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Em fase de crescimento

Matéria publicada no jornal A Tarde no Caderno 2, no dia 03 de Abril de 2010. Matéria na capa e nas páginas 4 e 5.

 

Em fase de crescimento

 

Infanto juvenil Incerteza e descaminhos marcam a literatura feita para crianças e adolescentes, 200 anos depois de Hans Christian Andersen inaugurar o gênero.

 

Emanuella Sombra

A infância pobre deu ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen a oportunidade de falar sobre os contrastes da sociedade em que vivia. Sua primeira obra infantil, lançada entre os anos de 1835 e 1842, foram seis volumes de contos para crianças, público que ele acolheu até 1872. Foram 156 histórias, confrontos entre poderosos e desprotegidos, fortes e fracos, ricos e pobres. Algumas se tornaram célebres, como “Soldadinho de Chumbo”, “A Pequena Sereia” e “Os Sapatinhos Vermelhos”.

“A partir de Andersen se criou um novo espaço de produção, escrever para criança, ter um mercado específico para este público, afirma Regina Dalcastagré, especialista em narrativa brasileira contemporânea e professora da Universidade de Brasília (UnB). Passados mais de 200 anos de seu nascimento, falar em literatura infanto-juvenil no Brasil é tratar de um público leitor expressivo e de um mercado que, embora em crescimento, ainda é restrito.

Mesmo correspondendo à faixa etária que mais lê, crianças e adolescentes têm acesso a poucos títulos adequados a sua idade. Seja a contos de fadas reeditados, clássicos adaptados para uma linguagem específica ou romances contemporâneos. A qualidade do que é lido oscila, e os personagens representadas não respeitam a diversidade dos leitores. “Por outro lado, as paródias dos filmes e até de outros livros vêm contribuindo para que as crianças conheçam os clássicos, e isso é positivo”.

 

 

Literatura

 

Mercado Quantidade e qualidade ainda são problemas do gênero infanto-juvenil.

 

Poucos livros para enorme público consumidor

 

Emanuella Sombra

 

Muito antes de as brasileiras Lygia Bojuga e Ana Maria Machado ganharem o prêmio Hans Christian Andersen de literatura, considerado o Nobel na categoria infanto-juvenil, nascia o escritor homenageado. Mais precisamente, no dia 2 de abril de 1805. considerado por muitos o precursor de uma linguagem direcionada para crianças e adolescentes, o autor de “O Patinho Feio” e “A roupa nova do imperador” inaugurou um gênero. Mais que isso, uma data.

Por causa de Christian Andersen, 2 de abril tornou-se o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Coincidência ou não, é na primeira fase da vida que o leitor brasileiro mais se dedica às páginas de ficção. Última pesquisa divulgada pelo Instituto Pró-Livro, “Retratos de leitura no Brasil”, revela que 50% dos considerados leitores – entrevistados que disseram ter lido pelo menos uma obra nos últimos três meses – estão em idade escolar.

Mais que isso: leram títulos indicados pelo professor e tem em Monteiro Lobato o escritor mais admirado, à frente de nomes como Graciliano Ramos, Luís Fernando Veríssimo e Clarisse Lispector. O resultado da pesquisa supõe um mercado editorial que atende a este público, tanto em variedade como em qualidade dos lançamentos. Mas os números dizem o contrário. Nas prateleiras das livrarias e lojas virtuais, livros para crianças e adolescentes são uma minoria.

 

De um total de 51 mil títulos lançados no País, apenas 6 mil eram destinadas ao público infanto-juvenil

 

Poucos títulos

 

Outra pesquisa, encomendada pela Câmara Brasileira do Livro à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), reserva à literatura infanto-juvenil uma fatia modesta no universo de títulos lançados no mercado. De acordo com “Produção e venda no setor editorial brasileiro”, publicada em 2009, apenas 12,5 da distribuição de obras do ano anterior correspondiam às literaturas infantil ou juvenil. Significa dizer que, de um total de 51 mil títulos, apenas 6 mil eram infanto-juvenis. “Nos últimos dez anos o crescimento do mercado editorial infanto-juvenil é inegável. O governo começou a comprar literatura assim como já vinha fazendo com os didáticos”, contraria Ceciliany Alves, editora de literatura e projetos especiais da FTD. De fato, ela tem razão. Mesmo pequeno, o percentual de publicações do gênero cresceu 23% entre os anos de 2007 e 2008. somente a FTD entra com aproximadamente 50 títulos lançados por ano, 70% deles escritos por autores nacionais.

 

Leitora de “novidades” como “Harry Potter” e de clássicos como Andersen, Tatiana Belinky defende a escolha pela qualidade

 

Segundo a editora, paralelo aos best sellers, clássicos continuam tendo boa aceitação. “Se as crianças ficam numa fila para comprar “Harry Potter” (da escritora J. K. Rowling), isso é fruto de um mercado editorial, de um processo de formação que se desenvolve na escola”. O selo “Grandes Clássicos para jovens leitores”, lançado pela FTD este ano, reflete sua opinião. “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, e “O Mágico de Oz”, de L. Frank Baum, são dois dos lançamentos.

 

Sem diversidade

 

Diante de um público de leitores em formação expressivo, resta a pergunta: o que eles estão lendo? Resultado de uma tese de mestrado da Universidade de Brasileira (UnB), um estudo avaliou que tipo de romances infanto-juvenis são escolhidos pelo governo federal para habitar as bibliotecas das escolas públicas.

O resultado coincidiu em suspeitas anteriores. Apesar de bons títulos selecionados, os livros não respeitam a diversidade sociocultural do País.

Especialista em narrativa brasileira contemporânea e professora da UnB, Regina Dalcastagné considera que, mesmo nos clássicos da literatura nacional, passagens com afirmações preconceituosas e relações do gênero “complicados” põe em xeque a utilidade pedagógica das narrativas. “Em Monteiro Lobato, por exemplo, a Tia Anastácia é apresentada como ‘negra de estimação’. A Emília faz uma apresentação dela em que a coloca como uma negra de alma branca”.

 

 

Racismo

 

Para a pesquisadora, ícones da literatura mundial também reproduzem visões de mundo preconceituosas. “Alguns livros legitimam comportamentos que não são positivos para ninguém, e a criança pode não perceber isso. Hoje mesmo eu estava lendo “Timtim” (série de quadrinhos do belga Georges Prosper Remi) com meu filho e há um episódio em que o protagonista vai ao Congo. Lá ele é tido como Deus, enquanto os nativos são burros, abobalhados. É muito racista”.

Leitora de “novidades” como o próprio “Harry Potter” e amante de clássicos como Andersen, aos 91 anos, a escritora Tatiana Belinky defende a escolha pela qualidade, independentemente da pedagogia utilizada. “Há muita coisa boa no mercado e há muita coisa medíocre. Gosto daqueles que têm senso de humor, ética, emoção, que estimulam não só a leitura, mas o pensamento”. Nascida na Rússia, veio para o Brasil aos dez anos, onde escreveu os clássicos “Coral dos Bichos” e “Limeriques”.

Aqui, passou a admirar escritores como José de Alencar e Machado de Assis, mas critica o emprego destes na idade escolar. Também aqueles que reduzem o vocabulário e simplificam as idéias ao falar com os pequenos. “Quando o livro quer ser muito infanto-juvenil ele se prejudica, nivela por baixo. Ou quando é didático demais, moralista. Literatura e poesia são formas de liberdade, não foram feitas para educar. Dar possibilidade à criança, expor ela aos livros, é a melhor opção.

 

Séculos V ao XV

 

Violência e ensinamentos edificantes

 

A Idade Média é marcada por valores baseados na hierarquia social. A lei do mais forte e a transmissão de ensinamentos edificantes são retratados nos contos de fadas, em que a violência com mulheres e crianças é constante. Coleção de lendas originárias do Oriente Médio e do Sul da Ásia, “As Mil e Umas Noites” é narrada a partir da rainha Sherazade, que, para não ser morta, a cada noite conta uma história maravilhosa ao rei Xariar, que, costumava matar suas noivas após desposá-las.

 

 

Séculos XV e XVI

 

Um pequeno adulto

 

É durante o Renascimento que a produção de valores da nova classe dominante, a burguesia, ganha força. A visão de mundo deixa de ser teocêntrica (a religião como centro) e as narrativas das antigas tradições orais são reescritas e adaptadas com intenções pedagógicas. A criança é concebida como um adulto em miniatura, é afastada do convívio familiar e introduzida nos colégios. Em seus “Ensaios”, Montaigne analisa as instituições, as opiniões e os costumes de época.

 

 

Séculos XVII e XVIII

 

A infância é um valor

 

No fim do século XVII se efetiva uma produção literária com características infanto-juvenis. A infância é valorizada e a criança é vista como um bem precioso. A literatura prepara os jovens para o convívio social e lhes proporciona valores éticos e intelectuais. As “Fábulas de La Fontaine” – carregadas de ironia e ensinamentos morais – contam histórias de animais a partir de uma linguagem simples e atraente. “As aventuras de Robinson Crusoé”, de Daniel Defoe, simboliza a luta do homem contra a natureza: Crusoé é um náufrago que passa 28 anos sozinho até encontrar a personagem Sexta-Feira.

 

 

Século XIX

 

Mais humano

 

A linha fantástico maravilhosa produz narrativas de fundo folclórico e surrealista por meio de livros como “Alice no País das Maravilhas” e “Alice através do espelho”, de Lewis Carroll. Os contos dos Irmãos Grimm” dão um sentido mais humanitário e menos violento às histórias da época medieval, transmitindo sempre uma “moral da história”. Os princípios da fraternidade e da generosidade humana são destacados por Hans Christian Andersen, pioneiro no texto adaptado para crianças.

 

 

Século XX

 

Desafiando convenções

 

A produção infanto-juvenil reencontra as fábulas em clássicos como “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint- Exupéry, e desafia o estilo de vida burguês, com “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger. O livro chegou a ser acusado de incitar o lado diabólico das pessoas depois que o assassino de John Lennon confessou ter se inspirado na obra para cometer o crime. No Brasil, Monteiro Lobato rompe com as convenções estereotipadas dos livros voltados às crianças.

 

 

Século XXI

 

Em vários volumes

 

Entram em cena os best sellers narrados em vários volumes, como a saga do bruxo “Harry Potter”, da escritora inglesa J. K. Rowling, que preserva os valores de fábulas clássicas, como a coragem e a integridade. Todos os sete volumes são adaptados para o cinema. A romancista Stephenie Meyer, com títulos voltados ao público juvenil, investe num enredo que mistura vampiros, inseguranças da adolescência e amores impossíveis. O primeiro volume, “Crepúsculo”, é a gênese da saga “Twilight”, febre entre adolescentes de todo Ocidente e também adaptada para o cinema.

 

 

Entrevista

 

Leda Cláudia da Silva

 

Personagens são homens broncos de classe média

 

Emanuella Sombra

 

Mestre em literatura infanto-juvenil pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Literatura Brasileira, Leda Cláudia da Silva concluiu em 2008 um estudo ousado: a partir de 53 títulos, descobrir quem são as personagens dos livros infantis e juvenis escritos por autores nacionais. Mais especificamente, quem são os mocinhos, heróis e bandidos que habitam as obras selecionadas pelo Governo Federal para ocupar as prateleiras das escolas públicas. O resultado foram várias radiografias semelhantes, que resultam num único estereótipo.

 

O que é a sua pesquisa?

 

Inicialmente eu peguei a lista de 300 obras do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), de 2005, e fiz um recorte. Estudei apenas as narrativas literárias brasileiras, especificamente contos produzidos a partir dos anos 70. cheguei a 53 livros e 149 personagens. Meu objetivo era analisar estes personagens.

 

E o que a senhora concluiu?

 

Observei algo que a gente tinha noção mais ainda não havia comprovado em pesquisa: a maioria dos personagens são adultos, homens brancos e de classe média. Coincidentemente, grande parte das obras foi publicada em 2005 (a lista do PNBE foi composta naquele ano para os livros serem adquiridos e distribuídos em 2006). Havia coisas de extrema qualidade no texto e na forma, e coisas muito ruins. De maneira geral, foi uma seleção boa em termos de enredo e tratamento gráfico, mas o personagem tinha um perfil que continua sendo reproduzido, inclusive com relação ao gênero. Os femininos estão num espaço privado, dentro do círculo familiar, das relações amorosas, enquanto os masculinos se envolvem em histórias de aventura e de conquista.

 

A senhora pesquisou o ano de 2005. de lá para cá, é possível dizer se houve mudanças?

 

Eu não saberia dizer. Como todo ano existe uma nova seleção, eles procuram o que há de novo. Há clássicos mas há uma grande quantidade de obras atuais.

 

A partir da sua pesquisa é possível dizer que não há diversidade de personagens. Eles obedecem um padrão social e racial.

 

Proporcionalmente não há, mas é possível encontrar títulos bons como “Amanhecer Esmeralda”, de Ferréz, em que o personagem principal é uma menina negra e pobre. Mas ainda é muito pouco.

 

Em termos de qualidade, o que mais lhe chamou atenção?

 

Monteiro Lobato e Roger Melo (vencedor do prêmio suíço Espace – enfants e do brasileiro Jabuti, em 2002 e indicado ao dinamarquês Hans Christian Andersen deste ano) são os que mais aparecem. O governo está dando uma peneirada muito boa, esta questão das personagens é específica e não se resolve de uma hora para outra. Em se tratando de temática, um livro que achei interessante foi o de Sandra Branco, “Porque meninos tem pés grandes e meninas tem pés pequenos”, que desconstroi estereótipos.

 

Percy Jackson volta sério e divertido

Logo que entreou no cinema, o primeiro capítulo da série “Percy Jackson e os Olimpianos” despertou comparações com “Harry Potter”. O lançamento de “A Batalha do Labirinto”, quarto livro da série, afasta ainda mais as duas obras. Rick Riordan, criador do garoto que descobre que a mitologia grega é real e que seu pai é um deles, é mais direto, sem parecer mecânico. Escreve com agilidade e economia. Sua trama tem mistérios e temas sérios, como em Harry, mas o tratamento é menos carregado. O sarcasmo de Percy e a coleção de seres fantásticos divertem, sem nunca cansar.

 

Suzy Lee lança novo livro sem palavras

É difícil encontrar palavras para falar dos livros de Suzy Lee. Até porque ela não costuma usá-las. Em “Espelho”, que acaba de ser lançado pela Cosac Naify, uma garota descobre as possibilidades lúdicas do seu próprio reflexo. Em páginas espelhadas, a garota dana e faz poses, em um processo sutil de descoberta de si mesma. A descoberta também é um dos temas de sua obra-prima, “Onda”, lançado pela mesma editora, que mostra uma garota brincando à beira-mar. Nos dois livros, Lee extrai de situações cotidianas força e beleza, que envolvem leitor e personagem.

 

O vasto catálogo de Cosac Naify

“Onde vivem os monstros”, de Maurice Sendak, e “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, são dois dos mais de 200 títulos infanto-juvenis da editora, entre autores nacionais e estrangeiros.

7,2% é o percentual da participação de títulos do gênero infanto-juvenil no número de exemplares distribuídos no mercado literário brasileiro de 2008.

6.409 é o número de títulos do gênero lançados em 2008, representando crescimento de 23,3% no segmento editorial para jovens e adolescentes. Em 2007, foram publicados 5.202 títulos.

 

Brigando feito gente grande

No ranking da Veja dos mais vendidos na categoria ficção (atualizado no site da revista no dia 2 de abril), infanto-juvenis competem em pé de igualdade com “adultos”. Rick Riordan aparece em segundo lugar com “O Ladrão de Raios, em quarto, com “O Mar de Monstros”, e em sexto, com “A Batalha do Labirinto”. A autora da saga “Crepúsculo”, Stephenie Meyer aparece em quinto, com “Amanhecer”, e em décimo, com “Eclipse”. Duas edições de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, da Zahar e da Cosac Naify, aparecem em nona e décima-nona colocações.

 

30
mar
10

‘Coração de tinta’ retrata personagens fantásticos

Matéria publicada no site G1

Fonte:http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL934963-7084,00-CORACAO+DE+TINTA+RETRATA+PERSONAGENS+FANTASTICOS.html

‘Coração de tinta’ retrata personagens fantásticos

Aventura baseia-se no livro homônimo da autora alemã Cornelia Funke.
História mostra dom de trazer para este mundo personagens dos livros.

25/12/08 – 09h08 – Atualizado em 25/12/08 – 09h08

 

Aventura infanto-juvenil de férias com potencial para engajar também adultos em busca de diversão, “Coração de tinta” baseia-se no livro homônimo da autora alemã Cornelia Funke, em torno da fantasia de que algumas pessoas teriam o dom de trazer para este mundo personagens dos livros apenas lendo suas histórias em voz alta. O filme estréia nesta quinta-feira (25) nos cinemas.

 

Brendan Fraser lê histórias em voz alta e traz personagens da literatura para este mundo em ”Coração de tinta, que estréia nesta quinta-feira (25) nos cinemas (Foto: Divulgação)

 

Um desses “línguas encantadas” é o encadernador de livros raros Mortimer Folchart (Brendan Fraser, de “Viagem ao centro da Terra”), pai de Meggie (Eliza Hope Bennett). Desde o misterioso desaparecimento de sua mulher, Resa (Sienna Guillory), ele deixou de lado a leitura em voz alta e procura desesperadamente o livro em que ela entrou, também chamado “Coração de tinta”.

 

Visitando o sebo de uma cidadezinha atrás do livro, Mortimer encontra Dedo Empoeirado (Paul Bettany, de “O código Da Vinci”) – um homem que tem poderes mágicos para controlar o fogo e que foi trazido a este mundo por conta de uma leitura doméstica de Mortimer. Dedo está desesperado para voltar para sua mulher, no reino do livro, mas Mortimer não quer saber de atendê-lo. Refugia-se na casa de sua excêntrica tia-avó, Elinor (Helen Mirren, de “A rainha”), dona de uma esplêndida biblioteca.

 

Mortimer é localizado em seu esconderijo não só por Dedo Empoeirado como por outros seres malignos vindos das páginas do livro. Liderados por Capricórnio (Andy Serkis, o Gollum de “O senhor dos anéis”), os vilões planejam trazer para a terra o mais poderoso ser do mal de sua história, o gigantesco Sombra.

 

 

As aventuras seguintes envolvem a captura e fuga de Mortimer, ajudado por Dedo Empoeirado e Farid (Rafi Gavron), um rapazinho de “As mil e uma noites”. Complicando a situação, Capricórnio descobre que a menina Meggie é também uma “língua encantada”, chantageando-a para usar seu poder ao informá-la de que a mãe dela está em seu poder no seu castelo – onde são prisioneiros os personagens de diversas histórias e lendas, como os macacos voadores de “O mágico de Oz”, o crocodilo de “Peter Pan” e o Minotauro.

 

Enquanto isso, Mortimer, Dedo Empoeirado e Farid localizam na Itália o autor de “Coração de Tinta”, Fenoglio (Jim Broadbent), pedindo sua ajuda para restaurar a ordem das coisas.

 

Este intenso tráfego entre o mundo da realidade e da imaginação requer, como se pode prever, um uso intensivo de efeitos especiais, que são eficientes. O que falta é um ritmo adequado para um maior envolvimento com os personagens, que parecem estar o tempo todo apenas correndo uns dos outros.

 

O diretor inglês Iain Softley, que foi bem na condução do drama de época “Asas do amor”, baseado em livro de Henry James, aqui teve um resultado inferior.

 

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

10
nov
09

Clássico O Mágico de Oz comemora 70 anos

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Matéria publicada no Jornal A Tarde dia 6 de novembro de 2009 (hoje) no Caderno 2

Clássico O Mágico de Oz comemora 70 anos

João Carlos Sampaio, crítico de cinema

Os 70 anos do clássico “O Mágico de Oz” (1939), de Victor Fleming, garantiram a volta da obra ao mercado, agora em edição especial com quatro discos. Além de uma versão restaurada do filme, os fãs e cinéfilos podem conferir muitos extras, dos bastidores a cenas excluídas da edição final.

O filme traz Judy Garland, protagonista da trama, cantando e dançando em números musicais inesquecíveis, embalados por uma inspirada trilha sonora, que rendeu dois Oscar (um deles para a canção-tema, “Over the Rainbow”). Tem ainda aqueles tipos fantásticos da história, o Espantalho, o Leão e o Homem de Lata, que alimentam uma fácula encantadora, para todas as idades.

Quem nunca viu o filme (ou nunca leu o livro) vai conhecer a vida pacata de Dorothy (Judy Garland), uma menina que mora com os tios (Charley Grapewin e Clara Bandick) numa fazenda, no Kansas. Ela é feliz, mas que se deixa impressionar facilmente.

Ultimamente tem estado preocupada com as ameças da vizinha mal humorada (a atriz Margaret Hamilton) que a está decidida a dar um fim no cãozinho de estimação da menina. Para compensar, tem o amor dos tios e dos simpáticos empregados da fazenda, tipos vividos pelos atores Bert Lahr, Jack Haley e Ray Bolger.

 

Realidade paralela

Mesmo amada, Dorothy resolve fugir, temendo pela sorte de seu cão. Na estrada, conhece um mágico fajuto, vivido pelo ator Frank Morgan, que acaba convencendo-se a regressar ao lar.

Só que, na volta, ela é surpreendida por um tornado e perde os sentidos. Daí por diante, a menina vai experimentar uma espécie de realidade paralela. Acorda num mundo colorido, bem diferente do que está acostumada a ver na fazenda.

Com ajuda da Bruxa Boa (a atriz Billie Burke), ela ganha sapatos cor de rubi e com eles atravessa o caminho de tijolos amarelos, chegando ao mundo do Mágico de Oz, onde vai viver a maior de todas as aventuras.

Este filme se inspira no livro homônimo (The Wizard of Oz), de L. Frank Baum, que foi transposto para a tela em sua superprodução que até hoje preserva seus encantos.

Os três discos extras deste lançamento trazem o trabalho de restauração do filme, a trilha sonora, o making of, o “legado de Oz” e mais um mundo de curiosidades. O único senão fica por conta da opção de tela no formato convencional de TV, sem preservar a proporção original vista nos cinemas.

(“O Mágico de Oz”/The Wizard of Oz – Estados Unidos, 1939/ De Victor Fleming)

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09
nov
09

L. Frank Baum

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O escritor e teosofista norte-americano, Lyman Frank Baum nasceu em Chittenango, em Nova York, em 15 e maio de 1856 e morreu em 6 de maio de 1919. Foi o responsável por criar um dos mais populares livros jamais escritos na literatura infantil americana, “O Maravilhoso Mágico de Oz”, ou apenas como é mais comumente conhecido,  “O Mágico de Oz”.

Baum é descendente de uma família alemã e teve oito irmãos. Apesar de ter recebido o nome Lyman em homenagem ao pai, ele nunca gostou e preferia ser chamado apenas de Frank, razão pela qual ele assinava os seus livros como L. Frank Baum.

Baum foi educado em casa juntamente com os irmãos, mas considerado muito sonhador pelos pais, quando completou 12 anos foi enviado para estudar na Academia Militar de Peekskill. Os pais acreditavam que ele precisava de uma educação mais rígida, mas após ficar dois anos na academia retornou para casa, após sofrer um incidente descrito como um ataque de coração.

Fascinado por livro, talvez por isso, começou a escrever muito jovem. Juntamente com alguns irmãos, ele publicava várias edições do jornal que eles denominaram “Jornal do Lar” e chegaram até mesmo a vender anúncios. Quando completou 17 anos, Baum criou um segundo jornal, chamado “O Coletor de Selos”, amador e impresso em brochura de 11 páginas, iniciando daí o negócio de troca de selos com seus amigos.

Neste mesmo período ele começou a interessar-se por teatro, o que foi a causa de sua condução ao fracasso e quase falência. Após sofrer o primeiro fracasso no teatro, aos 18 anos, ele abandona o objeto de sua devoção e passa a trabalhar como caixa na firma de um cunhado. Quando completou 20 anos iniciou um novo interesse: o de criar aves exóticas, que era moda da época.

Ao completar 30 anos publicou seu primeiro livro, “O Livro das Hamburguesas: Um Breve Tratado sobre Cruzamento, Crescimento e Gerenciamento de Diferente Variedades de Hamburguesas”.

Apesar da primeira decepção com o teatro e se lançando em águas mais profundas, ele não conseguiu ficar muito distante do palco. Com o pseudônimo de Louis F. Baum continuou participando de peças. Em 1880 seu pai o tornou gerente de uma rede de teatros que ele possuía e Baum então organizou peças de teatro para que pudesse atuar nelas.

Em 1882 Baum se casou com Maug Gage. E em 1888 eles mudaram-se para Aberdeen, Dakota do Sul, onde abriu a loja “Bazar Baum”. Mas ela não durou muito tempo, pouco tempo depois a loja faliu, o levando em seguida a editar um jornal local, o “The Aberdeen Saturday Pioneer”, onde foi o responsável por escrever uma coluna que se tornou famosa “Nossa Terra Senhora”.

Mais uma tragédia acomete a vida profissional de Baum. Em 1891, o jornal faliu e ele mudou-se com a família para Chicago, Illinois, onde ele arrumou mais um emprego em jornal, desta vez como repórter do “Evening Post” e trabalhou também como vendedor ambulante.

Em 1897 escreveu e publicou “Mamãe Ganso em Prosa”, uma coleção de rimas escritas em prosa e foi um sucesso, levando o autor a deixar o trabalho como vendedor ambulante.

Em 1899, “Papai Ganso” fazia parte de uma coleção de poesias infantis em estilo nonsense. O livro foi um sucesso absoluto e imediato, tornando-se o best-seller infantil do ano.

Em 1901, Baum juntamente com o ilustrador Denslow publicaram “O Maravilhoso Mágico de Oz”, que ganhou o título de best-seller por dois anos seguidos. Após o sucesso das aventuras de Dorothy no mundo de Oz, Baum publicou mais 13 livros baseados neste mundo encantado.

No final da vida, Baum estava doente e repleto de dívidas, devido aos incontáveis financiamentos de peças de teatro que lhe davam apenas prejuízo.

Seu último livro, “Glinda of Oz”, foi publicado em 1920, após a sua morte, mas a série continuou sendo escrita e publicada por muitos outros atores e por muito tempo. Dentre suas obras totalizam-se 70 livros para crianças.

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06
nov
09

A Bela e a Fera

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A cultura sempre foi um dos marcos mais importantes das sociedades humanas, sejam elas desde as primitivas, às atuais. É a cultura que nos diferencia e torna determinadas características próprias e típicas de um povo, cidade ou país.

Mas cultura não está apenas relacionada diretamente aos hábitos alimentares, de se vestir e comportamentais. A música, o cinema, o teatro e a literatura definem a cultura, os interesses, as preocupações, inquietações e gostos de um povo. Se solidificam no tempo e ultrapassam todos os tipos de fronteiras.

O conto “A Bela e a Fera” foi escrito no século XVIII, em 1748, na França por Jeanne Marie Leprince e quase três séculos depois continua vivo, ganhando ainda hoje novas adaptações, principalmente no teatro. O que enriquece os momentos de lazer de crianças e adultos, pois na era moderna contamos com diversos recursos que tornam as histórias antigas ainda mais atraentes e um presente para o público.

E, a partir de hoje, quem ganha um presente e tanto são os soteropolitanos, pois estréia hoje em Salvador no TCA a mais nova adaptação de “A Bela e a Fera”.

 

Segue abaixo uma matéria publicada no jornal impresso “Tribuna da Bahia” no dia 05 de novembro de 2009, na página 21 do caderno cultural.

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“A Bela e a Fera”

 

O romantismo clássico de um dos mais conhecidos contos do mundo chega a Salvador em um espetáculo com animações virtuais em 3D inédito no país.

Versão High-Tech

 

Uma versão inédita do musical “A Bela e a Fera”, dirigido por Billy Bond, terá pela primeira vez no Brasil, recursos em 3D durante a apresentação. A curta temporada do espetáculo se inicia amanhã e prossegue sábado e domingo, no Teatro Castro Alves. Os ingressos estão à venda na bilheteria local para as filas “A” a “P”, por R4 140,00, para as filas de “Q” a “Z”, por R$ 120,00, e para as filas de “Z1” a “Z11”, por R$ 80,00. classificação livre, mas menores de 14 anos somente serão permitidos acompanhados dos pais ou responsáveis.

Com roteiro baseado na obra de Jeanne Marie Leprince e inspirado nos musicais da Broadway e no filme de Jean Cocteau, a apresentação, com duração de cerca de uma hora e 35 minutos se destaca entre as inúmeras montagens que contaram a clássica história de “A Bela e a Fera” pelo uso de alta tecnologia. Logo na entrada do teatro, o público receberá óculos especiais. Já na sala de espetáculos estarão instalados telões com imagens em 3D. Todo o aparato possibilitará à platéia ver pétalas de rosas caindo, borboletas e morcegos gigantes voando pelo teatro.

Mas os efeitos especiais não param por aí. Além do filme 3D, há movimentos de cenários controlados por computador, iluminação e mágica. A montagem conta ainda com cinco cenários giratórios, que mudam com o decorrer do espetáculo. Segundo o diretor da peça, a idéia é apresentar o conto de fadas com uma linguagem mais vibrante para os jovens da era da internet e dos games. “É um espetáculo para toda a família. Um show que mistura cinema e teatro, onde adultos e crianças se divertem”, diz Bond.

A produção do musical conta com 200 profissionais, entre eles 22 atores que interpretam 40 personagens. O espetáculo conta ainda com mais 180 figurinos, quatro cenários giratórios, 15 trocas de palcos, 10 toneladas de equipamentos, muita pirotecnia e efeitos visuais deslumbrantes. Os diálogos foram adaptados pelo músico Billy Bond, com cuidados especiais com a direção. “A Bela e a Fera” é o terceiro musical da série de “espetáculos familiares”, que a produtora Black e Red desenvolve sob batuta de Billy Bond, homenageando os grandes clássicos da literatura infantil. O primeiro projeto, “O Mágico de Oz”, de 2005, foi assistido por mais de 1,8 milhão de pessoas em toda América Latina. O segundo foi “Pinocchio – O Musical”, que estreou em 2006 e foi aplaudido por mais de 900 mil pessoas em todo Brasil.

 

O clássico conto

Em uma pequena aldeia vive a Bela, uma jovem inteligente que é considerada estranha pelos moradores da localidade. O seu pai Marcel, um ex- comerciante que perdeu toda sua fortuna, se converte em um inventor que é visto por todos na cidade como um louco. Ela é cortejada por Gastón, um desastrado galã que pretende casar com ela. Mas apesar de todas as jovens do lugarejo o acharem um homem bonito, a Bela não o suporta, pois vê nele uma pessoa primitiva e horrorosa.

Quando o pai de Bela é ameaçado covardemente de perder sua casa por Gastón, caso Bela não se case, ela foge e se perde nos bosques durante uma tormenta. Para escapar dos lobos que a perseguem, procura abrigo em um castelo, tornando-se prisioneira da Fera, o senhor do castelo, que na verdade é um príncipe que foi amaldiçoado por uma feiticeira quando negou abrigo a ela.

A Fera e os “moradores” do castelo que lá vivem e também foram transformados em objetos falantes, sentem que esta pode ser a chance do feitiço ser quebrado. Mas isto só acontecerá se a Fera amar alguém e esta pessoa retribuir o seu amor. Só que tem de ser rápido, pois quando a última pétala de uma rosa encantada cair, o feitiço não poderá ser revestido.

Inspirado no livro original, musicais da Broadway e no livro e filme de Jean Cocteau, o espetáculo é baseado na obra de Jeanne Marie Leprince, que em 1748 publicou sua primeira obra “O triunfo da verdade”. Entre 1750 e 1780 escreveu quatro volumes de contos, entre os quais estão os mais conhecidos em: “Le Magasin dês Enfants” (A Revista das Crianças) que inclui o conto “A Bela e a Fera” e no filme de Jean Cocteau e as inumeráveis montagens na Broadway e no mundo.

belafera




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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