Archive for the 'John Boyne' Category

28
jun
10

O Garoto no Convés

Os mais observadores, principalmente os leitores mais atentos que gostam que analisar capas de livros, notarão que “O Garoto no Convés” tem alguma semelhança com “O Menino do Pijama Listrado”. Não se trata apenas de terem sido escritos pelo mesmo autor, John Boyne, mas também pela capa, praticamente igual, só mudando as cores (falta de criatividade ou marca registrada? Risos. Vamos saber quando ele lançar outro livro). Fiz essa pequena montagem só para uma melhor visualização.

Desta vez, Boyne volta muito mais no tempo, o século escolhido é o XVIII e vamos encontrar muitas aventuras, batalhas, dramas, guerras, violências, humilhações, torturas, descoberta do amor, paixões, maus tratos e também amizade e traição entre um navio, um capitão e toda sua tripulação.

Assim como o autor, a personagem principal do livro chama-se John, um garoto órfão inglês, abandonado à própria sorte e criado em um orfanato. Sofreu uma série de abusos, inclusive sexuais. Quando adolescente fora pego furtando nas ruas e recebera como punição embarcar em um navio e passar um tempo ao lado do capitão, como o seu criado. Como combinado, finalizada a viagem, ele poderia retornar à liberdade.

John aceita a oferta, mas não imagina o que enfrentará a bordo do Bounty, o navio que o levará à grandes provações, dissabores e também a grande amadurecimento. Logo de partida, John percebe que a viagem não chega nem perto da grande aventura positiva que ele sonhou ter.

“O Garoto no Convés” é um livro extremamente interessante. Muito diferente de “O Menino do Pijama Listrado”, não tenho nem como comparar, pois a temática é completamente diferente, o estilo é outro, até a escrita é diferente. Não é um livro de todo triste, é muito menos triste que o primeiro, mas também é cheio de passagens fortes, a personagem principal é submetido a diversas provações mesmo para alguém tão novo e tem uma carga emocional muito grande. Tem muitas partes de aventuras, é ambientado em uma época muito mais remota e as descrições dos locais, da época, das personagens, das relações humanas são pontos bastante positivos no livro.

É um livro muito envolvente, a escrita é uma delícia, prende muito o leitor, não é enfadonho em momento nenhum e é uma história muito interessante. Vale a pena demais ler e recomendo muito a todos que se interessam por histórias com cenários exóticos, lições de lealdade e que não se incomodam com um pouquinho de intriga e ingenuidade. Boyne acerta mais uma vez e vai ganhando cada vez mais pontos na escala de excelentes autores da modernidade, pois mostra como é capaz de se reinventar a cada novo livro.

27
jun
10

O Menino do Pijama Listrado

“O Menino do Pijama Listrado” chegou devagar no Brasil, aos poucos foi avançando nas listas dos mais vendidos, mas na Irlanda, país de origem do autor do livro, John Boyne, permaneceu como o livro mais vendido durante um ano. Conquistou fãs em várias partes do mundo e não foi a toa que ganhou uma versão para o cinema.

Boyne conta a história de Bruno, um garoto de nove anos, alemão que vive em Berlim no período da II Guerra Mundial. Alheio a tudo o que vem acontecendo e a importante posição que o seu pai exerce dentro do governo de Hitler, o garoto se vê obrigado a se mudar de Berlim, onde tem uma vida agradável e feliz, amigos, uma casa enorme de cinco andares para ir viver com a família em um outro país, frio, distante, onde ele não conhece ninguém e seus vizinhos são todos estranhos que vivem sob cercas e usam pijamas listrados.

Ou seja, Bruno e sua família precisam se mudar para a Polônia e têm como vizinhos o campo de concentração de Auschwitz. Bruno se sente sozinho nesta nova vida e com a ociosidade ele passa a observar  da janela do seu quarto os seus vizinhos. Bruno nota em especial um garoto do outro lado da cerca e começa a fazer amizade com ele. A partir desta relação ele começa a descobrir mais sobre a sua própria família, sobre o seu país, sobre os seus vizinhos que moram do outro lado da cerca e sobre tudo o que ele sempre fora alheio.

No entanto, essa amizade pura e singela selará para sempre o destino não apenas de ambos, mas também de toda a família de Bruno. O holocausto em si é terrível de se imaginar, mas é ainda muito pior, muito mais triste e comovente perceber e tentar sentir a dor através dos olhos infantis.

Para os leitores que tem um certo conhecimento, mesmo que superficial, sobre o que foi o holocausto, Boyne, não descreve nem por cima de fato o que aconteceu, acho que para preservar os leitores mais jovens, mas não dá para fingir que não aconteceu. Esse é um tema delicado e a proposta idem.

O livro gira muito em torno de Bruno, algumas passagens são desnecessárias, mas as melhores partes são quando ele e Shmuel estão juntos. Essa amizade que eles constroem sim é o grande ponto alto do livro, o que faz com que valha a pena indicar o livro para outras pessoas lerem.

No geral é um bom livro, uma boa trama, a história é bem amarrada, o final é surpreendente, a história passa uma boa lição, mas eu tenho os meus poréns. Como disse anteriormente, se é um tema delicado, deve ser tratado com cuidado, pois nem infanto-juvenil o livro é, apesar de ter duas crianças como personagens principais. O holocausto foi e é extremamente algo delicado até hoje, dizimou milhões de pessoas, famílias inteiras sofreram e sofrem até hoje. Achei que Boyne “pegou leve” demais. Juro que não entendi e sinceramente já desisti de tentar entender, afinal jamais saberei mesmo. E outro ponto negativo é a edição brasileira. Eu queria muito ver a edição inglesa ou saber se tem uma edição mais nova da brasileira, pois a que tenho é cheia de erros de pontuação. Péssimo isso! Enfim, mesmo assim na balança o livro sai no lucro e eu o indico, pois vale a pena a leitura pela diversão, pelo lazer e pela história.




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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