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02
jan
10

Desventuras em Série trata espectador infantil com respeito e dá crédito às decisões de órfãos

17/01/2005 – 00:00 – Atualizado em 24/08/2009 – 16:17
Desventuras em Série trata espectador infantil com respeito e dá crédito às decisões de órfãos

Crianças levadas a sério
Ana Aranha
TUTELA
Os três irmãos órfãos Baudelaire (acima) e o Conde Olaf (Jim Carrey, à esq.)

Três irmãos inteligentes e desafortunados são as vítimas de Jim Carrey em Desventuras em Série, de Brad Silberling, que estréia na sexta-feira 21. Superprodução que leva o espectador a sério, o narrador avisa logo que este não é um filme infantil comum e desafia o público a ouvir uma história sem final feliz. Aliás, de feliz não tem final, nem meio e muito menos começo.

A trama começa numa praia pantanosa, onde os talentosos irmãos Baudelaire recebem a notícia de que um incêndio destruiu a mansão em que moravam. Junto com todos os seus pertences, o fogo levou também seus pais, mas em momento nenhum o filme explora o sentimentalismo da situação. Em circunstância da má notícia, o narrador pontua com simplicidade: ”Se alguma vez você perdeu uma pessoa que tinha importância, então sabe como é que nos sentimos; se nunca perdeu, não dá nem para imaginar”.

Jim Carrey entra em cena como o cruel Conde Olaf, um parente distante das crianças que só aceita sua guarda para colocar as mãos na herança. O ator não se intimida na hora de repetir as velhas caretas de O Máskara e O Mentiroso. Mas a caricatura é logo diversificada, quando Carrey volta à trama disfarçado na pele de outros personagens – tudo para recuperar a tutela das crianças.

O narrador avisa o público: esta não é uma história de final feliz

O enredo é inspirado nos três primeiros livros da série de mesmo nome, escrita por Lemony Snicket e lançada no Brasil pela Companhia das Letras. Seguindo um pouco o estilo do campeão de vendas Harry Potter, o mundo fantástico das Desventuras se diferencia pela importância que atribui às crianças. Sem poderes mágicos, elas contam apenas com o raciocínio lógico para lidar com as estranhas manias dos tutores e enfrentar o conde. Acabam mostrando ser as melhores guardiãs do próprio destino.

Com um roteiro bem amarrado, o filme pode abrir mais uma porta para manter aquecida a literatura infantil. Assim como na história do bruxo aprendiz, os Baudelaires deixam no ar a impressão de que ainda terão problemas. Espectadores mais curiosos podem correr para as livrarias: as Desventuras já estão no décimo volume.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI48378-15220,00-CRIANCAS+LEVADAS+A+SERIO.html

29
dez
09

Desventuras em Série – O Fim

Após conhecermos Violet, Klaus e Sunny Baudelaire nos apaixonados pelas suas desventuras, nos divertimos com as fugas insanas do maléfico Conde Olaf, nos apiedamos da perda dos seus pais, nos emocionamos com a união deles, mesmo nos piores e mais difíceis momentos e nos enchemos de esperanças para que o escritor estivesse finalmente errado e eles pudessem ter um final feliz. Agora chegou a hora “O Fim” é o último livro da série “Desventuras em Série”, escrita pelo autor Lemony Snicket.

Ainda neste livro vamos acompanhar mais uma perseguição do Conde Olaf pela sua busca desenfreada e ambiciosa pela herança dos jovens Baudelaire.

Os órfãos conseguiram escapar ilesos e em segurança (só resta saber até que ponto estar ao lado de Olaf pode ser considerado para as crianças estar em segurança) do incêndio que acometera o Hotel Desenlace em um barco com o primeiro tutor, o maquiavélico conde. No entanto, eles ficar a deriva perdidos em alto mar.

Se já não bastasse todas as aventuras desafortunadas das crianças, eles acabam sendo atingidos por uma tempestade que os arrasta até uma praia. Lá eles reparam que o local trata-se de uma ilha habitada por ovelhas e pessoas habitantes com hábitos e costumes bastante estranhos, a primeira vista.

As crianças abaladas e meio inconsciente após o naufrágio acabam sendo encontrados por uma das habitantes da ilha, uma criança chamada Sexta-Feira. Os órfãos acabam se aproximando dela e a menina consegue perceber rapidamente a pessoa má e mesquinha que é Olaf e decide abandoná-lo em uma plataforma costeira que em poucos dias seria inundada.

Os ilhéus decidem admitir a estadia e morada das crianças na ilha deles. No entanto, ao serem aceitos, eles deveriam exercer funções que todos os demais também exerciam. Com isso, os Baudelaire não ficam muito felizes e satisfeitos com a vida que estavam levando lá. Para surpresa de todos, agitando a vida pacata dos habitantes da ilha, uma balsa feita toda de livros atraca na ilha e dentro dela se encontrava Kit Snicket, bastante atordoada e confusa.

Após ser encontrada depois do seu naufrágio, o líder dos ilhéus, Ishmael, decide que Kit não deveria ser aceita na ilha, optando por abandoná-la e também decide prende o conde em uma gaiola pois ele fingira mais uma vez ser Kit, usando um dos seus diversos disfarces ridículos. Com a diferença que dessa vez ele fora desmascarado antes de aprontar muitas e muitas das dele.

Ishmael toma uma decisão drástica: abandonar os órfãos à própria sorte. Isso porque, como o hábito da ilha era ninguém ter direito a ter nada próprio, sendo compartilhado e entregue ao líder, os órfãos escondem seus pertences mais preciosos, violando assim, a regra primeira e básica para ser aceito como morador do local. Violet esconde sua fita que sempre usara quando precisava realizar algum invento. Klaus omite a existência do seu precioso e necessário livro de lugar-comum e Sunny não revelara possuir o seu batedor que era essencial para exercer as suas artes culinárias. Com receio de que fossem atirados para as ovelhas, os meninos optam por levá-los para o outro lado da ilha, além da escarpa.

Após serem abandonados, Finn e Erewhon, dois amigos dos órfãos, procuram por eles e lhes informa que o grupo de ilhéus pretendem fazer um motim para derrubar o líder Ishmael e convida a eles para participarem, sugerindo que eles consigam encontrar uma arma para a realização do motim.As crianças ficam com muito receio desse motim e, principalmente de participar dele. Tinham medo, inclusive, de provocar uma cisão no grupo.

Os Baudelaire acabam descobrindo um arvoredo em cima de uma macieira muito grande que era o local utilizado pelo líder ilhéu para prever as tempestades com um periscópio. Os meninos o observam à distância e notam que lá Ishmael, secretamente, preparava refeições muito melhores do que as refeições diárias distribuídas aos outros moradores da ilha. Ainda desfrutava de outros prazeres irrestritos aos demais, como ler e escrever capítulos do livro “Desventuras em Série”, contendo relatos de todos os náufragos que chegaram à ilha, incluindo os pais dos Baudelaire.

Ishmael acaba encontrando os meninos no espaço ocultos que eles estavam utilizando como observatório e acaba lhes revelando toda a história da ilha. Até mesmo como conseguia convencer a todos os náufragos aceitos para habitar o local, a jogar o que possuíam e encontravam no arvoredo. O líder revela que utilizava o cordial de côco, uma bebida nativa que de certa forma drogava as pessoas.

Na manhã do dia seguinte haveria a inundação da plataforma, marcando o início do motim. No meio da confusão, Olaf é atingido e ferido com o lançador de arpão (será um castigo imposto pelo autor por ele ter sido, de certa forma, o causador do ferimento de Dewey com o mesmo tipo de arma no saguão do Hotel Desenlace?). O conde mostra e prova o quanto é maléfico até mesmo em momentos críticos em que sua vida corre perigo. Ao ser atingido por Ishmael com o arpão, Olaf liberta o Micélio Medusóide (o cogumelo venenoso que ele guardara uma amostra nas aventuras “A Gruta Gorgônea”),  que ele mantinha escondido em um capacete.

A destruição fora lançada, pois todos na ilha acabam sendo infectados, mas as crianças após lerem “Desventuras em Série” acabam descobrindo que as maçãs da ilha tem uma substância especial que deixa o efeito do veneno do cogumelo mais ralo, a raiz-forte. Os meninos parecem ter descoberto a solução para o problema, principalmente porque vão contar com uma ajuda muito especial: a Víbora Incrivelmente Mortífera. Ela chegara à ilha juntamente com Kit Snicket no barco todo feito de livros. A víbora ajuda às crianças a pegarem os frutos da macieira para neutralizar a atuação do veneno do cogumelo.

Mas todo o esforço dos meninos parece estar sendo em vão, pois quando oferecem os frutos aos ilhéus, eles preferem não dar ouvidos às crianças e partem do local. Parece cruel o fato de os leitores sentirem alívio ao que acontece a seguir, mas finalmente o Conde Olaf fora neutralizado, devido as complicações nos ferimentos provocados pelo arpão. Mas, como desgraça pouca é bobagem, se não bastasse todas as perdas dos meninos desde o começo de todas as suas desventuras, é a vez deles perderem Kit Snicket, que desde que fora abandonada por Ishmael, estando grávida acabara perdendo a vida após o parto.

Sabendo bem como é a sensação de se tornar órfãos, os meninos assumem a responsabilidade de cuidar da filha de Kit que se parecia muito com a falecida mãe. Eles continuaram vivendo na ilha, somente os quatro, mas após um ano, no momento em que a plataforma inundara novamente, eles decidem partir no barco Beatrice que fora batizado há muitos anos em homenagem à mãe dos Baudelaire.

Após 13 livros vivendo em situações limite, com perseguições implacáveis e cruéis feitas pelo Conde Olaf, tendo perdido muitas pessoas queridas e, muitas vezes, mesmo tão jovens, precisaram cuidar uns dos outros para viverem juntos, unidos e com certa paz em meio a turbilhões de acontecimentos, os leitores torcem para que enfim, tudo agora possa dar certo na vida dos jovens órfãos e eles possam ser felizes. Principalmente agora que algo novo acontecera na vida deles, ao ter que cuidar e se responsabilizar por mais uma criança inocente que tivera tirada de sua vida seu bem mais preciso: a família. E família é agora mais do que nunca o que eles quatro juntos formam.

No entanto, como a própria ilustração final do livro (uma interrogação) o leitor fecha o último volume da série com uma interrogação na cabeça. Já que nada é muito esclarecido e muitas dúvidas ainda existem. Não sei se por estar sentindo falta da companhia literária dos meninos (sim tenho depressão pós-livro), ou diante de tantos mistérios ainda presentes, cheguei a pensar que mais um volume poderia vir após “O Fim” (acho que na verdade desejei muito que isso acontecesse). Mas tinha consciência que não poderia, pois senão seria uma coleção de livros sem fim, afinal o que mais poderia acontecer com as crianças? Muitas coisas e, o pior, coisas nada boas, como aconteceram durante toda a série com os Baudelaire. Então que fiquemos com as nossas interrogações. Afinal “O Fim” pode ser qualquer um. O meu fim para eles seria algo muito bom para compensar todo o sofrimento vivido. O que importa é que são livros muito legais e super recomendo para todos os leitores, de todas as idades (pelo menos aqueles que gostam de histórias para crianças e jovens adultos).

22
dez
09

Desventuras em Série – A Gruta Gorgônea

O décimo primeiro livro, “A Gruta Gorgônea”, da coleção “Desventuras em Série”, começa novamente com o aviso do autor Lemony Snicket para os leitores: se eles esperam encontrar alguma história feliz para os desafortunados órfãos é melhor fechar o livro. Mas já aqueles que chegaram até ali e não fecharam o livro, vão encontrar no novo volume da série mais aventuras terríveis para as pobres crianças.

Violet e Klaus conseguem resgatar Sunny das mãos dos vilãos e descem pelo tobogã às águas cinzentas do Arroio Enamorado das Montanhas Mão-Morta, mas separam-se de Quigley. Apesar de bem-sucedido o resgate de Sunny, eles tem uma travessia bem complicada e perigosa devido as águas violentas e turbulentas do Arroio.

Quando a situação fica de fato complicada e perigosa, magica e inesperadamente surge um minúsculo e estranho submarino, o Queequeg, do comandante Andarré, que os resgata.

O comandante tem a bordo uma tripulação de dois (essas brincadeiras com as palavras e os seus sentidos são de conhecimento do leitor de Snicket, afinal quando fomos apresentados aos gêmeos Quagmire, o escritor deixou claro que eles eram trigêmeos de dois, pois o terceiro supostamente havia morrido), incluído o próprio capitão e Phill, o ajudante bondoso do comandante. O mesmo Phill que estivera presente nas aventuras dos Baudelaire na “Serraria Baixo-Astral” que quase fora morto sem-querer por Klaus. Além dos dois marujos, o submarino Q levava também Fiona, uma micetologista e enteada do capitão.

Essa viagem é bem estranha e diferente para os pequenos órfãos. O que poderia ser uma viagem inocente e de puro resgate deixa os irmãos meio atordoados por novos e intrigantes ingredientes serem inseridos na trama misteriosa que os rodeia. Rapidamente eles percebem que o capitão Andarré tem o hábito de dar ordens a tudo e repetidamente falar “Positivo!”. As crianças acabam descobrindo também que o capitão é um voluntário nobre de C.S.C. Mais uma vez essas três letrinhas que poderiam parecer simples, mas que no fundo intrigam não apenas aos meninos, mas também aos leitores, marca sua presença firme e forte na história.

Por mais havidos e curiosos que estejam o leitor, tudo indica que ele não saberá de fato o que significa C.S.C. até ler o último volume. E a pergunta que deixo no ar é se realmente no fim, saberemos e entenderemos o que isso significa.

A tripulação do submarino Q tem uma missão: encontrar o misterioso açucareiro. Eu confesso que na primeira vez que li essa coleção eu já estava ficando angustiada e nervosa. Primeiro por todas as maldades a que as crianças eram submetidas, segundo que tinha vontade de esganar aquele palerma do Sr. Poe e o odioso do Conde Olaf, além de querer entender de uma vez por todas as pontas da intriga que ainda estavam soltas.Atualmente para escrever os posts acho que estou me divertindo mais com as histórias e a trama.

Bom, voltando a história… Os Baudelaire e Fiona decidem descer as profundezas do mar, usando roupas de mergulho em direção à pista onde poderia estar o misterioso açucareiro: a Gruta Gorgônea. Se não bastasse a falta de experiência na prática de mergulho, os meninos encontrariam pela frente os terríveis e letais cogumelos venenosos, mycelium medusóide, que poderia certamente tirar a vida de alguns dos aventureiros. A pequenina Sunny em contato com os cogumelos acaba sendo envenenada e ficamos apreensivos se ela conseguiria sair dessa com vida.

Se não bastasse toda essa desafortunada aventura, quando as crianças retornam da exploração no fundo do mar, encontram o submarino deserto. Diante do suspense um certo conhecido dos meninos e, de nós, leitores, um terrível e malvado conde reaparece, literalmente, nas profundezas para cumprir a sua promessa: de alguma forma obter a herança milionária dos Baudelaire.

O Conde Olaf roubara um submarino gigante, em formato de polvo, que nomeia de Carmelita, em homenagem a criança odiosa que aparecera na trama pela primeira vez no livro “Inferno no Colégio Interno” e novamente no livro anterior a este, “O Escorregador de Gelo”, juntando-se a trupe de Olaf e sendo adotada por Esmé, namorada do conde.

No submarino Carmelita, Olaf seqüestra Violet, Klaus, Sunny e Fiona. De uma forma trágica, Fiona descobre que o terrível e maléfico homem das mãos de gancho, braço direito de Olaf, é seu irmão e acaba, por influência do irmão, traindo os novos amigos, os órfãos Baudelaire. Por outro lado, indecisa de que lado ela de fato estaria de C.S.C. ela acaba ajudando os meninos a salvar Sunny que estava muito mal devido ao veneno dos cogumelos. Mesmo assim, ela opta por permanecer ao lado do irmão e da trupe de Olaf, não partindo antes de dar um beijo em Klaus.

Quigley Quagmire, o terceiro trigêmeos que todos acharam que havia morrido no incêndio junto com os seus pais, envia uma mensagem através do telégrafo do submarino Q. Na mensagem ele mandava os órfãos irem para a Praia de Sal (a mesma em que os órfãos estavam se divertindo quando foram comunicados pelo Sr. Poe que os pais haviam morrido em um incêndio que destruíra a mansão da família) e quando chegassem lá pegassem um táxi.

No entanto, para atrapalhar os planos de Quigley, eis que surge (o infame) Sr. Poe que comunica as crianças que as levaria para uma delegacia, mas os meninos resolvem que não vão seguir o banqueiro. Escapolem das vistas dele e entram em um carro que estava parado ali perto.

Dentro do carro as crianças encontram com Kit Snicket… Sim, o mesmo sobrenome do autor dos livros não é mera coincidência, mas isso o leitor só descobrirá ao longo das leituras dos livros. E essa ligação é extremamente importante para o entendimento de toda a trama, inclusive do porque essa perseguição do conde às crianças se deu de forma tão persistente. Será mesmo interesse único e exclusivo na herança milionária dos Baudelaire? Isso descobriremos mais a frente. No próximo volume vamos descobrir dentre essa informação, muitas outras. Na companhia de Kit Snicket, os Baudelaire seguem para o Hotel Desenlace…

17
dez
09

Desventuras em Série – O Hospital Hostil

Ao término do sétimo livro da série, “A Cidade Sinistra dos Corvos”, alguns mistérios foram desvendados e outros continuaram existindo. Ficamos sem saber o que aconteceria com os Baudelaire, já que os gêmeos Quagmire conseguiram escapar. E, mais uma vez Conde Olaf estava na cola das crianças, ao lado agora de uma nefasta mulher que já nos foi apresentada, Esmé Squalor, a antiga tutora dos meninos, uma viciada em moda, em o que está in ou out.

Em “O Hospital Hostil” um anúncio de um período funesto se apresenta para os órfãos Baudelaire. Mais uma vez eles estão por conta própria. A impressão que tenho é que a medida que os livros vão dando sequência a série, as coisas vão piorando para os pequenos, por mais inacreditável que seja pensar que as coisas podem ficar piores do que já estão. Mas o autor avisou aos leitores no primeiro livro que essa não seria uma história feliz.

Os meninos conseguem escapar das garras de Esmé e Olaf e saem caminhando sem rumo durante a noite. Porém eles continuam sendo procurados pela polícia, afinal Esmé estava se escondendo sob a identidade de uma policial e Olaf, sob a de um detetive. Ao se depararem com o Armazém Geral Última Chance, eles decidem que a melhor opção é parar e pedir ajuda, já que não podem mais recorrer à ajuda segura dos pais, nem à polícia e nem aos seus amigos Quagmire, afinal eles escaparam.

Klaus, Violet e Sunny, sem perspectiva de futuro, decidem enviar um telegrama para o banqueiro Sr. Poe, responsável para cuidar da herança dos meninos até que Violet completasse a maior idade e possa administrar a imensa fortuna que os seis pais deixaram. Mas ele não chega a receber o telegrama por um problema do banco em que ele trabalhava. Eu sempre tive a impressão de que o Sr. Poe não é lá de grande ajuda para as crianças, mas pelo menos não era malvado ou cruel com eles. Por razões como estas, os órfãos acreditam que ele seja confiável suficiente para que pudesse recorrer à ele. Porém, a partir deste oitavo volume, vamos acompanhar a rotina dos meninos sem a presença constante ou a busca desenfreada de um tutor. Eles terão que viver sob suas próprias responsabilidades e limites, sem qualquer interferência adulta.

Neste novo volume da coleção, os órfãos vão encontrar um hospital, o Heimlich, que ainda não estava totalmente concluído e, por estarem sendo procurados pela polícia, sob a acusação de crime de assassinato, eles ficam muito temerosos, achando que poderiam ser identificados e suas identidades reveladas, caindo assim, nas garras de Olaf. Decidem, desta forma, disfarçarem-se e misturarem-se aos Combatentes pela Saúde do Cidadão (Olha o C.S.C. aparecendo mais uma vez na vida dos meninos… Como ficou claro no último livro, apesar de realmente os gêmeos estarem na Cidade Sinistra dos Corvos, o autor Lemony Snicket, não revela se realmente as letras C.S.C. significava o nome da cidade, pois poderia ter outros significados e comprovamos isso agora neste volume). Os meninos ao se juntarem aos combatentes queriam descobrir os planos de Conde Olaf e sua trupe, em como eles agiriam desta vez. Afinal, se adiantar ao perigo pode ser uma boa defesa.

Os meninos tomam conhecimento do Dossiê Snicket e também, sob o disfarce têm acesso à Biblioteca de Registros e, de certa forma, isso é uma oportunidade de desvendar e descobrir uma parte de suas vidas. Diga-se de passagem que eles só tiveram acesso ao dossiê após acessarem os registros. Fazem uma busca sobre o que poderia se relacionar a eles e descobriram o dossiê. Há um dado no dossiê que os deixa cheio de esperanças: eles lêem a informação de que alguém pode ter sobrevivido ao incêndio que matara os seus pais e destruíra totalmente a sua casa.

Esse é o grande momento de Klaus. Traça de biblioteca, o garoto rapidamente fica familiarizado ao local e disfarça-se de ajudante da biblioteca. Mas para desespero deles, Olaf reaparece e desmascara as crianças.

Apesar de tantos acontecimentos tristes e infelizes, os desafortunados órfãos tem poucos momentos de prazer e descontração. Mas, nós leitores, até que temos descontração em alguns momentos das histórias, nos episódios engraçados e, neste livro, em especial, há cenas muito engraçadas, principalmente nas cenas em que Esmé persegue Violet, que resiste, persiste, mas fora aprisionada.

E é a partir disto que a história retoma o seu ápice. Aos dois órfãos restantes, Klaus e Sunny, cabe a responsabilidade de escapar dos vilões, ter que resgatar a irmã em total segurança e ainda conseguirem fugir do hospital sem serem apanhados e provar que não são assassinos.

Olaf deixa Violet fora de combate e deseja fazer terríveis experiências com a garota. Alegando que ele faria a primeira cranioectomia do mundo e, para isso, ele teria que serrar a cabeça dela para fora do corpo.  Esmé, completamente doida, como sempre, aprova e apóia o novo plano do vilão e namorado, Olaf.

Dando uma de incendiário, o conde tenta colocar fogo no dossiê Snicket e acaba pro provocar um terrível incêndio no hospital, que começara na biblioteca. Como conseqüência, um dos seus comparsas, o que não sabemos se trata-se de um homem ou de uma mulher, acaba morrendo, vítima do incêndio.

Eu não sou muito fã do inexpressivo Sr. Poe e, por mais detestável que seja a personagem Esmé, ela é odiosa, mas também as situações engraçadas sempre tem a participação dela. A partir do livro passado, ele ganha mais destaque que o próprio Sr. Poe e o leitor acaba ganhando com isso.

Resta saber o que acontecerá após o incêndio. Mais uma vez os meninos conseguem escapar ilesos das garras de Olaf e ao final do livro, acabamos também ganhando uma nova pista da nova aventura que os Baudelaire viverão.

16
dez
09

Desventuras em Série – A Cidade Sinistra dos Corvos

Ao término do sexto livro, “O Elevador Ersatz”, da série “Desventuras em Série”, os leitores se depararam com alguns suspenses, algumas pistas para a nova aventura e algumas questões que ficaram sem resolver. No sétimo livro, “A Cidade Sinistra dos Corvos”, o autor Lemony Snicket, mais uma vez nos entretém com novas desventuras dos perseguidos órfãos Baudelaire. Após a perda dos pais e terem estado sob tutela de seis diferentes pessoas, desta vez, os irmãos ficarão sob a guarda de uma cidade inteira. Para isso, o Sr. Poe decide inscrever as crianças em um programa de adoção para menores e, assim, eles precisariam escolher uma cidade dentro de uma relação do programa “É Preciso uma Cidade para Educar uma Criança”. Ao verem que havia uma cidade chamada Cultores Solidários de Corvídeos, imediatamente eles imaginam que se tratava do mistério por trás das letras C.S.C. Que foi exposto a eles desde o quinto livro, “Inferno no Colégio Interno” pelos irmãos Quagmire quando eles foram sequestrados pelo arqui-inimigo e vilão da história, Conde Olaf.

A cidade Cultores Solidários de Corvídeos, ou C.S.C., como normalmente é chamada pelos moradores, que muitas vezes nem se lembram mais como é o nome verdadeiro da cidade, por sempre chamá-la de C.S.C. foi fundada há mais de 300 anos no momento em que alguns exploradores interessados no padrão migratório dos corvos, estabeleceu no local, uma base de observação desta espécie de aves. Os corvos continuam sendo inúmeros no local, mesmo após tentos anos tendo se passado. Eles pousam na cidade durante todo o dia, em locais diferentes conforme os horários. Pela manhã eles ficam na parte alta da cidade, pós meio-dia migram para a parte baixa e a noite dormem na Árvore do Nunca Mais.

Mesmo tendo como tutor a cidade inteira, foi designado que as crianças deveriam, em um primeiro momento, ficar sob os cuidados de um homem chamado Hector. Violet, Klaus e Sunny deveriam morar com ele e aprender o ofício de Hector: factótum e cabia às crianças limpar a cidade todos os dias. Além disso, os meninos são obrigados a aturar e obedecer a milhares de regras inúteis estabelecidas pelo Conselho dos Anciãos, um grupo de habitantes da cidade que discute os mais variados assuntos e estabelecem as regras que devem ser seguidas por todos os moradores. Os anciãos da cidade durante os conselhos utilizam um chapéu em formato de corvo.

Com a chegada dos irmãos Baudelaire à cidade, os moradores foram comunicados da existência do Conde Olaf e do seu histórico de ambição e perseguição às crianças. Fora o aborrecimento em ter que obedecer às regras impostas aos cidadãos de C.S.C., os órfãos não estavam tendo uma vida péssima. No entanto, continuavam preocupados e curiosos quanto ao desaparecimento dos amigos e gêmeos Quagmire.

Mas as coisas começam a se complicar na nova morada de Violet, Klaus e Sunny. Os moradores de C.S.C. acreditam ter capturado o conde Olaf, mas imediatamente as crianças percebem que a pessoa capturada não se trata de Olaf e sim Jacques. Ele fica desesperado, pois está algemado e está sendo chamado de alguém que ele realmente não é.

Olaf já estava na cidade e os irmãos não sabiam. Mais uma vez ele está fantasiado e se passando por alguém que ele não é. Ao tomar conhecimento que Jacques Snicket fora preso e estava sendo acusado de ser o conde, Olaf arquiteta um plano, que consistia em matar Jacques enquanto ainda as pessoas não tivessem descoberto que ele não era um impostor e, assim, ser tido como morto. Após realizar o assassinato, enquanto Jacques ainda estava na cadeia, Olaf dá um jeito de armar para que as crianças fossem acusadas do crime.

Olaf reaparece em cena, desta vez fantasiado de um detetive famoso, chamado Dupin. E tenta de todas as formas provar que as crianças são as verdadeiras culpadas do crime que ele próprios cometera.

Por outro lado, as crianças a todo momento na história, tentam decifrar os versos em dístico escritos por Isadora Quagmire. Nos dísticos havia pistas sobre o local onde dos gêmeos estavam aprisionados. Eles descobrem, decifrando os versos que a letra inicial de cada dístico formam a palavra “chafariz”. Os meninos arquitetam um plano para encontrar o chafariz da cidade, o Chafariz Corvídeo, e lá descobrem os Quagmire e o esconderijo de Olaf e sua trupe.

Na trama ainda há a indignação dos Baudelaire sobre um artigo de jornal que eles lêem na primeira página de um jornal. No artigo havia um relato de que o vilão Olaf havia sequestrado além das crianças Quagmire, também Esmé Squalor. Os órfão sabiam que o texto era inverídico, pois a antiga tutora deles não havia sido sequestrada coisa nenhuma. Ela havia sido aluna há algum tempo atrás do vilão e fugira com ele. Eram na verdade aliados de um plano maligno para se apoderar de toda fortuna dos Baudelaire. Inclusive eles oficializam um namoro e este livro da série, infelizmente, não é o último em que ela aparece para atazanar o juízo e sossego dos desafortunados órfãos.

Após o confronto para o resgate dos Quagmire, Hector foge com os gêmeos em segurança, mas os Baudelaire ficam para trás, pois a policial Luciana, que na verdade é Esmé disfarçada, não permite que os Baudelaire sejam levados por Hector.

O que será das crianças de agora em diante? Será que mais uma vez eles conseguirão escapar das garras afiadas do odioso Olaf e agora também da sua fiel aliada e parceira, a nefasta Esmé? As respostas estão nos próximos volumes da coleção.

15
dez
09

Desventuras em Série – O Elevador Ersatz

O sexto livro da série “Desventuras em Série”, “O Elevador Ersatz”, traz novas aventuras das crianças Baudelaire, repletas de desgraças, desespero, sofrimento e também muitos mistérios, como todos os demais volumes da série. A palavra Ersatz significa “parece mas não é”. Ao ler o livro entendemos exatamente o que o autor quis dizer e ainda por cima brinca com a linguagem dentro da própria literatura.

Após sofrerem no último livro mais uma perseguição do Conde Olaf no colégio interno, ainda tiveram que lidar com o sequestro de seus novos amigos, os gêmeos Quagmire. Os meninos, mais uma vez, aguardam o Sr. Poe encontrar um novo tutor com o qual eles terão que viver. Preocupados como seria seu novo tutor, os pensamentos das crianças também estavam voltados para o desaparecimento dos novos amigos. Eles fariam de tudo para encontrá-los e existia ainda o mistério sobre as três letras: C.S.C.

Depois de viverem em algumas cidades diferentes com experiências nada bem sucedidas com parentes distantes, desta vez, as crianças voltam à cidade onde viviam com os pais antes deles morrerem no fatídico incêndio. E o livro começa narrando exatamente isso, as crianças andando próximo a Mansão Baudelaire, onde tinham uma vida maravilhosa ao lado dos pais, para chegar ao novo endereço. O Sr. Poe os apresenta a sua nova morada, na cobertura do edifício 667, na Avenida Sombria, com outros parentes distantes, Esmé e Jerome Squalor.

As crianças percebem que sua nova vida será, no mínimo, bem atlética, pois assim que chegam ao prédio são comunicados pelo porteiro, que na verdade é o homem das mãos de gancho disfarçado, que o elevador do prédio fora desligado e eles são obrigados a chegar à cobertura do edifício por 66 lances de escada, escuras e nefastas. Após subirem muitos e muitos degraus, os Baudelaire, finalmente chegam à nova casa. Percebem de imediato que é um enorme apartamento, contendo 71 quartos, uma verdadeira mansão. Eles se esforçam, mas não conseguem se sentir em casa. Eles notam também que todos os moradores da Avenida Sombria se preocupam de forma quase obsessiva com o que é in (dentro) e o que é out (fora), referente ao que está ou não na moda. Como não poderia ficar de fora, Esmé só se importa com o que está in, inclusive em detrimento do bem-estar dos órfãos. Eles descobrem, inclusive, que os seus “novos pais” os adotaram apenas porque ter órfãos estava na moda.

No entanto, o marido de Esmé, Jerome, não é como a esposa, ele não se preocupa tanto com o que está ou não na moda e, de certa forma, ao seu modo, é simpático com os órfãos. Mas a simpatia e preocupação de Jerome com os Baudelaire, tem um limite. Ele é o tipo de pessoa que evita ao máximo ter qualquer tipo de discussão com qualquer pessoa, o que o torna apenas um placebo para os meninos. Eles os conforta, mas não os defende e, de certa maneira, não pode ajudar muito às crianças.

Ao que tudo indica, parece que desta vez, Olaf deixaria as crianças em paz e não demonstrava qualquer indício de estar por perto rondando as crianças. Mas como o próprio autor deixou bem claro, quem procura por uma história feliz, é melhor fechar o livro. As alegrias e momentos de paz dos jovens Baudelaire, são passageiros e bem curtos. Haja vista que em uma tarde, Olaf aparecera à mansão sob o disfarce de um leiloeiro, Gunther. Ele fora designado para comandar o Leilão da Moda, um grande evento, considerado O evento do ano, para a moda. E, como era de se esperar, Esmé faz de tudo para que seja no edifício 667, para tristeza e pavor das crianças.

A preocupação das crianças com a aparição de Gunther é descobrir uma maneira de se livrar do falsário e enganador. Talvez a resposta para essa questão estava no elevador que dá nome ao título do sexto livro: Ersatz que guarda uma passagem secreta muito escura e sinistra, onde muitos segredos e mistérios serão revelados. Porém o que as crianças não sabem é que dali em diante, mais problemas surgirão para eles e grandes desgostos surgirão.

Enquanto Gunther estava no apartamento ajeitado as coisas com Esmé, as crianças e Jerome vão comer fora em um restaurante chamado Café Salmonela, especializado em salmão, localizado no Bairro dos Peixes. Ao retornarem para a nova casa notam que Gunther não estava mais lá. Eles questionam ao porteiro se o leiloeiro havia passado pela portaria, mas o porteiro logo responde que não o vira descer. Os meninos acham isso muito estranho e começam a imaginar que o conde estava escondido no outro lado da porta extra do elevador que existia apenas em um andar específico: o 66º. Pois quando eles abrem as portas vêem somente o poço e não o elevador. Curiosos, os Baudelaire fazem uma corda com fios de tomada, puxadores de cortina e as gravatas do novo pai, Jerome.

Violet decide descer o poço do elevador juntamente com os irmãos mais novos. Quando finalmente chegaram ao fundo do poço, as crianças encontraram uma gaiola e, para a surpresa deles, havia nela os gêmeos Quagmire, aprisionados. Eles tentaram de tudo para abrir a gaiola, resgatar e salvar os amigos, mas não tinham as ferramentas necessárias. Então decidiram voltar para o apartamento da cobertura e, utilizando todo o dom de Violet para inventora, eles constroem soldas com aparelhos de lareira e voltam novamente ao fundo do poço.

Para uma surpresa ainda pior e muito triste, eles vêem que os amigos não estão mais lá. Sem outra opção eles sobem novamente ao apartamento da cobertura e contam a Esmé o que estava acontecendo e o passado sofrido nas mãos de Olaf. Eis que os meninos tem a maior decepção: ela se revela uma grande vilã e os empurra para o poço do elevador.  Mas os meninos não morrem, eles conseguem se segurar em uma rede de cordas e Sunny era a única solução para eles sobreviverem. Ela utiliza a sua arma secreta e muito poderosa: utiliza os seus dentes para escalar as parede do poço do elevador e consegue uma corda para descer o poço e, assim, as crianças conseguem descer o poço em segurança.

Os Baudelaire caminham pelo fundo do poço e acabam descobrindo uma passagem subterrânea que os levava diretamente à Mansão Baudelaire. Os meninos surgem das cinzas da ruína e retornam ao Veblen Hall, onde estava ocorrendo o leilão. Algo chama a atenção das três crianças: uma caixa de papelão que seria leiloada, constando as letras C.S.C. Sunny então compra a caixa misteriosa, tendo certeza de que os Quagmire estariam lá dentro, mas para mais uma decepção para eles, não eram os amigos que estavam lá. Havia somente Caprichosos Suportes para Copos (C.S.C). O conde Olaf acaba fugindo com os comparsas, levando com eles um item do leilão e dentro dele sim, havia os gêmeos. Com Olaf fugira também Esmé, deixando para traz o marido Jerome, que covarde como sempre demonstrara ser, rejeita os filhos adotivos de seu lar e sua família. O que será dos pequenos órfãos agora? Ao final do livro temos outra pista sobre o próximo volume. Alguns mistérios e novas perseguições acontecerão no próximo volume.

14
dez
09

Desventuras em Série – Inferno no Colégio Interno

No quinto livro da série “Desventuras em Série”, “Inferno no Colégio Interno”, os irmãos Baudelaire são enviados a um colégio interno, a “Escola Preparatória Prufrock” pelo seu último tutor, “Senhor”, dono de uma serraria, onde as crianças encontraram pela última vez o conde Olaf.

Quando chegam ao seu novo “lar”, levados pelo banqueiro Sr. Poe, as crianças são recepcionados da pior forma possível por uma aluna da escola, Carmelita Spats. São ofendidos, chamados de “bisbórrias” e todo o leitor que se apaixona pelos “pobrezinhos” órfãos, se aborrece com a garota irritante que sem quê nem pra quê pega no pé, durante todo o tempo que eles ficam no estabelecimento, dos Baudelarie.

O Sr. Poe aconselha os irmãos a irem até a sala do vice-diretor chamado Nero. No caminho os meninos escutam algo que eles estranham. “Memento Mori” (“Lembre-se de que morrerás”), o lema da escola. Ao conhecerem Nero, os meninos notam que ele se mostra uma pessoa extremamente arrogante, vaidosa e megalomaníaca (qualquer semelhança com o verdadeiro Nero é mera coincidência, risos). O vice-diretor tinha o hábito de tocar violino, mas tocava muito mal, emitindo sons que faria qualquer pessoa estremecer e ter vontade de chorar, mas ele acreditava que era um exímio instrumentista.

Nesse primeiro encontro com o vice-diretor, além das primeiras impressões que ele tiveram de Nero, ele lhes explicou como funcionava a escola e deixou claro a existência de algumas regras. Nero fala com as crianças sobre os dormitórios da escola, que são maravilhosos, mas como os Baudelaire são órfãos, eles não tem como ter autorização dos pais para poder se estabelecerem nos encantadores dormitórios, restando para eles, o Barracão dos Órfãos, um lugar horroroso de se viver. Percebem assim que chegam ao local que ele está infestado de pequenos caranguejos furiosos e que o local estava coberto por um fungo bege no teto e o papel de parede era verde com corações cor-de-rosa.

Como se não bastasse as torturas musicais que obrigava aos alunos passarem, utilizava umas técnicas de educação muito estranhas e altamente questionáveis. Estabelecia algumas punições loucas para as transgressões que os alunos cometessem. Algumas delas nós presenciamos os próprios Baudelaire sofrerem e outras tomamos conhecimento de outra forma. Mas só para termos uma idéia dos exemplos das punições que eles recebiam: caso algum aluno entre no prédio da administração, recebiam como castigo fazer as refeições sem os talheres; se por alguma razão se atrasassem para as aulas, como castigo teriam que comer com uma das mãos amarradas nas costas; se faltassem aos recitais diários de violinos (é ou não de enlouquecer qualquer um?), a punição era ainda mais louca: os alunos teriam que dar ao vive-diretor um saco de balas.

No meio de toda essa nova vida para as crianças, Nero diz a eles que Sunny não tem idade suficiente para se matricular na escola e teria que trabalhar como secretária para o vice-diretor. O trabalho do bebê consistia em grampear papéis na maior parte do tempo, mas ela também era obrigada a atender telefonemas, anotar os recados, escrever cartas e outras atividades que nenhum bebê seria capaz de fazer. Se a escola não tinha turma para bebês e ela não tinha idade suficiente para estudar no local, imagine ser empregada como secretária do maluco do vice-diretor…

Pela primeira vez os órfãos vão ao refeitório. Lá eles são servidos por duas pessoas que estavam usando máscaras de metal e acham isso um tanto estranho. Carmelita Spats aparece novamente e importuna as crianças. Os insultam em público assim que eles se sentam para comer. Mas duas crianças, os irmãos gêmeos Duncan e Isadora Quagmire, partem em defesa dos órfãos. Eles tem uma história parecida, assim como os Baudelaire, os Quagmire perderam os pais e o irmão Quingley (eles eram trigêmeos) em um incêndio e também herdaram uma fortuna dos pais em pedras preciosas, safiras, conhecidas como “Safiras Quagmire”.

Os Baudelaire descobriram não apenas o passado dos Quingley, descobriram um pouco sobre a personalidade e gostos dos novos e grandes amigos. Duncan revelou que sonhava em se tornar um jornalista, devido a isso andava sempre com um caderno, onde anotava tudo que ele considerava importante. Já a sua irmã, Isadora, sonhava tornar-se uma poetisa e ela escrevia com muita facilidade em dístico. Assim como o irmão, Isadora também andava acompanhada com um caderno onde sempre escrevia suas poesias.

Como uma forma de consolar os novos amigos por eles estarem vivendo no Barracão dos Órfãos, os Quagmire revelam que também já moraram no barracão e dão dicas preciosas de como se defender dos caranguejos (bastava fazer bastante barulho que eles não se aproximavam) e como deter o avanço do fungo (colocando sal).

Como Violet e Klaus não tem a mesma idade, serão de turmas diferentes e terão professores distintos. Violet tinha como professor, Remora. Um homem que tinha o estranho hábito de comer bananas a todo momento, como uma compulsão, enquanto contava histórias, das mais diversas. E enquanto ele contava as histórias, os alunos deveriam anotar tudo o que pudessem sobre os personagens e os acontecimentos. Já Klaus tinha como professora, Bass, uma senhora simplesmente obcecada pela sistema métrico decimal e não parava de pedir aos alunos que medissem todos os objetos; a altura, largura, comprimento e diâmetro. E por fim, anotassem todas essas meninas na lousa da sala.

Os meninos, como sempre, não andavam lá muito feliz, mas não sabiam que as piores situações ainda estavam por vir. Eles tomam conhecimento de que a Escola Preparatória Prufrock receberia um novo professor de ginástica, o instrutor Genghis. O novo professor usava tênis de corrida cano longo e um esquisito e enorme turbante na cabeça, que ele justificava usar por motivos religiosos. Por mais que o professor fizesse de tudo para esconder a sua verdadeira identidade, todos aqueles detalhes de tênis de cano longo (para esconder a tatuagem no tornozelo) e o turbante (para esconder o inigualável penteado que ele usava) não foram suficientes para que os meninos identificassem prontamente quem ele era: o Conde Olaf. Porém eles decidem fazer de conta que nada notaram, até porque nenhum adulto acreditaria que o novo professor se tratasse do vilão ganancioso.

Olaf tinha um plano maquiavélico em mente e faria de tudo para pôr em prática e, principalmente, que desse certo. Comunica aos alunos que ele tinha um projeto especial para aquela escola, chamado “Disciplina para Órfãos Rápidos”, que consistia em ter provas de que os órfãos terem pernas mais resistentes. Com isso, ele obrigava aos Baudelaire a correrem em círculos no pátio da escola, durante todos os dias em todas as madrugadas.

Isso faz com que o rendimento escolar dos irmãos caísse, pois eles ficavam cansados e sonolentos durante as aulas, sem conseguir prestar atenção às aulas e Sunny não conseguia se concentrar para fabricar grampos para o seu chefe.

Houve um concerto de Nero e os Baudelaire não puderam ir. Desta forma, receberam a punição que eles já sabiam do que se tratava. Foram entregar os sacos de balas para o vice-diretor e quando chegaram a sua sala, deram indiretas de quem se tratava realmente o novo professor. Porém Olaf chega na sala e os meninos desconversam, pois não queriam que o vilão soubesse que eles já haviam descoberto o seu disfarce. Mas dão pistas de que sabem e soltam piadinhas.

Diante do mau rendimento dos órfãos, Nero os comunica que se eles não recuperarem as notas e tirassem 10 e se Sunny não fabricasse a quantidade que ele desejava de grampos, eles seriam expulsos da escola e teriam como tutor o professor Genghis que se oferecera para assumir a criação das crianças.

A hora do almoço chegara e quando os meninos estavam se preparando para comer, Carmelita Spats aparece ao lado deles e lhes diz que os treinador Genghis mandara ela avisar que ele precisava falar com as crianças ao pôr-do-sol no pátio da escola. Como combinado, as crianças aparecem e o treinador manda que eles pintem um grande círculo no chão e em seguida manda que eles corram durante toda a noite, sem parar, sem descanso. Os meninos obedecem prontamente o que mandara o treinador. Como era de se esperar, após correrem toda a noite, eles estavam exaustos e com as pernas totalmente doloridas. Com isso, o desempenho deles não tinha como melhorar de forma alguma, piorando ainda mais a situação deles, tanto na escola quanto no trabalho. Klaus não conseguia se concentrar para medir os objetos pedidos pela Sra. Bass, Violet não tem forças para anotar os detalhes dos acontecimentos e os personagens das histórias de Sr. Rêmora e Sunny descobre que simplesmente os grampos acabaram.

Mais uma vez Carmelita leva más notícias aos órfãos enquanto eles almoçavam. Avisa que eles deveriam comparecer na sala do vice-diretor Nero e fazer D.O.R (Disciplina para Órfãos Rápidos). Ao chegarem a sala de Nero, ele comunica aos meninos que eles teriam que fazer exames extra-rigorosos e Sunny teria que fabricar grampos caseiros. Além de todas essas péssimas novidades, Nero ainda comunica a eles que por terem faltado a tantos concertos de violino que ele tocara, estavam lhe devendo 29 sacos de balas e dez brincos de pedras preciosas para Carmelita Spats.

Os Baudelaire contam para os novos amigos o que estava havendo e Duncan e Isadora se oferecem para ajudá-los. Então os cinco juntos bolam um plano, que consistia em Isadora se passar por Violet e Duncan por Klaus e no lugar de Sunny eles colocariam um saco de farinha. Tudo isso para eles enganarem o treinador para que pudessem estudar e se preparar para os exames e enquanto fabricariam os grampos para Nero.

Com a sua habilidade de inventora, Violet consegue criar uma forma de produzir rapidamente grampos, tendo como uma grande mão-de-obra os caranguejos. Ela cortava os arames e com um garfo surrupiado do refeitório eles entortava os arames em formato de grampos. Cabia a Sunny manter os caranguejos afastados. Enquanto isso, Klaus deveria estudar a matéria dele, decorando todas as medidas e a de Violet para depois contar a ela todas as histórias de Remora de forma resumida.

Na manhã seguinte Nero apareceu no barracão levando com ele os dois professores de Violet e Klaus, juntamente com uma pilha de papel para que Sunny grampeasse. No momento de aplicação dos testes, os meninos se deram super bem, acertando todas as respostas e Sunny, de forma exemplar, grampeou de forma certinha todas as folhas. Eles estavam um pouco felizes comemorando a vitória até que surgiu no barracão Genghis, carregando um saco de farinha, os óculos de Klaus e a fita de cabelo de Violet, utilizado pelos gêmeos como disfarce. O treinador delata os alunos, dizendo que eles faltaram a aula de ginástica, colocando outros alunos nos seus lugares, mas que ele já havia pego os imitadores e lhes aplicado um castigo, mantendo-os presos no refeitório. Nero ao ver as provas do “crime” resolve expulsar os alunos.

Para surpresa de todos, mais uma pessoa aparece no barracão, o Sr. Poe, que havia chegado para pagar a punição dos 29 sacos de balas para o vice-diretor, haja vista que as crianças não estavam conseguindo cumprir a obrigação de assistir as apresentações de Nero, porque estavam sendo obrigados a correr sem parar a mando do treinador.

Os órfãos informam ao Sr. Poe toda a verdade, que Genghis é na verdade o Conde Olaf mais uma vez disfarçado. O Sr. Poe obriga o treinador a tirar o tênis para provar quem ele realmente era. Todos viram a nefasta tatuagem de olho, mas mais uma vez Olaf consegue espaçar, ele foge correndo.

Quando os meninos achavam que estaria tudo perdido mais uma vez, se surpreenderam por contarem com os Quagmire. Mas eles não podiam fazer muito, infelizmente. Afinal Olaf correra em direção a um carro preto e dentro dele havia os comparsas do vilão e os gêmeos. Porém antes de o carro partir, Duncan e Isadora jogaram seus cadernos para os amigos, mas Olaf foi mais rápido e surrupiou os cadernos antes que os órfãos conseguissem pegar, no entanto, os Baudelaire ouviram os amigos pronunciarem três letras misteriosas: C.S.C.

O que será que essas letras significariam? O que aconteceria com os Quagmire? Só saberemos ao ler o próximo volume, mas vai uma dica: essas três letras tem tudo a ver com a próxima aventura e a próxima parada das mais infelizes crianças do mundo.




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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