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nov
09

Confira os vampiros mais famosos da literatura e do cinema

Confira os vampiros mais famosos da literatura e do cinema

Arquivo/AE

sábado, 14 de novembro de 2009, 13:48

SÃO PAULO – Veja lista dos vampiros mais famosos da literatura e do cinema.

Conde Drácula

O mais famoso vampiro cinematográfico de todos os tempos foi inspirado no personagem central da obra de Bram Stoker. Vários atores ficaram famosos com este papel no cinema, como Maximiliam Schrek, no clássico do cinema mudo “Nosferatu, uma Sinfonia de Horror”, de 1922. Até hoje, muitas pessoas acreditam que Schrek era mesmo um vampiro na vida real! Bela Lugosi, ator de origem húngara, foi o primeiro a imprimir garbo e elegância ao vampiro, marcando para sempre a imagem do personagem. Depois de Lugosi, Christopher Lee representou Drácula em mais de uma dezena de produções, sempre com total aprovação do público. Mais recentemente, Gary Oldman também entrou para este rol sinistro com a brilhante atuação em ‘Drácula de Bram Stoker’, dirigido pelo consagrado Francis Ford Coppola.

Lestat de Lioncourt

“Eu quero interferir nas coisas, fazer as coisas acontecerem!”. Este é o lema do vampiro mais famoso da literatura depois de Drácula: o sedutor Lestat de Lioncourt, narrador de quatro livros das “Crônicas Vampirescas” de Anne Rice. Nos cinemas, o personagem foi imortalizado por Tom Cruise em “Entrevista com o Vampiro”, de 1994. Lestat foi mordido ainda adolescente por Magnus, um vampiro de 300 anos, que se autodestruiu logo depois. Com isso, os poderes seculares da criatura passaram para o rapaz, e também toda sua fortuna. Apaixonado pelo jovem Louis, ele resolveu vampirizá-lo, assim como a menina Claudia. Entretanto, Lestat foi traído pelos pupilos e quase foi destruído. Séculos depois, resolveu contar a um jornalista toda a sua história, para transformá-la num livro. Nos dias de hoje, o egocêntrico Lestat decidiu se tornar uma estrela do Rock, na história que também foi levada às telas do cinema com o título de “A Rainha dos Condenados”.

Louis

Louis du Pontlac é descrito por Anne Rice, sua criadora, como um vampiro bastante suave, de cabelos negros e face inexpressiva, exceto pelos brilhantes olhos verdes… No cinema, o super galã Brad Pitt deu vida ao narrador da “Entrevista com o Vampiro”, que foi vampirizado por Lestat (Tom Cruise) aos 25 anos, depois de uma tragédia. A família de Louis prosperava com as plantações de algodão em Nova Orleans, até que seu adorado irmão mais novo veio a falecer. Louis ficou doente e se tornou uma vítima fácil para o apaixonado Lestat. Ao contrário deste, o jovem Pontlac é um vampiro contemplativo, um intelectual desesperançado em busca de respostas para sua condição maldita. Justamente por isso, o experiente Armand (Antonio Banderas), ao conhecê-lo, afirmou que Louis era o Vampiro mais fraco que ainda caminhava sobre a face da Terra…

Vlad

Em julho de 1991, o público brasileiro conheceu o terrível Conde Vladimir Polanski, um Vampiro que marcou época na televisão brasileira. Interpretado por Ney Latorraca, Vlad era o maior dos vilões da novela “Vamp”, escrita por Antônio Calmon e dirigida por Jorge Fernando, um dos maiores sucessos entre os jovens brasileiros. Na história, a cantora de rock Natasha (vivida por Cláudia Ohana) vende sua alma ao terrível Vampiro para conquistar um lugar no estrelato. Arrependida, a Vampira procura abrigo na cidade de Armação dos Anjos, onde acaba sendo perseguida pelo cruel Vlad. A atuação de Latorraca garantiu ao sarcástico Vladimir Polanski um lugar de destaque no rol dos vilões mais carismáticos da teledramaturgia brasileira, imortalizando bordões como o infantilizado “Gotooooso!”, que Vlad exclamava todas as vezes em que sugava um pescoço.

Natasha

Natasha foi a primeira vampira da dramaturgia brasileira, e deixou muitos marmanjos de queixo caído. A personagem foi interpretada pela bela Cláudia Ohana na novela Vamp, de 1991. Ela vendeu sua alma ao terrível Conde Vladimir Polanski para alcançar o sucesso como cantora de rock. No entanto, não era uma criatura do Mal: ao contrário, logo se arrependeu do pacto com Vlad e pôs-se a fugir dele, escondendo-se na cidade de Armação dos Anjos. Lá, ela reencontrou seu amor de vidas passadas, o capitão Jonas, personagem de Reginaldo Farias. Enciumado e receoso de que esse amor medieval pudesse voltar à tona, o Conde Vladimir passou a perseguir Natasha e a família do capitão, causando trapalhadas que renderam boas risadas ao público.

Angel

Este é o Vampiro mais adorado pelas adolescentes de todo o planeta… Protagonista de um seriado de TV americano, Angel é um Vampiro sedutor que usa todo o seu charme e inteligência para ajudar os oprimidos e tirar da consciência o peso de séculos praticando o Mal… Interpretado pelo galã David Boreanaz, o herói fez sua estréia em outra série televisiva, “Buffy, a Caça-Vampiros”. Depois de ser vencido pela protagonista, o Vampiro irlandês Angelus resolveu assumir o lado do Bem e a paixão pela mocinha, interpretada por Sarah Michelle Gellar. O grande sucesso do personagem lhe garantiu uma série própria, iniciada em 1999, que mostra a trajetória do Vampiro justiceiro após deixar a amada e a pequena cidade de Sunnydale para iniciar uma carreira de investigador particular em Los Angeles… Assim como Blade, Angel se tornou uma dor de cabeça ambulante para seus irmãos de sangue, e um verdadeiro colírio para as fãs mais animadas!

Jerry Dandridge

Apesar de serem monstros da escuridão, os Vampiros quase sempre foram representados no cinema como galanteadores incorrigíveis, homens elegantes que não perdem a chance de seduzir uma bela mocinha, para só depois revelar a horrível face do mal… E Jerry Dandridge, o vilão de “A Hora do Espanto”, um blockbuster de 1985, vestiu com perfeição este estereótipo marcante dos sanguessugas. Vestido sempre de modo impecável, perfumado e polido, a máscara de Jerry (interpretado por Chris Sarandon) só não foi capaz de enganar o jovem Charley, que desconfiou desde sempre da boa educação de seu novo vizinho… Com seu estilo doce e sexy, Jerry Dandrige conseguiu vampirizar a namorada do jovem, Amy, e seu melhor amigo, Ed, além de arrancar muitos suspiros da maior parte do público feminino, especialmente quando assobiava romanticamente o clássico “Strangers in the night” (tudo a ver, não é mesmo?), de Sinatra.

David

“Dormir o dia inteiro. Zoar a noite toda. Nunca crescer. Nunca morrer. É divertido ser um vampiro!”. Foi com este lema que o sensual vampiro David conquistou diversos seguidores no filme Garotos Perdidos (Lost Boys, 1987), clássico dos anos 80 estrelado por Kiefer Sutherland. As estripulias bizarras de David e sua turma vampiresca escandalizaram uma pequena cidade da Califórnia. Como em um ritual, suas vítimas precisavam beber vinho de sangue e comer vermes. Foi o caso de Emerson (Jason Patrick), que por amor a Star (Jami Gertz), aceitou o rito de passagem e se tornou um ser das trevas, passando a integrar a primeira gangue de sanguessugas bad boys do cinema!

Bento Carneiro

“Minha vingança será maligna!” – Quem já ouviu esta frase pode até não se lembrar da origem, mas os fãs de Chico Anysio jamais vão esquecer de Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro, o único ser das trevas que morava “aquém do além adonde que veve os mortos”… O personagem, um vampiro atrapalhado, simplório e desprestigiado, foi criado pelo humorista na década de 80 e logo se tornou um dos maiores sucessos de seu “Chico Anysio Show”. Sempre ao lado de seu fiel escudeiro, Calunga, Bento Carneiro fez do mito do Vampiro um veículo perfeito para brincar e ridicularizar, sempre com muito bom humor, as mazelas e contradições da sociedade brasileira.

Os Monstros

Na década de 60, a CBS americana produziu um seriado para a TV que marcou toda uma geração de telespectadores. A exemplo da família Addams, da rival ABC, realizada na mesma época, os Monstros faziam piada com os costumes exóticos de uma família sinistra… O pai, Herman (Fred Gwynne), era filho de um certo Dr. Frankestein. Vovô (Al Lewis), de apenas 370 anos, gastava a maior parte de seu tempo em loucas experiências de laboratório. Os filhos eram Eddie (Butch Patrick), verdadeiro monstrinho de pele verde, orelhas pontiagudas e caninos afiados, e Marilyn (Beverley Owen/Pat Priest), loira, esbelta, de olhos verdes, isto é, um verdadeiro horror para os padrões da família! A única vampira da história era a esposa de Herman, Lily Dracula, uma dona de casa sempre preocupada com a criação dos filhos… Cancelado nos EUA em 1966, o seriado foi exibido no Brasil ainda na década de 60, e reprisado em meados da década de 70, fazendo mais sucesso do que os Addams! As trapalhadas dos Monstros divertiam pessoas de todas as idades, principalmente quando Vovô resolvia dar uma voltinha com seu veículo: um caixão sobre rodas!

Varney

Sir Francis Varney era uma criatura literalmente repugnante. Criado pelo escritor inglês James Malcolm Rymer em 1847 (antes mesmo de Drácula!) no livro “Varney, o Vampiro ou o Banquete Sangrento”, a maior arma dessa criatura era a sua feiúra! Com sua face pálida e mórbidos olhos cor-de-lata, Varney hipnotizava suas vítimas apenas com o olhar… Com unhas e dentes pontiagudos, esse vampiro arranhava as vidraças das casas, fazendo o ruído de granizo. Por isso, também ficou conhecido como o “Vampiro das Tempestades”, agindo sempre em dias chuvosos ou com neve. Esse monstro pavoroso tinha preferência por jovens indefesas, que eram atacadas sem dó nem piedade. No entanto, Varney era um ser bastante temperamental, e se dava ao luxo de se sentir desgostoso com a imortalidade de vez em quando… Então, quando os raios da lua o acordavam e seu humor não estava dos melhores, o vampiro se escondia no Monte Vesúvio, onde nenhum feixe de luz poderia despertá-lo.

Blade

Além da Vampirella, outro herói dos quadrinhos também ficou famoso pelos seus poderes vampirescos. Ele se chama Blade e nasceu das idéias de Marv Wolfman, então roteirista da Marvel Comics. A grande diferença é que o herói negro não é bem um Vampiro de verdade, e sim uma mistura de ser humano com um Filho das Trevas… Como? A origem de Blade é espetacular: sua mãe foi atacada por um Vampiro quando ainda levava o filho no útero. Dessa forma, o bebê recebeu um pouco do sangue maldito, adquirindo alguns de seus poderes especiais. Como vingança, Blade se tornou um impiedoso caçador dos sanguessugas, e para isso utiliza as geringonças high-tech criadas por Whistler, também inventor do soro que Blade usa para poder caminhar à luz do dia sem virar pó. No cinema, o herói já mereceu dois filmes que estouraram nas bilheterias, ambos protagonizados pelo blockbuster Wesley Snipes.

O Vampiro do Brooklyn

Blade, o caçador de Vampiros vivido por Wesley Snipes, não é o único representante da galeria de sanguessugas afro-americanos… Em 1995, Eddie Murphy personificou no cinema o hilariante Maximillian, único sobrevivente de uma raça de Vampiros de uma ilha caribenha. Dirigido por Wes Craven, da série “Pânico”, “O Vampiro do Brooklyn” trouxe a verve cômica do eterno tira da pesada para o mundo dos Filhos da Noite. No filme, Eddie Murphy tem que encontrar a única mulher que pode salvar sua raça da extinção. Vivida por Angela Basset, Rita mora no Brooklyn e convive com estranhos pesadelos. Sem saber, a moça é filha de um Vampiro, e por isso carrega nas veias um destino sanguinolento. Mas uma série de contratempos acontecem (como sempre!) e Maximillian tem de mover mundos e fundos para conquistar Rita e garantir a preservação de sua espécie.

Blacula

Blacula é o personagem principal do filme de mesmo nome, dirigido por William Crain em 1972. Trata-se da versão afro-americana do maior vampiro de todos os tempos. A história começa com Manuwalde (William Marshall), um príncipe africano que é vampirizado pelo próprio Conde Drácula em 1780, e acaba trancafiado dentro de seu próprio caixão. Séculos depois, dois colecionadores de arte resolvem levar a tumba para Los Angeles, onde Blacula desperta sedento de sangue! O Vampiro conhece Tina, a reencarnação de sua falecida esposa Luva, e faz de tudo para conquistar o seu amor. Mas o caminho de Blacula está cheio de obstáculos: Gordon, o melhor amigo da moça, descobre a verdade sobre Manuwalde e inicia uma verdadeira caçada ao vampiro africano…

Zé Vampir

Quem é que nunca se divertiu com as histórias da Turma do Penadinho, escritas por Maurício de Souza? Pois essa galerinha de arrepiar não poderia deixar de ter o seu Vampiro. Ele se chama Zé Vampir e é cheio de classe… Ao contrário dos outros personagens do cemitério, como o Cranícola, Muminho, Lobisomen e a Dona Morte, que normalmente usam apenas trapos ou lençóis (afinal, são fantasmas!), o nosso menino Vampiro se inspirou nos elegantes sanguessugas do cinema para compor o seu visual: smoking, gravata borboleta e uma elegante capa! Como a maioria dos Vampiros, Zé Vampir também pode se transformar em um simpático morcego, coisa que faz sempre quando quer assustar alguém. Apesar disso, Zé Vampir é um Vampiro camarada, e nunca leva seu apetite por sangue às últimas consequências. Na verdade, o morceguinho sempre acaba preferindo alguma guloseima à base de morango ou groselha, bem vermelhinha…

Don Drácula

Protagonista de um desenho animado japonês, Don Drácula (Don Dorakyura) fez a festa de muitas crianças brasileiras durante a década de 80, quando foi exibido. Criado por Osamu Tezuka (considerado o “Deus do Mangá”) em 1979, o pano de fundo da história é a mudança de Drácula para o Japão, para fugir de seu arquiinimigo, o Dr. Rip Van Helsing… Muito desastrado, o Vampiro acaba se envolvendo em muitas confusões com sua filha, Sangria, e Igor, seu criado corcunda. Sem falar no morceguinho Yasu, que narra com muito bom humor alguns momentos da história. Além de Van Helsing, Don Drácula também se esforça para fugir dos “ataques” da apaixonada Blonda, uma gorducha cheia de sangue para dar! Um típico desenho japonês, que deixou saudades em muita gente.

Vampirella

Criada na década de 60 pelo célebre Forrest J. Ackerman (o escritor que utilizou pela primeira vez a expressão “Sci-Fi”), a curvilínea Vampirella povoa a imaginação dos marmanjos desde aquela época. Sempre vestida com um sensual maiô colante vermelho, que revela boa parte de sua invejável forma física, a Vampirella das histórias em quadrinhos já teve duas origens… Para Ackerman, a Vampira era uma alienígena de Drakulon, onde todos os habitantes são Vampiros que se alimentam do sangue que corre nos rios desse estranho planeta. Na década de 90, entretanto, Vampirella teve sua origem reescrita por Kevin Lau, e passou a ser a filha de Lilith, uma Vampira mitológica. Seja como for, Vampi (como é carinhosamente chamada pelos íntimos) continua combatendo o crime com seu peculiar estilo sexy-sangrento, e muita gente boa não ligaria nem um pouco em ser mordido pela simpática heroína…

Mirza

Criada em 1967 por Eugênio Colonnese, um dos mestres pioneiros da HQ nacional, Mirza é a personagem feminina mais conhecida do terror brasileiro. Inspirada na internacional Vampirella, a vampira brasileira povoou o imaginário de várias gerações de leitores, já que foi publicada em momentos distintos das décadas de 60, 70 e 80. O verdadeiro nome de Mirza era Mirela Zamanova, uma condessa exuberante que se tornou um ícone não só do terror como também do erotismo nos quadrinhos. Suas aventuras se davam nos ambientes glamurosos das passarelas da alta moda e nas festas da elite brasileira, já que Mirza ganhava a vida como modelo internacional, sempre vestida (ou despida, é claro!) em trajes provocantes e muito muito sensuais… Em seu reinado de terror, Mirza visitou as maiores cidades do mundo, procurando suas vítimas indiscriminadamente entre homens e mulheres, e deixando uma verdadeira legião de “órfãos”, candidatos eternos aos voluptuosos caninos da vampira.

Miriam Blaylock

A secular vampira Miriam Blaylock, interpretada por Catherine Deneuve em “Fome de viver” (The Hungers), ficou célebre na película de Tony Scott, um dos mais belos e chocantes filmes de 1983. Personagem do livro mais famoso de Whitley Strieber, Lady Miriam e seu vampiro-amante John (David Bowie) tinham uma vida sofisticada, eram apaixonados por música clássica e sobreviviam à base de sangue novo de homens e mulheres. Mas repentinamente John teve um estranho distúrbio celular e envelheceu em poucos segundos, forçando Miriam a procurar a doutora Sarah Roberts (Susan Sarandon), especialista em envelhecimento precoce. Foi a deixa para que a vampira seduzisse a médica ao som da ópera Lakmé, de Léo Delibes, em uma das cenas mais eróticas do filme. Sob o poder de Miriam, Sarah foi perdendo aos poucos sua identidade humana, mergulhando cada vez mais fundo na escuridão dos Filhos da Noite…

Carmilla

Personagem central de um conto publicado em 1872 pelo escritor irlandês Sheridan Le Fanu, Carmilla foi uma das primeiras criaturas da noite registradas na literatura mundial. De hábitos noturnos, cabelos e olhos castanho escuros, Carmilla logo chamou a atenção de Laura, uma jovem da nobreza austríaca com quem a Vampira manteve um relacionamento conturbado. Na história, narrada pela própria vítima, Carmilla acaba revelando ser a Condessa Karnstein, uma antepassada de Laura, falecida há mais de 150 anos! Linda, graciosa e de porte aristocrático, Carmilla influenciou toda uma geração de Vampiras fatais, e há quem diga, inclusive, que Bram Stoker teria se inspirado na obra de seu conterrâneo para criar o seu Drácula.

Philinnion

Philinnion é a personagem de um conto muito antigo atribuído ao historiador grego Phlegon de Trales, que teria vivido no primeiro ou segundo século da era cristã, e por isso pode ser considerada uma das primeiras vampiras da literatura. A história narra o drama de um jovem chamado Machates, que se apaixonou perdidamente por Philinnion, sem saber que ela já estava morta… Machates morava com os pais da moça, e recebia todas as noites a visita de sua noiva. Quando os pais de Philinnion viram a filha na cama com o hóspede, trataram de avisá-lo que aquilo era uma assombração! O jovem ficou arrasado, e Philinnion amaldiçoou seus pais por terem revelado seu pequeno segredo… Mais tarde, os habitantes da cidade perceberam que a tumba da jovem estava vazia e encontraram seu corpo em casa. O cadáver de Philinnion foi então queimado e oferecido ao Deus Hermes, para que sua alma fosse enviada ao mundo das trevas. A história de Philinnion era muito famosa na época do Império Romano, e serviu de inspiração para Goethe escrever seu famoso poema “Die Braut von Korinth”.

Lord Ruthven

Personagem principal do livro “The Vampyre”, publicado em 1819, o sedutor Lord Ruthven nasceu durante uma emocionante tempestade literária… Reza a lenda que, em 1816, o grande poeta romântico Lord Byron reuniu em Genebra alguns amigos, entre eles Mary Shelley, escritora, e John Polidori, médico. Byron propôs um desafio aos demais: uma competição de histórias de terror, que foi vencida pelo Frankenstein criado na ocasião por Shelley. Foi nesse jogo que Byron idealizou o enredo para “The Vampyre”, mas logo abandonou o projeto. Polidori, que também estava naquela noite, desenvolveu a idéia de Byron e ainda se inspirou na figura do amigo para dar vida a Ruthven, um elegante Vampiro inglês que transitava com desenvoltura nas festas mais chiques da nobreza européia, onde dava vazão a seus instintos bestiais entre um gole de champagne e uma mordida certeira no pescoço de alguma linda donzela… O evento azedou a amizade dos dois, mas deu ao mundo um dos personagens vampíricos mais marcantes da literatura mundial.

Conde Saint-German

O Conde Ragoczy Saint-German é a principal criação da escritora californiana Chelsea Quinn Yarbro, que conta com uma verdadeira legião de fãs vampirescos nos Estados Unidos. Protagonista de mais de uma dezena de livros, Saint-German é um vampiro do bem, um herói que usa a experiência acumulada em 3500 anos de vida para ajudar o próximo, principalmente no caso de belas mulheres… Poliglota, rico e inteligente, Saint-German é um farmacêutico/alquimista, que precisa de sangue para se manter vivo, mas nunca mata suas vítimas, preferindo alimentar-se de suas amantes ou de estranhos que, em troca, recebem sonhos agradáveis por telepatia. Assim como os sanguessugas tradicionais, o vampiro de Yazbro também não pode se ver no espelho, carrega sempre um punhado de sua terra natal (às vezes dentro dos sapatos…), e pode se recuperar de ferimentos que levariam qualquer ser humano à morte! Um herói pra lá de charmoso, que convida o leitor para conhecer as mais fantásticas eras de nossa história.

Azzo, o Cavaleiro

Encravado em algum lugar dos Cárpatos, na Romênia, está o assombrado castelo Klatka. Este é o lar de Azzo, o Cavaleiro Vampiro que protagoniza a obra “A Mysterious Stranger”, de autor desconhecido, publicada pela primeira vez em 1860. Azzo é um Vampiro centenário, com um profundo desprezo pela humanidade, e só tem interesse pelas coisas pitorescas, incomuns. Ante sua presença, mesmo os lobos mais selvagens se tornam dóceis e inofensivos. Com a eterna aparência de um homem de 40 anos, alto e magro, o Cavaleiro tem olhos cinzas amedrontadores, e usa bigode, barba e cabelos negros e curtos. Sempre vestido em sua armadura medieval, Azzo é rude, sarcástico e monossilábico com os visitantes, guardando toda a sua elegância e cultura secular para cortejar as jovens donzelas que acompanham os viajantes. Quando convidado para um banquete, o Cavaleiro Azzo sempre recusa a comida, fazendo questão de frisar que só se alimenta de líquidos… quentes!

O Vampiro de Sussex

Em 1924, Sir Arthur Conan Doyle publicou “The Sussex Vampire” (“O Vampiro de Sussex”), colocando Sherlock Holmes frente a frente com um ser das trevas. A história começa em uma manhã de novembro, com uma carta assustadora. Nela, um certo Robert Ferguson pede a ajuda de Holmes para resolver um espantoso caso de vampirismo! O detetive começa a investigar uma série de mortes ocorridas no vilarejo em questão, que parecem ligadas a um estranho fato ocorrido há um século atrás. Nessa ocasião, os habitantes do local teriam assassinado todos os integrantes de uma família, acusados de vampiros. Assustados, os novos moradores começam a acreditar que um descendente dos sanguessugas é o responsável pelas mortes, sedento de sangue e vingança. Sherlock tem de usar toda a sua miraculosa astúcia para resolver a questão, e acaba provando mais uma vez que os vivos sempre são muito mais perigosos que os mortos… Mas você não vai querer saber o final da história, certo? O negócio é ler o livro para se deliciar com o caso mais sanguinolento do maior detetive do mundo!

VAMPIROS FAMOSOS DA TV E DO CINEMA

1. Lestat – Interview With the Vampire

2. Christopher Lee’s Dracula

3. Bela Lugosi’s Dracula

4. Edward Cullen – Twilight (Crepúsculo)

5. Bill and Eric – True Blood

6. Asa Vajda, 1960’s Black Sunday

7. Angel

8. Mr. Barlow – Salem’s Lot

9. Schuyler Van Alen – Melissa de la Cruz’s Blue Bloods series

10. Gary Oldman’s Drácula

Fonte: Revista Entertainment Weekly

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,confira-os-vampiros-mais-famosos-da-literatura-e-do-cinema,466500,0.htm

26
nov
09

O sanguessuga adota a moral da classe média

Matéria publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo no dia 14 de novembro de 2009, na página D4

O sanguessuga adota a moral da classe média

O jovem Edward, que só fica nas preliminares, é uma vergonha para ancestrais libidinosos como Drácula

Antonio Gonçalves Filho

O vampiro Edward da série criada por Stephenie Meyer está condenado à eternidade, como, aliás, todos os seres dessa espécie, mas ainda carrega nas costas outra condenação, a de pertencer à classe média e arrastar pela noite eterna todos os preconceitos de sua categoria social. Assim, não admira que a atividade sexual desse sanguessuga se resuma às preliminares mais longas de todos os tempos, como bem reconheceu a própria diretora de “Crepúsculo”, Catherine Hardwicke. Não causa espanto, igualmente, que o torturado Edward e sua namorada candidata à vampira, Bella, sejam ídolos da moçada habituada mais a “ficar” do que a estabelecer vínculos. Relações duradouras quase sempre não ultrapassam o plano da idealização. Melhor ter um vampiro apaixonado por toda a eternidade do que um sanguessuga sem poderes extraordinários fisgado numa rave.

As meninas são loucas por Edward. Enlouquecem mesmo os pais para comprar os livros da série (as quatro edições da série já venderam 2,2 milhões de livros só no Brasil e 77 milhões no mundo todo). Mandam cartas e mensagens eletrônicas para conselheiros amorosos, perguntam o que fazer para chamar a atenção do vampiro e, histéricas, soltam gritos quando casal Robert Pattison e Kristen Stewart, na versão cinematográfica de “Crepúsculo”, pula de árvore em árvore simulando um jogo sexual nas alturas – existe algo mais fálico que um eucalipto? No entanto, sexo que é bom, não rola.

Os vampiros de outras épocas – e isso inclui o conde Drácula de Bram Stoker – eram criaturas extremamente libidinosas, que seduziam suas vítimas com uma boa mordida no pescoço para em seguida atacar outras partes na região sul do corpo. Vampiros, no tempo de Stoker, isto é, no século 19, podiam representar tanto a virilidade do homem europeu do Leste, temida pela moral vitoriana, como o signo da promiscuidade, definida tanto pela arquitetura do castelo de Drácula, em forma de genitália feminina, como por sua tirania, capaz de tornar escravos sociais todos os que estavam abaixo da posição hierárquica de conde. Desse jogo sadomasoquista não escapavam sequer as bestas da floresta, chupadas violentamente na falta de sangue melhor. Esse foi o tempo de Bram Stoker.

De Ann Rice em diante, os vampiros, criaturas com poderes sobrenaturais, perderam parte de seu encanto natural, sucumbiram ao ideal classe média do conforto. Edward, por exemplo, não dorme em caixão, não tem problemas com alho, não odeia água benta, suas presas não são retráteis e ele já freqüentou tantos anos o colegial que seus pais perderam a conta de quanto gastaram na maldita escola onde conheceu Bella, a frágil.

Desnecessário dizer que Edward jamais cruzou com Nosferatu de Werner Herzog, o eterno angustiado condenado à eternidade. Se a noite de Nosferatu foi povoada de desejos ocultos, fazendo-o perder o controle, a de Edward é um romântico cenário com promessas de amor eterno. O predador foi domesticado pela classe média. E hoje vive na coleira.

23
nov
09

Falta pegada a ‘Crepúsculo’, diz ‘vampira’ brasileira

Falta pegada a ‘Crepúsculo’, diz ‘vampira’ brasileira

G1 convidou Liz Vamp para assistir ao filme que virou fenômeno nos EUA.
‘Vampiros são o que a raça humana almeja: fortes, sedutores e imortais.’

20/12/08 – 10h00 – Atualizado em 20/12/08 – 10h00

Débora Miranda

Do G1, em São Paulo

Liz Vamp: entendedora de vampiros (Foto: Flavio Moraes/G1)

“Falta ousadia, volúpia, intensidade. Em se tratando de vampiro, isso não pode ser desprezado. O vampiro é animal, tem um instintivo primitivo. Falta a pegada vampírica a ‘Crepúsculo’.” A análise é de Liz Marins, mais conhecida como Liz Vamp, filha de Zé do Caixão, atriz e entendedora de tudo o que se refere aos lendários seres que vivem à base de sangue humano.

Com a chegada de “Crepúsculo” aos cinemas brasileiros, o G1 convidou Liz Vamp para assistir ao longa-metragem e opinar sobre ele. Com orçamento relativamente baixo (cerca de US$ 37 milhões) e atores pouco conhecidos, o filme se transformou em fenômeno entre os adolescentes norte-americanos, permanecendo na lista dos mais vistos e tendo faturado incríveis US$ 35 milhões apenas em seu primeiro dia de exibição.

A história que vem mexendo com os ânimos do público teen é a do tão improvável quanto problemático romance entre a jovem Bella (Kristen Stewart) e o vampiro Edward (Robert Pattinson). Mas se está pensando em monstruosidade, esqueça. Em “Crepúsculo” é diferente: Edward é carinhoso com a amada e luta contra todos os seus instintos para não sugar seu sangue. Aliás, politicamente correto, ele nem bebe sangue de humanos, apenas de animais.

Para Liz Vamp, o doce relacionamento entre os protagonistas acabou deixando o filme “infantil”. “É um pouco infantil em alguns momentos , água com açúcar. Tem cenas românticas interessantes, tem paisagens e alguns efeitos especiais bacanas. Mas falta intensidade. O romance é bonito, mas podia ter cenas mais ‘calientes’. Não falo de sexo, mas na forma de pegar mesmo. Até os beijos dos vampiros são mais quentes.”

Kristen Stewart e Robert Pattinson juntos em cena de ”Crepúsculo” (Foto: Divulgação)

Por outro lado, a visão moderna e não-estereotipada dos vampiros agradou Liz Vamp. “O filme não os mostra como seres bestiais. Normalmente os vampiros são colocados como monstrinhos, mas essa tendência vem mudando. Na verdade os vampiros são tudo o que a raça humana almeja ser. São mais fortes, sedutores e imortais. E por que são vistos como monstros? Porque os humanos estão na cadeia alimentar deles.”

E mesmo assim a atriz não considera que os longas vampirescos sejam de terror. “São filmes de ficção, mistério, suspense e romance. Existem cenas de terror, mas falar de vampiros nunca é um assunto leve.” Para ela, não é surpresa ver “Crepúsculo” fazendo tanto sucesso entre o público adolescente. “Os vampiros sempre seduziram os mais jovens com os poderes que ele têm. Falar que [esse tipo de história] não tem público é mentira. A maioria dos adolescentes é mais idealista, aventureira e muito mais intensa do que os adultos.”

Liz Vamp indica

Após assistir “Crepúsculo”, Liz Vamp listou alguns de seus filmes de vampiros preferidos. Nela constam clássicos, como “Fome de viver” e “Entrevista com o vampiro”, e dicas preciosas, como “Os garotos perdidos”. Confira abaixo.

“Fome de viver” (1983)
Dir. de Tony Scott. Com Catherine Deneuve, David Bowie e Susan Sarandon

Baseado no livro de Whitley Strieber e um dos mais famosos filmes de vampiros dos anos 80, conta sobre seres imortais que se alimentam de sangue humano, mostrando também as relações amorosas entre os dois lados.

“A hora do espanto” (1985)
Dir. de Tom Holland. Com Chris Sarandon, William Ragsdale e Roddy McDowall

Um adolescente aficcionado por filmes de terror acredita que seus novos vizinhos são vampiros de verdade. Ele recorre então a um antigo astro dos filmes de terror que agora é apresentador de TV.

“Os garotos perdidos” (1987)
Dir. de Joel Schumacher. Com Jason Patric, Dianne Wiest, Corey Haim e Kiefer Sutherland


Um garoto fanático por histórias de terror viaja com a família para a Califórnia, onde descobre que seu irmão é vítima de um grupo de jovens vampiros motociclistas.

“Drácula” (1992)
Dir. de Francis Ford Coppola. Com Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Winona Ryder e Monica Bellucci

Baseado na obra de Bram Stocker e vencedor de três Oscar (melhor maquiagem, efeitos especiais e figurino), o longa mostra a busca do Conde Drácula pela reencarnação de sua amada.

“Entrevista com o vampiro” (1994)
Dir. de Neil Jordan. Com Brad Pitt, Tom Cruise e Kirsten Dunst

Baseado no livro homônimo de Anne Rice, conta a história de um repórter que ouve as desventuras de um homem que diz ser vampiro e ter duzentos anos. Ele reconta toda a trajetória de sua vida, desde a época em que era humano e como foi transformado pelo vampiro Lestat.

http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL930014-7086,00-FALTA+PEGADA+A+CREPUSCULO+DIZ+VAMPIRA+BRASILEIRA.html

23
nov
09

Sangue novo

Sangue novo

A estreante Stephenie Meyer conquista o público adolescente ao misturar dilemas jovens com vampirismo

Rodrigo Turrer

29/04/2008 – 20:57 – Atualizado em 20/05/2008 – 16:49

Quando o britânico J.R.R. Tolkien publicou seu O Hobbit, em 1937, deu início não apenas à série de O Senhor dos Anéis – o segundo livro em inglês mais vendido na História, logo atrás da Bíblia –, como também desencadeou uma febre de aficionados por magia e universos fantásticos que o furacão editorial Harry Potter só fez amplificar desde que chegou às livrarias, em 1997.

A nova saga que arregimenta uma horda maior de fãs a cada dia é Crepúsculo (Intrínseca, 416 páginas, R$ 39,90), da americana Stephenie Meyer, de 34 anos. Primeiro livro dela, começo de uma trilogia traduzida para mais de 20 idiomas que vendeu milhões de cópias pelo mundo, Crepúsculo tinha dois fã-clubes um ano antes de ser lançado no Brasil.

“Achei importante debater com outros fãs”, diz a estudante Laís Scrivani, de 19 anos. Ela criou um dos fã-clubes, que tem mais de 20 mil acessos diários e integrantes fervorosos, como a estudante do ensino médio Larissa Huayck Lobo, de 15 anos. “Meus amigos e minha família nem sabem do que trata o livro, então é bom conversar com quem conhece”, diz.

Crepúsculo narra a história da jovem Bella Swan, uma garota de 17 anos, filha de pais separados, que se muda para a chuvosa e monótona Fork, o último lugar em que um adolescente gostaria de viver. Enquanto tenta se habituar à nova vida com um pai quase desconhecido e se adaptar à rotina provinciana e aos constrangimentos da pouca amabilidade dos colegas de escola, conhece Edward Cullen, um fascinante garoto que guarda um segredo: não envelhece desde 1918, quando se tornou vampiro. Os dois, claro, se apaixonam perdidamente.

Como se a condição sobrenatural do rapaz não fosse empecilho suficiente, a família dele passa a caçar Bella graças ao apetitoso aroma de seu sangue, nunca antes sentido por aquelas bandas. Esse cruzamento de Romeu e Julieta com Drácula soa como uma versão adolescente de Anne Rice, outra escritora que explorou com sucesso o mundo dos vampiros. Rice largou o tema – trocou Drácula por Jesus. Melhor para Meyer: mais pescoços se curvarão para ler seus livros.

Eles são idolatrados

Escritores canonizados pelo público e cultuados com fã-clubes

J.R.R. TOLKIEN

Com a saga O SENHOR DOS ANÉIS, Tolkien iniciou a era de aficionados por magia e universos fantásticos, e ganhou leitores fanáticos pelo mundo

J.K. ROWLING
Um dos maiores sucessos editoriais da História,HARRY POTTER causou frenesi entre os fãs, que a cada lançamento se engalfinhavam para garantir o livro

ANNE RICE
A autora de ENTREVISTA COM O VAMPIRO e suas continuações recriou o universo dos sugadores de sangue. Depois largou seus fãs à própria sorte

PAULO COELHO
Verdadeiro fenômeno editorial no Brasil, o autor de O ALQUIMISTA arrebanhou fãs até no exterior, que mantêm sites para discutir sua obra

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI3265-15220,00-SANGUE+NOVO.html

20
nov
09

Ela quer o seu filho

Ela quer o seu filho
Com o livro Crepúsculo e o vampiro Edward, a escritora Stephenie Meyer pode desbancar o bruxo Harry Potter, de J. K. Rowling

Por NATÁLIA RANGEL

Há pouco mais de cinco anos, a jovem dona-de-casa Stephenie Meyer, mãe de três filhos, casada com um pastor mórmon e moradora da pequena cidade de Cave Creek, no Estado americano do Arizona, jamais imaginaria seduzir jovens em todo o mundo com uma fantasiosa história de amor entre uma adolescente e um vampiro. Tampouco vislumbrou que as tramas românticas forjadas em sua imaginação e materializadas em três livros (Crepúsculo, Lua nova e Eclipse) ficariam 143 semanas na lista de best-sellers do jornal The New York Times, com seis milhões de exemplares vendidos em diversos países – sendo que quatro milhões referem- se apenas às vendas nos últimos 12 meses. Pois foi o que aconteceu. O vertiginoso sucesso de Crepúsculo, que conta a relação amorosa entre o morto-vivo Edward Cullen, com 17 anos desde 1918, e sua amada e humana Isabella Swan (chamada de Bella), ambos colegas no terceiro ano do ensino médio na chuvosa cidade de Forks, conquistou uma legião de fãs. E foi além: acaba de render à escritora, de 34 anos, um lugar entre as 100 personalidades mundiais mais influentes, eleitas pela revista Time. Ela aparece ao lado de nomes como Hillary Clinton, George Clooney e Dalai Lama. Quais são os seus superpoderes?

Stephenie leva uma vida pacata, é religiosa, segue os ditames mórmons e uma de suas poucas rebeldias é o gosto por Pepsi Diet – a igreja desaconselha o consumo de substâncias que tenham cafeína. Até aí, ela não está investida de nenhum truque mágico. Os seus poderes especiais, na verdade, ganham vida graças a uma mente extremamente criativa, voltada à ficção, que monta adoráveis e sedutores vampiros – todos do bem. São seres evoluídos que mudam a dieta (só bebem sangue de animais) para resistir, a duras penas, à sede que têm de sangue humano e assim conseguem viver pacificamente em sociedade. O carisma de seus personagens junto aos adolescentes é comparado ao fascínio exercido pelo bruxo Harry Potter, da escritora inglesa J. K. Rowling, e há quem aposte que a saga dos jovens vampiros reúna qualidades suficientes para desbancá-lo de sua liderança isolada nesse filão editorial. Isso já ocorreu no ano passado quando Eclipse, seu terceiro livro, chegou às lojas quase ao mesmo tempo que a última aventura de Harry Potter.

FENÔMENO A autora Stephenie Meyer (à dir.), uma dona-de-casa mórmon, escreveu três livros e já vendeu seis milhões de exemplares em todo o mundo

No cinema, a trajetória dos vampiros já é semelhante à do aprendiz de mágico nascido na Inglaterra: o primeiro livro, Crepúsculo (que chega ao Brasil pela editora Intrínseca, 390 págs., R$ 39,90), virou filme e estreará em dezembro nos EUA. À semelhança das obras de J. K. Rowling, o quarto livro de Stephenie, Breaking down, previsto para agosto, está recebendo tratamento vip com esquema de vendas a partir de meia-noite nas grandes livrarias. A popularidade desses novos personagens já inspirou nomes de bandas de rock, centenas de comunidades de sites de relacionamento e seus nomes aparecem impressos em camisetas. Antes mesmo de suas histórias serem editadas aqui, elas já podiam ser lidas em sites da internet devidamente traduzidas pelos fãs.

É certo que há muito marketing promovendo a nova escritora e seus personagens carismáticos, e nem poderia ou deveria ser diferente. Mas é um fato que a vampiromania foi crescendo até explodir no último ano – e vale lembrar que boa parte da propaganda começou boca a boca, leitor com leitor, adolescente com adolescente. Alguns trechos do primeiro romance se tornaram cults como o momento em que Bella descobre que o lindo garoto por quem está encantada é mesmo um vampiro: “De três coisas eu estava convicta. Primeira, Edward era um vampiro. Segunda, havia uma parte dele – e eu não sabia que poder esta parte teria – que tinha sede do meu sangue. E terceira, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele”. A paixão compartilhada por ambos é sempre contida, paira sobre Bella a ameaça do vampirismo de Edward. Se ele ultrapassar o sinal, ela estará morta.

O filme Crepúsculo estréia em dezembro nos EUA, com Robert Pattinson e kristen Stewart (à frente) como Edward e bella

Nas cenas românticas, nunca fica claro se ele deseja ter relações sexuais com Bella ou apenas se alimentar do seu sangue, mordendo- lhe a jugular. Num trecho, ela diz: “Eu podia sentir seu hálito frio em meu pescoço, sentir seu nariz deslizando por meu queixo, inspirando (…)”. E ele sussurra: “Só porque estou resistindo ao vinho, não quer dizer que não possa apreciar o buquê. Você tem um aroma floral, de lavanda ou frésia. É de dar água na boca”. Essa tensão permeia todo o romance e não é diferente dos dilemas humanos que envolvem uma paixão proibida. A autora afirmou em entrevista que foi pressionada a incluir cenas mais explícitas de sexo em seus livros, mas resistiu. Mesmo que algumas passagens sejam sensuais e com insinuações eróticas, os personagens nunca vão além de castos beijos e carinhos no rosto e pescoço – embora demonstrem o tempo todo desejar muito mais do que isso. Nada mais humano, e é justamente com essa humanização dos vampiros que Stephenie parece ter seduzido irrevogavelmente os seus jovens leitores. Os mesmos que J. K. Rowling brindou apenas com o cândido beijo travado entre Harry Potter e Cho Chang.

VAMPIROS FAMOSOS

Drácula (1992), dirigido por Francis Ford Coppola e protagonizado por Gary Oldman, baseia-se em livro de 1897 do escritor irlandês Bram Stoker

O filme Entrevista com o vampiro (1994), de Neil Jordan, é adaptado do romance de Anne Rice, e o personagem Lestat é interpretado por Tom Cruise

Criação do escritor e produtor de tevê Joss Whedon, o vampiro Angelus ficou conhecido pelo seriado de tevê Buffy, a caçavampiros (1997)

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2010/artigo88149-1.htm




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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