Posts Tagged ‘Philip Pullman

13
jun
10

Trilogia Fronteiras do Universo – A Bússola de Ouro

Nós já estamos acostumados a livros com histórias controversas e polêmicas. Principalmente quando mexe com o calo da Igreja Católica. E é neste contexto que se insere a trilogia “Fronteiras do Universo”, do maravilhoso autor britânico Philip Pullman.

Os livros que compõe a série “Fronteiras do Universo”: “A Bússola da Ouro”, “A Faca Sutil” e “A Luneta Âmbar”, ganharam o brilho dos holofotes em 2007. Ano em que o primeiro livro ganhou uma versão para o cinema. Pullman foi acusado de promover o ateísmo nas crianças e jovens pela Liga Católica, mas ele se divertiu com todo esse estardalhaço e não deu muita importância pela polêmica porque, para ele, tudo se trata de ficção para entreter e divertir aos pequenos e grandes leitores.

Os livros são classificados como infanto-juvenis, mas na minha opinião não tem nada de infantil e caso seja juvenil, está mais para juvenil-adulto. Prova disso é a grande quantidade de jovens adultos que admiram a coleção. As comunidades no Orkut e listas de discussão no Yahoo Groups estão aí para comprovar.

“A Bússola de Ouro” tem como protagonista Lyra Belacqua, uma criança de 12 anos, terrível! Ela é linda, respondona, mentirosa, parece um moleque, a princípio pensamos ser ela uma órfã criada por catedráticos, mas depois temos grandes revelações.

Lyra vive em Oxford, mas não a Oxford que conhecemos. Ela vive em um outro universo, parecido com o nosso, mas bem diferente em diversos aspectos. Os seres humanos, neste universo, tem daemons, seres que representam as almas humanas. Quando criança, os daemons mudam de forma constantemente, para muitas vezes, refletir o estado de espíritos dos humanos. Mas quando se chega a adolescência, os daemons tomam uma forma única e jamais poderão mudar. Geralmente os daemons tem o sexo diferente dos seus humanos e são os melhores amigos que um humano pode vir a ter. Eles não conseguem se afastar um do outro por uma grande distância, pois sentem uma dor extrema e quando um humano morre, imediatamente o daemon morre também.

O daemon de Lyra chama-se Pantalaimon e é praticamente impossível os leitores não se apaixonarem pelo doce Pan. A Oxford de Lyra é pacífica e tranqüila. Mas misteriosamente crianças começam a desaparecer e dentre elas, Roger, o melhor amigo de Lyra. Devido a isso ela parte em uma jornada complicada e arriscada para encontrá-lo e não descansará enquanto não cumprir a sua promessa. Para isso contará com amigos leais e muito corajosos. Conehcerá bruxas, ursos falantes de armaduras, descobrirá segredos que não a deixará feliz e se sentirá culpada por uma grande perda, o que a fará amadurecer e compreender a sua importância para não apenas seu universo, mas diversos universos que se encontram sobrepostos.

Em uma história em que religião e ciência se fundem, existe um raríssimo, poderoso e cobiçado objeto que é capaz de revelar a verdade. No entanto, é mais raro ainda que consiga manuseá-lo de forma adequada. Mas Lyra mostra o quanto ela e o aletiômetro podem se entender perfeitamente.

Um livro original, com elementos peculiares, muito gostoso de ler e também muito ousado ao estabelecer como vilão da história a Igreja. Por isso a perseguição da Liga Católica contra Pullman e seus livros. O autor se declarou agnóstico, mas isso não o torna um pregador e influenciador de crianças contra a religião.

Ouvi rumores de que no próximo filme, “A Faca Sutil” a sequencia de “A Bússola de Ouro”, no elenco estaria a atriz Drew Barrymore como a doce e corajosa cientista Dr. Malone. Mas duvido muito que haja uma sequencia. A adaptação do primeiro livro foi muito ruim, bastante criticada, não deu muito lucro e já faz quase três anos que o primeiro filme chegou aos cinemas. Uma pena, pois os livros são maravilhosos e o filme estragou o brilho de uma história original e muito criativa. Nem a participação de Nicole Kidman, Daniel Craig e Eva Green salvaram o que estava fadado ao insucesso.

Eu tenho um carinho em particular por essa trilogia, pois foi a que eu utilizei na minha conclusão de curso na universidade. Na minha monografia analisei o universo ficcional de Pullman em “Fronteiras do Universo” e analisei suas personagens segundo as premissas de Umberto Eco, Todorov, Antonio Candido, Teresa Colomer, Nelly Novaes Coelho, Flávio Kothe e outros tantos ótimos autores. Tive um prazer muito grande ao realizar esse trabalho porque Pullman tem um universo muito rico e muito gostoso de analisar. Para quem gosta de literatura, vale muito a pena conhecer mais os trabalhos de Pullman.

01
jun
10

Dia Mundial da Criança

Hoje, primeiro de junho, é o Dia Mundial da Criança e em homenagem a esses pequenos seres que enchem as nossas vidas de alegrias, encantos, diversão e esperança, selecionei algumas crianças adoráveis, especiais, pentelhas, maravilhosas, mágicas e encantadoras do universo literário.

1 – O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Ele é doce, inocente, puro e já emocionou muitas e muitas gerações de pequenos e grandes seres humanos. Assim como ele, devemos ser “responsáveis por aquilo que cativamos”.

2 – Zezé (Meu pé de Laranja Lima – José Mauro de Vasconcelos)

Qual leitor não riu das trapalhadas e travessuras do pequenino Zezé de José Mauro de Vasconcelos? Qual leitor não chorou e se emocionou com as dores e sofrimentos precoces do pequeno dono do pé de laranja-lima mais conhecido do Brasil? Zezé é aquele menino que a gente tem vontade de pegar no colo, acalentar e encher de beijos.

3 – Tistu (O Menino do Dedo Verde – Maurice Druon)

O doce menino que no final se torna aquilo que todos desconfiávamos desde o começo do livro: um anjo. Seu mágico dedo verde fez brotar não apenas plantas e flores para alegrar toda uma cidade, cultivou bons sentimentos em todos aqueles que conheceram a sua história simples e bonita.

4 – Lyra (A Bússola de Ouro – Philip Pullman)

Ela é mentirosa, sabichona, brinca com os moleques da rua, sobe em telhados, engana um urso de armadura, não gosta de tomar banho, mas mesmo assim faz todo leitor se apaixonar por ela e seu fofo Daemon, Pantalaimon.

5 – Artemis Fowl (Eoin Colfer)

O menino prodígio do crime é um anti-herói maquiavélico, seqüestrador de fadas e ladrão de ouro. No entanto, é divertido, inteligente e vive cheio de aventuras. Mexe com o imaginário infantil e prova que com amor e paciência, até os piores podem um dia se tornar bons.

6 – Harry Potter (J. K. Rowling)

Ele é o bruxinho mais amado nos cinco continentes. Quem nunca quis entrar nos livros de J. K. Rowling para ajudá-lo a superar todos os desafios a que fora submetido? Qual criança nunca sonhou estudar em Hogwarts, ter uma varinha e enfrentar os bruxos do mal ao lado do garoto que perdeu os pais pelo imenso amor que eles tinham por ele?

7 – Lucy (As Crônicas de Nárnia – C. S. Lewis)

Ela é um docinho, meiga, boa menina, comportada, corajosa e não mente de jeito nenhum. Uma criança assim, além de conquistar uma legião de adoradores, só podia ser mesmo destinada a ser uma princesa.

8 – Percy Jackson (Rick Riordan)

Para quem tem como pai Poseidon, o deus dos mares, ele não precisa de grandes apresentações. Um herói que carrega o peso de uma profecia, tem amigos leais, uma mãe apaixonada e vive se metendo em confusões. Ele e Contracorrente, sua espada mágica, vem conquistando muitos de fãs ao redor do mundo.

9 – Sunny Baudelaire (Desventuras em Sperie – Lemony Snicket)

Ela tem dois anos, mas dentes muito poderosos. Não fala muito bem, mas se expressa como ninguém com os seus irmãos Violet e Klaus. Uma das órfãs mais queridas da literatura. Fofa, engraçada, determinada e uma grande mestre cuca, para que mais?

10 – Emília (O Sítio do Pica Pau Amarelo – Monteiro Lobato)

Uma boneca de pano que ganha vida e com ela muitas qualidades e defeitos humanos. Ela é atrevida, desaforada, mandona, mas a boneca dos sonhos de toda menina. Até eu queria ter tido uma Emília para chamar de amiga.

É claro que outras personagens crianças mereciam e deveriam estar nesta lista, tais como Alice (“Alice no País das Maravilhas”), Charlie (“A Fantástica Fábrica de Chocolate”), Dorothy (“O Mágico de Oz”), Will (“A Faca Sutil”), Maggie (“Coração de Tinta”), Colin (“Colin Cosmo e os Supernaturalistas”), Nim (“As Aventuras de Nim”), Bruno (“O Menino do Pijama Listrado”) e tantos outros. As histórias são muitas, as personagens inesquecíveis, os autores maravilhosos. Mas convenhamos, esses dez são mesmo nota 10!

14
nov
09

‘As pessoas precisam de fantasia’, diz Sendak

monstroP2

 

Matéria publicada no Caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo, no dia 7 de novembro de 2009, na página E6.

‘As pessoas precisam de fantasia’, diz Sendak

Premiada obra infanto-juvenil norte-americana chega ao Brasil após 46 anos.

Trama foi adaptada para o cinema por Spike Jonze e estreou no mês passado nos EUA; longa deve chegar ao Brasil em janeiro de 2010.

Lucrecia Zappi

Colaboração para a Folha em Nova York

wherethewildthingsare_10

Os monstros de Maurice Sendak se parecem com os horrores da Segunda Guerra Mundial ou com a história do garoto Lindbergh, de Nova Jersey, seqüestrado do berço e encontrado morto em 1932, fatos que marcaram a infância do escritor no Brooklyn, em Nova York.

“Hoje em dia é o 11 de Setembro e praticamente qualquer história do jornal diário”, diz o autor e ilustrador sobre a inspiração para “Onde Vivem os Monstros, que ganha tradução no Brasil, pela Cosac Naify, 46 anos depois da primeira edição.

“A não ficção sempre vai ser importante, mas não supera uma boa história fictícia. As pessoas querem e precisam de fantasia”, diz Sendak, em entrevista à Folha.

Se, por um lado, o filho de imigrantes judeu poloneses une passado e presente para mostrar que o tema dos monstros não é privilégio seu, mas vem das ansiedades do inconsciente coletivo, por outro lado, se pergunta com inocência: “Mas não são todas mas crianças que têm medo deles?”

O faz de conta de Sendak resiste, em todo o caso, ao moralismo da literatura norte-americana. O autor reconhece que a censura sempre foi um problema no país. “Meu livro ‘In the Night Kitchen’ foi banido por causa do pênis do Mickey: os bibliotecários desenharam uma fralda por cima!” conta Sendak sobre a história, com referências ao holocausto, do menino que quase vai pro forno, rodeado por cozinheiros com bigodinhos hitlerianos.

O livro de 1970 está na lista dos “cem mais controversos de 1990 a 2000” da Associação da Biblioteca Americana. Em outra lista da mesma associação, a trilogia “Fronteiras do Universo”, do inglês Philip Pullman, aparece entre os primeiros dez livros de 2008 que diversas organizações nos EUA tentam banir das estantes das escolas e bibliotecas, seja por linguagem ofensiva, seja por conteúdo sexual ou homossexual. Segundo a Liga Católica, a trilogia passa uma mensagem “anticristã”.

“É uma vergonha que [a censura] continue a existir”, diz Sendak. “Mas, em alguns casos, os livros ganham a atenção que eles normalmente não teriam porque todo o mundo fica dizendo: ‘É terrível, não leia, você vai ficar louco!’ Então, quem não gostaria de lê-los?

onde-vivem-os-monstros_banner3

Prêmios

Sendak pode ser controverso, mas, aos 81 anos, acumula grandes prêmios da literatura, como o National Book Award e o Hans Christian Andersen, considerado no Nobel da literatura infantil. foi “Onde Vivem os Monstros” que o consagrou de vez, em 1963.

“Escolhi o títulos ‘Where the Wild Horses Are’ (“Onde Vivem os Cavalos Selvagens”, em tradução livre), antes de perceber que não sabia desenhar cavalos. Então, me decidi por ‘coisas’ e as baseei em minhas tias e tios, o que não é muito simpático, mas é a verdade”, diz o autor sobre o título “Onde Vivem os Monstros”, (“Where the Wild Things Are”, em inglês).

“O que mudou desde então foi tudo. E nada. Continuo sem saber como o livro tem atraído as crianças. Sinto-me feliz e grato, mas não entendo”. E no que deu certo ele não mexe. Nesse sentindo, acompanhou a produção da edição brasileira de casa, em Connecticut, opinando até na escolha do papel.

onde-vivem-os-monstros_banner2

Autor de diversos projetos visuais, como figurinos e cenários para ópera e teatro, Sendak participou da adaptação do livro para o cinema. O filme estreou nos EUA no mês passado e chega ao Brasil em janeiro.

“Sinceramente, não mudaria nada”, diz sobre o longa nada óbvio de Spike Jonze, que segue de perto os personagens com a câmera, explorando suas fobias e desconfianças, e tem trilha de Karen O, vocalista dos Yeah Yeah Yeahs.

“Mas, agora o filme saiu, estou feliz em voltar para os livros. Estou trabalhando em um chamado ‘Bumble-Hardy’! Depois, quero fazer outro para meu irmão”.

Maurice-Sendak

04
nov
09

Stephenie Meyer

stephenie-meyer2

Arrisco dizer que pelo menos 80% das adolescentes em todo o mundo já leu ou ouviu falar na série vampiresca “Crepúsculo”. Bella Swan e Edward Cullen povoou a mente de garotas e desmistificou um pouco os hábitos dos sugadores de sangue. De um pólo a outro, surge agora “A Hospedeira” com Melanie Stryder e Peregrina, personagens que envolve um romance de ficção científica que tem tudo para se tornar uma febre, tal como ocorreu com “Crepúsculo” E a grande realizadora deste feito chama-se Stephenie Sonnibe Meyer.

Nascida em 24 de dezembro de 1973 em Hartford, em Connecticut, mudou-se quatro anos depois para Phoenix, no Arizona, onde vive até hoje. Cresceu em uma família grande, com cinco irmãos. Frequentou a escola Chaparral High School, em Scottsdale, no Arizona e cursou inglês na Brigham Young University, em Provo, Utah, onde se formou em 1995. A sua formação acadêmica foi paga com o prêmio National Merit Scholarship que recebeu.

Religiosa, é membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Conheceu o marido Christian quando era criança e casou-se com ele em 1994. Tiveram três filhos: Gabe, Seth e Eli.

Meyer levava uma vida tranquila de dona de casa e mãe de família quando em Junho de 2003 teve um sonho que modificaria para sempre sua vida e marcaria a literatura mundial. Sonhou que uma garota e com um vampiro que se apaixona por ela, mas não podiam ficar juntos porque ele poderia não resistir à tentação de matá-la. Após esse sonho ela decide escrever uma história, o que a consagrou com uma das grandes revelações da literatura, sendo escolhida como um dos novos autores mais promissores de 2005 pela Publishers Weekly, com a saga “Crepúsculo”. A princípio Stephenie havia ficado surpresa por ter conquistado o público jovem com a sua história vampiresca e foi dando continuidade a trama, acrescentando outras personagens e seus dramas.

Por outro lado, a vida de Meyer após a explosão de sucesso com os livros que compõem a série não foi apenas flores. Ela foi acusada de plágio por uma ex-colega que alega ter contado a Meyer a trama de um livro que ela pretendia escrever, acusada de racismo porque seus personagens que não são brancos são os índios Quileute, todos lobisomens e considerados inferiores aos humanos, ao contrário dos ultrabrancos vampiros, considerados superiores que os humanos. Recebeu críticas de psicólogos que analisaram o romance de Bella e Edward como doentio, quando é descrito como um relacionamento perfeito. E recebeu críticas também do autor de livros de terror e o 3º mais rico do mundo, Stephen King, tendo declarado que nada do que Meyer escreve, presta, sendo tudo copiado de diversos escritores.

Mas, para mim, tudo isso é polêmica. Quanto a acusação de plágio, a reclamante teria que ter provas substanciais do que disse. Se teve essa idéia maravilhosa quando ainda era estudante, porque nunca escreveu a história? Porque demorou tanto tempo para declarar que a idéia era dela. Acusação de racismo é outra bobagem. Eu quero saber em que momento há no livro dela a declaração de que os lobisomens são inferiores aos humanos? E os vampiros superiores? Para mim, nessa história toda quem é inferior em tudo é o ser humano que além de frágil, não tem vida eterna e nem poderes para lá de especiais. Isso é um livro de ficção! Pelo amor de Deus, porque as pessoas tem que falar de tudo? Fazer polêmica com tudo? Quanto aos psicólogos que acham que esse relacionamento de Bella com Edward é doentio… Mais um monte de idiotice! Os psicólogos deveria é tentar cuidar da mente doentia de muitos malucos que andam soltos por ai, abusando de crianças, usando drogas e causando tumulto, não se preocupar se um romance entre dois personagens de um livro de ficção é saudável ou não. Stephen King realmente é bom, mas nada a ver ficar dando declarações polêmicas quando até mesmo ele deveria ter citado as fontes de cópia de Meyer. Acusar alguém de plágio é a coisa mais fácil do mundo, quem tem boca fala o que quer, mas acuse mostrando as provas e as fontes.

Ela não é a primeira que passa por esse tipo de situações e nem será a última. Todo mundo se lembra do que sofreu J.K. Rowling ao publicar as histórias dos bruxinhos mais famosos do mundo. Foi acusada de bruxaria e incentivar as crianças à heresia pela Igreja. Philip Pullman quando lançou a “Trilogia Fronteiras do Universo”, foi acusado também pela Igreja de heresia. Esse tipo de coisa é recorrente na literatura e acho que, infelizmente, nunca vai deixar de existir.

O fato é que a escritora é ótima! E a prova maior disso são as críticas positivas, os milhares de fãs que conquistou em todo o mundo, a quantidade de livros vendidos e a quantidade de línguas em que foram traduzidas as obras. Além disso tudo, se os livros fossem ruins será mesmo que empresários de Hollywood comprariam os direitos para produzirem os livros para o cinema? Óbvio que não. “Lua Nova” vem aí! Sucesso no livro e, com certeza, no cinema. Para mim, Meyer é um fenômeno.

 

stephenie

02
nov
09

A morte do livro?

livros

Hoje comemora-se o dia de finados. E a representação da data me fez refletir sobre a temática da “morte do livro”, constantemente abordada por futuristas ligados aos meios tecnológicos.

A minha geração lê muito pouco e conheço diversas pessoas que não chegam a sequer ler dois livros durante todo um ano. O que, para mim, é um absurdo, já que elas possuem todas as ferramentas à mão. Como a alfabetização, educação, tempo e dinheiro para comprar esses precioso produtos, mas que ainda são muito caros no Brasil: os livros.

Mas aqui mesmo no blog eu já disponibilizei dois sites em que as pessoas podem baixar diversos títulos diferentes, se a questão for exclusivamente dinheiro para comprar os livros que gostariam de ler. Logicamente que a grande maioria de títulos não está disponível, apenas aqueles que usuários digitalizaram, mas são muitos e bem diferentes.

Mais raro ainda é encontrar jovens em bibliotecas públicas e em sebos. Tudo que se quer hoje em dia se encontra na Internet. Eu me pergunto o que faríamos sem o Google. Entretanto, a biblioteca é extremamente importante para o aprendizado e à pesquisa.

A culpa é de quem? Da família que não lê e, por conseqüência, não estimula as crianças e jovens? Da escola que não estimula adequadamente? Dos próprios jovens que não se esforçam para cultivar o hábito de ler? A culpa é do sistema pelos livros serem tão caros e inacessíveis? Por mais que se discuta isso acho que nunca vamos chegar ao “culpado”.

Eu cresci em uma família em que minha mãe nunca foi muito fã de leitura, mas, por outro lado, meu pai sempre devorou livros. Todas as vezes em que ele ia a uma livraria quando eu era criança, me levava junto e, mesmo que eu me recusasse a escolher dois livros para levar, ele comprava três. Mal havia aprendido a ler e ele já me enchia de revistinhas em quadrinhos. A turma da Mônica fazia mais parte de minha vida do que até mesmo os meus avós. Cresci com o hábito de ler como parte fundamental e essencial na minha vida, mas confesso que quando a escola recomendava (e obrigada) que os alunos lessem os livros didáticos que seriam cobrados em provas e vestibulares, isso me frustrava. Os livros não eram o que se pode chamar de inspiradores e que despertassem a imaginação.

A escola tem um papel fundamental e importantíssimo na função educativa das crianças e adolescentes, então porque não escolher títulos mais atrativos? A função moralizante do livro cabia a época de Perrault, desde Monteiro Lobato que essa característica não é mais utilizada nos livros infanto-juvenis. Me pergunto então porque as escolas insistem nisso?

No ano em que fiz vestibular tive que ler “Senhora”, “Vidas Secas”, “O triste fim de Policarpo Quaresma”, “Viva o povo brasileiro”, “Dom Casmurro”, “A mulher no espelho”, “A hora da estrela”, etc. São ruins? Não, mas não são os livros mais atrativos do mundo para um jovem de 17, 18 anos. Clarice Lispector é maravilhosa. Adoro. Mas com certeza quando se está na faculdade o impacto de lê-la é muito diferente de quando se lê quando se tem apenas 16, 17 anos.

A maioria das crianças e jovens querem ler aquilo que o tire do cotidiano, que o transporte para outros mundos, para o diferente. Porque não ler e discutir J.K. Rowling, Edith Nesbit, Philip Pullman e Meg Cabot quando se está na escola? As crianças leriam com prazer e não por obrigação, pois é o que ela lê em casa por lazer.

Tudo é questão de seguir as etapas. Com 12, 13 anos qual a completa capacidade de se entender a mensagem transmitida e o conteúdo em “Vidas Secas”? Só um jovem com grande maturação literária compreenderia.

Enfim, divaguei um pouco ao tema proposto neste post, mas voltando… a morte do livro (livro comum impresso em papel). Será que veremos isso acontecer?

kindle2_02

A empresa estadunidense Amazon lançou o Kindle, um leitor eletrônico e já está a venda no Brasil. O que representa o maior salto dado até hoje em livro digital.

O Kindle é um sucesso nos Estados Unidos, já vendeu mais de um milhão de unidades por lá. Além do Brasil, mais 99 países poderão apreciar o produto.

Tecnicamente o Kindle é um leitor eletrônico e os brasileiros só poderão comprá-lo no site da Amazon, ao salgado valor de R$ 1016,00.

De posse do Kindle, o usuário poderá armazenar 1500 livros e através de um acesso sem fio, ao estoque de mais de 200 mil livros digitalizados a vende no site. Os livros custam em média R$ 20,00 e podem ser baixados por uma conexão 3G em menos de um minuto. Os usuários poderão também ter acesso a revistas e jornais.

As vantagens do Kindle são muitas. Ele tem um mecanismo de busca em que só é preciso digitar as palavras desejadas que ele indica onde elas se encontram. Um espaço exclusivo onde os usuários podem fazer as suas anotações a respeito do livro. Vai resolver a questão do espaço físico para quem tem problema com estantes para guardar os livros e será o mais adequado uso na era do ecologicamente correto, com a não necessidade de uso do papel. Por outro lado, ainda é muito restrito o número de títulos em português. A maioria é na língua inglesa, o que se torna um problema para quem não domina o idioma. A visualização da tela ainda não é o ponto forte, pois é apenas em tons de cinza, mas a Amazon espera que em cerca de dois anos possa ter uma versão colorida.

ebookreader-vrs-livro1

Há quem aposte que o Kindle vai colocar a existência do livro físico em extinção. Eu, particularmente, não acredito nisso. Pelo menos não creio que isso acontecerá no Brasil. Convenhamos que a maioria das pessoas não está comprando livros que custam em média R$ 30,00 para comprar um aparelho que custa mais de mil reais e irão pagar R$ 20,00 por livro virtual? Sem falar que vivemos uma insegurança pública muito grande em todas as partes do país. Seja nas médias ou grandes cidades. Será mesmo que aquele usuário que aderir ao Kindle e, por exemplo, precisa se locomover de ônibus vai ter coragem de usar um produto eletrônico dentro de um coletivo e ler os livros enquanto espera chegar ao seu destino? Será que ele não terá receio de ser assaltado? Muito provavelmente sim. Alguém já ouviu falar sobre pessoas que tiveram seus livros roubado em coletivos? Eu não conheço. O ladrão não quer um livro, mas um produto eletrônico sim, mesmo que ele nem saiba o que é e para que serve.

Além do que eu duvido muito que as gerações mais antigas, tão mais resistentes às mudanças, excluam de suas vidas os livros impressos. E, independente de geração, para quem é leitor voraz, nada melhor do que sentir o livro, pegar no livro, sentir o cheiro da impressão, da tinta no papel.

Eu acredito que um completará a existência do outro, não que o Kindle vá representar a extinção e morte do livro físico. Para mim o Kindle veio para somar e não excluir. O importante é que a população (principalmente a brasileira) leia. Seja livro virtual ou livro impresso. O importante é a cultura, é a vontade de continuar conhecendo e se divertindo com boas histórias.

090209_kindle2

19
out
07

A Bússola de Ouro – Trailer do Filme

Hoje o Universo Literário traz um trailer de um filme baseado em um livro muito especial que terá um post ainda mais especial. Por algumas razões. O livro é simplesmente maravilhoso, que mistura diversos gêneros e aborda diversos temas, tais como literatura fantástica, ficção, conto de fadas, teologia e física quântica.

O filme “A Bússola de Ouro” tem data de estréia prevista para o dia 25/12/07 e é baseado no primeiro livro da Trilogia Fronteiras do Universo e Philip Pullman (um autor já apresentado aqui com o livro A filha do fabricante de fogos de artifício). Conta com nomes fortes da sétima arte, inclusive o de Nicole Kidman que interpretará uma personagem muito obscura e cheia de mistérios, possuidora do que se pode chamar de realidade de uma personagem de fição que poderia se aplicar ao mundo real, pois todo ser humano seu o seu lado cruel e enigmático exposto pelo menos uma vez na vida.

Em breve tratei um post sobre o livro “A Bússola de Ouro” e terei muito cuidado e carinho ao apresentar ele aqui, pois ele será o objeto de estudo do meu Trabalho de Conclusão de Curso na universidade.

Divirta-se com o trailer de mais uma super-produção que vem por ai.

17
out
07

“A Filha do Fabricante de Fogos de Artifício”

filhadofabricantedefogos.JPG

Este é um divertido livro de aventura do autor inglês Philip Pullman. Ambientado no Oriente, com personagens muito engraçados, levando os leitores, em alguns momentos, a muitas risadas. Uma história fantástica que aborda temas como laços de amizade, coragem, bravura, a relação entre pai e filha e as tradições que são seguidas à risca em uma região onde tradição e cultura devem ser respeitadas com seriedade.

“A Filha do Fabricante de Fogos de Artifício” conta a história de Lyla, uma garotinha de 11 anos que tem o sonho de se tornar uma fabricante de fogos de artifício, como o seu pai, Lalchand. Em busca de realização do seu sonho Lyla enfrenta piratas, um Demônio do Fogo, um terremoto além de experientes e conhecidos fabricantes de fogos de artifício.

Mas Lyla não está sozinha na sua aventura. Conta com a ajuda de seu mais fiel amigo, Chulak, seu pai e de um ser muito diferente e especial: um enorme, precioso e especial elefante branco, Hamlet.

Uma história alegre e divertida que irá agradar não apenas os pequeninos, também adultos que conseguem fantasiar as incríveis histórias de Pullman.




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

Blog Stats

  • 1,465,670 hits

No Twitter

RSS Ocasional

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.
julho 2017
S T Q Q S S D
« abr    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

Páginas

Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 76 outros seguidores

Mais Avaliados