Arquivo de julho \31\UTC 2010

31
jul
10

“A Montanha e o Rio” encanta pela escrita gostosa e por narrar acontecimentos históricos da China da década de 60

“A Montanha e o Rio”, primeiro romance escrito pelo escritor sino-americano Da Chen, conta a dramática história dos irmãos, Tan e Shento. Filhos do mesmo pai (um general próximo do ditador chinês Mao Tsé-tung); um legítimo e outro fruto de um caso extraconjugal.

Shento perdeu a mãe assim que nasceu e por pouco não morrera junto com a mãe. Humilhada, rejeitada e desesperada porque o general Long não reconhecia a paternidade do seu filho, decidiu tomar uma atitude extrema. Ao pular de um precipício acabou dando à luz ao seu bebê que milagrosamente não morrera e fora recolhido por um curandeiro de uma vila que encantado pela criança, decide adotá-lo.

Concomitantemente ao triste destino de Shento e sua mãe, em Beijing nascia Tan, o filho legítimo, desejado e amado do general Long.

As crianças crescem sem saber da real história de suas vidas e ignorando a existência um do outro. Um terá tudo que deseja, carinho, atenção, cuidado, amor e todas as suas vontades satisfeitas. O outro também terá amor fraternal, mas será carente de outras necessidades e precisa lutar pela sobrevivência o tempo todo. Principalmente após perder os pais adotivos, vítimas de uma batalha entre a China e o Vietnã que destrói a vila em que fora o seu lar. Sem escolha, o garoto é levado para um orfanato e ao crescer se alista para o exército.

Já adultos, Tan e Shento se encontram, sem saber que laços de sangue os unem. E se odiarão porque vão se apaixonar e lutar pelo amor de uma mesma mulher.

Aliado aos conflitos pessoais e interiores, as personagens centrais de “A Montanha e o Rio” enfrentarão as revoluções e conflitos vividas na China da época de Mao Tsé-tung. Enquanto Shento cresce em postos do exército do governo de Heng Tu, Tan se vê caindo em desgraça, já que os privilégios com que estava acostumado a ter, vão escapando de seu domínio desde que Heng Tu assumiu o comando da China.

O livro é maravilhoso! Pois além de uma história super interessante e sensível, ainda somos presenteados com a narração e descrição de fatos históricos de uma sociedade milenar, rica cultural e historicamente e tão distante de nossa realidade.

A revolução cultural, o Massacre da Praça da Paz Celestial, o governo ditador de Mao Tsé-tung, referências pinceladas a Deng Xiaoping, toda a opressão sofrida pelo povo chinês, descrições primorosas de belas paisagens deste país que encanta e fascina, e interessantes citações ao longo do livro tornam “A Montanha e o Rio” um livro que merece ser adquirido, lido, relido e ocupar um dos lugares mais altos de uma estante.

30
jul
10

“Meninas Inseparáveis” aborda com ternura e poesia o universo diferente e desconhecido dos gêmeos xifópagos

Uma das grandes surpresas na literatura para mim foi o livro “Meninas Inseparáveis”, da autora canadense Lori Lansens. Uma surpresa porque apesar de não ser uma pessoa curiosa no dia-a-dia, sobre a vida alheia, tenho curiosidade para aprender, conhecer o que não faz parte do meu cotidiano e não há algo melhor do que a literatura para saciar todas as minhas curiosidades. Por isso eu leio temas variados, até mesmo considerados estranhos para algumas pessoas.

E diante do que me é distante, estranho e desconhecido resolvi apostar na leitura de “Meninas Inseparáveis”, e não me arrependi. É um livro fantástico. Uma bela história, escrita com brilhantismo, de forma singela, e carregado de poesia.

Lansens narra a difícil e emocionante história de Rose e Ruby, gêmeas xifópagas craniópagas. E como elas compartilham uma veia no cérebro, não puderam ser separadas no nascimento.

É de impressionar as situações pelas quais as meninas precisam passar, viver e aprender. Dá para imaginar sentir vontade de ir ao banheiro e outra pessoa ter que lhe acompanhar? Você querer dormir e outra usar o computador? Você querer namorar e ter uma vela ao seu lado? Você querer ficar sozinha e não poder? Vida independente? Só em sonho.

Pois é. É assim que desde o nascimento vivem Rose e Ruby. E por mais difícil que seja a vida delas, as garotas reclamam, mas no fundo não gostariam que fosse diferente. Afinal elas enxergam muito mais do que o lado ruim de se viver “preso” a outra pessoa. Elas são amigas, confidentes, companheiras e se amam incondicionalmente.

Conhecidamente a curta vida dos xifópagos, Rose e Ruby estão às vésperas de quebrar um recorde mundial: viver bem e saudáveis aos 30 anos. E sabendo que estavam às vésperas de serem as xifópagas com maior longevidade da história, elas decidem realizar juntas e separadas (como é possível? Só lendo para saber, não vou revelar uma das melhores partes do livro) uma meta.

Pessoas que sofrem com o preconceito e ignorância alheia, sendo chamadas de monstros, e utilizados como aberrações em circos de horrores (graças a Deus em um passado distante) mereciam essa bela homenagem feita por Lansens. E o mais curioso é que a ideia para o livro surgiu quando o filho da autora chegou pertinho, colou o rosto dele ao dela e disse: “Às vezes, eu queria que a gente ficasse grudado desse jeito”, lindo não?

Em várias passagens do livro eu me emocionei profundamente, refleti sobre esses gêmeos especiais e pude aprender um pouco mais sobre esse mistério da genética. Se assim como eu, você é curioso para assuntos que nos faz crescer, amadurecer e aprender, “Meninas Inseparáveis” merece a sua total atenção. Recomendo porque além de um grande aprendizado é uma excelente leitura, com uma escrita agradável, leve e apaixonante.

29
jul
10

“Zodíaco” de Robert Graysmith: investigações policiais carregadas de suspense sobre um serial killer

Foi com essa frase (trecho de uma das muitas cartas enviadas pelo Zodíaco para a redação de um grande jornal nos Estados Unidos, na década de 60) que decidi começar o post de um livro lançado no mercado brasileiro em 2007 apenas porque a produção do filme estava dando passos largos. Me refiro a “Zodíaco“ de Robert Graysmith.

Mais uma vez o mercado deste país decide publicar livros que já existem há tempos em outros países apenas porque uma adaptação foi feita para o cinema. Mas fazer o que não é mesmo? O cinema é mais barato, atinge maior público, é mais rápido e fácil de absorver, tem recursos que muitos consideram mais atrativos que a literatura. Mas como sou otimista e tenho grandes esperanças para muitas coisas, sonho com o dia em que o cinema não seja o único embasamento para que os brasileiros saibam da existência de títulos que são bons e muito populares em países que prezam e respeitam a cultura.

“Zodíaco” é um livro que mexe com os nervos de quem lê. Apesar de vivermos em uma época em que há a banalização da vida (ou seria da morte?), em que ao ligarmos a televisão e sintonizarmos em qualquer telejornal de qualquer canal da TV aberta ou fechada vamos ouvir e ver notícias sobre morte, assassinato, corrupção e outros tantos tipos de violência, em que há filmes e seriados que lidam diretamente com o assunto morte, esse livro despertou minha curiosidade.

A literatura, o cinema, o teatro, a música deveriam nos livrar dessa realidade cruel e pungente. No entanto, uma vez ou outra gosto de ler algo real, cruel, avassalador, que mexa com os meus nervos e provoque sentimentos extremos, seja ele raiva, revolta, nojo e afins. E por conta deste lado curioso e sádico, fui seduzida por “Zodíaco”.

O livro é baseado em fatos reais e o autor viveu de perto a estória. Robert Graysmith era um cartunista em um grande jornal de São Francisco, na Califórnia no final da década de 60. Bem jovem, Graysmith acompanha o alvoroço na redação do San Francisco Chronicle com o recebimento de uma carta codificada juntamente com um pedaço de pano ensangüentado que parece ser parte de uma roupa.

Esse pitoresco fato vai despertar a curiosidade e o lado detetivesco do jovem e com o tempo faz com que isso se torne uma verdadeira obsessão para ele.

Empenhados em decodificar a carta recebida, os jornalistas e agentes do FBI e da CIA se unem. Diversas tentativas foram feitas para entender a mensagem, porém após muito custo e tentativas mal-sucedidas, o código foi decifrado. Começa então uma investigação sobre a autoria da carta, afinal um homem declarava ter assassinado outro e deu pistas sobre o próprio crime que cometera.

E, assim, uma sucessão de crimes hediondos e gratuitos começou a acontecer na Califórnia, aterrorizando a população, intrigando a polícia e inquietando jornalistas. Cartas começaram a chegar à redação do San Francisco Chronicle narrando outros crimes, futuros crimes e dando pistas sobre quem era o Zodíaco, codinome dado pelo assassino para si próprio.

O Zodíaco começou a ficar ainda mais ousado e passou a exigir que o San Francisco Chronicle publicasse trechos de suas cartas nos jornais. O que foi uma grande polêmica entre editor e policiais, pois se não publicassem, novos crimes aconteceriam, e se publicassem se tornariam reféns das exigências do maníaco.

Policiais e agentes por mais que investigassem e tentassem descobrir o verdadeiro assassino, não chegaram a lugar algum. E por mais de vinte anos as investigações prosseguiram, sem sucesso.

O jornalista Paul Avery, amigo de Graysmith dá uma de detetive e tenta também identificar a identidade do serial killer, também sem chegar a lugar algum. E nessa busca louca e desenfreada estava também o próprio jovem cartunista que acabou por negligenciar a própria família em busca da sua obsessão.

O Zodíaco, a ousadia de suas ações, a perfeição com que cometia os crimes sem deixar vestígios claros e a não solução dos casos, impressionaram tanto Graysmith que ele decidiu escrever o livro “Zodíaco” contando detalhes sobre a estória de um dos serial killers mais procurados dos Estados Unidos, até hoje.

O livro traz as cópias das cartas, trechos dos jornais que publicaram as exigências do assassino, comentários dos investigadores, detalhes dos crimes e das vítimas, os suspeitos investigados e também suas próprias impressões e investigações. É um livro muito bem escrito, rico em detalhes e que impressiona. Não sei, mas acredito que se esses crimes fossem cometidos nos dias de hoje, seria mais fácil chegar até ao assassino. Afinal os aparelhos técnicos de investigação evoluíram muito, as técnicas de investigações também, bem como os recursos biológicos para identificação de DNA.

Gostei do filme baseado no livro. Com um elenco interessante (gosto muito de Mark Ruffalo – “Ensaio Sobre a Cegueira” e Jake Gyllenhaal – “O Segredo de Brokeback Mountain”) e boas atuações, o filme não deixa muito a desejar em relação ao livro. No entanto, no filme deram tanta importância a personagem do jornalista Paul Avery (Robert Downey Jr. – “Homem de Ferro”) e no livro ele não tem tanto destaque assim. Mas no filme, essa atenção exagerada é até entendível, afinal Avery é jornalista, amigo de Graysmith e tem papel importante nas investigações.

Infelizmente o segundo livro escrito por Graysmith sobre o tema, “Zodiac Unmasked: The Identity of Americas Most Elusive Serial Killer Revealed” não chegou por aqui e acredito que não chegue mais. Então que fiquemos apenas com o primeiro dos livros e vale ressaltar que para quem gosta de uma boa investigação policial na literatura ou, como eu, sente curiosidade esporadicamente de ler algo mais pesado, “Zodíaco” é uma boa pedida!

28
jul
10

Heavier Than Heaven – A Biography of Kurt Cobain

Não sou fã de biografias, pois sou exigente com este gênero literário. Tem gente que escreve qualquer coisa, mal faz pesquisas de verdade sobre a vida do famoso e no fundo fico com a dúvida se o autor quer apenas ganhar grana em cima da vida de outra pessoa. No entanto, “Mais Pesado Que o Céu” foi uma surpresa. Acho Kurt Cobain um cara fascinante, lindo, inteligentíssimo, mas extremamente complicado e isso ficou ainda mais evidente no excelente trabalho de Charles Cross. O autor fez de fato uma demorada e extensa pesquisa sobre a vida de Cobain, seus familiares e amigos. Uma série de entrevistas com pessoas que passaram pela vida de Cobain, seja de forma intensa ou superficial. E recria os passos do roqueiro de uma forma tão detalhista que não me surpreenderei se o livro se tornar um filme.

É um excelente livro, principalmente para aqueles que admiravam e eram fãs do garoto/homem com mais cara de quero colo do mundo do rock. Mas é inevitável: é uma leitura que te arrasa. É muito triste saber de coisas que desconhecíamos sobre a vida do Kurt. Um garoto proveniente de uma família totalmente desestruturada, cresceu perturbado e cheio de complexos que iriam acompanhá-lo até o fatídico dia do seu suicídio.

As fotos de Kurt no livro são lindas e apaixonantes. Uma criança perfeita, de uma beleza invejável; momentos distintos da vida dele também ilustram as páginas de “Mais Pesado Que o Céu”.

Quem nega que Kurt era extremamente lindo? Dono de um cabelo maravilhoso, olhos de um tom azul piscina, um sorriso apaixonante e de muita sensibilidade. Mas toda essa beleza só era (é) vista nos olhos dos outros, pois Kurt se achava feio, magrelo demais e tinha sérios problemas com o físico.

E quem mais poderia ajudar ele em todos os aspectos da sua vida, inclusive com a questão do uso abusivo de drogas pesadas, era Courtney Love. Nunca simpatizei muito com ela, pelo que lia e via em entrevistas e fatos sobre os dois, para mim ela era a grande culpada de pirações e loucuras de Kurt. Mas Cross de uma maneira firme é declaradamente simpático a Love. Retira dela partes da culpa do comportamento de Kurt e ainda a retrata como vítima dos exageros de Kurt.

Tudo bem que ele não era santo, mas o cara só faltava gritar desesperadamente pedindo a ela socorro e esse socorro nunca veio, nem quando ele simplesmente sumiu do mapa e ela pouco fez. Ligou para o babá  (sim o babá, um jovem rapaz amigo de Kurt) de Frances (a linda filha do casal) e mandou que ele procurasse pelo marido dela. Fiquei com muita raiva de Courtney Love neste fato. Mas, mais uma vez, Cross tenta justificar as decisões de Courtney.

O único momento do livro que não gostei e achei nada a ver é o final. Cross se manteve coerente ao longo de todo o livro, mas ao reconstituir o último dia de vida de Kurt fantasiou demais. Inclusive escreveu e descreveu sentimentos que só poderiam estar na cabeça de Kurt e nem ele, nem eu, nem você e ninguém mais saberá, afinal isso Kurt levou com ele.

Eu entendo que ele tenha tentando descrever o que provavelmente Kurt sentiu e pensou, mas isso não vamos saber nunca. Ele poetiza, tenta criar um clima introspectivo, é bonito, emociona os leitores, mas não é real.

Kurt foi um cara muito encantador e também extremamente complicado, por isso “Mais Pesado Que o Céu” é tão perturbador e inquietante. É um livro que se lido de uma vez, deprime. E para aqueles que acham que ele durou até demais, que morreu e não faz falta, só lamento. Prova disso é que os CDs do Nirvana vendem até hoje, músicas são tocadas nas rádios até hoje, vemos garotos e garotas apaixonados pelo rock estampando o lindo rosto de Kurt em camisetas até hoje. E também até hoje queremos saber sobre a vida dele, prova é o sucesso de “Mais Pesado Que o Céu”. Kurt me deixa saudade, letras sinceras que refletem as suas experiências pessoais e o poder de sempre ouvir suas músicas com aquela voz doce e agressiva ao mesmo tempo.

Encerro com uma pequena homenagem

27
jul
10

“Água Para Elefantes” ficou famoso no Brasil por causa do melhor tipo de propaganda que existe: boca-a-boca

Hoje a sugestão de leitura é de um livro que também li já há algum tempo. Como não tenho tido tempo para ler atualmente, os posts serão sobre livros mais antigos, mas muito bons e especiais.

Se alguém pudesse ter dois pés direitos eu diria que esse alguém é Sara Gruen. Autora canadense que estreou de forma brilhante no mundo literário abocanhando o título de best-seller para todos os livros que publica. No Brasil, apenas o seu terceiro e lindo, encantador e surpreendente livro “Água Para Elefantes”, ganhou uma tradução.

Não importa se você, leitor, tem 15, 20, 30, 40 ou 100 anos, porque por mais novo ou mais velho que você seja, esse livro vai despertar a sensação de saudosismo. Principalmente se já foi a um circo quando criança e se divertiu com os palhaços (no meu caso eu tinha pesadelos, pois detesto palhaços), se encantou com os shows dos mágicos, se assustou com as motos no globo da morte, sonhou andar nas cordas bambas e pôde ver de perto animais selvagens (está ai uma grande polêmica, pois sou contra animais em circo, mas quando criança todo mundo gosta, não é mesmo? E prova de que um circo não precisa de animais selvagens para ser fantástico é o Cirque Du Soleil).

O mundo do circo e seus encantos é onde se passa boa parte de “Água Para Elefantes”. Sara narra a história de Jacob Jankowski, um velhinho com mais de 90 anos e misterioso que desde a perda da esposa, passou a viver em uma casa de repouso. Apesar de ter a sua disposição simpáticas enfermeiras que cuidam dele com muito cuidado e ter feito sinceras amizades com outros idosos sente muita falta e saudade do seu passado.

Passado este que ele esconde e não comenta com absolutamente ninguém, nem com os próprios filhos. No entanto, a chegada de um circo itinerante à cidade em que ele mora, se torna um acontecimento muito especial que mexe com as emoções de Jankowski e, inebriado pelo saudosismo, ele decide revelar a uma das suas amigas sobre o seu passado.

Nos anos 30, aos 23 anos, Jankowski era um estudante de veterinária, com um futuro promissor. Mas após um acidente sofrido pelos seus pais, Jankowski vê o seu sonho escapar e sem perspectiva de futuro, decide dar um rumo na sua vida. Para isso ele faz a primeira loucura que lha dá na cabeça: pular em um trem em movimento.

O tal trem era o Esquadrão Voador, que transportava os membros e animais de um famoso circo: Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra. Sem perspectiva, o jovem decide se unir ao circo e conseguir um trabalho. Com isso, ele fora direcionado para cuidar da limpeza e alimentação dos animais.

Nessa jornada louca e incerta, Jankowski conhecerá pessoas interessantes, com estórias de vida tão complicadas quanto a sua, passará maus bocados nas mãos de tiranos, aprende a beber, se apaixonará por uma importante integrante do circo e se encantará por Rosie, uma elefanta especial, doce e aparentemente incompetente para qualquer tipo de aprendizado. E a amizade que ele cria com Rosie é simplesmente um dos pontos altos e lindos do livro.

“Água Para Elefantes” é um livro gracinha, com a capa que é um primor, muito gostoso de ler, com personagens ricas, ilustrado com fotos de circos que fizeram sucesso nos anos 30 nos Estados Unidos, além de trabalhar com uma sensibilidade incrível a questão da velhice, do abandono e da carência que as pessoas sentem quando estão no fim da vida.

Um livro singelo e lindo sob diversos aspectos, inclusive com um final surpreendente que dá vontade de bater palmas se você se encantou e se apaixonou pelas estórias vividas por Jankowski. Mesmo quem não gosta de circos quando fechar os olhos será transportado para esse universo inexplicável e inigualável.

27
jul
10

Cresce o número de livrarias em todo país e a Bahia é o destaque no nordeste

Ai que coisa boa os dados que uma matéria do repórter Walace Lara, do jornal Bom Dia Brasil,  da Rede Globo traz de manhã cedinho!

Cresce o número de livrarias (11% maior do que  em 2006) em todo país e as crianças estão lendo mais. Nem parece que estamos falando do Brasil, mas estamos e isso é maravilhoso. Crianças lendo mais é indício de um país mais cultural e com tendências à evolução e melhorias  sempre.

Títulos infantis e juvenis estão entre os mais vendidos. Que lindo! Mas convenhamos, como a literatura infanto-juvenil vem evoluindo e agregando valores, buscando educar sem ser chata, como nos seus primórdios.

Destaque para São Paulo que é o estado com maior número de livrarias do  país e também parabéns para a Bahia, oh meu Deus nem acredito! A maior do nordeste em número de livrarias e com ambientes mais modernizados que acaba sendo um atrativo a mais para os leitores.

Viva para livrarias que se tornam as ferramentas para engrandecer os nossos sonhos, nos transportar para lugares mágicos e nos apresentar personagens inesquecíveis.

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Para quem não assistiu ao jornal, forneço a matéria na íntegra e vale a pena ir até ao site para assistir ao vídeo.

Edição do dia 27/07/2010

27/07/2010 08h09 – Atualizado em 27/07/2010 08h09

Aumenta o número de livrarias no Brasil, revela pesquisa da ANL

Levantamento mostra que no país existem 11% lojas a mais do que em 2006. O estado de SP tem mais que o dobro do segundo colocado, o RJ.

Um dia na vida de Ulisses. Um dia na morte de Quincas. Quem gosta de ler sabe: é possível ir da Irlanda de James Joyce até a Bahia de Jorge Amado só correndo a prateleira.

É um mundo imenso, cada vez mais lido e vivido pelos brasileiros. O aumento no número de livrarias confirma essa boa notícia que apareceu em uma pesquisa, que será divulgada nesta terça-feira (27) pela Associação Nacional de Livrarias. Essa pesquisa também traz algumas surpresas, como o estado brasileiro com mais livrarias por habitante. Veja na reportagem de Walace Lara.

A leitura é de alguém que começa a descobrir o prazer das palavras. Estamos lendo mais. Esta é uma das principais conclusões de uma pesquisa inédita da Associação Nacional de Livrarias (ANL). O levantamento mostra que no país existem 2.980 lojas – 11% a mais do que havia em 2006. Os dirigentes do setor comemoram, mas dizem que dá para melhorar.

“O nosso índice ainda é muito baixo. Ainda é 1,9 livros ano lido por habitante ano. Isso é muito pouco e muito aquém de países latino-americanos. Na Argentina, se lê em torno de cinco. No Chile, três. Na Colômbia, se lê 2,5 livros por anos”, declara Vitor Tavares, presidente da ANL.

Um dos motivos para o índice não ser mais alto é a falta de livrarias em pequenas e médias cidades. Hoje, a maior parte está concentrada nos grandes centros. A região Sudeste é a que tem o maior número de lojas. O estado de São Paulo tem mais que o dobro do segundo colocado, o Rio de Janeiro.

Destaque para a Bahia com o maior número de livrarias no Nordeste. É o sexto colocado no país, empatado com Santa Catarina. Curiosa é a situação de Roraima que tem apenas 25 livrarias. Parece pouco, mas, proporcionalmente, o estado do Norte tem a melhor média nacional.

Parte do sucesso nacional pode ser atribuída à venda de produtos diferenciados, como CDs e DVDs. Além disso, os ambientes foram modernizados. “Você tem várias outras opções dentro de uma livraria, desde um bom café, um espaço para leitura, para troca de ideias, reunião com amigos. Então, isso é uma renovação muito boa”, comenta a empresária Iêda Freitas Santos.

A pesquisa também traz outra boa notícia. Um ambiente voltado para o público especial é cada vez mais comum nas livrarias. Não é à toa. Os títulos infantis e juvenis são os mais vendidos. Crianças e adolescentes são os principais clientes das grandes e pequenas livrarias.

“O infantil é 100% leitor. Não tem uma única criança que os olhos não brilham quando você coloca um livro perto dela”, afirma Samuel Seibel, dono da livraria.

É a mesma sensação observada por quem possui apenas uma única livraria e que, segundo a pesquisa, forma o maior grupo do mercado. É o caso de Ângela e Denize. O fascínio em desenvolver a leitura era tanto, que elas abriram uma livraria, dedicada apenas ao público infanto-juvenil.

“A gente acredita realmente que o livro é capaz de transformar as pessoas, transformar o mundo, formar uma consciência crítica, formar cidadãos, pessoas melhores”, aposta Maria Ângela Prado de Melo Aranha, dona de livraria.

“Eu estou tão acostumada a ler. Desde pequenininha, eu já aprendi. Então, eu adoro, eu acho que você viaja muito nos livros”, comenta Victória Naomi Zynger, de 11 anos.

A maioria das livrarias (56%) não faz vendas pela internet. Ou seja, são aquelas lojas bem tradicionais, em que o dono conhece praticamente todos os clientes, que vão até lá para comprar um livro e principalmente para bater um papo.

Fonte: http://migre.me/10esX

26
jul
10

A Sombra do Vento – Suspense ambientado em Barcelona do início do século XX que revolucionou a literatura Espanhola

Apesar de ser uma leitora voraz, não conhecia a literatura espanhola. Com exceção de “Paixão Índia” de Javier Moro. Há dois anos li “A Sombra do Vento” e me encantei por Carlos Ruiz Zafón. Autor que se tornou motivo de orgulho para os espanhóis, já que é um fenômeno de vendas em todo o mundo e elevou a literatura espanhola a um nível muito bem aceito e criticado, além de ser considerado mundialmente como o autor que a Espanha revelou após anos sem nenhuma novidade.

Zafón está em tão alta conta comigo que assim que “O Jogo do Anjo”, seu segundo livro, entrou em pré-venda no Brasil em 2009, eu adquiri um volume.

“A Sombra do Vento” é um romance carregado de suspense, certo grau de violência, muito bem escrito, todo amarrado, sem deixar espaços para questionamentos ou buracos na trama, além de despertar no leitor a vontade de não fechar o livro ou não terminar de lê-lo em uma única sentada. Dá vontade de ler tudo de um só fôlego.

Alguns críticos chegam a definir Zafón como uma mistura de Alexandre Dumas, Edgar Allan Poe e Victor Hugo (ou seja, o moço não é pouca coisa não).

Zafón de forma magistral retrata a Barcelona de 1945, no pós II Guerra Mundial. Indiquei o livro a uma amiga que morou em Barcelona por quase um ano e ela disse que para quem conhece a cidade, é um deleite, despertando um saudosismo irrefutável.

“A Sombra do Vento” conta a história de Daniel Sampere, um garoto de 11 anos que vive com o velho pai, dono de uma pequena livraria. O garoto cresceu carente das lembranças de sua mãe e o pai decide lhe dar como um especial presente a visita a uma biblioteca secreta um tanto misteriosa e diferente: O Cemitério dos Livros. Um lugar mágico onde os freqüentadores diziam que os livros que lá se encontravam – esquecidos e abandonados pelo mundo – escolhiam o leitor e não o contrário.

Nesta visita, Daniel sente uma atração inexplicável pelo livro denominado “A Sombra do Vento”, do autor Julian Carax. Como não poderia deixar de ser, o garoto leva o livro com ele. Após lê-lo ele fica completamente fascinado pelo autor e começa a procurar outros livros escritos por ele (isso já aconteceu com você? Comigo acontece o tempo todo). Mas apesar do esforço, de ir em todas as bibliotecas, livrarias e sebos da cidade, nada sobre Julian existe. Mas Daniel descobre mais: todos os livros de Carax foram adquiridos e queimados por um homem não identificado. Restando apenas o exemplar que ele pegara no Cemitério dos Livros.

A partir daí a história de “A Sombra do Vento” começa de fato e o suspense não deixa mais de estar presente em toda a obra. Daniel se torna um verdadeiro detetive, empenhado em descobrir quem era de fato Carax e porque todos os seus livros foram destruídos. Mas as respostas para essas questões estão rodeadas de mistérios, suspense, terror e muito sofrimento, que inclusive podem colocar em risco a integridade e segurança não apenas de Daniel, mas de sua família e das pessoas que ele de fato ama.

E o mais espetacular é que Zafón vai conduzindo Daniel não apenas para as descobertas acerca dos mistérios que rondam Julian Carax, mas também perigos, corrupção e segredos envoltos em toda Barcelona.

Mas Daniel não está sozinho nessa. Sendo ele um garoto esperto e inteligente acaba conhecendo pessoas que vão ser muito importantes para lhe ajudar e também conquistará amigos e aliados leais. E nessa busca, Daniel não apenas entende e resolve mistérios, mas também amadurece e acompanhamos a sua transformação de um garoto franzino para um jovem correto e bom caráter.

“A Sombra do Vento” é fascinante, enaltece a importância dos livros para a cultura e formação de um homem e diverte os leitores com uma escrita gostosa e carregada de emoções. Além de pincelar a relação fascinante de amor que os livros, ou um livro em especial, desperta nos leitores.

Zafón no início da carreira dedicou o seu tempo e talento para a literatura infanto-juvenil, mas com o amadurecimento enveredou para um público mais maduro e seleto. E desta decisão surgiram livros magistrais, justificando as críticas positivas e sucesso absoluto do autor em países como Espanha, Alemanha, Estados Unidos e Brasil.

Conforme um projeto criado pelo autor, “A Sombra do Vento” é apenas o primeiro de uma tetralogia sobre a Barcelona da época de Franco. No Brasil já temos dois dos quatro livros. Que venham os demais e que Zafón escreva muitos outros, para engrandecer e divulgar ainda mais a boa literatura espanhola.




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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