Posts Tagged ‘Stephenie Meyer

16
set
10

Aura Negra – Segundo volume da série Academia de Vampiros

Richelle Mead tem um público alvo e fiel. Na moderna onda vampiresca, ela dá continuidade à série “Academia de Vampiros” com o segundo volume, “Aura Negra”. Assim como a coleção “House of Night”, de P.C. Cast e Kristin Cast, e “Vampire Diaries”, de L. J. Smith, os vampiros de Mead tem as suas peculiaridades e particularidades que os difere dos demais sugadores de sangue da literatura.

Mesmo não tendo alcançado o sucesso estrondoso de “Twilight” de Meyer, “Academia de Vampiros” vem conquistando o seu espaço no universo da literatura e no coração dos adolescentes. Após o terrível confronto vivido por Lissa contra os que são sangue do seu sangue e uma descoberta nada fácil de lidar, a jovem Moroi terá que enfrentar ao lado de Rose, sua melhor amiga, heroína da história e uma grande “dampira” (ai como eu odeio esse termo, é muito brega, mas vamos respeitar as escolhas de Mead) um grande desafio, pois a escola São Vladmir está em estado de alerta.

Uma série de assassinatos a vampiros da dinastia Moroi pelos Strigoi está tirando o sono de maduros e jovens vampiros. O que mais está os intrigando é o fato de haver claros sinais de que há humanos ajudando os poderosos e temidos Strigoi.

Rose sofre uma série de desilusões amorosas e acaba dando uma chance a quem de fato merece o seu amor, mas o destino é mais uma vez cruel com a garota. No entanto, ela é agraciada com a presença mais intensa de sua mãe na sua vida. E, na minha opinião, os momentos em que elas estão juntas, tentando resolver as pendências e diferenças, é um ponto forte da história. O romance eu descarto, afinal já passei da adolescência e os draminhas e medos relacionados ao coração estão muito bem resolvidos.

A história é carregada de suspense e ação. Muito bom para quem gosta deste estilo de leitura, mas quero deixar claro que não é uma história excepcional. Traz alguns elementos novos, mas outros presentes naquela mágica fórmula de “vamos colocar isso na história, pois vamos conseguir um público certo”. Não acho isso errado, mas não enche os olhos do público mais maduro que mesmo assim gosta do gênero infanto-juvenil. Mas, no final, a série me conquistou pelo fato de ter uma escrita gostosa e por ser uma coleção. Adoro livros em série. Vamos ver como serão os demais volumes, pois, como sempre, todos os títulos já foram lançados nos Estados Unidos, mas o Brasil ainda está vendendo apenas os dois primeiros. Se você tem tempo sobrando, ama ler, gosta do gênero infanto-juvenil, muita ação, lutas, vampiros, adolescentes e momentos de diversão, fica a dica!

14
jul
10

Eclipse – Guia Oficial Ilustrado do Filme

Mais um caça-níquel já está disponível para compra no mercado editorial brasileiro: “Eclipse – Guia Oficial Ilustrado do Filme”.

O primeiro filme também ganhou um guia ilustrado, “Crepúsculo – Livro de Anotações da Diretora”, mas sob a ótica da diretora Catherine Hardwicke e algumas das suas anotações sobre cenas, figurino, maquiagem, penteado e afins das personagens.

Em “Lua Nova” não foi diferente. Desta vez, os leitores e apaixonados pela série, tanto nos livros quanto no cinema, são convidados para um tour pelos bastidores de gravação do filme.

O autor Mark Cotta Vaz parece ter gostado de lucrar em cima da curiosidade, do fanatismo e do amor incondicional dos fãs de Bella (ou Kristen), Edward (ou Rob) e Jacob (ou Taylor), pois não satisfeito em lucrar bastante com o “Lua Nova – Guia Oficial do Filme”, repetiu a dose em “Eclipse – Guia Oficial Ilustrado do Filme”.

Mas eu me pergunto: será que ele está errado? Tem mercado para isso e os fãs adoram. Então go on Vaz! “Amanhecer” vem por ai e é mais uma chance de lucrar – duplamente, já que o filme terá duas partes – e entreter o público adolescente. Mas como já passei desta fase, esse livro não terá o prazer de fazer parte da minha estante!

Sinopse

Os bastidores do filme inspirado em Eclipse, o terceiro livro da série best-seller de Stephenie Meyer.

Nesse guia ilustrado, impresso em cores, Mark Cotta Vaz apresenta os bastidores dessa superprodução: equipe, elenco, locações, sets – tudo o que acontece por trás das câmeras revelado em fotos e entrevistas exclusivas. Uma chance única de olhar de perto o processo de criação de um filme e ter acesso a imagens e depoimentos dos astros que povoam os sonhos de todos os fãs: Robert Pattinson (que interpreta Edward Cullen), Kristen Stewart (Bella Swan) e Taylor Lautner (Jacob Black).

08
jul
10

Comédia tira sarro da saga ‘Crepúsculo’

Olha, apesar de ser uma pessoa que adora sorrir e que ri de tudo eu não gosto desses tipos de filmes. Assisto e me divirto em bons filmes de comédia, mas não curto filmes ao estilo de “Todo mundo em pânico” e afins que tiram sarro de outros filmes, por pior que sejam os filmes e que às vezes mereçam mesmo ser tirado um sarro. Pode ser chatice de minha parte, mas é a minha opinião. Não gosto e ponto, mas respeito quem gosta e respeito muito as opiniões alheias. Como sou uma pessoa democrática e tento fazer deste espaço um local também democrático, trago a seguinte notícia.

Comédia tira sarro da saga ‘Crepúsculo’; veja o trailer


Filme inédito ‘Vampires suck’ teve trailer divulgado nesta quarta-feira (7).
Longa parodia filmes vampirescos e também ri do fenômeno Lady Gaga.

08/07/2010 10h38 – Atualizado em 08/07/2010 10h38

Do G1, em São Paulo

Comédia inédita recria cena importante de ‘Lua Nova’: sai o sangue, entra o cheeseburger. (Foto: Divulgação)

Uma comédia que parodia a saga “Crepúsculo” é a aposta dos estúdios 20th Century Fox para faturar em cima dos filmes baseados nos livros de Stephenie Meyer. Em “Vampires suck”, Edward Cullen e Isabella Swan não são poupados de situações ridículas.

O trailer divulgado na última quarta-feira (7) – e que pode ser visto no site oficial do longa – recria a cena vista em “Lua nova”, quando Bella (chamada de Becca) corta o dedo em um papel e é atacada por Jasper Hale na casa dos Cullen. Na versão satirizada, a estudante é vista como um suculento cheeseburger pelo vampiro.

O longa ainda tira sarro do visual do trio de vilões de “Crepúsculo”, James, Victória e Laurent, que são confundidos com integrantes da banda pop Black Eyed Peas por uma de suas vítimas. A cantora Lady Gaga também é lembrada entre as sátiras da comédia, que deve estrear nos Estados Unidos em 18 de agosto.

Segundo o site FilmeB, a comédia deve chegar aos cinemas em 1º de outubro.

Fonte: http://migre.me/ViQh

13
jun
10

“Amanhecer”, último filme da série “Twilight” será lançado em duas partes

Assim como foi anunciado que acontecerá com o último livro de Harry Potter, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, dividido em duas partes na telona, o mesmo ocorrerá com a série vamp teen mais comentada da atualidade.

No último dia 10 a produtora Summit declarou oficialmente aquilo que já vinha sendo especulado por jornalistas e fãs da série Twilight. O fim da saga vampiresca de Stephenie Meyer, “Amanhecer” será dividido em duas partes. A primeira com data prevista para o dia 18 de novembro de 2011, mas ainda sem data para a segunda parte. A produtora divulgou apenas que será lançado no ano de 2012.

Já se tem a confirmação no elenco por parte de Kristen Stewart (Bella Swan), Robert Pattinson (Edward Cullen) e Taylor Lautner (Jacob Black), assim como Peter Facinelli (Dr. Carlisle Cullen), Nikki Reed (Rosalie Hale), Ashley Greene (Alice Cullen) e Kellan Lutz (Emmet Cullen). No entanto, ainda não confirmaram presença nem Dakota Fanning (Jane) nem Michael Sheen (Aro Volturi). O que se confirmando a ausência de Dakota Fanning é uma pena, pois, na minha opinião, ela é uma das maiores e melhores atrizes da sua geração.

Não sei muito bem como encaro essa notícia, afinal, dos quatro livros, “Amanhecer” para mim é que tem mais embromação e acontecimentos mais bizarros. E isso é uma opinião muito comum entre as pessoas da minha geração que acompanham a trajetória de Bella, Edward e Jacob. Pois o que eu mais queria que fosse evitado no filme são as intermináveis páginas com o sofrimento de Bella na sua gravidez “indesejada” (não por ela, lógico) na esperança que todo o livro acontecesse em apenas um filme. Mas com essa agora de o filme acontecer em duas partes, tenho a sensação e a impressão de que ficarei meio entediada na sala do cinema.

A pergunta que não quer calar é: em que parte exatamente será que o primeiro filme encerará a história? Isso ainda nem a roteirista Melissa Rosenberg sabe dizer…O jeito é mesmo aguardar para ver.

PS: Em relação a escolha da foto – Desde que conheci “Twilight” imaginava que Bella fosse terminar a história ao lado de Edward, mas sempre torci por Jacob, indo de encontro à opinião geral. Mas bem que as pessoas ficaram mais simpáticas ao jovem lobisomem após a monstruosa transformação de Taylor Lautner… tsc tsc risos!

12
jun
10

Feliz refém dos vampiros

Não é por nada não, mas quando vi noticias sobre o lançamento do livro “A Breve Segunda Vida de Bree Tanner” (pelo amor de Deus, quem é Bree Tanner?) de Stephenie Meyer, fiquei muito desconfiada. Twilight já é um sucesso, best seller, ganhou versão para a telona, virou HQ, deu muita grana para a autora e os atores que representam as personagens, para que mais essa história? Um livro curto, uma história paralela… fico pensando que é apenas para ganhar mais dinheiro. Como sempre acontece em uma coleção de sucesso, como “Harry Potter”, por exemplo. A quantidade de outras obras que surgiram para se aproveitar da história do bruxinho foi incrível, até mesmo livros explicando como funciona o quadribol e os animais mágicos estranhos que fazem parte do universo mágico de Harry.

Não gosto desse tipo de coisa, mas enfim, é o mundo capitalista em que vivemos e os fãs que são fãs, com certeza, vão comprar esse tipo de obra, porque tudo que tiver referência a Twilight vai atrair o leitor modelo.

Quando vi o livro fiquei na dúvida se comprava ou não. Apesar de não gostar desses livros que querem apenas vender, eu sou curiosa, então peco ai. Ainda não comprei o livro, mas vamos ver se resolvo comprar e volto para dar a minha opinião sobre a história.

Feliz refém dos vampiros

Autora da série best-seller Crepúsculo, Stephenie Meyer volta ao mesmo universo para contar uma parte da história da perspectiva de um ser do mal. Ou, mais precisamente, de um ser mal orientado

Jerônimo Teixeira

VEIA ROMÂNTICA
Stephenie Meyer, a estilista:
“Seus dentes brilhavam sob
a luz de um poste”

Stephenie Meyer não gosta de vampiros. Nunca foi fã de Bram Stoker, o autor de Drácula, e não vê filmes de terror (até porque estes não se coadunam com os ditames de sua fé mórmon). No entanto, a escritora americana é a criadora da saga Crepúsculo, cujos quatro títulos já venderam mais de 80 milhões de exemplares no mundo e deram início a uma nova voga de filmes e livros de vampiros. A ideia de escrever uma série sobre sugadores de sangue adolescentes que exercem a escolha moral de não matar humanos teria surgido em um sonho. “Não escolhi os vampiros. Eles me escolheram”, declarou Stephenie em uma entrevista a VEJA, há dois anos. É um problema quando essas criaturas escolhem alguém: não largam mais. Stephenie tentou a mão em um romance de ficção científica, A Hospedeira, sem a mesma repercussão. No Brasil, vendeu cerca de 140 000 exemplares, número para lá de expressivo – mas que nem de longe se equipara às cifras de Crepúsculo, com 4,5 milhões de volumes comercializados no país. Agora, às vésperas do lançamento do filme Eclipse, baseado no terceiro livro da série, Stephenie volta ao mesmo universo com A Breve Segunda Vida de Bree Tanner (tradução de Débora Isidoro; Intrínseca; 192 páginas; 24,90 reais).

Lançado no Brasil nesta semana – juntamente com a edição americana –, o novo romance é, muito oportunamente, um desdobramento de Eclipse, o episódio que está chegando aos cinemas. Nesse livro, a vampira Bree Tanner era uma personagem secundária na luta épica dos Cullen – o clã de vampiros do bem – contra a malévola Victoria. A tetralogia Crepúsculo é toda narrada em primeira pessoa por Bella, a romântica humana que se apaixona pelo charmoso dentuço Edward Cullen. Bree Tanner, na aparência, constituiria um lance mais ousado: a mesma história (ou uma pequena parte dela) narrada do ponto de vista de uma criatura do mal, uma vampira que não tem escrúpulos em matar pessoas para se alimentar. Mas Bree, no final, não é tão perversa. A coitadinha é só uma vítima das más companhias.

O apelo da série original junto ao público adolescente está no seu romantismo gótico, com a moça determinada mas inocente (virgem, inclusive) que se apaixona irremediavelmente por um rapaz sensível e meio mórbido – mas dotado de força sobre-humana. A fórmula é repetida em Bree Tanner, com um quase namoro entre a protagonista e outro vampiro, Diego. As cenas de ação são meio canhestras mesmo para os padrões fantasiosos desse tipo de literatura, a expressão de emoções é simplória (volta e meia aparece um personagem que “franze a testa”) e o texto traz frases desengonçadas (“seus dentes brilharam sob a luz de um poste”). Isso deve importar pouco para um público adolescente que deseja doses iguais de açúcar e sangue. Stephenie Meyer encontrou um rico veio (ou será uma veia?) romântico. É uma feliz prisioneira dos vampiros

Fonte:  http://migre.me/NYcP

12
maio
10

Disputa salarial adia anúncio do filme “Crepúsculo 5”

Matéria extraída do site http://migreme.net/8ff

 

Da Reuters

O estúdio responsável pela franquia de filmes “Crepúsculo” está trabalhando arduamente para fechar os acordos com atores necessários para dividir o quarto livro da série de vampiros da autora Stephenie Meyer em dois filmes.

Mas um obstáculo improvável está adiando o anúncio e pode até levar a mudanças no elenco do filme final da série.

A Summit Entertainment está perto de fechar contratos com os protagonistas Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner, que receberão aumentos polpudos para retornar para um quinto filme da saga.

O diretor Bill Condon já foi contratado para fazer dois filmes “Amanhecer”, a serem rodados consecutivamente no outono no hemisfério norte e lançados respectivamente em novembro de 2011 e no verão de 2012 no hemisfério norte.

Mas a Summit está tendo mais dificuldade em fechar com alguns dos atores coadjuvantes da série. Os contratos com Peter Facinelli (que representa Carlisle Cullen) e Billy Burke (o pai de Bella, Charlie Swan) já foram acertados, mas fontes dizem que os atores que fazem os jovens Cullen (especialmente Kellan Lutz e Ashley Greene) querem receber mais do que o estúdio está disposto a oferecer.

“É possível que um deles tenha que ser demitido para deixar as coisas claras”, disse uma fonte próxima das negociações.

Hoje, depois dos dois primeiros filmes da série, mesmo os atores coadjuvantes viraram astros valorizados; faz sentido que queiram receber mais pelo último filme. Mas, segundo as fontes, as ofertas da Summit – que teriam sido pelo menos 10 vezes maiores do que os valores que os atores receberam com o primeiro filme – foram considerados “insultantes”, em vista dos lucros enormes gerados pela franquia.

O estúdio tem razões para estar preocupado com custos, desta vez. Como é habitual com as franquias de sucesso, os filmes da série “Crepúsculo” estão ficando mais caros a cada novo capítulo.

Os atores principais vão se dar especialmente bem se “Amanhecer” for dividido em duas partes. Os três foram contratados originalmente para fazer três filmes (isso na época em que “Crepúsculo” não passava de adaptação feita com orçamento pequeno de um romance de nicho para adultos jovens), mas, na primavera de 2009 no hemisfério norte, depois de o primeiro filme ter feito sucesso internacional, eles renegociaram seus contratos, para que o estúdio pudesse conservá-los para o quarto filme.

Então o estúdio percebeu que “Amanhecer”, com mais de 900 páginas e narrativas relatadas desde duas perspectivas, era suficientemente denso para ser dividido em duas partes (como a Warner Bros. anunciou que fará com o último “Harry Potter”). Havia só um problema: o elenco não tinha contrato para fazer um quinto filme. Agora seus integrantes são todos grandes astros, tendo Lautner, em particular, elevado seu preço para cerca de 7,5 milhões de dólares por filme. Assim, uma nova negociação começou.

Os gastos adicionais com os protagonistas tornarão o último filme muito mais caro que os primeiros (“Eclipse”, que chega aos cinemas em 30 de junho, está custando cerca de 65 milhões de dólares, valor que certamente será superado pelo quarto e quinto filmes, mesmo que seja possível reduzir os custos, rodando os dois filmes ao mesmo tempo). Por essa razão o estúdio ainda não abandonou a possibilidade de fazer apenas um “Amanhecer”, embora várias fontes dizem que ficarão muito surpresas se não houver um quinto filme da série.

20
abr
10

Em fase de crescimento

Matéria publicada no jornal A Tarde no Caderno 2, no dia 03 de Abril de 2010. Matéria na capa e nas páginas 4 e 5.

 

Em fase de crescimento

 

Infanto juvenil Incerteza e descaminhos marcam a literatura feita para crianças e adolescentes, 200 anos depois de Hans Christian Andersen inaugurar o gênero.

 

Emanuella Sombra

A infância pobre deu ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen a oportunidade de falar sobre os contrastes da sociedade em que vivia. Sua primeira obra infantil, lançada entre os anos de 1835 e 1842, foram seis volumes de contos para crianças, público que ele acolheu até 1872. Foram 156 histórias, confrontos entre poderosos e desprotegidos, fortes e fracos, ricos e pobres. Algumas se tornaram célebres, como “Soldadinho de Chumbo”, “A Pequena Sereia” e “Os Sapatinhos Vermelhos”.

“A partir de Andersen se criou um novo espaço de produção, escrever para criança, ter um mercado específico para este público, afirma Regina Dalcastagré, especialista em narrativa brasileira contemporânea e professora da Universidade de Brasília (UnB). Passados mais de 200 anos de seu nascimento, falar em literatura infanto-juvenil no Brasil é tratar de um público leitor expressivo e de um mercado que, embora em crescimento, ainda é restrito.

Mesmo correspondendo à faixa etária que mais lê, crianças e adolescentes têm acesso a poucos títulos adequados a sua idade. Seja a contos de fadas reeditados, clássicos adaptados para uma linguagem específica ou romances contemporâneos. A qualidade do que é lido oscila, e os personagens representadas não respeitam a diversidade dos leitores. “Por outro lado, as paródias dos filmes e até de outros livros vêm contribuindo para que as crianças conheçam os clássicos, e isso é positivo”.

 

 

Literatura

 

Mercado Quantidade e qualidade ainda são problemas do gênero infanto-juvenil.

 

Poucos livros para enorme público consumidor

 

Emanuella Sombra

 

Muito antes de as brasileiras Lygia Bojuga e Ana Maria Machado ganharem o prêmio Hans Christian Andersen de literatura, considerado o Nobel na categoria infanto-juvenil, nascia o escritor homenageado. Mais precisamente, no dia 2 de abril de 1805. considerado por muitos o precursor de uma linguagem direcionada para crianças e adolescentes, o autor de “O Patinho Feio” e “A roupa nova do imperador” inaugurou um gênero. Mais que isso, uma data.

Por causa de Christian Andersen, 2 de abril tornou-se o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Coincidência ou não, é na primeira fase da vida que o leitor brasileiro mais se dedica às páginas de ficção. Última pesquisa divulgada pelo Instituto Pró-Livro, “Retratos de leitura no Brasil”, revela que 50% dos considerados leitores – entrevistados que disseram ter lido pelo menos uma obra nos últimos três meses – estão em idade escolar.

Mais que isso: leram títulos indicados pelo professor e tem em Monteiro Lobato o escritor mais admirado, à frente de nomes como Graciliano Ramos, Luís Fernando Veríssimo e Clarisse Lispector. O resultado da pesquisa supõe um mercado editorial que atende a este público, tanto em variedade como em qualidade dos lançamentos. Mas os números dizem o contrário. Nas prateleiras das livrarias e lojas virtuais, livros para crianças e adolescentes são uma minoria.

 

De um total de 51 mil títulos lançados no País, apenas 6 mil eram destinadas ao público infanto-juvenil

 

Poucos títulos

 

Outra pesquisa, encomendada pela Câmara Brasileira do Livro à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), reserva à literatura infanto-juvenil uma fatia modesta no universo de títulos lançados no mercado. De acordo com “Produção e venda no setor editorial brasileiro”, publicada em 2009, apenas 12,5 da distribuição de obras do ano anterior correspondiam às literaturas infantil ou juvenil. Significa dizer que, de um total de 51 mil títulos, apenas 6 mil eram infanto-juvenis. “Nos últimos dez anos o crescimento do mercado editorial infanto-juvenil é inegável. O governo começou a comprar literatura assim como já vinha fazendo com os didáticos”, contraria Ceciliany Alves, editora de literatura e projetos especiais da FTD. De fato, ela tem razão. Mesmo pequeno, o percentual de publicações do gênero cresceu 23% entre os anos de 2007 e 2008. somente a FTD entra com aproximadamente 50 títulos lançados por ano, 70% deles escritos por autores nacionais.

 

Leitora de “novidades” como “Harry Potter” e de clássicos como Andersen, Tatiana Belinky defende a escolha pela qualidade

 

Segundo a editora, paralelo aos best sellers, clássicos continuam tendo boa aceitação. “Se as crianças ficam numa fila para comprar “Harry Potter” (da escritora J. K. Rowling), isso é fruto de um mercado editorial, de um processo de formação que se desenvolve na escola”. O selo “Grandes Clássicos para jovens leitores”, lançado pela FTD este ano, reflete sua opinião. “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, e “O Mágico de Oz”, de L. Frank Baum, são dois dos lançamentos.

 

Sem diversidade

 

Diante de um público de leitores em formação expressivo, resta a pergunta: o que eles estão lendo? Resultado de uma tese de mestrado da Universidade de Brasileira (UnB), um estudo avaliou que tipo de romances infanto-juvenis são escolhidos pelo governo federal para habitar as bibliotecas das escolas públicas.

O resultado coincidiu em suspeitas anteriores. Apesar de bons títulos selecionados, os livros não respeitam a diversidade sociocultural do País.

Especialista em narrativa brasileira contemporânea e professora da UnB, Regina Dalcastagné considera que, mesmo nos clássicos da literatura nacional, passagens com afirmações preconceituosas e relações do gênero “complicados” põe em xeque a utilidade pedagógica das narrativas. “Em Monteiro Lobato, por exemplo, a Tia Anastácia é apresentada como ‘negra de estimação’. A Emília faz uma apresentação dela em que a coloca como uma negra de alma branca”.

 

 

Racismo

 

Para a pesquisadora, ícones da literatura mundial também reproduzem visões de mundo preconceituosas. “Alguns livros legitimam comportamentos que não são positivos para ninguém, e a criança pode não perceber isso. Hoje mesmo eu estava lendo “Timtim” (série de quadrinhos do belga Georges Prosper Remi) com meu filho e há um episódio em que o protagonista vai ao Congo. Lá ele é tido como Deus, enquanto os nativos são burros, abobalhados. É muito racista”.

Leitora de “novidades” como o próprio “Harry Potter” e amante de clássicos como Andersen, aos 91 anos, a escritora Tatiana Belinky defende a escolha pela qualidade, independentemente da pedagogia utilizada. “Há muita coisa boa no mercado e há muita coisa medíocre. Gosto daqueles que têm senso de humor, ética, emoção, que estimulam não só a leitura, mas o pensamento”. Nascida na Rússia, veio para o Brasil aos dez anos, onde escreveu os clássicos “Coral dos Bichos” e “Limeriques”.

Aqui, passou a admirar escritores como José de Alencar e Machado de Assis, mas critica o emprego destes na idade escolar. Também aqueles que reduzem o vocabulário e simplificam as idéias ao falar com os pequenos. “Quando o livro quer ser muito infanto-juvenil ele se prejudica, nivela por baixo. Ou quando é didático demais, moralista. Literatura e poesia são formas de liberdade, não foram feitas para educar. Dar possibilidade à criança, expor ela aos livros, é a melhor opção.

 

Séculos V ao XV

 

Violência e ensinamentos edificantes

 

A Idade Média é marcada por valores baseados na hierarquia social. A lei do mais forte e a transmissão de ensinamentos edificantes são retratados nos contos de fadas, em que a violência com mulheres e crianças é constante. Coleção de lendas originárias do Oriente Médio e do Sul da Ásia, “As Mil e Umas Noites” é narrada a partir da rainha Sherazade, que, para não ser morta, a cada noite conta uma história maravilhosa ao rei Xariar, que, costumava matar suas noivas após desposá-las.

 

 

Séculos XV e XVI

 

Um pequeno adulto

 

É durante o Renascimento que a produção de valores da nova classe dominante, a burguesia, ganha força. A visão de mundo deixa de ser teocêntrica (a religião como centro) e as narrativas das antigas tradições orais são reescritas e adaptadas com intenções pedagógicas. A criança é concebida como um adulto em miniatura, é afastada do convívio familiar e introduzida nos colégios. Em seus “Ensaios”, Montaigne analisa as instituições, as opiniões e os costumes de época.

 

 

Séculos XVII e XVIII

 

A infância é um valor

 

No fim do século XVII se efetiva uma produção literária com características infanto-juvenis. A infância é valorizada e a criança é vista como um bem precioso. A literatura prepara os jovens para o convívio social e lhes proporciona valores éticos e intelectuais. As “Fábulas de La Fontaine” – carregadas de ironia e ensinamentos morais – contam histórias de animais a partir de uma linguagem simples e atraente. “As aventuras de Robinson Crusoé”, de Daniel Defoe, simboliza a luta do homem contra a natureza: Crusoé é um náufrago que passa 28 anos sozinho até encontrar a personagem Sexta-Feira.

 

 

Século XIX

 

Mais humano

 

A linha fantástico maravilhosa produz narrativas de fundo folclórico e surrealista por meio de livros como “Alice no País das Maravilhas” e “Alice através do espelho”, de Lewis Carroll. Os contos dos Irmãos Grimm” dão um sentido mais humanitário e menos violento às histórias da época medieval, transmitindo sempre uma “moral da história”. Os princípios da fraternidade e da generosidade humana são destacados por Hans Christian Andersen, pioneiro no texto adaptado para crianças.

 

 

Século XX

 

Desafiando convenções

 

A produção infanto-juvenil reencontra as fábulas em clássicos como “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint- Exupéry, e desafia o estilo de vida burguês, com “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger. O livro chegou a ser acusado de incitar o lado diabólico das pessoas depois que o assassino de John Lennon confessou ter se inspirado na obra para cometer o crime. No Brasil, Monteiro Lobato rompe com as convenções estereotipadas dos livros voltados às crianças.

 

 

Século XXI

 

Em vários volumes

 

Entram em cena os best sellers narrados em vários volumes, como a saga do bruxo “Harry Potter”, da escritora inglesa J. K. Rowling, que preserva os valores de fábulas clássicas, como a coragem e a integridade. Todos os sete volumes são adaptados para o cinema. A romancista Stephenie Meyer, com títulos voltados ao público juvenil, investe num enredo que mistura vampiros, inseguranças da adolescência e amores impossíveis. O primeiro volume, “Crepúsculo”, é a gênese da saga “Twilight”, febre entre adolescentes de todo Ocidente e também adaptada para o cinema.

 

 

Entrevista

 

Leda Cláudia da Silva

 

Personagens são homens broncos de classe média

 

Emanuella Sombra

 

Mestre em literatura infanto-juvenil pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Literatura Brasileira, Leda Cláudia da Silva concluiu em 2008 um estudo ousado: a partir de 53 títulos, descobrir quem são as personagens dos livros infantis e juvenis escritos por autores nacionais. Mais especificamente, quem são os mocinhos, heróis e bandidos que habitam as obras selecionadas pelo Governo Federal para ocupar as prateleiras das escolas públicas. O resultado foram várias radiografias semelhantes, que resultam num único estereótipo.

 

O que é a sua pesquisa?

 

Inicialmente eu peguei a lista de 300 obras do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), de 2005, e fiz um recorte. Estudei apenas as narrativas literárias brasileiras, especificamente contos produzidos a partir dos anos 70. cheguei a 53 livros e 149 personagens. Meu objetivo era analisar estes personagens.

 

E o que a senhora concluiu?

 

Observei algo que a gente tinha noção mais ainda não havia comprovado em pesquisa: a maioria dos personagens são adultos, homens brancos e de classe média. Coincidentemente, grande parte das obras foi publicada em 2005 (a lista do PNBE foi composta naquele ano para os livros serem adquiridos e distribuídos em 2006). Havia coisas de extrema qualidade no texto e na forma, e coisas muito ruins. De maneira geral, foi uma seleção boa em termos de enredo e tratamento gráfico, mas o personagem tinha um perfil que continua sendo reproduzido, inclusive com relação ao gênero. Os femininos estão num espaço privado, dentro do círculo familiar, das relações amorosas, enquanto os masculinos se envolvem em histórias de aventura e de conquista.

 

A senhora pesquisou o ano de 2005. de lá para cá, é possível dizer se houve mudanças?

 

Eu não saberia dizer. Como todo ano existe uma nova seleção, eles procuram o que há de novo. Há clássicos mas há uma grande quantidade de obras atuais.

 

A partir da sua pesquisa é possível dizer que não há diversidade de personagens. Eles obedecem um padrão social e racial.

 

Proporcionalmente não há, mas é possível encontrar títulos bons como “Amanhecer Esmeralda”, de Ferréz, em que o personagem principal é uma menina negra e pobre. Mas ainda é muito pouco.

 

Em termos de qualidade, o que mais lhe chamou atenção?

 

Monteiro Lobato e Roger Melo (vencedor do prêmio suíço Espace – enfants e do brasileiro Jabuti, em 2002 e indicado ao dinamarquês Hans Christian Andersen deste ano) são os que mais aparecem. O governo está dando uma peneirada muito boa, esta questão das personagens é específica e não se resolve de uma hora para outra. Em se tratando de temática, um livro que achei interessante foi o de Sandra Branco, “Porque meninos tem pés grandes e meninas tem pés pequenos”, que desconstroi estereótipos.

 

Percy Jackson volta sério e divertido

Logo que entreou no cinema, o primeiro capítulo da série “Percy Jackson e os Olimpianos” despertou comparações com “Harry Potter”. O lançamento de “A Batalha do Labirinto”, quarto livro da série, afasta ainda mais as duas obras. Rick Riordan, criador do garoto que descobre que a mitologia grega é real e que seu pai é um deles, é mais direto, sem parecer mecânico. Escreve com agilidade e economia. Sua trama tem mistérios e temas sérios, como em Harry, mas o tratamento é menos carregado. O sarcasmo de Percy e a coleção de seres fantásticos divertem, sem nunca cansar.

 

Suzy Lee lança novo livro sem palavras

É difícil encontrar palavras para falar dos livros de Suzy Lee. Até porque ela não costuma usá-las. Em “Espelho”, que acaba de ser lançado pela Cosac Naify, uma garota descobre as possibilidades lúdicas do seu próprio reflexo. Em páginas espelhadas, a garota dana e faz poses, em um processo sutil de descoberta de si mesma. A descoberta também é um dos temas de sua obra-prima, “Onda”, lançado pela mesma editora, que mostra uma garota brincando à beira-mar. Nos dois livros, Lee extrai de situações cotidianas força e beleza, que envolvem leitor e personagem.

 

O vasto catálogo de Cosac Naify

“Onde vivem os monstros”, de Maurice Sendak, e “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, são dois dos mais de 200 títulos infanto-juvenis da editora, entre autores nacionais e estrangeiros.

7,2% é o percentual da participação de títulos do gênero infanto-juvenil no número de exemplares distribuídos no mercado literário brasileiro de 2008.

6.409 é o número de títulos do gênero lançados em 2008, representando crescimento de 23,3% no segmento editorial para jovens e adolescentes. Em 2007, foram publicados 5.202 títulos.

 

Brigando feito gente grande

No ranking da Veja dos mais vendidos na categoria ficção (atualizado no site da revista no dia 2 de abril), infanto-juvenis competem em pé de igualdade com “adultos”. Rick Riordan aparece em segundo lugar com “O Ladrão de Raios, em quarto, com “O Mar de Monstros”, e em sexto, com “A Batalha do Labirinto”. A autora da saga “Crepúsculo”, Stephenie Meyer aparece em quinto, com “Amanhecer”, e em décimo, com “Eclipse”. Duas edições de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, da Zahar e da Cosac Naify, aparecem em nona e décima-nona colocações.

 




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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