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12
ago
10

Vampiros, culinária e best-sellers movimentam a Bienal do Livro em SP

Começa hoje a fantasia! Para quem vai, divirta-se muito. Para quem queria muito estar lá, como eu, fica o desejo de poder ir na próxima!

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Vampiros, culinária e best-sellers movimentam a Bienal do Livro em SP

Evento no Pavilhão do Anhembi será aberto para o público na sexta-feira (13).
Atrações incluem autor de ‘O mundo de Sofia’ e sobrinho-neto de Bram Stoker.

Do G1, em São Paulo – http://migre.me/14cn5

A 21º edição da Bienal do Livro de São Paulo começa nesta quinta-feira (12) no Pavilhão de Exposições do Anhembi. O primeiro dia do evento, que vai contar com 350 expositores e terá 4.200 lançamentos de livros, é dedicado aos profissionais do mercado editorial.

Na sexta-feira (13) o evento abre para o público em geral com um dia inteiro dedicado ao terror e aos vampiros. A primeira palestra do Salão de Idéias, principal espaço do evento, fica por conta de José Mojica Marins, o cineasta criador do personagem Zé do Caixão, às 13h.

A sexta conta também com a mesa “Por que o mito do vampiro continua vivo?”, que reunirá os escritores André Vianco, Martha Argel e Giulia Moon, e com um bate-papo com Dacre Stoker, que falará sobre seu livro “Drácula, o morto-vivo”, espécie de continuação da obra clássica tio-avô Bram Stoker.

De acordo com a organização, quem for ao Anhembi fantasiado como seu personagem favorito na sexta não pagará entrada para a Bienal.

Dacre Stoker, sobrinho-neto de Bram Stoker, o autor de ‘Drácula’. (Foto: Divulgação)

Outra aposta curiosa dos organizadores da Bienal é o segmento Cozinhando com Palavras. Composta de debates e leituras, a atividade reunirá chefs de cozinha nacionais e internacionais para comentar a relação da literatura com a gastronomia. Entre os tópicos servidos estarão comidas descritas nas obras de autores como Gilberto Freyre, Jorge Amado, Eça de Queiroz, além do cinema e até nos relatos sobre a última ceia do Titanic.

Literatura infanto-juvenil e futuro do livro
De olho nos novos leitores, os curadores do evento dedicaram espaço significativo à literatura infanto-juvenil. A escolha se reflete em um dos homenageados desta edição, o escritor Monteiro Lobato, que será tema de debates e exposição no evento, como também na participação de nomes como Mauricio de Sousa, Ana Maria Machado, Ziraldo e Pedro Bandeira.

Entre os convidados, estarão também os autores dos best-sellers “O menino do pijama listrado”, John Boyne, e “O mundo de sofia”, Jostein Gaarder. A brasileira Thalita Rebouças, autora da série “Fala sério…”, também é destaque entre os nomes de literatura infanto-juvenil.

Entre outros temas recorrentes em debate na Bienal, que incluem a obra de Clarice Lispector e a literatura lusófona, merecerá atenção especial o futuro do livro. Motivo de polêmica entre autores e editores, defensores e detratores, a digitalização das obras literárias será discutida em diversas mesas do Salão das Ideias e poderá ser conferida na prática em uma área do evento batizada de Espaço Digital. No local, será possível tomar contato com 50 aparelhos de leitura de livros digitais (e-readers), incluindo os modelos Kindle (da livraria virtual Amazon) e iPad (da Apple).

Jostein Gaarder, autor de ‘O mundo de Sofia’ também vai ao evento. (Foto: Divulgação / Miriam Berkley)

Com 1.100 horas totais de programação entre os dias 12 e 22 de agosto, a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo é não só a maior como também a mais cara realizada, com R$ 30 milhões em investimentos (a edição de 2008 custou R$ 22 milhões). Realizada em um espaço de 60 mil m2, esta edição espera reunir um público de até 700 mil visitantes.

Mais informações sobre o evento podem ser encontradas em www.bienaldolivrosp.com.br.

22
abr
10

Alice em nova versão

Matéria publicada no jornal Correio, no caderno Vida, nas páginas 22 e 23, no dia 18 de Abril de 2010.

Alice em nova versão

 

Tim Burton recriou no cinema a fantasia concebida pelo escritor Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas

 

O esperado filme do cultuado Tim Burton estréia sexta na Bahia

Doris Miranda

doris.miranda@redebahia.com.br

Quando leu “Alice no País das Maravilhas” pela primeira vez, aos 8 ou 9 anos, o diretor americano Tim Burton, 51 anos, ficou profundamente impressionado com aquele mundo amalucado, fruto da improvável imaginação do reverendo inglês Lewis Carroll (1832 – 1898), e publicado pela primeira vez em 1865.

A maturidade chegou e Burton nunca parou de ruminar o estranho conto da menina que descobre uma terra mágica no subterrâneo, onde coelhos falam, lagartas são oráculos, gatos aparecem do nada e rainhas cortam a cabeça dos súditos: “Como em qualquer conto de fadas, há o bem e o mal. O que eu mais gostei no Mundo Subterrâneo é que tudo é meio estranho, até as pessoas boas. Isso, para mim, é algo diferente”, avalia.

Hoje, respeitado pelo cinema cada vez mais autoral, apesar de derrapadas ocasionais, como em Planeta dos Macacos (2001), não é de se estranhar que Burton desse um jeito de criar sua própria versão da história. “De algum modo, Alice toca em algo subconsciente. É por isso que todas essas grandes histórias permanece”, explica.

Pois bem, a nova versão de Alice no País das Maravilhas, que estréia sexta-feira no Brasil, em versões dubladas e legendadas, ganham contornos ainda mais alucinados na visão de Tim Burton. Sobretudo pelos sensacionais efeitos em 3D, como se confere nas 126 cópias que chegam ao país, parcela do total de 400.

Bastam algumas cenas para ver a assinatura extravagante do diretor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (2005). Nunca vi uma versão de Alice em que eu sentisse que toda a obra original foi traduzida na tela”, justifica. Isso, no entanto, somente não basta. Sua obra é linda de se ver, concebida com muito esmero, mas não desde redonda.

 

A jovem atriz Mia Wasikowska vive a inconformada Alice

 

O que não chega a ser problema, é importante ressaltar. Mesmo que a trama pareça um tanto esquemática e ligeiramente sem alma, o grande público mergulhou fundo nessa viagem rumo ao País das Maravilhas.

Realizado com custo total de US$ 250 milhões, “Alice no País das Maravilhas” já  faturou US$ 320 milhões em seis semanas de exibição nos EUA – e mais do que o dobro disso no mercado internacional. É a produção em 3D de maior faturamento depois, logicamente, do fenômeno “Avatar”, de James Cameron.

 

Além de fofo, o Gato Risonho é um dos grandes articuladores da guerra contra a tirânica Rainha Vermelha

 

Mudanças É claro que, em se tratando de Tim Burton, o seu “Alice no País das Maravilhas” não seria fiel ao original. E pode contar que ele mudou mesmo. Para começo de conversa, Alice Kinglowka (a novata Mia Wasikowska) não é mais aquela menininha do original. Agora ela tem 19 anos e está à beira de um casamento arranjado, pelo qual não sente o menor interesse. Eis que um dia vislumbra o coelho branco e, voilà, volta ao Mundo Subterrâneo.

Dessa vez, a viagem é diferente. Alice encontra o País das Maravilhas em guerra, tiranizado pela Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter, mulher do diretor). Após encontrar o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e o Gato Risonho (criado por computador), fica claro que Alice é a guerreira prevista pelo oráculo para recolocar a Rainha Branca (Anne Hathaway) e restaurar a paz.

Tirando os personagens de carne e osso, como Alice, o Chapeleiro Maluco, o Valete de Copas, a Rainha Vermelha e sua irmã, a Rainha Branca, todos os bichos falantes foram criados em computador, contabilizando 90% do total do elenco.

Como esses personagens foram acrescentados posteriormente no filme, os atores tiveram que contracenar com objetos ou pessoas totalmente pintadas de um verde quase fluorescente, o que causou um profundo incômodo no elenco. Como nem todo mundo pode proteger os olhos atrás de lentes cor de lavanda, como Tim Burton, houve quem reclamasse, como Johnny Depp.

“Não me incomodava falar andando sobre rodas num trilho de câmera, enquanto contracenava com uma fita crepe. Mas, o verde realmente me incomodava. No final do dia, eu me sentia confuso e desorientado”, declarou o ator em entrevista.

Tudo bem que Alice é a protagonista da história, mas o grande chamariz do filme de Tim Burton é mesmo o Chapeleiro Maluco, vivido por Johnny Depp, o fiel colaborador do diretor, com quem trabalhou em seis produções. Outro parceiro de longa data é o veterano ator britânico Christopher Lee. Dessa vez, o Drácula dos anos 70 empresta sua voz maravilhosa e soturna para dublar o vilão Jaguadarte, monstro que precisa ser destruído pela heroína.

Projeto dos estúdios Disney, a produção chegou às telonas após uma extensa campanha de marketing, que resultou numa espécie de Alicemania. Estilistas criaram roupas temáticas, joalheiros desempenharam preciosidades e novas edições da obra original foram lançadas em diversos suportes, como o audiolivro (narrado e interpretado), que esta sendo lançado no Brasil pela Audiolivro Editora por R$ 24,90.

 

Tim Burton em ação: Alice é projeto de infância

 

No mundo da fantasia

Anunciado com extensa campanha de marketing, finalmente chega aos cinemas brasileiros “Alice no País das Maravilhas”, filme em 3D de Tim Burton, baseado no clássico de Lewis Carroll. Alice já faturou US$ 320 milhões nos EUA e mais do que o dobro disso no resto do mundo.

Guia ilustrado detalha conceito do filme de Tim Burton

Tão importante quanto assistir ao filme de Tim Burton é ter o livro “Alice no País das Maravilhas – Guia Visual do Filme de Tim Burton” (Caramelo/ R$ 40,00/ 72 páginas), uma preciosidade de edição, pensada para detalhar todo o processo de criação do longa-metragem. Na verdade, trata-se de uma chance única de conhecer melhor como funciona a mente do diretor americano. Com isso, o leitor pode entender a leitura que ele fez da adolescente reprimida Alice Kinsleigh, do Chapeleiro Maluco, da Rainha Branca e da Rainha Vermelha. Mais do que recontar a história do filme, o livro nos dá pistas sobre a personalidade de Alice, que sente uma inadequação total à falta de jogo de cintura da Inglaterra vitoriana. Daí sua identificação com os seres encantados do País das Maravilhas.

 

Capa do precioso guia visual

 

Alice no País das Maravilhas em versão Manga

A editora Newpop lança a versão manga de “Alice no País das Maravilhas” (R$12/ 84 páginas), de Sakura Kinoshita. Totalmente concebida em cores, o que já não é comum para esse tipo de publicação, a HQ reproduz as aventuras da menina que encontra numa toca de coelho a porta de entra para um mundo fantástico.

 

Setor do manga explora Alice

 

 

Livro junta obras de Lewis Carroll

Antes mesmo do filme de Tim Burton estrear, o mercado editorial já tinha começado a soltar diversas publicações sobre as maravilhas do mundo criado por Lewis Carroll.

Agora, sai uma das mais preciosas Alice (s). A única edição de bolso do mercado brasileiro a trazer em tradução integral e não adaptada os dois livros de Carroll: “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e sua continuação “Através do Espelho” e o “Que Alice Encontrou por Lá”.

Com preço também de bolso (R$ 19,00), a edição cuidadosa traz ainda ilustrações originais de John Tenniel. A tradução de Maria Luiza X. de A. Borges foi premiada com o Jabuti de 2002.

 

Helena Bonham é a Rainha Vermelha

 

Ficha

Livro “Alice – As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, “Através do Espelho” e o “Que Encontrou Por Lá”

Autor Lewis Carroll

Tradução Maria Luiza X. de A. Borges

Editora Zahar

Preço R$ 19,00 (320 páginas)

Johnny Depp é o Chapeleiro

27
nov
09

Descabeladamente romântico

Matéria publicada na revista Veja do dia 18 de novembro de 2009.

Descabeladamente romântico

“Lua Nova”, o segundo filme da saga “Crepúsculo”, quer atrair agora também os garotos, com lobisomens superpoderosos e cenas de ação. Mas, para manter fiéis as meninas que a-do-ram a série, reforça ainda mais o drama de amor adolescente entre o vampiro cavalheiresco Edward e a adolescente casta Bella.

Jarônimo Teixeira, de Los Angeles

Corações partidos: Bella (Kristen) desesperada com a perda de seu vampiro, é socorrida pelo lobisomem Jacob (Lautner): tentativas de suicídio e muitos peitorais nus, apesar do frio

Como tantos adolescentes do ensino médio, os enamorados Edward (Robert Pattison) e Bella (Kristen Stewart) estão mais interessados no seu ti-ti-ti íntimo do que naquilo que os professores tentam ensinar. O professor de literatura, irritado com a desatenção de Edward, pede que ele reproduza a fala de Romeu, de Shakespeare, pouco antes do suicídio – e Edward o surpreende. Conhece o trecho de cor e o recita com sentimento: “A morte, que sugou o mel do teu hálito, não teve poder contra tua beleza”. “Foi esquisito fazer aquela cena”, disse o ator inglês Robert Pattison, de 23 anos, a VEJA. “Toda a sala, cheia de extras, olhava para mim. Errei e tive de recomeçar várias vezes”. Dificilmente essa será a sequência mais lembrava de “Lua Nova” (The Twilight Saga: New Moon, Estados Unidos, 2009), a continuação de “Crepúsculo”, que estreia no país na próxima sexta-feira. As garotas – público primordial dos filmes baseados nos best-sellers de Stephenie Meyer – vão suspirar diante do inefável Pattison. Um novo imã para seus olhares é o pedaçudo Taylor Lautner (que interpreta o lobisomem Jacob), exibindo seus peitorais malhados. No esforço de incrementar o apelo para os rapazes, há mais sequências de ação e muita computação gráfica. A citação de “Romeu e Julieta”, porém, dá o tom do filme, em tudo fiel ao espírito do livro original. Stephenie Meyer, mórmon praticante, dispensa o ardor sexual do jovem casal criado por Shakespeare – mas, nos quatro romances que já venderam mais de 80 milhões de exemplares ao redor do mundo, não tem pudor de retratar, com as tintas mais encarnadas, o drama desesperado que é o amor adolescente.

Dirigido por Catherine Hardwicke, “Crepúsculo”, o primeiro filme, trazia o início do amor entre o vampiro Edward, virtualmente imortal, dotado de força e velocidade sobre-humanas e capaz de ler mentes, e a humana Bella, uma desajeitada garota que se muda do ensolarado Arizona para o frio estado de Washington (as locações não são lá: no primeiro filme, foram no Oregon; em “Lua Nova”, em Vancouver, no Canadá). Com o orçamento relativamente modesto de 40 milhões de dólares, o filme teve bilheteria mundial de 350 milhões de dólares e projetou Kristen e Pattison como o casal mais queridinho do cinema (sim, eles namoraram fora das telas, mas agora estão aparentemente dando um tempo). “Lua Nova” é sobre rompimento e dor. No seu aniversário de 18 anos (a atriz tem 19), Bella começa a se angustiar com o fato de que está envelhecendo, enquanto seu namorado, que tem 108 anos, estacionou na aparência de 17. Edward, cioso dos perigos que a companhia dos vampiros traz à amada, acaba se afastando de Bella, na tentativa de protegê-la. Ele tem sede do sangue de Bella, mas contém-se: não quer transformá-la no monstro que ele mesmo julga ser. Essa abstinência tem sido interpretada como uma pregação da contenção sexual para os jovens, muito de acordo com o ideário religioso da autora. A menina entra em desespero, até encontrar consolo na companhia do lobão Jacob.

Edward – quase um deus, mas acessível para a prosaica Bella – inflama a imaginação das fãs. Depois de “Crepúsculo”, fotos de Pattison ganharam as paredes dos quartos de adolescentes e pré-adolescentes de todo o mundo. “Nunca imaginei algo assim. No meu tempo de escola, eu não era nem de longe o garoto mais desejado da classe”, diz o encabulado ator de cabelos desgrenhados, enquanto seus dedos de unhas um tanto sujas atarraxam e desatarraxam ansiosamente a tampa de uma garrafa de água mineral.

Com Edward ausente em grande parte da história, tudo indica que chegou a hora de Taylor Lautner, 17 anos. Sua participação no primeiro filme era pouco mais do que uma ponta. Em “Lua Nova”, o papel cresceu – e Lautner também: ameaçado de ser substituído, o ator franzino malhou e engoliu meses de dieta proteica. “Eu tinha de comer a cada duas horas. Não era agradável”, diz ele. Seu torso esculpido tornou-se um recurso dramático primordial para o novo filme. “Era meio esquisito trabalhar o tempo todo sem camisa no frio de Vancouver, onde todo mundo anda encasacado”, diz o ator. Lautner está namorando a cantora country Taylor Swift (mais um casal dos sonhos…), que recentemente lhe mandou um recadinho carinhoso no monólogo de abertura do programa cômico Saturday Night Life (para em seguida estrelar uma hilária paródia de “Crepúsculo”, com Frankensteins no lugar de vampiros).

Nas entrevistas que o elenco concedeu em Los Angeles, todos se fecharam ferreamente contra “perguntas pessoais”. “Kristen é uma ótima atriz”, diz Pattison quando lhe perguntam sobre a química que os dois demonstram na tela. Dá-se como certo que a situação entre ambos é o inverso daquela representada no filme: teria sido Kristen a responsável pelo fim do namoro. Na entrevista, a atriz filosofou sobre a tristeza mortal de Bella ao ser abandonada pelo namorado hematófago: “A dor de Bella ao perder Edward, embora metaforicamente represente algo muito real, é colocada em um mundo com o qual não temos como nos relacionar. Eu acho que a história se sustenta sem os aspectos míticos, tem uma dinâmica sólida entre os personagens, mas… Eu me perdi totalmente. O que você perguntou mesmo?”

Os aspectos míticos e a dinâmica dos personagens são o de menos: o enredo é descabeladamente romântico. O torturado Edward dá o fora em Bella e, ato contínuo, Bella perde-se, alucinada, na floresta, até desabar entre as árvores. Edward, exilado em um Rio de Janeiro de fancaria, recebe a notícia equívoca de que alguém morreu, logo conclui que foi Bella – e parte para tentar o suicídio (muito difícil de conseguir entre os vampiros). Até os lobisomens são hipertrofiados: no lugar da criatura tradicional, meio canina, meio humana, são lobos enormes – do tamanho de um cavalo. Tudo isso é um tanto indigesto para o público maduro. Mas “Lua Nova” deve abocanhar a bilheteria com dentões enormes – de vampiro ou lobisomem, agora tanto faz.

Apavorante ou pavoroso?

Europeus – E, portanto, malvados

Os vampiros imaginados por Stephenie Meyer são diferentes daqueles consagrados em clássicos como “Drácula”, de Bram Stoker. Expostos ao sol, não viram cinza, mas brilham. Não são necessariamente maus – podem escolher o caminho do bem, como fizeram Edward e sua família. Em “Lua Nova”, porém, surgem personagens mais clássicos: nas ruas sinuosas de Volterra, na região italiana da Toscana (substituída, nas locações, pela cidade próxima de Montepulciano), vive o clã dos Volturi, a realeza do mundo doa vampiros. Fazem parte desse núcleo dos dois atores mais experientes do elenco: o galês Michael Sheen, 40 anos, que interpretou o primeiro ministro britânico Tony Blair em três produções, e a americana Dakota Fanning, que, apesar dos tenros 15 anos, acumula uma filmografia respeitabilíssima. Os Volturi representam a visão mais tradicional desses monstros: europeus, aristocráticos, sofisticados e muito perversos. Mas, com suas perucas compridas e o figurino cheio de fru-frus, o bando resulta mais pavoroso do que apavorante. Sheen tem uma filha de 10 anos que, leitora apaixonada de Stephenie Meyer, exultou ao saber que o pai iria trabalhar em “Lua Nova”. Dakota, que cursa o ensino médio, faz parte do público típico dos livros. “Li todos os quatro livros em uma semana. E depois fiquei triste por ter acabado tão rápido”, diz, com seu sorriso ainda infantil, de dentes pequenos. É o seu primeiro papel de vilã – ela interpreta Jane, uma vampira que tem o poder de, apenas com o olhar, submeter suas vítimas a uma dor excruciante. Seus grandes olhos claros aparecem ocultos por lentes de contato, de um vermelho bizarro. “Dakota fica assustadora com as lentes vermelhar. Já eu fico parecendo um coelho”, afirma Sheen, com seu humor britanicamente autoderrisório.

26
nov
09

O sanguessuga adota a moral da classe média

Matéria publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo no dia 14 de novembro de 2009, na página D4

O sanguessuga adota a moral da classe média

O jovem Edward, que só fica nas preliminares, é uma vergonha para ancestrais libidinosos como Drácula

Antonio Gonçalves Filho

O vampiro Edward da série criada por Stephenie Meyer está condenado à eternidade, como, aliás, todos os seres dessa espécie, mas ainda carrega nas costas outra condenação, a de pertencer à classe média e arrastar pela noite eterna todos os preconceitos de sua categoria social. Assim, não admira que a atividade sexual desse sanguessuga se resuma às preliminares mais longas de todos os tempos, como bem reconheceu a própria diretora de “Crepúsculo”, Catherine Hardwicke. Não causa espanto, igualmente, que o torturado Edward e sua namorada candidata à vampira, Bella, sejam ídolos da moçada habituada mais a “ficar” do que a estabelecer vínculos. Relações duradouras quase sempre não ultrapassam o plano da idealização. Melhor ter um vampiro apaixonado por toda a eternidade do que um sanguessuga sem poderes extraordinários fisgado numa rave.

As meninas são loucas por Edward. Enlouquecem mesmo os pais para comprar os livros da série (as quatro edições da série já venderam 2,2 milhões de livros só no Brasil e 77 milhões no mundo todo). Mandam cartas e mensagens eletrônicas para conselheiros amorosos, perguntam o que fazer para chamar a atenção do vampiro e, histéricas, soltam gritos quando casal Robert Pattison e Kristen Stewart, na versão cinematográfica de “Crepúsculo”, pula de árvore em árvore simulando um jogo sexual nas alturas – existe algo mais fálico que um eucalipto? No entanto, sexo que é bom, não rola.

Os vampiros de outras épocas – e isso inclui o conde Drácula de Bram Stoker – eram criaturas extremamente libidinosas, que seduziam suas vítimas com uma boa mordida no pescoço para em seguida atacar outras partes na região sul do corpo. Vampiros, no tempo de Stoker, isto é, no século 19, podiam representar tanto a virilidade do homem europeu do Leste, temida pela moral vitoriana, como o signo da promiscuidade, definida tanto pela arquitetura do castelo de Drácula, em forma de genitália feminina, como por sua tirania, capaz de tornar escravos sociais todos os que estavam abaixo da posição hierárquica de conde. Desse jogo sadomasoquista não escapavam sequer as bestas da floresta, chupadas violentamente na falta de sangue melhor. Esse foi o tempo de Bram Stoker.

De Ann Rice em diante, os vampiros, criaturas com poderes sobrenaturais, perderam parte de seu encanto natural, sucumbiram ao ideal classe média do conforto. Edward, por exemplo, não dorme em caixão, não tem problemas com alho, não odeia água benta, suas presas não são retráteis e ele já freqüentou tantos anos o colegial que seus pais perderam a conta de quanto gastaram na maldita escola onde conheceu Bella, a frágil.

Desnecessário dizer que Edward jamais cruzou com Nosferatu de Werner Herzog, o eterno angustiado condenado à eternidade. Se a noite de Nosferatu foi povoada de desejos ocultos, fazendo-o perder o controle, a de Edward é um romântico cenário com promessas de amor eterno. O predador foi domesticado pela classe média. E hoje vive na coleira.

23
nov
09

Vampiros em alta

Vampiros em alta

No cinema, na televisão e na literatura, os lendários mortos-vivos voltaram a fazer sucesso. Agora eles são modernos e mais sociáveis

Natália Rangel

GUERRA E SANGUE Cena do filme Van Helsing (2003) e o livro do quadrinista Mike Mignola, Baltimore e o vampiro, em que um soldado tem toda a sua família morta por sanguinárias “criaturas das trevas”

Os vampiros estão de volta. De tempos em tempos uma onda de histórias protagonizadas por estes mortos-vivos invade as tevês, livrarias e cinemas. Na década de 90 estrearam dois grandes blockbusters, Drácula, de Francis Ford Copolla, e Entrevista com o vampiro, de Neil Jordan, e teve até uma novela das sete, da Rede Globo, intitulada Vamp e protagonizada por uma família de vampiros. A atual revoada de monstros alados tem na liderança o filme Crepúsculo, que acaba de estrear no Brasil e é uma adaptação do livro homônimo que fez um estrondoso sucesso e foi escrito pela americana Stephenie Meyer. O romance foi editado em 32 países, vendeu mais de 25 milhões de exemplares e conquistou uma legião de fãs. No Brasil, as vendas alcançaram 180 mil exemplares (está em terceiro lugar na lista de best-sellers do País). Já o filme faturou, nos EUA, US$ 150 milhões em três semanas – mais do que o suficiente para pagar o seu baixo custo (em torno de US$ 40 milhões). O vampiro-protagonista criado pela autora americana é Edward Cullen (Robert Pattinson), o belo filho adolescente de uma longeva família de mortos-vivos que em sua evolução substituiu o sangue humano pelo animal e assim pode compartilhar a vida em sociedade com os não-vampiros sem se tornar o seu predador. São demônios do bem, que se cansaram das trevas e desejam viver no mundo dos vivos.

Essa parece ser uma tendência dos vampiros modernos e é notada também nos protagonistas do seriado americano True blood, de Allan Ball (mesmo diretor de A sete palmos), que já está sendo exibido no Brasil pela HBO. Baseada na sequência de livros de Charlaine Harris intitulada Sookie stackhouse (Southern vampire), na série os vampiros desenvolveram um tipo de sangue artificial que lhes permite viver em harmonia com os seres humanos sem jamais cair em tentação. A protagonista Sookie (Anna Paquin) não é vampira, mas se apaixona por um com quem passa a namorar. E o assunto é tratado com naturalidade. Numa passagem da série, a avó de Sookie insiste para que Bill (Stephen Moyer), namorado-vampiro de sua neta, vá à universidade dar uma palestra sobre a guerra civil americana. Afinal, se ele tinha mais de 200 anos, vivera pessoalmente aquele período. Mas, se o filme Crepúsculo é romântico e não apresenta cenas violentas ou avança na sensualidade, o seriado da tevê tem cenas fortes de assassinatos e conflitos étnicos. Há um serial killer que abomina os vampiros e procura eliminálos. Nos EUA o seriado estreou com audiência modesta de apenas 1,4 milhão de telespectadores – em três meses esse número subiu para quatro milhões.

LASCIVO Nosferatu (1922), de F. W. Murnau, foi criado no pós-guerra. Drácula (1992, abaixo), dirigido por Francis Ford Copolla, investe na sensualidade, na lascívia e no poder de sedução do vampiro

MOMENTOS DE VAMPIRISMO

ATUAL True blood (abaixo), exibido no canal HBO, tem romance e violência como todo filme de vampiro, mas também diverte o público com rock, humor e algumas gafes

A caçada aos vampiros remete aos primórdios da história desse demônio das trevas que deu origem a clássicos como o livro Drácula, de Bram Stoker, e o filme Nosferatu, de F. W. Murnau (1922). É esse o espírito do mais recente lançamento literário sobre o tema. Trata-se de Baltimore e o vampiro (Editora Amarilys, 291 págs., R$ 43), que conta a trajetória de um homem vitimado por uma criatura do mal que passa o resto de seus dias perseguindoo pelo mundo. O enredo envolve elementos das antigas histórias de morcegos maléficos. Assim como em Nosferatu, seriam os vampiros os causadores das grandes pestes que aniquilaram populações de cidades inteiras. O livro é de autoria de dois gênios no que diz respeito a monstros e poderes sobrenaturais, o quadrinista Mike Mignola, de Hellboy, e o escritor Christopher Golden. Na aterrorizante história, os autores transformam os humanos em coautores da carnificina promovida pelos vampiros ao responsabilizá-los pelas intermináveis guerras. Numa passagem do livro, há o seguinte diálogo: “Por que os mortos se levantaram para atormentar os vivos?”, perguntou Henry Baltimore à malévola criatura alada. O vampiro balançou a cabeça: “Foram vocês que nos invocaram com suas guerras. O rugido dos seus canhões nos atormentou no silêncio de nossos túmulos. Seus assassinos. Agora, vocês não se livrarão mais de nós.” Seguindo a tendência mundial, a produção nacional também tem seus vampiros. Trata-se da novela Os mutantes, da Rede Record, em que uma epidemia faz com que algumas pessoas se transformem em demônios, como o jovem Draco (Rômulo Estrella).

APOLO
O filme Crepúsculo (2008) é centrado no vampiro Edward Cullen, dono de uma beleza apolínea. O enredo economiza nas cenas românticas e aposta na ação e nos poderes paranormais

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2044/artigo122522-1.htm




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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