Archive for the 'José Mauro de Vasconcelos' Category

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José Mauro de Vasconcelos

jose mauro de vasconcelos

O escritor José Mauro de Vasconcelos, nasceu no Rio de Janeiro em 26 de fevereiro de 1920, de origem pobre, quando era criança chegou a viver com alguns tios na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte.

Já crescido, por dois anos, cursou Medicina na capital potiguar, porém resolveu abandonar o curso esperando encontrar melhores oportunidades na sua cidade natal. Quando retornou ao Rio de Janeiro exerceu funções diversas, de boxer a carregador de frutas. Sua vida nunca foi fácil e com muitos sonhos na cabeça, mudou-se para São Paulo. Começou sua vida em Sampa como garçom de boate e trabalhou em outras áreas.

Passou um período viajando em muitos países da Europa e ganhou uma bolsa de estudos na Espanha até ganhar uma bolsa de estudos na Espanha. Retornando ao Brasil, trabalhou com os irmãos Villas-Boas e, juntos, exploraram até então muito pouco conhecida região do Araguaia, que inspirou a temática para o primeiro livro que ele escreveu: “Banana Brava” (1942), lançando quando ele tinha apenas 22 anos.

José Mauro Vasconcelos viveu em muitos lugares bem distintos, exerceu diversas profissões muito diferentes e, diante disso, conheceu muitas culturas e os tipos mais variados de pessoas. Demonstrando ser muito sensível, desenvolveu um estilo de escrita simples e emotiva, que atinge profundamente o leitor

É um escritor respeitado, conhecido e valorado muito mais em outros países do que no Brasil e consta em listas de escritores brasileiros mais lidos no exterior. Seus livros foram traduzidos para o alemão, inglês, espanhol, francês, italiano, japonês e holandês, entre outras línguas.

O livro “Meu pé de Laranja Lima”, foi o seu maior sucesso editorial e inspirou adaptações para uma novela de televisão e filme para o cinema. Vendeu em seus primeiros meses de lançamento, 217 mil exemplares, e foi inspirado em suas próprias experiências pessoais ao retratar os choques que ele sofreu na infância com as mudanças bruscas na sua vida. Além de “Meu Pé de Laranja Lima”, muitos outros de seus livros ganharam versões cinematográficas.

O mercado editorial brasileiro perdeu um grande e sensível escritor com a morte de José Mauro de Vasconcelos no dia 25 de julho de 1984.

Suas principais obras são:

(1942) Banana Brava

(1945) Barro Blanco (grande sucesso de crítica)

(1949) Longe da Terra

(1951) Vazante

(1953) Arara Vermelha

(1955) Arraia de Fogo

(1962) Rosinha, minha canoa

(1963) Doidão

(1964) O Garanhão das Praias

(1964) Coração de Vidro

(1966) As Confissões de Frei Abóbora

(1968) Meu pé de Laranja Lima

(1969) O Palácio Japonês

(1969) Rua Descalça

(1970) Farinha Órfã

(1972) Chuva Crioula

(1973) O Veleiro de Cristal

(1974) Vamos Aquecer o Sol

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Meu pé de laranja lima

meu pe de laranja lima

“Meu pé de laranja lima”, escrito por José Mauro de Vasconcellos, foi publicado em 1968 e obteve uma aceitação tão grande pelo público que o seu sucesso se estendeu para a televisão e o cinema nacional. Como uma história bem escrita e emocionante ultrapassa as barreiras do tempo e do espaço, em 2003, foi publicado na Coréia em uma edição de 224 páginas ricamente ilustradas uma versão de “Meu pé de laranja lima” em forma de quadrinhos.

Na história, a personagem principal, Zezé, um menino de cinco anos, fazia parte de uma família grande e muito pobre. Sua mãe trabalhava em uma fábrica e o seu pai estava desempregado, com muitos filhos para criar, a família passava por diversas privações e dificuldades. Como não podiam ter uma pessoa para trabalhar na casa e cuidar das crianças, os mais velhos acabavam sempre cuidando dos mais novos, e nem Zezé, no auge dos seus cinco anos de idade, escapava das regras da família, e tomava conta do seu irmãozinho mais novo, Luís.

Como a maioria das crianças de cinco anos, Zezé era curioso, adorava aprender e conhecer novas coisas, novas palavras, era, sobretudo, muito interessado pela vida e a maior parte do seu tempo passava nas ruas brincando e fazendo algumas coisas erradas. Como conseqüência, ouvia dos pais e irmãos que era um mau menino, que ele só fazia maldades e diversas vezes recebia castigos dos pais e dos irmãos mais velhos, pelos seus feitos. Zezé não sabia e entendia como era realmente fazer parte de uma família na sua totalidade, que envolvia receber e dar o carinho, ternura, cumplicidade, entendimento e diálogo.

Com poucos recursos e sem o pai conseguir um emprego, houve a necessidade da família trocar de residência e na casa nova, Zezé encontra no quintal um mundo novo, cheio de vida e um pequeno pé de laranja lima. Neste último, ele não vê muitas possibilidades de diversão, nem lhe agrada a idéia de ser dono de uma árvore. A medida que o tempo vai passando, Zezé encontra alento e um amigo na sua pequena árvore. Mas ele percebe que quando desabafava com seu pé de laranja lima, a conversa fluía. O pé de laranja lima era capaz de conversar com Zezé, que prontamente toma sua árvore como melhor amigo, confidente e lhe dava todo o carinho que sempre foi suprimido pela sua família, ganhando da criança um nome, Minguinho.

Uma certa feita, Zezé em mais uma de suas traquinagens, pegou uma carona ao lado de fora de um carro (não apenas um mero carro, mas o carro mais bonito da cidade), que pertencia ao português Manuel Valandarez. O garoto e o português, a princípio, tinham um relacionamento complicado, pois em mais uma das traquinagens de Zezé, Manuel lhe repreendeu com uma surra, o que magoou e irritou profundamente a criança, que jurou vingança. Mas, doce e solícito, Zezé foi se esquecendo da sua promessa de vingança e uma relação muito carinhosa, cheia de entendimento e cumplicidade marcou a vida deles dois. O português tratava Zezé como um filho e jurou adotá-lo, mas um triste acidente leva embora a vida de Manuel e os sonhos de Zezé.

Como uma tragédia geralmente vem acompanhada de outra, Zezé é informado de que Minguinho seria cortado. Com a morte de Manuel, Zezé sucumbe a uma depressão, parando aos poucos de comer, deixando de falar, vivendo prostrado em cima de uma cama. No fundo o que Zezé queria era também morrer. E a família sem ter conhecimento da relação entre o português e o menino, acredita que a causa da tristeza profunda de Zezé foi a notícia de que seu pé de laranja lima seria cortado. Mas, Glória, a irmã favorita de Zezé, aos poucos consegue fazer o menino voltar a sentir vontade de viver.

Confesso que ao ler “Meu pé de laranja lima” me emocionei em diversos momentos e também refleti sobre muitas questões. Considero um livro triste, comovente e muito marcante. Zezé é uma criança extraordinária, fala e age como certamente nenhuma criança de cinco anos falaria ou agiria. Mas o que importa é que através de uma criança de cinco anos, o leitor é tocado por sentimentos muito fortes e se envolve de tal forma que as vezes parece estar dentro da história.

De 29 de setembro de 1980 a 25 de abril de 1981 a rede de televisão Bandeirantes exibiu durante a sua programação a novela “Meu pé de laranja lima”, adaptada por Ivani Ribeiro, com direção de Edison Braga, Antonino Seabra e Waldemar de Moraes. O sucesso do livro de José Mauro de Vasconcelos também se estendeu para o cinema.




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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