica de “Crepúsculo”, pula de árvore em árvore simulando um jogo sexual nas alturas – existe algo mais fálico que um eucalipto? No entanto, sexo que é bom, não rola.

Os vampiros de outras épocas – e isso inclui o conde Drácula de Bram Stoker – eram criaturas extremamente libidinosas, que seduziam suas vítimas com uma boa mordida no pescoço para em seguida atacar outras partes na região sul do corpo. Vampiros, no tempo de Stoker, isto é, no século 19, podiam representar tanto a virilidade do homem europeu do Leste, temida pela moral vitoriana, como o signo da promiscuidade, definida tanto pela arquitetura do castelo de Drácula, em forma de genitália feminina, como por sua tirania, capaz de tornar escravos sociais todos os que estavam abaixo da posição hierárquica de conde. Desse jogo sadomasoquista não escapavam sequer as bestas da floresta, chupadas violentamente na falta de sangue melhor. Esse foi o tempo de Bram Stoker.

De Ann Rice em diante, os vampiros, criaturas com poderes sobrenaturais, perderam parte de seu encanto natural, sucumbiram ao ideal classe média do conforto. Edward, por exemplo, não dorme em caixão, não tem problemas com alho, não odeia água benta, suas presas não são retráteis e ele já freqüentou tantos anos o colegial que seus pais perderam a conta de quanto gastaram na maldita escola onde conheceu Bella, a frágil.

Desnecessário dizer que Edward jamais cruzou com Nosferatu de Werner Herzog, o eterno angustiado condenado à eternidade. Se a noite de Nosferatu foi povoada de desejos ocultos, fazendo-o perder o controle, a de Edward é um romântico cenário com promessas de amor eterno. O predador foi domesticado pela classe média. E hoje vive na coleira.




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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