Arquivo de outubro \29\UTC 2009

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out
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Escada de livros

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Quando vi essa foto no site www.livroseafins.com achei bem legal e interessante.

Uma analogia muito interessante de cada livro que a criança lê significando um degrau a mais que ela sobe na escala da cultura, conhecimentos gerais e momentos prazerosos.

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Um país melhor é um país de leitores – Ziraldo parte 1

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Pedro Benjamim Garcia e Tania Dauster organizaram o livro “Teia de autores” (lançado  em 2000 pela Autêntica Editora) após reunirem uma série de entrevistas com grandes autores nacionais de livros de temática infanto-juvenil, entre 1996 e 1997.

A entrevista que será postada hoje foi feita com o desenhista de humor cartunista, jornalista, advogado, autor teatral e escritor para pequenos e grandes, Ziraldo.

“Eu não faço livro didático, tenho pavor. Criança não quer essa coisa, ela se sente traída quando o livro tem uma segunda intenção, ela fica pau da vida”.

Qual é a importância da leitura?

Acho que a um dos caminhos para um país melhor é fazer dele um país de leitores. O pior é que agora, na era da informática, você vai deixar cada vez mais o sujeito entregue à globalização, ao comando de quem tem mais poder mesmo, a essa terceira coisa colocada na velha dicotomia capital/trabalho: a informação. Os caras que tinham o capital acrescentaram a informação, e quem tinha o trabalho se deu mal: ficou dois a um. Ninguém percebeu que o capitalismo, pela informação, arrasou com a hipótese da esquerda. E ainda mais com uma velocidade dessas… se um povo não lê, fica muito longe das grandes nações do mundo e fica mais perto das tragédias.

Você vem, há muito tempo, desenvolvendo a formação do leitor…

É a pergunta que mais me fazem nas escolas: como é que eu faço o meu aluno gostar de ler, como transformo meu aluno num leitor. Acho essa discussão bastante interessante.

Aquele slogan “Ler é mais importante que estudar” teve repercussão?

Muita, muita; esse meu livro, “A professora maluquinha”, balançou mesmo o negócio. Além do filme produzido pela TV Educativa, umas doze peças de teatro estão sendo, nesse momento, encenadas no Brasil e as professores estão muito abaladas, quer dizer, as professoras que têm acesso à informação. A grande maioria das professoras brasileiras nunca leu um livro na vida. Assim não adianta fazer manual de instruções para elas, pois não vão saber ler. Sem monitoramento, não se consegue resolver a questão da educação. Helena Antipoff – discípula de Claparède, que Getúlio mandou buscar na Suíça para fazer uma reforma no ensino em Minas – quando viu a escola do interior, disse: “não tem saída”. Aí ela preparou 150 mocinhas de 19 anos como missionárias e mandou uma para cada cidade do interior para conversar com a professora. Deu uma rebordosa no ensino. Eu peguei essa época, sou fruto da revolução de Helena Antipoff. Minha escola foi absolutamente estimulante: tinha muita dramatização, leitura, muito Monteiro Lobato, que era proibido pela Igreja. Era muito engraçado.

Você considera, como muita gente, que a escola atrapalha a relação do aluno com a leitura?

Sim. Eu ficava de castigo na biblioteca por estar lendo gibi, Monteiro Lobato, qualquer coisa na sala de aula e não prestar atenção à professora. “O que você ta lendo ai?” e ela tirava o livro da gente. Eu até contei isso na Professora maluquinha…

Você acha que é possível fazer uma escola não tão repressora, sem horários determinados?           Não, não é possível, claro. Inclusive Summerhill foi um fracasso. Não há um ex-aluno dessa escola que se tenha destacado; quer dizer, o diretor Neil disse que não ia fazer ninguém se destacar e que ia fazer um monte de gente feliz. Mas também não vi depoimento de nenhum ex-Summerhilliano dizendo que foi feliz. Acho que isso fundiu a minha cuca com meus filhos porque eu era muito summerhilliano quando jovem. Mas criança precisa, fundamentalmente, de limite. É preciso lembrar o seguinte: toda vez que se é justo, não há traumas. É preciso ter um critério geral de justiça; mas quando der uma palmada em seu filho porque ele mereceu, não causará trauma de jeito nenhum. Agora, você não pode é castigar o menino que quebrou o vaso, pois ele já foi punido por ter feito isso e já entrou em pânico. Aí você dá uma porrada nele e ele fica danado da vida com você. Mas ele só aprende isso depois da porrada. É preciso lembrar das suas razões infantis, não é? Mas, sem disciplina, não tem solução.

O que é gostar de ler?

É vocação, igual a pintar, cozinhar… A grande palavra é “curiosidade”; inteligência é curiosidade. A maioria dos seres humanos nasce sem surpresas, sem questionamentos em relação ao mundo; tudo está aí, deve ser assim mesmo. Já outros nascem e querem saber mais.

Na infância tem a fase dos “porquês”, você repara que a criança perguntadora é mais inteligente, inquieta, criativa, a mais tudo. A curiosidade é importante porque, de qualquer maneira, é um mistério essa coisa da vocação.

Descobri isso ao longo da vida: tem menino que “nasce com livro debaixo do braço” e quando vê o “objeto livro” fica fascinado. Não me lembro de ter acontecido isso comigo, mas o Baden Powell me contou que, quando tinha uns seis, sete anos, estava indo para a escola e passou na casa de um vizinho novo. No quarto dele tinha um violão pendurado na parede em cima da cama. Baden olhou para o violão e disse: “O que é isso?” O cara disse: “é uma coisa que toca”; e começou a tocar para o menino que, maravilhado, disse: “eu posso tocar?” O vizinho disse: “pode”. E aí ele não foi mais à aula, fugia de casa, encheu tanto o saco do cara para tocar que ele lhe deu o violão porque ele é igual ao menino do canarinho. É uma coisa misteriosa, que acontece também em relação ao livro.

A lembrança mais antiga que tenho na vida está numa foto com meu irmão, na qual eu tinha uns 5, 6 anos e estava com um livro na mão. Minha mãe, na hora de tirar o retrato, disse: “traz o companheiro dele”, e alguém perguntou: “que companheiro, Zizinha?” Ai, eu disse: “meu livro”. Quer dizer, ele era meu companheiro, devia ser o meu brinquedo preferido. Eu me lembro que ele foi todo colado com grude, só a capa estava bonitinha. Quando eu abri, mamãe tinha colado o livro de cabeça para baixo, aí eu peguei, virei o livro e ela falou: “Ta de cabeça pra baixo”. E eu respondi: “mas dentro, ta de cabeça pra cima”.

Seu irmão da foto é Zélio?

É o Ziralzi, entre mim e o Zélio. Dos quatro irmãos homens, foi o único que não seguiu esse caminho.

Todos com Z, Ziraldo?

            Não. Ziraldo, Ziralzi, Zélio, depois vem Maria, Maria Elisa, Maria Elizabete, depois Geraldo. Eu sou artista, Ziralzi é vendedor, Zélio é artista, Maria – a Santinha – e Lelena são professoras, Bebete é pintora, Geraldinho é designer. Então, são quatro irmãos artistas. Agora, os vinte e dois netos de meu pai são todos artistas, não tem nenhum útil (risos). Tudo é designer, ator, pintor…

28
out
09

Um país melhor é um país de leitores – Ziraldo parte 2

Então você acha que tem essa coisa do imponderável e também do familiar…

Talvez sim. Daniela, minha filha mais velha, nasceu com o dom da linguagem. Já Fabrícia e Antônio não se interessavam pelo “objeto livro”. Não tinham essa coisa de comer lendo, né? Minha neta mais velha, é impressionante… ela não quer saber de brinquedo, ela quer é livro, ela mexe com livro… a menina da Daniela, também. Isso é que quero contar: se a casa está cheia de livros, se a família convive com livros, isso não vai fazer da pessoa um leitor porque minha casa sempre foi assim e Antônio e Fabrícia não atravessam o livro com a mesma facilidade da Daniela. Se você não leu facilmente quando era criança, vai ser um leitor lento, sofrido, e não um leitor prazeroso. Por isso, a primeira coisa na infância é possibilitar a máxima convivência possível com o livro.

Tanto na família quanto na escola?

Não, da escola a gente fala depois. Pelo que observei, dar muito livro de presente, ler histórias para as crianças, é por aí. “Que livro eu vou dar pra criança?”Qualquer livro que você levar, pode ler que ela vai ficar quietinha, vai ouvir até “Os irmãos Karamazov”. Não existe história infantil se você lê para a criança. A sua voz, lendo livro para ela, é que vai interessá-la na história. A grande literatura européia para criança era chamada de bedtime story, a história da hora de dormir. Não havia – e não há – criança no mundo que consiga atravessar um clássico da literatura infantil européia. É o adulto que lê para a criança porque os livros são chatérrimos. A pequena seria, por exemplo, tem uma segunda parte insuportável, com uma filosofia barata, negócio de mar, espuma do mar… agora, com a mãe lendo para a criança, ela fica três dias ouvindo porque o negócio é a voz da mãe, o que é bom.

Um dia, minha filha caçula, Fabrícia, estava lendo uma história para sua filha Nina, com oito ou nove meses. Aí eu falei “Minha filha, pirou? Ta lendo uma história para um bebê?”. Ela falou: “Não, papai, prefiro contar uma história do que cantar música, que ela vai ouvir o tempo todo. História, ninguém vai ler para ela, só eu. Não que ela entenda agora, mas eu fico contando histórias e ela fica caladinha e dorme”. Aí eu falei: “Ah, bom! Mas você pode inventar uma história, não precisa ler”. E ela disse: “Não, não, eu estou com o livro aqui para ela saber que essa coisa agradável sai desse objeto, o que é motivador…”.

Acho que essa coisa de ler para o filho desde cedo, no berço, vai ajudar muito a criança a descobrir o prazer da leitura. Depois, vem a escola, e acontece o aprender a ler, a descoberta do caminho da leitura, que dá prazer a qualquer criança, mesmo às não-curiosas. Se você fizer uma pesquisa, vai ver que às vezes é muito difícil querer ir à escola…

Sair de casa para ir à escola às vezes traumatiza muito a criança, mas quando ela começa a conviver com os amiguinhos, a idéia de escola, em torno de seis, sete anos, é maravilhosa. Agora, uma diferença muito grande entre o lar e a escola perturba um pouco a criança. Hoje a preocupação com a leitura na escola básica é da UNESCO, é do Banco Mundial, é universal. Por outro lado, há um projeto chamado Book’s Route, que dá dinheiro a rodo pro negócio de livro: o cara faz um milhão de livros para a África, e lá tudo some, vira papel higiênico… Um relatório do Banco Mundial chegou à conclusão de que isso é um absurdo mas agora mesmo vendeu-se um milhão de exemplares para a Bolívia, inclusive tinha livro meu, em seis línguas de índio, financiado pelo Banco Mundial. Não tenho a menor informação sobre o que aconteceu com esses livros. É emocionante esse negócio de eu ser escrito em quéchua, guarani, macua, macuxi… até em esperanto. A Igreja Católica não tinha avião, televisão, não precisava gastar esse dinheiro todo; então o negócio era olho no olho, mandava um missionário pra lá, fazia um livro só, valia a pena. Quanto custam cem mil livros para uma aldeia? Se hoje dá para pagar um sujeito para ficar um ano lá, com a família e um exemplar do livro, conversando com os meninos, então…

Você está dizendo uma coisa interessante: apenas enviar os livros não é uma política adequada…

Não, vão jogar fora. Essa coisa só vai ser possível como missão, com monitoramento de um missionário. Eu me lembro de Dona Glorinha, uma das moças preparadas por Helena Antipoff e que foi enviada para minha cidade. Ela causou uma briga entre seu partido, o Republicano, e o pessoal do PSD, que mandava na política local. Acabaram expulsando a pobre mulher, mas ela fez uma revolução no Grupo Escolar. Outra coisa: a escola não deveria distanciar a criança do prazer da descoberta da leitura. Quando a criança ainda não tem formação de leitura, começa a estudar sintagmas, funções do adjetivo, um exagero. Até eu dancei. Não tem que dar especialização à criança, ela tem que dominar o código de leitura com prazer. A escola teria que se concentrar mais nesse assunto, que também é discutido nos Estados Unidos e na França.

É uma Essa discussão está chegando aqui…

Mas esse não está sendo um debate sério. Por exemplo, a Emília Ferreiro, com esse negócio de construtivismo, fundiu a cuca da educação brasileira. Agora, ela mesma diz: “Eu não gosto do Brasil, porque tem até PT construtivista. Eles não entenderam nada do que falei. O construtivismo não é um método de alfabetização”.

É uma apropriação rápida, fizeram isso também com o Paulo Freire. Você tem um método e quer aplicar rapidamente.

Elas estão loucas atrás de uma resposta para a sua angústia. Então você vem com o Paulo Freire, “ah, é isso!” Você vem com a Emília Ferreiro, “ah, é isso!”…

Acho que uma das soluções é preparar a escola; os métodos surgirão. Outro ponto: deve-se concentrar toda a atividade inicial da escola no domínio do código. Eu chamo de plena leitura escrever tudo o que você quer dizer e ler tudo o que você precisa; e isso em quatro anos ou menos. Se você só se dedicar a esse mister, a criança lê e escreve aos dez anos, com desenvoltura; aos doze, ela já é gênio, porque é a idade em que tudo fica. Todos os sonetos que eu sei de cor (o de Camões, “Alma minha gentil que te pertistes”, um outro, de Machado de Assis) aprendi com dez, doze anos, mas depois, pelejei pra decorar sonetos novos e não consegui (não estou dizendo, é claro, para decorar uma porção deles)….

E a questão da oralidade, de contar histórias, na sua família, na sua cidade…

Eu tinha um tio que contava histórias e isso ajudou muito. Um dos projetos que eu acalento é preparar o contador de histórias para acompanhar aquele monitor. Eu descobri o seguinte: um contador de histórias (o negócio é olho no olho) dá de dez a zero numa peça de teatro ou programa de televisão. No México, onde o trabalho de alfabetização é da maior seriedade, eu já vi isso. Nós vendemos muitos livros para o México para alfabetização, mas lá se faz pesquisa de retorno, os contadores de histórias sabem contá-las.

As vezes os contadores telefonam dizendo: “Olha, essa história não está rendendo, eu não estou conseguindo”. Se ele não gosta, ele não conta bem, não é? Eles custaram muito a entender essa história do joelho, do umbigo, o Rolim; eles estavam com dificuldade de contar essas histórias, até pararam de comprar a série… mas agora eles já conhecem.

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out
09

Um país melhor é um país de leitores – Ziraldo parte 3

Talvez não fossem histórias para contadores. Mas e as crianças, elas não ficam interessadas?

Em Brasília, eu vi uma moça contando essas histórias para os meninos. Nossa Senhora! Ela ficava de joelhos, botava menino ajoelhado um na frente do outro, era muito impressionante. Eu estava no pátio, com as crianças jogando bola, estava uma zona. Havia uma televisão enorme. Aí, a moça disse: “Queria mostrar uma experiência que eu fiz.” Uns quinze meninos sentaram no chão, e ela, de pé, contava histórias. Quando eu olhei, não tinha mais ninguém vendo televisão nem jogando futebol; estava todo mundo em dela, todos os meninos vieram escutar. Eu disse: “Isto é uma coisa muito séria”. O Cristóvam Buarque, governador de Brasília é um sujeito supersensível, conseguiu a maior barbada: fez um grande trabalho com contadores de histórias, pois a cidade está cheia desses contadores que vêm do Nordeste, onde a tradição é grande. Essa moça que estava contando histórias era mineira. Minas também tem um trabalho muito bom com contadores de história.

Você acha que o contador de histórias remete diretamente ao livro?

Acho que sim. A BBC tem um programa de meia hora com uma mulher, sentada num banco, contando histórias. A câmara não avança nem recua, não tem cenário, nada, e funciona, as pessoas buscam o livro se gostam da história.

Mas e a criança e a escola?

Na sala de aula de Dona Catarina e Dona Kátia, toda a turma lia e nós não éramos melhores que as outras turmas, éramos tão pobre quanto os outros. Até hoje, essa é uma turma inesquecível da minha cidade.

A turma lia basicamente livro ou jornal?

A gente leu a “Coleção das Moças”, a Madame de Ségur. Foi assim: a professora dava dever pra gente fazer e ficava lendo “Pollyanna”. Um dia, nós percebemos que ela estava enrolando e pedimos: “lê pra nós a história?”.

Qualquer coisa que ela lesse, novela, etc., ela abria o livro, lia e marcava dever para o dia seguinte; a gente ficava doido. Um dia, por intuição, ela disse: “Hoje quem vai ler o capítulo é a Ione”. A Ione leu e a professora perguntou: “Quem vai ler o capítulo amanhã?” Só respondeu a metade dos alunos (risos). Aí ela seguiu a ordem da chamada e, quando um não sabia ler era uma vergonha. No segundo semestre, todo mundo lia os capítulos, ninguém dizia “eu não sei ler”.

Então foi assim que você leu…

A gente leu “Pollyanna”, “Os desastres de Sofia”, em capítulos. Eu queria escrever uma tese, mesmo no “Menino Maluquinho” eu tinha uma tese na cabeça: se a criança for feliz, vai ser um adulto legal; em outras palavras: não conheço um canalha que tenha sido uma criança feliz… Então, no “Menino Maluquinho” e na “Professora Maluquinha”, tentei ao máximo forçar essa interpretação. Não vou escrever um tratado sobre essa tese, mas acho que a escola e o governo podem ajudar muito, com uma polícia séria de bibliotecas. Em Cuba todo mundo lê, é assustador, insuportável, inatravessável (conhece essa palavra?) porque lá, os livros são os mais chatos que já li na vida. Mas todo mundo lê, é inacreditável. Você pode falar mal de Fidel, da ditadura, daquele negócio todo, mas é o primeiro ditador humorista, não é? É o primeiro que não faz bacanal no palácio, que é mesmo um asceta e que, até prova em contrário, não levou o dinheiro para a Suíça… Tenho a impressão de que ele não é como o Stalin ou o Pinochet… Pra você ter uma idéia, Vilma (minha mulher) e eu fomos almoçar com a filha de Raúl Castro, muito minha amiga. Fomos no carro da Primeira Dama de Cuba e o carro não tinha marcha a ré… (risos). Então, na hora de estacionar, a filha de Raúl ia com o carro para frente, eu saltava e empurrava o carro para trás, até ele entrar na vaga… entendeu o Fidel? Você chega em qualquer aldeia de Cuba, com toda a pobreza, com aquela coisa maluca do Fidel, e as casas mais importantes são a Casa da Cultura e a Biblioteca. E todo menino lê. É uma política de bibliotecas correta, séria. Falo de bibliotecas-padrão, em cidades do interior. Biblioteca municipal não é igual à de escola. A municipal seria como a de Alexandria, com sala de leitura, livro de pesquisa, etc.

Aqui não tem isso, não tem uma política de biblioteca séria do Governo. São Paulo e Paraná estão tentando… Já Minas não tem propriamente uma política de bibliotecas, e sim, de escolas.

Você não acha que era preciso mudar esse ambiente austero das bibliotecas?

Sim, uma biblioteca tem que ser dinâmica, viva, e não um museu. Ela não é a depositária do saber. Deveria ser cheia de atrações, com filmes… Há uma polêmica em torno da leitura, da concentração de recursos na escola, de não gastar dinheiro com besteiras, com monitoras… Mas, por aí, está cheio de bibliotecário formado em biblioteconomia que é recepcionista, trabalha em feiras, em serviços temporários, sendo até cabideiro de elevador. Se amanhã procurarem uma bibliotecária para trabalhar um ano na Amazônia, ganhando R$ 1.200,00 por mês, vão aparecer cinco mil moças formadas. Faz-se uma tiragem, uma vai trabalhar lá (mas o poder age assim: “ela não vai dar 10% pra mim, não vou me esforçar em um negócio em que não posso levar nenhum”). Em educação não dá para ganhar dinheiro, a não ser que você compre ou construa um colégio. Tenho uma solução para a escola primária no interior – que só chinês e revolução popular podem fazer – que é terceirizar o ensino. A idéia é a seguinte: a coisa mais comum no interior é a professora dar aula em casa. Então, a quantos ela ensina? A quinze meninos? Tá bom, eu dou a ela quinze meninos, entendeu? Dou dinheiro para o lanche e todo sábado ela vem aqui para eu avaliar seus alunos. Eu distribuo os meninos de graça porque quem sustenta professora no Brasil é mesmo marido ou família (com um salário mínimo por mês ela não tem onde cair morta, vai tudo para a renda familiar, para ela poder dar aula)… mas essa idéia não vai acontecer nunca, porque não há uma revolução popular.

Qual seria então a solução?

Tem que haver um esforço do governo, um esforço sério, com base na simplicidade. Ensinar a gostar de ler e não se preocupar com o resto. Se você tem uma população de dez anos lendo e escrevendo, tem um ensino médio facilitado e uma Universidade ótima.

Você falou em gostar de ler. Como é que se ensina a gostar de ler? Numa sala de aula com 30 alunos, você tem 10, 15 que gostam de ler. Uma família não consegue fazer com que todos os filhos gostem…

É que na escola você tem o menino à sua disposição quatro horas por dia; nenhuma mãe conta com esse tempo, deve ser isso…

28
out
09

Um país melhor é um país de leitores – Ziraldo parte 4

Para você, gostar de ler refere-se, especificamente, a Literatura?

Gostar de ler é gostar de escrever, de contar a sua historinha, essa coisa da “Professora maluquinha”. Tem ali uma porção de sugestões, mas eu não sei a fórmula, estou atrás dela. Acho que a sala de aula é um lugar sensacional para fazer o mesmo que a professora maluquinha: transformar a aula num programa do Sílvio Santos. Algumas coisas que conto ali inventei, mas outras aconteceram na minha vida, como a professora escrever no quadro-negro “quem achar a maçã, leva a maçã”; é verdade, a frase ficou lá escrita durante um mês. Minha sorte é que eu li (eu era do primeiro ano). No segundo dia, todos liam, mas ficava um tumulto e a diretora dizia: “que coisa maluca! Essa mulher está maluca”. A professora tinha dezesseis anos, era menina mesmo, muito bonita, usava batom, beijava o namorado no jardim, brincava de roda com a gente, era doida de pedra… Por tudo isso, mandaram ela embora do colégio.

É instigante saber que você acha mais importante ler que estudar. Como é isso? Como você conceitua a leitura?

Na verdade é uma provocação estimulante: é evidente que estudar é importante, mas ninguém pode estudar sem ler. A preparação é mais importante. É como no basquete: saber quicar a bola sem olhar para o tablado ou para a cesta é mais importante do que ter dois metros de altura, ou seja, tem que ter os fundamentos, em qualquer esporte e na vida. Mas é só pra provocar, tanto que a Melhoramentos demorou uns cinco anos discutindo um cartaz em que eu dizia: “ler é mais importante do que estudar”, e eu tive que mudar para “estudar é importante, mas ler é mais importante” (risos). Só que essa frase não teve impacto e eu não fiz o cartaz. O redator deles dizia: “estudar é muito importante, mas ler também é”. Agora, as próprias professoras mudaram: “ler é mais importante do que tudo…”. elas radicalizaram, não é? Mas é verdade.

Voltando ao gosto pela leitura, você disse que, em sua família, só alguns tiveram paixão de ler, como você. Então, o contexto familiar só pega para uns?

O contexto familiar facilita, ajuda, principalmente quando você almoça junto e conversa; quando o pai, pelo menos uma hora por dia, sabe como foram as coisas na escola, que jogo o filho viu, comenta o incêndio na favela, quer dizer, a família precisa conversar. Eu me lembro que era pequeno e fui uma vez almoçar na casa de uma família muito interessante da minha terra. Eles almoçavam juntos (o que eu não era um hábito lá em casa, onde a comida ficava no fogão, cada um se servia na hora em que chegava, não tinha a “hora do almoço”, que é muito recente na cultura na minha terra). Nesse dia, paz, mãe e crianças, enquanto almoçavam, discutiam o filme “Sempre no meu coração”. Todo mundo dava palpite sobre o que o pai dizia, conversavam, mudavam de assunto, “Ah, papai, você leu no jornal não sei o quê?”. Quando cheguei em casa, eu disse: “mamãe, quero almoçar na mesa pra gente conversar sobre a guerra” (eu sabia tudo da guerra e o meu avô conversava muito comigo sobre isso). E aí a gente começou a esperar papai pra almoçar e ele conversava com a gente, recortava coisas do jornal, etc. Mas gostar de ler só eu, bicho. Dos sete irmãos ninguém dormia agarrado com o livro, não.

Tem um imponderável nessa história, não é?…

Tem alguma coisa de vocação…

A escola pode fazer muito, mas…

Pois é, mas na sala de Dona Kátia, todo mundo lia. Lembro que nós éramos cinco meninos e a gente lia Júlio Ribeiro, procurava livro de sacanagem para ler junto, todo mundo já lia…

Você acha que a televisão muda o referencial?

Estimula a curiosidade. Mas também pode ser prejudicial. O problema é a família “entregar” os filhos para a televisão porque é muito cômodo. A televisão está muito pouco interessada na pessoa, ela quer o consumo, e como tem aquela coisa mágica da TV entrar em sua casa a tendência é querer imitar o que está lá, como padrão.

Mas até o livro não tem nem um pouco de marketing?

            Não tem jeito, você tem que dançar conforme a música, não tem que ter saudade. Você mão pode descontextualizar o mundo, ele tem que ser assim mesmo. Se tem esse aparelho e essa velocidade de comunicação, você queria que fosse diferente? Não tem jeito, ué…

Não tem volta…

            É, não tem esse negócio de nostalgia, não. Muita gente diz: “você comercializa seu boneco”, mas Goya também pintava para o Rei, tinha estúdio de arte para fazer retrato de rico e sobreviver. “Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso…”

Mas tem uma diferença: uma coisa é só comercializar e a outra é ter propostas.

            Claro, é diferente, mas ao mesmo tempo, se você é um esquimó não pode se queixar da neve; se você é um sujeito do século 21 não pode se queixar do século XXI tem que ir em frente.

Outra coisa, Ziraldo, porque se fala em crise de leitura, em morte do livro?

            Não tem crise de leitura. Eu não conheço essa expressão. Morte do livro, sim. Acho, por exemplo, que o dicionário vai acabar. Eu tenho um porque gosto, é lindo, acho fantástico, gosto de tirar da estante, abrir, ficar lendo, tem todo um ritual que eu amo. Mas o Jô, por exemplo, jogou tudo fora porque ele tem uma facilidade incrível de mexer com o computador, pega o dicionário em cima da mesa, escolhe a palavra, digita lá: “capcioso e o computador dá a resposta na hora. E tem mais: um verbete de enciclopédia tem mais matéria que um dicionário inteiro, com foto, filme, etc. A Britânica está em disquete só. Outro dia, um cara estava me contando que procurou Kennedy e encontrou até foto do Kennedy menino. Além disso, a informação ocupa cada vez menos espaço nas casa das pessoas porque você pode acessá-la pela Internet. Nesse sentido, o livro de referência tende a acabar mesmo.

E quanto ao livro de leitura?

            Ah, não, porque é como acabar com o ato sexual. Não tem jeito, é uma relação importante, tátil, afetiva. Ler é como assistir a uma peça de teatro, ouvir uma canção, comer um doce. É uma coisa estimulante; você vê a beleza da frase, experimenta a virada da página. O autor pode tentar te enrolar, mas você abre o livro mais adiante e vê se o personagem vai morrer mesmo. Poema, também, você não via pegar na Internet ou em disquete. É por isso que não troco livro por nada. Aqui eu tenho tudo quanto é livro de informação, tem cem mil vinhetas? Na coleção da Tover (eu não tenho todos os livro), se você precisa de barco antigo, automóvel, cavalinhos, águia, símbolos, tudo isso tem lá… (Ziraldo pede para alguém: “pega aquela caixa vermelha, pesada, na estante lá dentro, com os disquetes”). Tudo isso que está ali (apontando para os livros, na estante) está aqui (mostrando um disquete), um programa com cem mil vinhetas, que você vai no mouse, clica e tira cópia do tamanho que quiser. Eu comprei, mas não vou usar. Gosto é de ficar folheando o livro pra ver outras vinhetas, sentir o cheiro do papel… Quando quero uma cópia, tiro xerox, que eu amo (risos).

28
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Um país melhor é um país de leitores – Ziraldo parte 5

É uma outra relação, não?

            É, mas eu acho que a nova geração, com a facilidade e a naturalidade com que mexe no computador, não terá esse problema… Eu não tenho a menor curiosidade pelas máquinas de hoje porque, ao escrever à máquina, o papel ia sendo escrito, eu abria a máquina e via que era uma coisa mecânica. O mundo ali era mecânico e aqui é digital. Quando digito no computador, não tenho a menor idéia do processo de impressão. É uma coisa que me desespera, porque não tenho mais tempo para saber.

Parece coisa de mágico, ninguém mais pergunta como as coisas funcionam, não é? Ninguém sabe nada. Você anda de avião e não sabe porque… Agora, Ziraldo, você já falou sobre isso milhões de vezes: quando te deu o clic de escrever para crianças, foi com “Flicts”?

            Sentir o livro, seu cheirinho de novo, era uma fascinação… Eu li tudo, Monteiro Lobato, Viriato Corrêa, Ofélia e Narbal Fontes, Mistério Magazine, X9, muito policial, todo mundo, até descobrir o gibi. Aí abandonei o livro, virei um expert em gibi. Mas sempre fazendo histórias em quadrinhos, minhas historinhas. Vim para o Rio ser desenhista de história em quadrinhos. Quando cheguei, vi que não havia uma produção, era uma coisa importada. Fui trabalhar em uma agência de publicidade, sempre escrevendo histórias em quadrinhos. Em 60 surgiu a possibilidade de fazer essas histórias na revista O Cruzeiro. Criei o Pererê, a “Turma do Pererê”, e durante cinco anos a revistinha vendeu muito: 150 mil exemplares, na época uma tiragem absurda. Em 64, a revista parou e eu fui trabalhar em publicidade (porque sempre vivi de publicidade, sou desenhista de agência).

            Em 69 surgiu O Pasquim e ali eu tinha vários personagens: Jeremias o bom, Supermãe… Então, eu levei o Jeremias para o editor Fernando Faro, da Expressão e Cultura, e ele perguntou se eu não tinha um livro infantil. O Fortuna e eu adorávamos um livro infantil europeu, muito bonito, e eu dizia: “Ah, um dia vou fazer um livro infantil”. Os cartunistas que nós gostávamos já tinham feito experiências com desenhos para crianças: André François, Utreé, Tomi Unguerer, todos esses caras, nossos modelos de desenhistas. Então, quando Fernando me encomendou o livro, embora não tivesse nada pronto, disse: “Te trago amanhã”. Tive que inventar o livro em três dias. Como é que eu ia desenhar um livro nesse tempo? Aí eu criei o “Flicts”, não tinha que desenhar…

            O livro foi um sucesso danado. Não fiz o segundo logo depois por causa do padrão que estabeleci com o “Flicts”. Fiquei muito intimidado porque o livro foi saudado como um marco na história da arte brasileira; as crônicas foram as mais exageradas. Drummond, todo os cronistas que eu conheço escreveram sobre o livro. Isso coincidiu com o Pasquim, a prisão de todo nós que lá trabalhávamos e a luta contra a censura. Nesse jornal concentrei dez anos de minha vida, de 69 a 79, brigando mesmo. Em 80 fiz o “Menino maluquinho”. Aí arrebentou de novo, que sucesso!

O “Flicts” foi uma crítica ao regime autoritário?

            O “Flicts” é uma crítica. É um livro todo velado, daquela cor que não tem na bandeira do Brasil. Nele as cores agem autoritariamente dizendo: “Não tentem alterar a ordem natural das coisas” (o que era um argumento deles, não?) Quer dizer: era uma busca de liberdade, de identidade, sem dúvida um dos êxitos do livro, que levava a uma segunda leitura. Ele fez sucesso entre os adultos exatamente por isso. Já entre as crianças, pelas outras razões. Mas não faço proselitismo (até brigo com Chico Alencar por causa disso e sugiro que pare com essa chatice de Direitos Humanos e Ecologia). Eu não faço livro didático, tenho pavor. Criança não quer essa coisa, ela se sente traída quando o livro tem uma segunda intenção, ela pau da vida: “ih, esse cara tá tentando me ensinar”, você entendeu? Para criança, livro é pra gostar, é pra ensinar a viver a vida mesmo.

Você também ilustrou livros de outros autores, não? Qual a diferença?

            Às vezes, quando tem graça, quando é significativo. Toda vez que alguém me pede pra ilustrar um livro, eu digo: “o segundo será o seu porque estou com dezesseis meus aqui na cabeça e não tenho tempo”.

Você fez algum livro com o seu filho?

            Fiz uma porção. E também com Drummond, Raquel, Fernando Lobo, Darcy Ribeiro, Chico Buarque…

Para você, qual a diferença entre livro infantil e juvenil?

            Acho que não existe livro juvenil, quer dizer, você não engana adolescente. Se ele gosta de ler, escolhe Júlio Verne, Moby Dick, The Catcher in the rye (“O apanhador no campo de centeio”), livro de sacanagem… Não vai ficar lendo essas coisas que a escola adota, como livros policiais. Ela utiliza esses livros porque estimulam, não esquentam a cabeça dos meninos. Marcos Rei e Pedro Bandeira fazem uma literatura leve, bem escrita, na qual há sempre uma gangue qualquer, que eles pensam ser literatura para adolescentes. Mas nessa fase, o menino se sente o dono do mundo, escolhendo o seu caminho, enfrentando a incompreensão geral e se afastando de qualquer estímulo não manipulado por ele. É muito difícil um livro influenciar um adolescente. Eu não conheço nenhum que tenha mudado a vida de um deles. Mesmo assim, escrevi um livro, “Vito Grandam”, cujo personagem é um adolescente. É um romance seríssimo foi até traduzido para o italiano e o francês.

E em relação às editoras, você se concentra mais na Melhoramentos?

            Sim. Agora descobri que escrevo para o “núcleo familiar’. Meus grandes leitores são a mãe e o pai, essa família de que falei, que conversa na hora do almoço, que eu vejo nas feiras, na Bienal de São Paulo. É fantástico, uma das maiores emoções da minha vida é ver as famílias, com os filhos, nas minhas noites de autógrafos. Desde a primeira vez, com o “Menino Maluquinho”, 20 a 30% dessas famílias dizem: “Ziraldo, estamos aqui de novo! Olha como o menino cresceu! Lembra?” E pelo menos umas dez famílias trazem um livro, autografado por mim em 80, e eu só vou dando “Visto”, “Visto”… Aí tiram uma foto, me pedem que autografe uns retratos antigos, eu ainda de cabelo preto, com o menino em cima da bancada para ver melhor (o mesmo cara que hoje tem um metro e oitenta).

            A mudança da Bienal de São Paulo para o Shopping Norte, há dois anos, afastou essas famílias, mas este ano algumas já voltaram, como por exemplo o pessoal do Ibirapuera, uns japoneses, uma família de negros (que veio com os meninos e comprou meu livro “Menino Marrom”…). É impressionante!

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Library Thing: livros perdidos, nunca mais!

Library Thing: livros perdidos, nunca mais!

por Ronoc (Cultura Pompéia) em 09 de Novembro de 2008 às 10:57 am

sem títuloNa casa em que Ernest Hemingway viveu em San Francisco de Paula, Cuba, a quantidade de livros é tão grande, que eles estão presentes até mesmo no banheiro. Certa vez, o escritor australiano Peter Carey revelou que sempre que comprava um livro novo se via obrigado a um torturante exercício: de qual volume teria de se desfazer para abrir espaço em seu apartamento para a nova aquisição? Com Sérgio Buarque de Holanda, a situação não era muito melhor: tinha tantas obras em sua biblioteca pessoal, que sua esposa em determinado momento passou a proibi-lo de comprar qualquer livro. O sociólogo não pestanejou: desenvolveu um astucioso sistema para contrabandear os volumes para dentro de casa. (Fica a dica do documentário Raízes do Brasil, de Nelson Pereira dos Santos, em que, se não estou muito enganado, o próprio Sérgio Buarque conta essa e muitas outras histórias impagáveis.)

É um drama bastante comum para quem sofre do delicioso mal da bibliofilia. Além de ler (muito) e falar (muito) sobre livros, ainda sentimos a necessidade incontrolável de tê-los por perto. Só que um belo dia, eles sorrateiramente já ocuparam todas as estantes e prateleiras disponíveis, deitados, em pé, às vezes socados, coitados. Espalham-se pelo quarto, em pilhas ao lado da cama, em cima da mesa; ocupam os móveis da sala, arriscam-se pela cozinha, ensaiam um avanço por todos os cantos livres da casa. A não ser que você possua uma memória prodigiosa, nesse momento será muito difícil dizer: onde está aquele romance russo que eu nunca consegui terminar? Ou: quantos livros de literatura latino-americana eu tenho mesmo? Para não falar na constrangedora situação de chegar em casa feliz da vida com aquela obra que você sempre quis adquirir e alguns dias depois, no meio de uma faxina, descobrir que você já a havia comprado fazia um bom tempo…

Se você está lendo este post com um sorriso no canto da boca, meneando a cabeça em sinal afirmativo, como quem diz “sei muito bem do que você está falando”, talvez sua coleção também tenha saído do controle. Antes de entrar num embate derradeiro do tipo “ou eles ou eu” e decidir que os livros ficam e você sai, experimente o LibraryThing.

O LT é um programa on-line de catalogação e organização de livros, que permite ainda estabelecer contato com todos os usuários que possuem obras em comum com você. Finquei bandeira por lá faz mais ou menos um mês, e posso garantir: além de bastante útil, o LT pode ser também muito divertido. Quanto aos livros, você pode cadastrar todos os dados (autor, editora, ano, edição, páginas, capa, ISBN etc.), bem como os assuntos de que trata. Depois, você pode organizar sua coleção como quiser e fazer qualquer tipo de busca — tudo depende do volume de dados que você inserir. Quer saber quais os livros da Clarice Lispector você tem? Um clique. O mais interessante vai ser quando você procurar saber quem mais possui A hora da estrela. Você vai encontrar italianos fanáticos por L’ora della stella, franceses encantados com L’heure de l’étoile, e até suecos apaixonados por Stjärnans ögonblick

Além de dar ordem na sua coleção, você ainda pode cadastrar suas livrarias e bibliotecas prediletas (e permitir que qualquer usuário localize-as com o Google Maps), escrever resenhas, montar grupos de discussão, acompanhar o desenvolvimento das bibliotecas de seus amigos. Enfim, o que o LibraryThing acaba oferecendo é um ponto de encontro global para todos aqueles que vêem no livro nada menos que um objeto de devoção.

Texto retirado do blog da Livraria Cultura

http://cultura.updateordie.com/category/literatura/page/16/




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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