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ago
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Vampiros, culinária e best-sellers movimentam a Bienal do Livro em SP

Começa hoje a fantasia! Para quem vai, divirta-se muito. Para quem queria muito estar lá, como eu, fica o desejo de poder ir na próxima!

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Vampiros, culinária e best-sellers movimentam a Bienal do Livro em SP

Evento no Pavilhão do Anhembi será aberto para o público na sexta-feira (13).
Atrações incluem autor de ‘O mundo de Sofia’ e sobrinho-neto de Bram Stoker.

Do G1, em São Paulo – http://migre.me/14cn5

A 21º edição da Bienal do Livro de São Paulo começa nesta quinta-feira (12) no Pavilhão de Exposições do Anhembi. O primeiro dia do evento, que vai contar com 350 expositores e terá 4.200 lançamentos de livros, é dedicado aos profissionais do mercado editorial.

Na sexta-feira (13) o evento abre para o público em geral com um dia inteiro dedicado ao terror e aos vampiros. A primeira palestra do Salão de Idéias, principal espaço do evento, fica por conta de José Mojica Marins, o cineasta criador do personagem Zé do Caixão, às 13h.

A sexta conta também com a mesa “Por que o mito do vampiro continua vivo?”, que reunirá os escritores André Vianco, Martha Argel e Giulia Moon, e com um bate-papo com Dacre Stoker, que falará sobre seu livro “Drácula, o morto-vivo”, espécie de continuação da obra clássica tio-avô Bram Stoker.

De acordo com a organização, quem for ao Anhembi fantasiado como seu personagem favorito na sexta não pagará entrada para a Bienal.

Dacre Stoker, sobrinho-neto de Bram Stoker, o autor de ‘Drácula’. (Foto: Divulgação)

Outra aposta curiosa dos organizadores da Bienal é o segmento Cozinhando com Palavras. Composta de debates e leituras, a atividade reunirá chefs de cozinha nacionais e internacionais para comentar a relação da literatura com a gastronomia. Entre os tópicos servidos estarão comidas descritas nas obras de autores como Gilberto Freyre, Jorge Amado, Eça de Queiroz, além do cinema e até nos relatos sobre a última ceia do Titanic.

Literatura infanto-juvenil e futuro do livro
De olho nos novos leitores, os curadores do evento dedicaram espaço significativo à literatura infanto-juvenil. A escolha se reflete em um dos homenageados desta edição, o escritor Monteiro Lobato, que será tema de debates e exposição no evento, como também na participação de nomes como Mauricio de Sousa, Ana Maria Machado, Ziraldo e Pedro Bandeira.

Entre os convidados, estarão também os autores dos best-sellers “O menino do pijama listrado”, John Boyne, e “O mundo de sofia”, Jostein Gaarder. A brasileira Thalita Rebouças, autora da série “Fala sério…”, também é destaque entre os nomes de literatura infanto-juvenil.

Entre outros temas recorrentes em debate na Bienal, que incluem a obra de Clarice Lispector e a literatura lusófona, merecerá atenção especial o futuro do livro. Motivo de polêmica entre autores e editores, defensores e detratores, a digitalização das obras literárias será discutida em diversas mesas do Salão das Ideias e poderá ser conferida na prática em uma área do evento batizada de Espaço Digital. No local, será possível tomar contato com 50 aparelhos de leitura de livros digitais (e-readers), incluindo os modelos Kindle (da livraria virtual Amazon) e iPad (da Apple).

Jostein Gaarder, autor de ‘O mundo de Sofia’ também vai ao evento. (Foto: Divulgação / Miriam Berkley)

Com 1.100 horas totais de programação entre os dias 12 e 22 de agosto, a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo é não só a maior como também a mais cara realizada, com R$ 30 milhões em investimentos (a edição de 2008 custou R$ 22 milhões). Realizada em um espaço de 60 mil m2, esta edição espera reunir um público de até 700 mil visitantes.

Mais informações sobre o evento podem ser encontradas em www.bienaldolivrosp.com.br.

27
nov
09

Descabeladamente romântico

Matéria publicada na revista Veja do dia 18 de novembro de 2009.

Descabeladamente romântico

“Lua Nova”, o segundo filme da saga “Crepúsculo”, quer atrair agora também os garotos, com lobisomens superpoderosos e cenas de ação. Mas, para manter fiéis as meninas que a-do-ram a série, reforça ainda mais o drama de amor adolescente entre o vampiro cavalheiresco Edward e a adolescente casta Bella.

Jarônimo Teixeira, de Los Angeles

Corações partidos: Bella (Kristen) desesperada com a perda de seu vampiro, é socorrida pelo lobisomem Jacob (Lautner): tentativas de suicídio e muitos peitorais nus, apesar do frio

Como tantos adolescentes do ensino médio, os enamorados Edward (Robert Pattison) e Bella (Kristen Stewart) estão mais interessados no seu ti-ti-ti íntimo do que naquilo que os professores tentam ensinar. O professor de literatura, irritado com a desatenção de Edward, pede que ele reproduza a fala de Romeu, de Shakespeare, pouco antes do suicídio – e Edward o surpreende. Conhece o trecho de cor e o recita com sentimento: “A morte, que sugou o mel do teu hálito, não teve poder contra tua beleza”. “Foi esquisito fazer aquela cena”, disse o ator inglês Robert Pattison, de 23 anos, a VEJA. “Toda a sala, cheia de extras, olhava para mim. Errei e tive de recomeçar várias vezes”. Dificilmente essa será a sequência mais lembrava de “Lua Nova” (The Twilight Saga: New Moon, Estados Unidos, 2009), a continuação de “Crepúsculo”, que estreia no país na próxima sexta-feira. As garotas – público primordial dos filmes baseados nos best-sellers de Stephenie Meyer – vão suspirar diante do inefável Pattison. Um novo imã para seus olhares é o pedaçudo Taylor Lautner (que interpreta o lobisomem Jacob), exibindo seus peitorais malhados. No esforço de incrementar o apelo para os rapazes, há mais sequências de ação e muita computação gráfica. A citação de “Romeu e Julieta”, porém, dá o tom do filme, em tudo fiel ao espírito do livro original. Stephenie Meyer, mórmon praticante, dispensa o ardor sexual do jovem casal criado por Shakespeare – mas, nos quatro romances que já venderam mais de 80 milhões de exemplares ao redor do mundo, não tem pudor de retratar, com as tintas mais encarnadas, o drama desesperado que é o amor adolescente.

Dirigido por Catherine Hardwicke, “Crepúsculo”, o primeiro filme, trazia o início do amor entre o vampiro Edward, virtualmente imortal, dotado de força e velocidade sobre-humanas e capaz de ler mentes, e a humana Bella, uma desajeitada garota que se muda do ensolarado Arizona para o frio estado de Washington (as locações não são lá: no primeiro filme, foram no Oregon; em “Lua Nova”, em Vancouver, no Canadá). Com o orçamento relativamente modesto de 40 milhões de dólares, o filme teve bilheteria mundial de 350 milhões de dólares e projetou Kristen e Pattison como o casal mais queridinho do cinema (sim, eles namoraram fora das telas, mas agora estão aparentemente dando um tempo). “Lua Nova” é sobre rompimento e dor. No seu aniversário de 18 anos (a atriz tem 19), Bella começa a se angustiar com o fato de que está envelhecendo, enquanto seu namorado, que tem 108 anos, estacionou na aparência de 17. Edward, cioso dos perigos que a companhia dos vampiros traz à amada, acaba se afastando de Bella, na tentativa de protegê-la. Ele tem sede do sangue de Bella, mas contém-se: não quer transformá-la no monstro que ele mesmo julga ser. Essa abstinência tem sido interpretada como uma pregação da contenção sexual para os jovens, muito de acordo com o ideário religioso da autora. A menina entra em desespero, até encontrar consolo na companhia do lobão Jacob.

Edward – quase um deus, mas acessível para a prosaica Bella – inflama a imaginação das fãs. Depois de “Crepúsculo”, fotos de Pattison ganharam as paredes dos quartos de adolescentes e pré-adolescentes de todo o mundo. “Nunca imaginei algo assim. No meu tempo de escola, eu não era nem de longe o garoto mais desejado da classe”, diz o encabulado ator de cabelos desgrenhados, enquanto seus dedos de unhas um tanto sujas atarraxam e desatarraxam ansiosamente a tampa de uma garrafa de água mineral.

Com Edward ausente em grande parte da história, tudo indica que chegou a hora de Taylor Lautner, 17 anos. Sua participação no primeiro filme era pouco mais do que uma ponta. Em “Lua Nova”, o papel cresceu – e Lautner também: ameaçado de ser substituído, o ator franzino malhou e engoliu meses de dieta proteica. “Eu tinha de comer a cada duas horas. Não era agradável”, diz ele. Seu torso esculpido tornou-se um recurso dramático primordial para o novo filme. “Era meio esquisito trabalhar o tempo todo sem camisa no frio de Vancouver, onde todo mundo anda encasacado”, diz o ator. Lautner está namorando a cantora country Taylor Swift (mais um casal dos sonhos…), que recentemente lhe mandou um recadinho carinhoso no monólogo de abertura do programa cômico Saturday Night Life (para em seguida estrelar uma hilária paródia de “Crepúsculo”, com Frankensteins no lugar de vampiros).

Nas entrevistas que o elenco concedeu em Los Angeles, todos se fecharam ferreamente contra “perguntas pessoais”. “Kristen é uma ótima atriz”, diz Pattison quando lhe perguntam sobre a química que os dois demonstram na tela. Dá-se como certo que a situação entre ambos é o inverso daquela representada no filme: teria sido Kristen a responsável pelo fim do namoro. Na entrevista, a atriz filosofou sobre a tristeza mortal de Bella ao ser abandonada pelo namorado hematófago: “A dor de Bella ao perder Edward, embora metaforicamente represente algo muito real, é colocada em um mundo com o qual não temos como nos relacionar. Eu acho que a história se sustenta sem os aspectos míticos, tem uma dinâmica sólida entre os personagens, mas… Eu me perdi totalmente. O que você perguntou mesmo?”

Os aspectos míticos e a dinâmica dos personagens são o de menos: o enredo é descabeladamente romântico. O torturado Edward dá o fora em Bella e, ato contínuo, Bella perde-se, alucinada, na floresta, até desabar entre as árvores. Edward, exilado em um Rio de Janeiro de fancaria, recebe a notícia equívoca de que alguém morreu, logo conclui que foi Bella – e parte para tentar o suicídio (muito difícil de conseguir entre os vampiros). Até os lobisomens são hipertrofiados: no lugar da criatura tradicional, meio canina, meio humana, são lobos enormes – do tamanho de um cavalo. Tudo isso é um tanto indigesto para o público maduro. Mas “Lua Nova” deve abocanhar a bilheteria com dentões enormes – de vampiro ou lobisomem, agora tanto faz.

Apavorante ou pavoroso?

Europeus – E, portanto, malvados

Os vampiros imaginados por Stephenie Meyer são diferentes daqueles consagrados em clássicos como “Drácula”, de Bram Stoker. Expostos ao sol, não viram cinza, mas brilham. Não são necessariamente maus – podem escolher o caminho do bem, como fizeram Edward e sua família. Em “Lua Nova”, porém, surgem personagens mais clássicos: nas ruas sinuosas de Volterra, na região italiana da Toscana (substituída, nas locações, pela cidade próxima de Montepulciano), vive o clã dos Volturi, a realeza do mundo doa vampiros. Fazem parte desse núcleo dos dois atores mais experientes do elenco: o galês Michael Sheen, 40 anos, que interpretou o primeiro ministro britânico Tony Blair em três produções, e a americana Dakota Fanning, que, apesar dos tenros 15 anos, acumula uma filmografia respeitabilíssima. Os Volturi representam a visão mais tradicional desses monstros: europeus, aristocráticos, sofisticados e muito perversos. Mas, com suas perucas compridas e o figurino cheio de fru-frus, o bando resulta mais pavoroso do que apavorante. Sheen tem uma filha de 10 anos que, leitora apaixonada de Stephenie Meyer, exultou ao saber que o pai iria trabalhar em “Lua Nova”. Dakota, que cursa o ensino médio, faz parte do público típico dos livros. “Li todos os quatro livros em uma semana. E depois fiquei triste por ter acabado tão rápido”, diz, com seu sorriso ainda infantil, de dentes pequenos. É o seu primeiro papel de vilã – ela interpreta Jane, uma vampira que tem o poder de, apenas com o olhar, submeter suas vítimas a uma dor excruciante. Seus grandes olhos claros aparecem ocultos por lentes de contato, de um vermelho bizarro. “Dakota fica assustadora com as lentes vermelhar. Já eu fico parecendo um coelho”, afirma Sheen, com seu humor britanicamente autoderrisório.

26
nov
09

Confira os vampiros mais famosos da literatura e do cinema

Confira os vampiros mais famosos da literatura e do cinema

Arquivo/AE

sábado, 14 de novembro de 2009, 13:48

SÃO PAULO – Veja lista dos vampiros mais famosos da literatura e do cinema.

Conde Drácula

O mais famoso vampiro cinematográfico de todos os tempos foi inspirado no personagem central da obra de Bram Stoker. Vários atores ficaram famosos com este papel no cinema, como Maximiliam Schrek, no clássico do cinema mudo “Nosferatu, uma Sinfonia de Horror”, de 1922. Até hoje, muitas pessoas acreditam que Schrek era mesmo um vampiro na vida real! Bela Lugosi, ator de origem húngara, foi o primeiro a imprimir garbo e elegância ao vampiro, marcando para sempre a imagem do personagem. Depois de Lugosi, Christopher Lee representou Drácula em mais de uma dezena de produções, sempre com total aprovação do público. Mais recentemente, Gary Oldman também entrou para este rol sinistro com a brilhante atuação em ‘Drácula de Bram Stoker’, dirigido pelo consagrado Francis Ford Coppola.

Lestat de Lioncourt

“Eu quero interferir nas coisas, fazer as coisas acontecerem!”. Este é o lema do vampiro mais famoso da literatura depois de Drácula: o sedutor Lestat de Lioncourt, narrador de quatro livros das “Crônicas Vampirescas” de Anne Rice. Nos cinemas, o personagem foi imortalizado por Tom Cruise em “Entrevista com o Vampiro”, de 1994. Lestat foi mordido ainda adolescente por Magnus, um vampiro de 300 anos, que se autodestruiu logo depois. Com isso, os poderes seculares da criatura passaram para o rapaz, e também toda sua fortuna. Apaixonado pelo jovem Louis, ele resolveu vampirizá-lo, assim como a menina Claudia. Entretanto, Lestat foi traído pelos pupilos e quase foi destruído. Séculos depois, resolveu contar a um jornalista toda a sua história, para transformá-la num livro. Nos dias de hoje, o egocêntrico Lestat decidiu se tornar uma estrela do Rock, na história que também foi levada às telas do cinema com o título de “A Rainha dos Condenados”.

Louis

Louis du Pontlac é descrito por Anne Rice, sua criadora, como um vampiro bastante suave, de cabelos negros e face inexpressiva, exceto pelos brilhantes olhos verdes… No cinema, o super galã Brad Pitt deu vida ao narrador da “Entrevista com o Vampiro”, que foi vampirizado por Lestat (Tom Cruise) aos 25 anos, depois de uma tragédia. A família de Louis prosperava com as plantações de algodão em Nova Orleans, até que seu adorado irmão mais novo veio a falecer. Louis ficou doente e se tornou uma vítima fácil para o apaixonado Lestat. Ao contrário deste, o jovem Pontlac é um vampiro contemplativo, um intelectual desesperançado em busca de respostas para sua condição maldita. Justamente por isso, o experiente Armand (Antonio Banderas), ao conhecê-lo, afirmou que Louis era o Vampiro mais fraco que ainda caminhava sobre a face da Terra…

Vlad

Em julho de 1991, o público brasileiro conheceu o terrível Conde Vladimir Polanski, um Vampiro que marcou época na televisão brasileira. Interpretado por Ney Latorraca, Vlad era o maior dos vilões da novela “Vamp”, escrita por Antônio Calmon e dirigida por Jorge Fernando, um dos maiores sucessos entre os jovens brasileiros. Na história, a cantora de rock Natasha (vivida por Cláudia Ohana) vende sua alma ao terrível Vampiro para conquistar um lugar no estrelato. Arrependida, a Vampira procura abrigo na cidade de Armação dos Anjos, onde acaba sendo perseguida pelo cruel Vlad. A atuação de Latorraca garantiu ao sarcástico Vladimir Polanski um lugar de destaque no rol dos vilões mais carismáticos da teledramaturgia brasileira, imortalizando bordões como o infantilizado “Gotooooso!”, que Vlad exclamava todas as vezes em que sugava um pescoço.

Natasha

Natasha foi a primeira vampira da dramaturgia brasileira, e deixou muitos marmanjos de queixo caído. A personagem foi interpretada pela bela Cláudia Ohana na novela Vamp, de 1991. Ela vendeu sua alma ao terrível Conde Vladimir Polanski para alcançar o sucesso como cantora de rock. No entanto, não era uma criatura do Mal: ao contrário, logo se arrependeu do pacto com Vlad e pôs-se a fugir dele, escondendo-se na cidade de Armação dos Anjos. Lá, ela reencontrou seu amor de vidas passadas, o capitão Jonas, personagem de Reginaldo Farias. Enciumado e receoso de que esse amor medieval pudesse voltar à tona, o Conde Vladimir passou a perseguir Natasha e a família do capitão, causando trapalhadas que renderam boas risadas ao público.

Angel

Este é o Vampiro mais adorado pelas adolescentes de todo o planeta… Protagonista de um seriado de TV americano, Angel é um Vampiro sedutor que usa todo o seu charme e inteligência para ajudar os oprimidos e tirar da consciência o peso de séculos praticando o Mal… Interpretado pelo galã David Boreanaz, o herói fez sua estréia em outra série televisiva, “Buffy, a Caça-Vampiros”. Depois de ser vencido pela protagonista, o Vampiro irlandês Angelus resolveu assumir o lado do Bem e a paixão pela mocinha, interpretada por Sarah Michelle Gellar. O grande sucesso do personagem lhe garantiu uma série própria, iniciada em 1999, que mostra a trajetória do Vampiro justiceiro após deixar a amada e a pequena cidade de Sunnydale para iniciar uma carreira de investigador particular em Los Angeles… Assim como Blade, Angel se tornou uma dor de cabeça ambulante para seus irmãos de sangue, e um verdadeiro colírio para as fãs mais animadas!

Jerry Dandridge

Apesar de serem monstros da escuridão, os Vampiros quase sempre foram representados no cinema como galanteadores incorrigíveis, homens elegantes que não perdem a chance de seduzir uma bela mocinha, para só depois revelar a horrível face do mal… E Jerry Dandridge, o vilão de “A Hora do Espanto”, um blockbuster de 1985, vestiu com perfeição este estereótipo marcante dos sanguessugas. Vestido sempre de modo impecável, perfumado e polido, a máscara de Jerry (interpretado por Chris Sarandon) só não foi capaz de enganar o jovem Charley, que desconfiou desde sempre da boa educação de seu novo vizinho… Com seu estilo doce e sexy, Jerry Dandrige conseguiu vampirizar a namorada do jovem, Amy, e seu melhor amigo, Ed, além de arrancar muitos suspiros da maior parte do público feminino, especialmente quando assobiava romanticamente o clássico “Strangers in the night” (tudo a ver, não é mesmo?), de Sinatra.

David

“Dormir o dia inteiro. Zoar a noite toda. Nunca crescer. Nunca morrer. É divertido ser um vampiro!”. Foi com este lema que o sensual vampiro David conquistou diversos seguidores no filme Garotos Perdidos (Lost Boys, 1987), clássico dos anos 80 estrelado por Kiefer Sutherland. As estripulias bizarras de David e sua turma vampiresca escandalizaram uma pequena cidade da Califórnia. Como em um ritual, suas vítimas precisavam beber vinho de sangue e comer vermes. Foi o caso de Emerson (Jason Patrick), que por amor a Star (Jami Gertz), aceitou o rito de passagem e se tornou um ser das trevas, passando a integrar a primeira gangue de sanguessugas bad boys do cinema!

Bento Carneiro

“Minha vingança será maligna!” – Quem já ouviu esta frase pode até não se lembrar da origem, mas os fãs de Chico Anysio jamais vão esquecer de Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro, o único ser das trevas que morava “aquém do além adonde que veve os mortos”… O personagem, um vampiro atrapalhado, simplório e desprestigiado, foi criado pelo humorista na década de 80 e logo se tornou um dos maiores sucessos de seu “Chico Anysio Show”. Sempre ao lado de seu fiel escudeiro, Calunga, Bento Carneiro fez do mito do Vampiro um veículo perfeito para brincar e ridicularizar, sempre com muito bom humor, as mazelas e contradições da sociedade brasileira.

Os Monstros

Na década de 60, a CBS americana produziu um seriado para a TV que marcou toda uma geração de telespectadores. A exemplo da família Addams, da rival ABC, realizada na mesma época, os Monstros faziam piada com os costumes exóticos de uma família sinistra… O pai, Herman (Fred Gwynne), era filho de um certo Dr. Frankestein. Vovô (Al Lewis), de apenas 370 anos, gastava a maior parte de seu tempo em loucas experiências de laboratório. Os filhos eram Eddie (Butch Patrick), verdadeiro monstrinho de pele verde, orelhas pontiagudas e caninos afiados, e Marilyn (Beverley Owen/Pat Priest), loira, esbelta, de olhos verdes, isto é, um verdadeiro horror para os padrões da família! A única vampira da história era a esposa de Herman, Lily Dracula, uma dona de casa sempre preocupada com a criação dos filhos… Cancelado nos EUA em 1966, o seriado foi exibido no Brasil ainda na década de 60, e reprisado em meados da década de 70, fazendo mais sucesso do que os Addams! As trapalhadas dos Monstros divertiam pessoas de todas as idades, principalmente quando Vovô resolvia dar uma voltinha com seu veículo: um caixão sobre rodas!

Varney

Sir Francis Varney era uma criatura literalmente repugnante. Criado pelo escritor inglês James Malcolm Rymer em 1847 (antes mesmo de Drácula!) no livro “Varney, o Vampiro ou o Banquete Sangrento”, a maior arma dessa criatura era a sua feiúra! Com sua face pálida e mórbidos olhos cor-de-lata, Varney hipnotizava suas vítimas apenas com o olhar… Com unhas e dentes pontiagudos, esse vampiro arranhava as vidraças das casas, fazendo o ruído de granizo. Por isso, também ficou conhecido como o “Vampiro das Tempestades”, agindo sempre em dias chuvosos ou com neve. Esse monstro pavoroso tinha preferência por jovens indefesas, que eram atacadas sem dó nem piedade. No entanto, Varney era um ser bastante temperamental, e se dava ao luxo de se sentir desgostoso com a imortalidade de vez em quando… Então, quando os raios da lua o acordavam e seu humor não estava dos melhores, o vampiro se escondia no Monte Vesúvio, onde nenhum feixe de luz poderia despertá-lo.

Blade

Além da Vampirella, outro herói dos quadrinhos também ficou famoso pelos seus poderes vampirescos. Ele se chama Blade e nasceu das idéias de Marv Wolfman, então roteirista da Marvel Comics. A grande diferença é que o herói negro não é bem um Vampiro de verdade, e sim uma mistura de ser humano com um Filho das Trevas… Como? A origem de Blade é espetacular: sua mãe foi atacada por um Vampiro quando ainda levava o filho no útero. Dessa forma, o bebê recebeu um pouco do sangue maldito, adquirindo alguns de seus poderes especiais. Como vingança, Blade se tornou um impiedoso caçador dos sanguessugas, e para isso utiliza as geringonças high-tech criadas por Whistler, também inventor do soro que Blade usa para poder caminhar à luz do dia sem virar pó. No cinema, o herói já mereceu dois filmes que estouraram nas bilheterias, ambos protagonizados pelo blockbuster Wesley Snipes.

O Vampiro do Brooklyn

Blade, o caçador de Vampiros vivido por Wesley Snipes, não é o único representante da galeria de sanguessugas afro-americanos… Em 1995, Eddie Murphy personificou no cinema o hilariante Maximillian, único sobrevivente de uma raça de Vampiros de uma ilha caribenha. Dirigido por Wes Craven, da série “Pânico”, “O Vampiro do Brooklyn” trouxe a verve cômica do eterno tira da pesada para o mundo dos Filhos da Noite. No filme, Eddie Murphy tem que encontrar a única mulher que pode salvar sua raça da extinção. Vivida por Angela Basset, Rita mora no Brooklyn e convive com estranhos pesadelos. Sem saber, a moça é filha de um Vampiro, e por isso carrega nas veias um destino sanguinolento. Mas uma série de contratempos acontecem (como sempre!) e Maximillian tem de mover mundos e fundos para conquistar Rita e garantir a preservação de sua espécie.

Blacula

Blacula é o personagem principal do filme de mesmo nome, dirigido por William Crain em 1972. Trata-se da versão afro-americana do maior vampiro de todos os tempos. A história começa com Manuwalde (William Marshall), um príncipe africano que é vampirizado pelo próprio Conde Drácula em 1780, e acaba trancafiado dentro de seu próprio caixão. Séculos depois, dois colecionadores de arte resolvem levar a tumba para Los Angeles, onde Blacula desperta sedento de sangue! O Vampiro conhece Tina, a reencarnação de sua falecida esposa Luva, e faz de tudo para conquistar o seu amor. Mas o caminho de Blacula está cheio de obstáculos: Gordon, o melhor amigo da moça, descobre a verdade sobre Manuwalde e inicia uma verdadeira caçada ao vampiro africano…

Zé Vampir

Quem é que nunca se divertiu com as histórias da Turma do Penadinho, escritas por Maurício de Souza? Pois essa galerinha de arrepiar não poderia deixar de ter o seu Vampiro. Ele se chama Zé Vampir e é cheio de classe… Ao contrário dos outros personagens do cemitério, como o Cranícola, Muminho, Lobisomen e a Dona Morte, que normalmente usam apenas trapos ou lençóis (afinal, são fantasmas!), o nosso menino Vampiro se inspirou nos elegantes sanguessugas do cinema para compor o seu visual: smoking, gravata borboleta e uma elegante capa! Como a maioria dos Vampiros, Zé Vampir também pode se transformar em um simpático morcego, coisa que faz sempre quando quer assustar alguém. Apesar disso, Zé Vampir é um Vampiro camarada, e nunca leva seu apetite por sangue às últimas consequências. Na verdade, o morceguinho sempre acaba preferindo alguma guloseima à base de morango ou groselha, bem vermelhinha…

Don Drácula

Protagonista de um desenho animado japonês, Don Drácula (Don Dorakyura) fez a festa de muitas crianças brasileiras durante a década de 80, quando foi exibido. Criado por Osamu Tezuka (considerado o “Deus do Mangá”) em 1979, o pano de fundo da história é a mudança de Drácula para o Japão, para fugir de seu arquiinimigo, o Dr. Rip Van Helsing… Muito desastrado, o Vampiro acaba se envolvendo em muitas confusões com sua filha, Sangria, e Igor, seu criado corcunda. Sem falar no morceguinho Yasu, que narra com muito bom humor alguns momentos da história. Além de Van Helsing, Don Drácula também se esforça para fugir dos “ataques” da apaixonada Blonda, uma gorducha cheia de sangue para dar! Um típico desenho japonês, que deixou saudades em muita gente.

Vampirella

Criada na década de 60 pelo célebre Forrest J. Ackerman (o escritor que utilizou pela primeira vez a expressão “Sci-Fi”), a curvilínea Vampirella povoa a imaginação dos marmanjos desde aquela época. Sempre vestida com um sensual maiô colante vermelho, que revela boa parte de sua invejável forma física, a Vampirella das histórias em quadrinhos já teve duas origens… Para Ackerman, a Vampira era uma alienígena de Drakulon, onde todos os habitantes são Vampiros que se alimentam do sangue que corre nos rios desse estranho planeta. Na década de 90, entretanto, Vampirella teve sua origem reescrita por Kevin Lau, e passou a ser a filha de Lilith, uma Vampira mitológica. Seja como for, Vampi (como é carinhosamente chamada pelos íntimos) continua combatendo o crime com seu peculiar estilo sexy-sangrento, e muita gente boa não ligaria nem um pouco em ser mordido pela simpática heroína…

Mirza

Criada em 1967 por Eugênio Colonnese, um dos mestres pioneiros da HQ nacional, Mirza é a personagem feminina mais conhecida do terror brasileiro. Inspirada na internacional Vampirella, a vampira brasileira povoou o imaginário de várias gerações de leitores, já que foi publicada em momentos distintos das décadas de 60, 70 e 80. O verdadeiro nome de Mirza era Mirela Zamanova, uma condessa exuberante que se tornou um ícone não só do terror como também do erotismo nos quadrinhos. Suas aventuras se davam nos ambientes glamurosos das passarelas da alta moda e nas festas da elite brasileira, já que Mirza ganhava a vida como modelo internacional, sempre vestida (ou despida, é claro!) em trajes provocantes e muito muito sensuais… Em seu reinado de terror, Mirza visitou as maiores cidades do mundo, procurando suas vítimas indiscriminadamente entre homens e mulheres, e deixando uma verdadeira legião de “órfãos”, candidatos eternos aos voluptuosos caninos da vampira.

Miriam Blaylock

A secular vampira Miriam Blaylock, interpretada por Catherine Deneuve em “Fome de viver” (The Hungers), ficou célebre na película de Tony Scott, um dos mais belos e chocantes filmes de 1983. Personagem do livro mais famoso de Whitley Strieber, Lady Miriam e seu vampiro-amante John (David Bowie) tinham uma vida sofisticada, eram apaixonados por música clássica e sobreviviam à base de sangue novo de homens e mulheres. Mas repentinamente John teve um estranho distúrbio celular e envelheceu em poucos segundos, forçando Miriam a procurar a doutora Sarah Roberts (Susan Sarandon), especialista em envelhecimento precoce. Foi a deixa para que a vampira seduzisse a médica ao som da ópera Lakmé, de Léo Delibes, em uma das cenas mais eróticas do filme. Sob o poder de Miriam, Sarah foi perdendo aos poucos sua identidade humana, mergulhando cada vez mais fundo na escuridão dos Filhos da Noite…

Carmilla

Personagem central de um conto publicado em 1872 pelo escritor irlandês Sheridan Le Fanu, Carmilla foi uma das primeiras criaturas da noite registradas na literatura mundial. De hábitos noturnos, cabelos e olhos castanho escuros, Carmilla logo chamou a atenção de Laura, uma jovem da nobreza austríaca com quem a Vampira manteve um relacionamento conturbado. Na história, narrada pela própria vítima, Carmilla acaba revelando ser a Condessa Karnstein, uma antepassada de Laura, falecida há mais de 150 anos! Linda, graciosa e de porte aristocrático, Carmilla influenciou toda uma geração de Vampiras fatais, e há quem diga, inclusive, que Bram Stoker teria se inspirado na obra de seu conterrâneo para criar o seu Drácula.

Philinnion

Philinnion é a personagem de um conto muito antigo atribuído ao historiador grego Phlegon de Trales, que teria vivido no primeiro ou segundo século da era cristã, e por isso pode ser considerada uma das primeiras vampiras da literatura. A história narra o drama de um jovem chamado Machates, que se apaixonou perdidamente por Philinnion, sem saber que ela já estava morta… Machates morava com os pais da moça, e recebia todas as noites a visita de sua noiva. Quando os pais de Philinnion viram a filha na cama com o hóspede, trataram de avisá-lo que aquilo era uma assombração! O jovem ficou arrasado, e Philinnion amaldiçoou seus pais por terem revelado seu pequeno segredo… Mais tarde, os habitantes da cidade perceberam que a tumba da jovem estava vazia e encontraram seu corpo em casa. O cadáver de Philinnion foi então queimado e oferecido ao Deus Hermes, para que sua alma fosse enviada ao mundo das trevas. A história de Philinnion era muito famosa na época do Império Romano, e serviu de inspiração para Goethe escrever seu famoso poema “Die Braut von Korinth”.

Lord Ruthven

Personagem principal do livro “The Vampyre”, publicado em 1819, o sedutor Lord Ruthven nasceu durante uma emocionante tempestade literária… Reza a lenda que, em 1816, o grande poeta romântico Lord Byron reuniu em Genebra alguns amigos, entre eles Mary Shelley, escritora, e John Polidori, médico. Byron propôs um desafio aos demais: uma competição de histórias de terror, que foi vencida pelo Frankenstein criado na ocasião por Shelley. Foi nesse jogo que Byron idealizou o enredo para “The Vampyre”, mas logo abandonou o projeto. Polidori, que também estava naquela noite, desenvolveu a idéia de Byron e ainda se inspirou na figura do amigo para dar vida a Ruthven, um elegante Vampiro inglês que transitava com desenvoltura nas festas mais chiques da nobreza européia, onde dava vazão a seus instintos bestiais entre um gole de champagne e uma mordida certeira no pescoço de alguma linda donzela… O evento azedou a amizade dos dois, mas deu ao mundo um dos personagens vampíricos mais marcantes da literatura mundial.

Conde Saint-German

O Conde Ragoczy Saint-German é a principal criação da escritora californiana Chelsea Quinn Yarbro, que conta com uma verdadeira legião de fãs vampirescos nos Estados Unidos. Protagonista de mais de uma dezena de livros, Saint-German é um vampiro do bem, um herói que usa a experiência acumulada em 3500 anos de vida para ajudar o próximo, principalmente no caso de belas mulheres… Poliglota, rico e inteligente, Saint-German é um farmacêutico/alquimista, que precisa de sangue para se manter vivo, mas nunca mata suas vítimas, preferindo alimentar-se de suas amantes ou de estranhos que, em troca, recebem sonhos agradáveis por telepatia. Assim como os sanguessugas tradicionais, o vampiro de Yazbro também não pode se ver no espelho, carrega sempre um punhado de sua terra natal (às vezes dentro dos sapatos…), e pode se recuperar de ferimentos que levariam qualquer ser humano à morte! Um herói pra lá de charmoso, que convida o leitor para conhecer as mais fantásticas eras de nossa história.

Azzo, o Cavaleiro

Encravado em algum lugar dos Cárpatos, na Romênia, está o assombrado castelo Klatka. Este é o lar de Azzo, o Cavaleiro Vampiro que protagoniza a obra “A Mysterious Stranger”, de autor desconhecido, publicada pela primeira vez em 1860. Azzo é um Vampiro centenário, com um profundo desprezo pela humanidade, e só tem interesse pelas coisas pitorescas, incomuns. Ante sua presença, mesmo os lobos mais selvagens se tornam dóceis e inofensivos. Com a eterna aparência de um homem de 40 anos, alto e magro, o Cavaleiro tem olhos cinzas amedrontadores, e usa bigode, barba e cabelos negros e curtos. Sempre vestido em sua armadura medieval, Azzo é rude, sarcástico e monossilábico com os visitantes, guardando toda a sua elegância e cultura secular para cortejar as jovens donzelas que acompanham os viajantes. Quando convidado para um banquete, o Cavaleiro Azzo sempre recusa a comida, fazendo questão de frisar que só se alimenta de líquidos… quentes!

O Vampiro de Sussex

Em 1924, Sir Arthur Conan Doyle publicou “The Sussex Vampire” (“O Vampiro de Sussex”), colocando Sherlock Holmes frente a frente com um ser das trevas. A história começa em uma manhã de novembro, com uma carta assustadora. Nela, um certo Robert Ferguson pede a ajuda de Holmes para resolver um espantoso caso de vampirismo! O detetive começa a investigar uma série de mortes ocorridas no vilarejo em questão, que parecem ligadas a um estranho fato ocorrido há um século atrás. Nessa ocasião, os habitantes do local teriam assassinado todos os integrantes de uma família, acusados de vampiros. Assustados, os novos moradores começam a acreditar que um descendente dos sanguessugas é o responsável pelas mortes, sedento de sangue e vingança. Sherlock tem de usar toda a sua miraculosa astúcia para resolver a questão, e acaba provando mais uma vez que os vivos sempre são muito mais perigosos que os mortos… Mas você não vai querer saber o final da história, certo? O negócio é ler o livro para se deliciar com o caso mais sanguinolento do maior detetive do mundo!

VAMPIROS FAMOSOS DA TV E DO CINEMA

1. Lestat – Interview With the Vampire

2. Christopher Lee’s Dracula

3. Bela Lugosi’s Dracula

4. Edward Cullen – Twilight (Crepúsculo)

5. Bill and Eric – True Blood

6. Asa Vajda, 1960’s Black Sunday

7. Angel

8. Mr. Barlow – Salem’s Lot

9. Schuyler Van Alen – Melissa de la Cruz’s Blue Bloods series

10. Gary Oldman’s Drácula

Fonte: Revista Entertainment Weekly

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,confira-os-vampiros-mais-famosos-da-literatura-e-do-cinema,466500,0.htm

26
nov
09

O sanguessuga adota a moral da classe média

Matéria publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo no dia 14 de novembro de 2009, na página D4

O sanguessuga adota a moral da classe média

O jovem Edward, que só fica nas preliminares, é uma vergonha para ancestrais libidinosos como Drácula

Antonio Gonçalves Filho

O vampiro Edward da série criada por Stephenie Meyer está condenado à eternidade, como, aliás, todos os seres dessa espécie, mas ainda carrega nas costas outra condenação, a de pertencer à classe média e arrastar pela noite eterna todos os preconceitos de sua categoria social. Assim, não admira que a atividade sexual desse sanguessuga se resuma às preliminares mais longas de todos os tempos, como bem reconheceu a própria diretora de “Crepúsculo”, Catherine Hardwicke. Não causa espanto, igualmente, que o torturado Edward e sua namorada candidata à vampira, Bella, sejam ídolos da moçada habituada mais a “ficar” do que a estabelecer vínculos. Relações duradouras quase sempre não ultrapassam o plano da idealização. Melhor ter um vampiro apaixonado por toda a eternidade do que um sanguessuga sem poderes extraordinários fisgado numa rave.

As meninas são loucas por Edward. Enlouquecem mesmo os pais para comprar os livros da série (as quatro edições da série já venderam 2,2 milhões de livros só no Brasil e 77 milhões no mundo todo). Mandam cartas e mensagens eletrônicas para conselheiros amorosos, perguntam o que fazer para chamar a atenção do vampiro e, histéricas, soltam gritos quando casal Robert Pattison e Kristen Stewart, na versão cinematográfica de “Crepúsculo”, pula de árvore em árvore simulando um jogo sexual nas alturas – existe algo mais fálico que um eucalipto? No entanto, sexo que é bom, não rola.

Os vampiros de outras épocas – e isso inclui o conde Drácula de Bram Stoker – eram criaturas extremamente libidinosas, que seduziam suas vítimas com uma boa mordida no pescoço para em seguida atacar outras partes na região sul do corpo. Vampiros, no tempo de Stoker, isto é, no século 19, podiam representar tanto a virilidade do homem europeu do Leste, temida pela moral vitoriana, como o signo da promiscuidade, definida tanto pela arquitetura do castelo de Drácula, em forma de genitália feminina, como por sua tirania, capaz de tornar escravos sociais todos os que estavam abaixo da posição hierárquica de conde. Desse jogo sadomasoquista não escapavam sequer as bestas da floresta, chupadas violentamente na falta de sangue melhor. Esse foi o tempo de Bram Stoker.

De Ann Rice em diante, os vampiros, criaturas com poderes sobrenaturais, perderam parte de seu encanto natural, sucumbiram ao ideal classe média do conforto. Edward, por exemplo, não dorme em caixão, não tem problemas com alho, não odeia água benta, suas presas não são retráteis e ele já freqüentou tantos anos o colegial que seus pais perderam a conta de quanto gastaram na maldita escola onde conheceu Bella, a frágil.

Desnecessário dizer que Edward jamais cruzou com Nosferatu de Werner Herzog, o eterno angustiado condenado à eternidade. Se a noite de Nosferatu foi povoada de desejos ocultos, fazendo-o perder o controle, a de Edward é um romântico cenário com promessas de amor eterno. O predador foi domesticado pela classe média. E hoje vive na coleira.

23
nov
09

Vampiros em alta

Vampiros em alta

No cinema, na televisão e na literatura, os lendários mortos-vivos voltaram a fazer sucesso. Agora eles são modernos e mais sociáveis

Natália Rangel

GUERRA E SANGUE Cena do filme Van Helsing (2003) e o livro do quadrinista Mike Mignola, Baltimore e o vampiro, em que um soldado tem toda a sua família morta por sanguinárias “criaturas das trevas”

Os vampiros estão de volta. De tempos em tempos uma onda de histórias protagonizadas por estes mortos-vivos invade as tevês, livrarias e cinemas. Na década de 90 estrearam dois grandes blockbusters, Drácula, de Francis Ford Copolla, e Entrevista com o vampiro, de Neil Jordan, e teve até uma novela das sete, da Rede Globo, intitulada Vamp e protagonizada por uma família de vampiros. A atual revoada de monstros alados tem na liderança o filme Crepúsculo, que acaba de estrear no Brasil e é uma adaptação do livro homônimo que fez um estrondoso sucesso e foi escrito pela americana Stephenie Meyer. O romance foi editado em 32 países, vendeu mais de 25 milhões de exemplares e conquistou uma legião de fãs. No Brasil, as vendas alcançaram 180 mil exemplares (está em terceiro lugar na lista de best-sellers do País). Já o filme faturou, nos EUA, US$ 150 milhões em três semanas – mais do que o suficiente para pagar o seu baixo custo (em torno de US$ 40 milhões). O vampiro-protagonista criado pela autora americana é Edward Cullen (Robert Pattinson), o belo filho adolescente de uma longeva família de mortos-vivos que em sua evolução substituiu o sangue humano pelo animal e assim pode compartilhar a vida em sociedade com os não-vampiros sem se tornar o seu predador. São demônios do bem, que se cansaram das trevas e desejam viver no mundo dos vivos.

Essa parece ser uma tendência dos vampiros modernos e é notada também nos protagonistas do seriado americano True blood, de Allan Ball (mesmo diretor de A sete palmos), que já está sendo exibido no Brasil pela HBO. Baseada na sequência de livros de Charlaine Harris intitulada Sookie stackhouse (Southern vampire), na série os vampiros desenvolveram um tipo de sangue artificial que lhes permite viver em harmonia com os seres humanos sem jamais cair em tentação. A protagonista Sookie (Anna Paquin) não é vampira, mas se apaixona por um com quem passa a namorar. E o assunto é tratado com naturalidade. Numa passagem da série, a avó de Sookie insiste para que Bill (Stephen Moyer), namorado-vampiro de sua neta, vá à universidade dar uma palestra sobre a guerra civil americana. Afinal, se ele tinha mais de 200 anos, vivera pessoalmente aquele período. Mas, se o filme Crepúsculo é romântico e não apresenta cenas violentas ou avança na sensualidade, o seriado da tevê tem cenas fortes de assassinatos e conflitos étnicos. Há um serial killer que abomina os vampiros e procura eliminálos. Nos EUA o seriado estreou com audiência modesta de apenas 1,4 milhão de telespectadores – em três meses esse número subiu para quatro milhões.

LASCIVO Nosferatu (1922), de F. W. Murnau, foi criado no pós-guerra. Drácula (1992, abaixo), dirigido por Francis Ford Copolla, investe na sensualidade, na lascívia e no poder de sedução do vampiro

MOMENTOS DE VAMPIRISMO

ATUAL True blood (abaixo), exibido no canal HBO, tem romance e violência como todo filme de vampiro, mas também diverte o público com rock, humor e algumas gafes

A caçada aos vampiros remete aos primórdios da história desse demônio das trevas que deu origem a clássicos como o livro Drácula, de Bram Stoker, e o filme Nosferatu, de F. W. Murnau (1922). É esse o espírito do mais recente lançamento literário sobre o tema. Trata-se de Baltimore e o vampiro (Editora Amarilys, 291 págs., R$ 43), que conta a trajetória de um homem vitimado por uma criatura do mal que passa o resto de seus dias perseguindoo pelo mundo. O enredo envolve elementos das antigas histórias de morcegos maléficos. Assim como em Nosferatu, seriam os vampiros os causadores das grandes pestes que aniquilaram populações de cidades inteiras. O livro é de autoria de dois gênios no que diz respeito a monstros e poderes sobrenaturais, o quadrinista Mike Mignola, de Hellboy, e o escritor Christopher Golden. Na aterrorizante história, os autores transformam os humanos em coautores da carnificina promovida pelos vampiros ao responsabilizá-los pelas intermináveis guerras. Numa passagem do livro, há o seguinte diálogo: “Por que os mortos se levantaram para atormentar os vivos?”, perguntou Henry Baltimore à malévola criatura alada. O vampiro balançou a cabeça: “Foram vocês que nos invocaram com suas guerras. O rugido dos seus canhões nos atormentou no silêncio de nossos túmulos. Seus assassinos. Agora, vocês não se livrarão mais de nós.” Seguindo a tendência mundial, a produção nacional também tem seus vampiros. Trata-se da novela Os mutantes, da Rede Record, em que uma epidemia faz com que algumas pessoas se transformem em demônios, como o jovem Draco (Rômulo Estrella).

APOLO
O filme Crepúsculo (2008) é centrado no vampiro Edward Cullen, dono de uma beleza apolínea. O enredo economiza nas cenas românticas e aposta na ação e nos poderes paranormais

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2044/artigo122522-1.htm

20
nov
09

Ela quer o seu filho

Ela quer o seu filho
Com o livro Crepúsculo e o vampiro Edward, a escritora Stephenie Meyer pode desbancar o bruxo Harry Potter, de J. K. Rowling

Por NATÁLIA RANGEL

Há pouco mais de cinco anos, a jovem dona-de-casa Stephenie Meyer, mãe de três filhos, casada com um pastor mórmon e moradora da pequena cidade de Cave Creek, no Estado americano do Arizona, jamais imaginaria seduzir jovens em todo o mundo com uma fantasiosa história de amor entre uma adolescente e um vampiro. Tampouco vislumbrou que as tramas românticas forjadas em sua imaginação e materializadas em três livros (Crepúsculo, Lua nova e Eclipse) ficariam 143 semanas na lista de best-sellers do jornal The New York Times, com seis milhões de exemplares vendidos em diversos países – sendo que quatro milhões referem- se apenas às vendas nos últimos 12 meses. Pois foi o que aconteceu. O vertiginoso sucesso de Crepúsculo, que conta a relação amorosa entre o morto-vivo Edward Cullen, com 17 anos desde 1918, e sua amada e humana Isabella Swan (chamada de Bella), ambos colegas no terceiro ano do ensino médio na chuvosa cidade de Forks, conquistou uma legião de fãs. E foi além: acaba de render à escritora, de 34 anos, um lugar entre as 100 personalidades mundiais mais influentes, eleitas pela revista Time. Ela aparece ao lado de nomes como Hillary Clinton, George Clooney e Dalai Lama. Quais são os seus superpoderes?

Stephenie leva uma vida pacata, é religiosa, segue os ditames mórmons e uma de suas poucas rebeldias é o gosto por Pepsi Diet – a igreja desaconselha o consumo de substâncias que tenham cafeína. Até aí, ela não está investida de nenhum truque mágico. Os seus poderes especiais, na verdade, ganham vida graças a uma mente extremamente criativa, voltada à ficção, que monta adoráveis e sedutores vampiros – todos do bem. São seres evoluídos que mudam a dieta (só bebem sangue de animais) para resistir, a duras penas, à sede que têm de sangue humano e assim conseguem viver pacificamente em sociedade. O carisma de seus personagens junto aos adolescentes é comparado ao fascínio exercido pelo bruxo Harry Potter, da escritora inglesa J. K. Rowling, e há quem aposte que a saga dos jovens vampiros reúna qualidades suficientes para desbancá-lo de sua liderança isolada nesse filão editorial. Isso já ocorreu no ano passado quando Eclipse, seu terceiro livro, chegou às lojas quase ao mesmo tempo que a última aventura de Harry Potter.

FENÔMENO A autora Stephenie Meyer (à dir.), uma dona-de-casa mórmon, escreveu três livros e já vendeu seis milhões de exemplares em todo o mundo

No cinema, a trajetória dos vampiros já é semelhante à do aprendiz de mágico nascido na Inglaterra: o primeiro livro, Crepúsculo (que chega ao Brasil pela editora Intrínseca, 390 págs., R$ 39,90), virou filme e estreará em dezembro nos EUA. À semelhança das obras de J. K. Rowling, o quarto livro de Stephenie, Breaking down, previsto para agosto, está recebendo tratamento vip com esquema de vendas a partir de meia-noite nas grandes livrarias. A popularidade desses novos personagens já inspirou nomes de bandas de rock, centenas de comunidades de sites de relacionamento e seus nomes aparecem impressos em camisetas. Antes mesmo de suas histórias serem editadas aqui, elas já podiam ser lidas em sites da internet devidamente traduzidas pelos fãs.

É certo que há muito marketing promovendo a nova escritora e seus personagens carismáticos, e nem poderia ou deveria ser diferente. Mas é um fato que a vampiromania foi crescendo até explodir no último ano – e vale lembrar que boa parte da propaganda começou boca a boca, leitor com leitor, adolescente com adolescente. Alguns trechos do primeiro romance se tornaram cults como o momento em que Bella descobre que o lindo garoto por quem está encantada é mesmo um vampiro: “De três coisas eu estava convicta. Primeira, Edward era um vampiro. Segunda, havia uma parte dele – e eu não sabia que poder esta parte teria – que tinha sede do meu sangue. E terceira, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele”. A paixão compartilhada por ambos é sempre contida, paira sobre Bella a ameaça do vampirismo de Edward. Se ele ultrapassar o sinal, ela estará morta.

O filme Crepúsculo estréia em dezembro nos EUA, com Robert Pattinson e kristen Stewart (à frente) como Edward e bella

Nas cenas românticas, nunca fica claro se ele deseja ter relações sexuais com Bella ou apenas se alimentar do seu sangue, mordendo- lhe a jugular. Num trecho, ela diz: “Eu podia sentir seu hálito frio em meu pescoço, sentir seu nariz deslizando por meu queixo, inspirando (…)”. E ele sussurra: “Só porque estou resistindo ao vinho, não quer dizer que não possa apreciar o buquê. Você tem um aroma floral, de lavanda ou frésia. É de dar água na boca”. Essa tensão permeia todo o romance e não é diferente dos dilemas humanos que envolvem uma paixão proibida. A autora afirmou em entrevista que foi pressionada a incluir cenas mais explícitas de sexo em seus livros, mas resistiu. Mesmo que algumas passagens sejam sensuais e com insinuações eróticas, os personagens nunca vão além de castos beijos e carinhos no rosto e pescoço – embora demonstrem o tempo todo desejar muito mais do que isso. Nada mais humano, e é justamente com essa humanização dos vampiros que Stephenie parece ter seduzido irrevogavelmente os seus jovens leitores. Os mesmos que J. K. Rowling brindou apenas com o cândido beijo travado entre Harry Potter e Cho Chang.

VAMPIROS FAMOSOS

Drácula (1992), dirigido por Francis Ford Coppola e protagonizado por Gary Oldman, baseia-se em livro de 1897 do escritor irlandês Bram Stoker

O filme Entrevista com o vampiro (1994), de Neil Jordan, é adaptado do romance de Anne Rice, e o personagem Lestat é interpretado por Tom Cruise

Criação do escritor e produtor de tevê Joss Whedon, o vampiro Angelus ficou conhecido pelo seriado de tevê Buffy, a caçavampiros (1997)

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2010/artigo88149-1.htm




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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