Archive for the 'Sue Monk Kidd' Category

13
nov
09

Estrela precoce, Dakota Fanning tenta manter os pés no chão em Hollywood

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Estrela precoce, Dakota Fanning tenta manter os pés no chão em Hollywood

Atriz de 15 anos protagoniza o drama ‘A vida secreta das abelhas’.

Em entrevista ao G1, loirinha fala sobre fama e bastidores de filmagens.

07/08/09 – 12h00 – Atualizado em 07/08/09 – 12h05

dakota a vida secreta

Ela cresceu nas telas do cinema. Com apenas seis anos, Dakota Fanning provou ser uma atriz de talento nato logo na estreia, ao interpretar a filha de um deficiente mental vivido por Sean Penn no drama “Uma lição de amor”. Agora, com 15 e currículo de veterana – são mais de 20 longas – a loirinha protagoniza “A vida secreta das abelhas”, adaptação do best seller homônimo da autora Sue Monk Kidd.

Na produção dirigida por Gina Prince-Bythewood, Dakota dá vida à personagem Lily Owens, uma jovem que acidentalmente mata a mãe na infância, vive atormentada pela culpa e ainda sofre maus tratos de um pai rancoroso, interpretado por Paul Bettany. Um dia resolve fugir de casa e encontra o afeto que nunca teve ao ser acolhida por uma família negra.

Passada nos anos 60, em uma cidade da Carolina do Sul, o filme mostra o preconceito que uma garota branca sofre por se relacionar com negros. Em especial com o personagem Zack (Tristan Wilds), por quem se apaixona.

Não foi a primeira vez que Dakota, que acaba de entrar na adolescência, beija em um filme. Mas a cena de amor de “A vida secreta das abelhas” teve um sabor especial. “Com certeza foi o beijo mais íntimo e romântico que dei no cinema, em função do relacionamento entre os personagens”, analisa.

Diferente das estrelas precoces, que acabam virando alvo de paparazzi por causa de arroubos juvenis, Dakota diz ter “os pés no chão.” “Acho que tem muito a ver com a maneira pela qual meus pais me educaram, de ser verdadeira comigo mesma e nunca mudar quem sou”, diz, com ar comportado.

Em conversa com o G1, em Los Angeles, a loirinha fala sobre carreira, fama e os bastidores das filmagens de “A vida secreta das abelhas”, que entra em cartaz nesta sexta-feira (7), nos cinemas brasileiros.

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G1– Atores que ganharam fama cedo como você, vez ou outra se metem em confusão e viram alvo de paparazzi. O que você faz para não cair nas armadilhas de Hollywood?
Dakota Fanning –
Estou consciente do que acontece com alguns atores da minha idade, mas não acho que cairia nestas mesmas armadilhas. Tenho uma família e amigos fantásticos, um ótimo agente e realmente o que mais amo é atuar. Procuro manter um equilíbrio. Acho que tem muito a ver com a maneira pela qual meus pais me educaram, de ser verdadeira comigo mesma e nunca mudar quem sou, manter sempre os pés no chão. Tento não me preocupar muito com a fama e não sonhar muito com o futuro. Eu vivo no presente.

G1- Como foi filmar a cena do beijo com Tristan Wilds?
Dakota –
Não foi tão estranho assim, pois fizemos esta cena mais no final das filmagens e até lá Tristan e eu já nos conhecíamos bem. Ele é um doce de pessoa. Além do que, esse não foi meu primeiro beijo em filme [risos]. Mas com certeza foi o beijo mais íntimo e romântico que dei no cinema, em função do relacionamento entre os personagens.

G1- Qual seu critério ao escolher um papel?
Dakota –
Tenho que me sentir atraída pela personagem e, de preferência, que seja algo diferente dos meus papéis anteriores. Li o livro “A vida secreta das abelhas” há cinco anos, quando fui contratada para fazer o filme. Mas produção ainda não estava pronta para seguir adiante. Foi ótimo, porque assim deu tempo de eu crescer mais um pouquinho [risos]. Fiquei muito atraída pelo fato de ser uma historia que se passa no sul dos Estados Unidos, onde nasci. Consigo me identificar com vários aspectos do livro e do roteiro.  

G1- Antes de começar as filmagens a diretora armou uma situação em que os atores te tratariam bem e nem tanto a Jennifer Hudson, para vocês sentirem na pele a discriminação racial que existia nos anos 60. Como foi essa experiência?
Dakota –
Antes de começarem as filmagens, Gina queria criar a situação de discriminação racial quando entrássemos juntas em uma farmácia para colocar a gente no clima. Disse que seria feito de uma maneira respeitosa, mas mesmo assim deu para perceber como nossas vidas teriam sido diferentes se vivêssemos na Carolina do Sul, em 1964. Acho que foi uma excelente ideia, nos ajudou muito.

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G1- Durante sua preparação para o papel, você chegou a entrevistar ou conhecer crianças vítimas de abuso?
Dakota – Conheci crianças que sofreram abuso no passado, antes de me preparar para o papel. Durante minhas cenas com Paul Bettany, achei que era especialmente importante para o meu personagem mostrar que ela não se sentia amada pelo pai. Foi um desafio filmar algumas dessas cenas. O Paul era assustador no papel, mas na vida real ele é um doce de pessoa.

G1- Como foi a experiência de lidar com milhares de abelhas em cena? Você foi picada durante as filmagens?
Dakota – Nenhuma vez. Dei sorte, pois Lily era aprendiz de apicultora, portanto ela sempre estava totalmente protegida com o macacão, as luvas e a tela protetora na cabeça. Mas aprendi bastante sobre elas. É impressionante quando você tira a tampa da colméia e encontra 600, 800 mil abelhas… É divertido tentar encontrar a rainha. Eu não tinha a menor ideia e imagino que a maioria das pessoas também não, de como as abelhas trabalham duro, em conjunto com uma finalidade em comum. Acho um excelente paralelo com o filme, onde as pessoas estão divididas em diferentes raças e na colméia, as abelhas trabalham unidas por uma mesma causa.

G1- A vida de Lily tem várias reviravoltas. Você consegue ver algum paralelo em relação a sua própria vida?
Dakota –
Acho que a minha passou por grandes mudanças quando comecei a atuar. Tive uma grande oportunidade com apenas 6 anos, quando fiz “Uma lição de amor”. Minha vida seria bem diferente se não tivesse feito esse filme. Sinto-me abençoada pelas oportunidades que tive na infância, que me deram a chance de ingressar em uma vida tão diferente e desde cedo saber o que queria.

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http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL1257866-7086,00-ESTRELA+PRECOCE+DAKOTA+FANNING+TENTA+MANTER+OS+PES+NO+CHAO+EM+HOLLYWOOD.html

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12
nov
09

O doce mel que escorre da cidadania

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Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, no Caderno 2 no dia 7 de agosto, página D6.

O doce mel que escorre da cidadania

Identidade, racismo e abandono são os temas de “A Vida Secreta das Abelhas”.

Luiz Carlos Merten

Existem coisas que simplesmente têm de ser. Gina Prince-Bythewood que o diga. Contactada para dirigir a adaptação do romance “A Vida Secreta das Abelhas”, de Sue Monk Kidd, ela não apenas não leu o livro nem o roteiro como ficou quase três anos empurrando o projeto. Quando os produtores desistiram dela e anunciaram que estavam fazendo o filme com outro diretor, Gina finalmente se sentiu tentada a ler o livro. Foi uma revelação. “Tudo o que eu queria dizer sobre mim, nem falo do mundo, estava no livro. Bateu-me o pânico de ter perdido a oportunidade de minha vida. Felizmente, consegui retomar o projeto”, ela conta numa entrevista por telefone. “A Vida Secreta das Abelhas” estréia hoje nos cinemas brasileiros. O livro de Sue Monk Kidd também acaba de chegar às livrarias. Poderá ser uma dupla descoberta. Leia o livro e veja o filme (e vice-versa).

É a história dessa menina – branca – que mata a própria mãe e leva uma vida miserável com o pai. As circunstâncias da morte foram as mais inesperadas. A mãe havia se separado do pai. Voltou, mas já estava com a mala pronta para partir de novo. Houve uma briga, a filha ainda menina, disparou acidentalmente na mãe e o pai lhe fez crer que ela estava fugindo dos dois. Como uma menina consegue crescer com este duplo peso, esta dupla tragédia na consciência – o de ser a assassina da mãe que a estava abandonando? O filme mostra a acolhida que ela recebe numa casa habitada por negras. Ela não confessa sua origem a essas irmãs que, no princípio, se dividem entre recebê-la ou não. O filme lembra um pouco “Tomate Verdes Fritos”, que foi um grande sucesso independente por volta de 1990. “Conheço este filme, mas nunca pensei nele nem achei que fosse uma referência. Agora que você está falando, percebo que tem pontos em contato. A história gerencial, a afirmação das mulheres num universo masculino, o próprio racismo. Mas aqui a questão racial é muito mais forte, embora minha aproximação com o texto de Sue tenha sido sempre no sentido de fazer com que essa história não fosse só sobre racismo”.

Gina é adotada. Afro-americana, foi adotada por uma mãe de origem salvadorenha e um pai branco. No seio dessa família, não é difícil compreender porque a questão da identidade tenha sido sempre tão forte para ela. Houve um momento que Gina quis procurar sua mãe biológica. Sua identificação com o livro de Sue Monk Kidd vem muito daí. O repórter reclama de um ponto de vista. O filme adota o ponto de vista feminino. Como homem, ele não pode deixar de se identificar com o pai – esse pai miserável que amou a mulher e foi por ela abandonado, transferindo para a filha a carga da rejeição e a responsabilidade pela morte – pelo assassinato que, no fundo, num determinado momento, ele queria cometer. “Entendo o que você quer me dizer, mas, sinceramente, acha que o pai era um personagem muito mais negativo. Tentei relativizar sua posição o máximo possível. Até pelo que sofri na minha vida, e Sue sofreu, creio que um filme coral, dando voz a todos, é o caminho mais honesto”.

“A Vida Secreta das Abelhas” mostra o racismo nesta cidade sulista. O garoto negro, surpreendido com a jovem branca no cinema, é seqüestrado. “Cresci ouvindo essas histórias de brutalidade. A integração racial foi um processo muito difícil nos EUA, que o próprio cinema se encarregou de documentar”. Como é ver seu filme nos cinemas justamente no momento em que um negro está instalado na presidência dos EUA? “Não digo que seja mais fácil recuperar essas histórias hoje em Cia, embora seja, claro. Mas eu acho que o fato de Barack Obama estar hoje na presidência reforça uma idéia forte de “A Vida Secreta das Abelhas”, a cidadania. O filme pode falar de muita coisa. Linguagem, sentimentos, família, identidade, responsabilidade, mas a questão da cidadania sempre me norteou. Acredito que só ela poderá criar um mundo melhor”.

Foi difícil conseguir a adesão de atores como Queen Latifah, Dakota Fanning, Jennifer Hudson e Alicia Keyes? “Esse filme deve muito a elas. É dela, tanto quanto meu ou de Sue. Vou lhe dizer uma coisa. Ninguém fez “A Vida Secreta das Abelhas” para ganhar dinheiro. Queen como uma verdadeira rainha, abriu mão de projetos mais rentáveis e trabalhou pelo mínimo somente para viabilizar a produção. Foi um filme feito com amor, por gente que acreditava no projeto. Isso aumentou meu empenho. Não podia errar e comprometer tanta dedicação”. Um dos aspectos mais belos do filme refere-se ao muro que a personagem vivida por Sophie Okonedo (May Boatwright) constrói no jardim da casa. Ali ela expressa toda a sua dor pela injustiça do mundo. “O muro está no livro e, claro, não podia faltar no filme. É fácil pensar no Muro das Lamentações, em Jerusalém. É o nosso muro das lamentações. Mas o tom do filme não é de lamento nem de fatalidade. Apesar de tudo, de toda a dor, há um arco dramático, uma evolução. Não creio que o cinema deva passar necessariamente uma mensagem, mas espero que cada um veja em “A Vida Secreta das Abelhas” o registro de um crescimento. Nada mais oportuno, na América e no mundo atuais”.

 

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12
nov
09

‘A vida secreta das abelhas’ faz leitura ‘light’ de história trágica

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‘A vida secreta das abelhas’ faz leitura ‘light’ de história trágica

 07/08/09 – 12h00 – Atualizado em 07/08/09 – 12h05

Dakota Fanning protagoniza filme adaptado de best seller.

Queen Latifah, Alicia Keys e Jennifer Hudson roubam a cena.

O talento precoce da atriz Dakota Fanning sempre foi alvo de elogios desde sua estreia em “Uma lição de amor” (2001), quando interpretou a filha de um deficiente mental vivido por Sean Penn. Oito anos e vários filmes de arrancar lágrimas depois, a loirinha prodígio de Hollywood protagoniza “A vida secreta das abelhas”, longa baseado no best seller da autora americana Sue Monk Kidd, sobre uma adolescente que acidentalmente matou a mãe na infância e, além da culpa, é obrigada a conviver com o pai violento.

Deveria ser um prato cheio para Dakota, especialista em encarnar meninas fofas e sofridas, como fez em “Chamas da vingança” (2004) ou no polêmico “Hounddog” (2007). Mas, estranho, falta à atriz a carga dramática esperada para o papel da garota de 14 anos que vive em busca do perdão.

Tal necessidade a personagem Lily preenche quando foge de casa com a babá Rosaleen (Jennifer Hudson) e é acolhida por três irmãs apicultoras em uma cidadezinha da reacionária Carolina do Sul. Passada nos anos 60, em plena luta pelos direitos civis, a história também aborda o preconceito – que gera reações extremas – que a protagonista sofre por ser uma garota branca morando sob o mesmo teto de uma família de mulheres negras.

Ao contrário do livro, “A vida secreta das abelhas”, o longa, investe nas excentricidades das irmãs August, June e May – todas interpretadas com brilho por Queen Latifah, Alicia Keys e Sophie Okonedo – e quase deixa de lado os conflitos existenciais de Lily. O resultado é um filme de argumento dramático, mas que encontra seus bons momentos nas situações de humor.

Talvez a atuação rasa de Dakota tenha sido opção da diretora, Gina Prince-Bythewood, para tonar o filme mais leve. Mas é justamente na desesperada busca de Lily pelo perdão que está a beleza da história contada no livro – premiado com o Orange Prize.

A alternativa de enxugar o teor dramático do roteiro também pode ter sido escolha de Will Smith, um dos produtores do filme. Atual rei das bilheterias, o ator conhece como ninguém o poder que uma história levinha, que equilibra doses de drama e humor, tem sobre o público.

Estrelado por cantoras – Latifah, Alicia, e Hudson – “A vida secreta das abelhas” tem trilha sonora idas mais caprichadas. As canções do trio, as de Lizz Wright, Supremes e Impressions parecem mais coerentes com as páginas da obra de Monk Kidd do que a adaptação cinematográfica em si.

 Refereência: 

http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL1257633-7086,00.html

 

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11
nov
09

A Vida Secreta das Abelhas

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Passeando pelo site da Saraiva, olhando os livros que estavam em pré-venda em lançamento, me chamou atenção o título “A Vida Secreta das Abelhas”. Nunca tive nada contra bichos em geral e costumo ler de tudo. Cliquei para ver sobre o que se tratava e, para surpresa, as abelhas em questão eram meras coadjuvantes.

Arriscando, sem saber se iria gostar ou não, acabei comprando o livro. Achei que seria mais um livro com uma historinha água com açúcar, mas para minha surpresa (e agradável surpresa) o livro é bem mais do que isso. Cheio de passagens interessantes e a descrição de como ocorriam os atos preconceituoso em estados altamente racistas nos Estados Unidos, em uma época em que eu nem sonhava em nascer, são carregados de emoção que atingem um leitor mais sensível. Hoje em dia é inconcebível nós aceitarmos que uma pessoa seja humilhada e destratada apenas pela sua cor de pele, mas tão freqüente em alguns locais em outra época e que, tristemente, ainda acontece em alguns estados brasileiros, de forma velada.

“A Vida Secreta das Abelhas” é um romance da premiada autora especializada em biografias, Sue Monk Kidd. E conta a história de Lily Owens, uma garota que cresceu nos anos 60 na Carolina do Sul, sem a figura materna e com um pai severo. O estado em questão é marcado por forte preconceito e segregação racial e religioso. Quando ela era ainda muito novinha, apenas quatro anos de idade, a sua mãe Deborah separou-se do pai e saiu de casa. Em uma oportunidade, ela regressou e enquanto terminava de arrumar suas coisas o ex-marido acabou chegando à casa e diante de uma discussão, Lily encontra uma arma e acidentalmente acaba disparando e o tiro acerta sua mãe que vem a morrer. A menina cresce com a convicção de que assassinou a mãe e o pai jamais tentou modificar esse pensamento e sentimento dela, muito pelo contrário, reafirmava o fato.

Dez anos após o incidente, já com 14 anos, é natural que nesta fase as garotas sintam muita necessidade de uma figura feminina para que possam ter conversas a respeito de suas dúvidas, sobre o corpo estar mudando, reações naturais que não fazem mais parte da infância. Diante disso, Lily pensa muito na mãe e sente muito a sua falta, pois era uma pessoa que a amou e ela também ama sem nem ao menos ter conhecido direito. Lily, acima de tudo, necessita de perdão. Perdão pelo que acredita que tenha feito, por ter sido a causadora da perda que tanto lhe aflige e, principalmente, perdão a si mesma.

Tudo é mais difícil para Lily devido a personalidade do seu pai. Um homem bruto, ríspido, de fala e comportamento árido. Na Carolina do Sul, onde vive, a única representação feminina na sua vida é da sua única amiga, Rosaleen, uma negra que toma conta dela desde que a sua mãe morrera.

Rosaleen decide cumprir o seu papel de cidadã e responder por aquilo que lhe cabia de direito: votar. Mas os brancos não estavam contentes com os novos direitos adquiridos pelos negros e no dia em que Rosaleen sai para votar, é presa e espancada. Indignada, a garota decide agir. A mulher não podia mais continuar morando onde estava e acabou indo embora. Lily resolve ajudar a “mãe adotiva” e foge com ela. Sem nem pensar duas vezes ela abandona o pai, como fizera sua mãe e vai embora sem deixar vestígios. O destino delas é Tiburon. Lily descobre nas coisas particulares de sua mãe uma imagem de uma mulher negra como Nossa Senhora e o endereço de um local em uma outra cidade. Disposta a conhecer o passado da sua mãe ela vai para Tiburon acompanhada de Rosaleen. Mas uma negra e uma adolescente branca viajando fugidas juntas é algo que não deixa de ser facilmente notado e percebido.

As duas encontram refúgio na casa de três mulheres negras apicultoras, irmãs bem excêntricas, as irmãs Boatwright, August, May e June (a mãe delas gostava da primavera e do verão. Então como elas nasceram nos meses de Agosto, Maio e Junho, receberam esses nomes – os correspondentes em inglês).

A princípio a estada delas gera muita desconfiança e desconforto, mas a simpática August passa por cima de tudo, inclusive dos mistérios e de Lily para recebê-las e acolhe-las da melhor forma possível. Ao longo dos dias, a garota aprende com as irmãs o maravilhoso mundo das abelhas, do mel e da Nossa Senhora negra. E foi com essa família de mulheres incríveis que Lily descobriu o verdadeiro sentido e profundidade da palavra família.

Por mais que a garota esconda a verdade do seu passado, August sabe de tudo, quem ela era e, principalmente, conhecia o passado secreto de Deborah. E a revelação disso é muito bacana, quando a garota se aproxima de August que está sentada em um balanço e a negra comenta que está lendo um livro sobre uma menina que perdeu a mãe quando ainda era criança. Sem esconder a ansiedade e profundidade da revelação, Lily pergunta o que acontece com a menina e a outra revela que não sabe, pois ela começou a ler o livro havia pouco tempo, mas que sabia que a menina estava, naquele momento, se sentindo muito perdida e sozinha.

Os problemas da segregação racial continuam presentes na cidade em que elas agora habitam e Lily se vê em uma situação bem difícil quando seu pai aparece para buscá-la, mas é surpreendente o rumo que a história toma.

Apesar de o livro ter como personagens principais predominância de mulheres, não é um livro para meninas, nem se prende a uma específica categoria. Para o leitor que se envolve facilmente em uma boa história, é garantia de momentos de diversão, indignação e emoção. Assim como nas histórias de vilões e heróis, o leitor vai se apaixonar por algumas personagens e detestar outras.

Para quem gosta de um livro bem escrito, leve em alguns momentos e profundo em outros, de histórias de amor, por si próprio, pela família e pelo outro, com certeza vai gostar de “A Vida Secreta das Abelhas”.

Recentemente ele ganhou uma adaptação para o cinema, sendo comentado por ser o primeiro filme mais sério em que Dakota Fanning interpreta, no papel da jovem Lily.

 

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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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