Posts Tagged ‘Violet Baudelaire

29
dez
09

Desventuras em Série – O Fim

Após conhecermos Violet, Klaus e Sunny Baudelaire nos apaixonados pelas suas desventuras, nos divertimos com as fugas insanas do maléfico Conde Olaf, nos apiedamos da perda dos seus pais, nos emocionamos com a união deles, mesmo nos piores e mais difíceis momentos e nos enchemos de esperanças para que o escritor estivesse finalmente errado e eles pudessem ter um final feliz. Agora chegou a hora “O Fim” é o último livro da série “Desventuras em Série”, escrita pelo autor Lemony Snicket.

Ainda neste livro vamos acompanhar mais uma perseguição do Conde Olaf pela sua busca desenfreada e ambiciosa pela herança dos jovens Baudelaire.

Os órfãos conseguiram escapar ilesos e em segurança (só resta saber até que ponto estar ao lado de Olaf pode ser considerado para as crianças estar em segurança) do incêndio que acometera o Hotel Desenlace em um barco com o primeiro tutor, o maquiavélico conde. No entanto, eles ficar a deriva perdidos em alto mar.

Se já não bastasse todas as aventuras desafortunadas das crianças, eles acabam sendo atingidos por uma tempestade que os arrasta até uma praia. Lá eles reparam que o local trata-se de uma ilha habitada por ovelhas e pessoas habitantes com hábitos e costumes bastante estranhos, a primeira vista.

As crianças abaladas e meio inconsciente após o naufrágio acabam sendo encontrados por uma das habitantes da ilha, uma criança chamada Sexta-Feira. Os órfãos acabam se aproximando dela e a menina consegue perceber rapidamente a pessoa má e mesquinha que é Olaf e decide abandoná-lo em uma plataforma costeira que em poucos dias seria inundada.

Os ilhéus decidem admitir a estadia e morada das crianças na ilha deles. No entanto, ao serem aceitos, eles deveriam exercer funções que todos os demais também exerciam. Com isso, os Baudelaire não ficam muito felizes e satisfeitos com a vida que estavam levando lá. Para surpresa de todos, agitando a vida pacata dos habitantes da ilha, uma balsa feita toda de livros atraca na ilha e dentro dela se encontrava Kit Snicket, bastante atordoada e confusa.

Após ser encontrada depois do seu naufrágio, o líder dos ilhéus, Ishmael, decide que Kit não deveria ser aceita na ilha, optando por abandoná-la e também decide prende o conde em uma gaiola pois ele fingira mais uma vez ser Kit, usando um dos seus diversos disfarces ridículos. Com a diferença que dessa vez ele fora desmascarado antes de aprontar muitas e muitas das dele.

Ishmael toma uma decisão drástica: abandonar os órfãos à própria sorte. Isso porque, como o hábito da ilha era ninguém ter direito a ter nada próprio, sendo compartilhado e entregue ao líder, os órfãos escondem seus pertences mais preciosos, violando assim, a regra primeira e básica para ser aceito como morador do local. Violet esconde sua fita que sempre usara quando precisava realizar algum invento. Klaus omite a existência do seu precioso e necessário livro de lugar-comum e Sunny não revelara possuir o seu batedor que era essencial para exercer as suas artes culinárias. Com receio de que fossem atirados para as ovelhas, os meninos optam por levá-los para o outro lado da ilha, além da escarpa.

Após serem abandonados, Finn e Erewhon, dois amigos dos órfãos, procuram por eles e lhes informa que o grupo de ilhéus pretendem fazer um motim para derrubar o líder Ishmael e convida a eles para participarem, sugerindo que eles consigam encontrar uma arma para a realização do motim.As crianças ficam com muito receio desse motim e, principalmente de participar dele. Tinham medo, inclusive, de provocar uma cisão no grupo.

Os Baudelaire acabam descobrindo um arvoredo em cima de uma macieira muito grande que era o local utilizado pelo líder ilhéu para prever as tempestades com um periscópio. Os meninos o observam à distância e notam que lá Ishmael, secretamente, preparava refeições muito melhores do que as refeições diárias distribuídas aos outros moradores da ilha. Ainda desfrutava de outros prazeres irrestritos aos demais, como ler e escrever capítulos do livro “Desventuras em Série”, contendo relatos de todos os náufragos que chegaram à ilha, incluindo os pais dos Baudelaire.

Ishmael acaba encontrando os meninos no espaço ocultos que eles estavam utilizando como observatório e acaba lhes revelando toda a história da ilha. Até mesmo como conseguia convencer a todos os náufragos aceitos para habitar o local, a jogar o que possuíam e encontravam no arvoredo. O líder revela que utilizava o cordial de côco, uma bebida nativa que de certa forma drogava as pessoas.

Na manhã do dia seguinte haveria a inundação da plataforma, marcando o início do motim. No meio da confusão, Olaf é atingido e ferido com o lançador de arpão (será um castigo imposto pelo autor por ele ter sido, de certa forma, o causador do ferimento de Dewey com o mesmo tipo de arma no saguão do Hotel Desenlace?). O conde mostra e prova o quanto é maléfico até mesmo em momentos críticos em que sua vida corre perigo. Ao ser atingido por Ishmael com o arpão, Olaf liberta o Micélio Medusóide (o cogumelo venenoso que ele guardara uma amostra nas aventuras “A Gruta Gorgônea”),  que ele mantinha escondido em um capacete.

A destruição fora lançada, pois todos na ilha acabam sendo infectados, mas as crianças após lerem “Desventuras em Série” acabam descobrindo que as maçãs da ilha tem uma substância especial que deixa o efeito do veneno do cogumelo mais ralo, a raiz-forte. Os meninos parecem ter descoberto a solução para o problema, principalmente porque vão contar com uma ajuda muito especial: a Víbora Incrivelmente Mortífera. Ela chegara à ilha juntamente com Kit Snicket no barco todo feito de livros. A víbora ajuda às crianças a pegarem os frutos da macieira para neutralizar a atuação do veneno do cogumelo.

Mas todo o esforço dos meninos parece estar sendo em vão, pois quando oferecem os frutos aos ilhéus, eles preferem não dar ouvidos às crianças e partem do local. Parece cruel o fato de os leitores sentirem alívio ao que acontece a seguir, mas finalmente o Conde Olaf fora neutralizado, devido as complicações nos ferimentos provocados pelo arpão. Mas, como desgraça pouca é bobagem, se não bastasse todas as perdas dos meninos desde o começo de todas as suas desventuras, é a vez deles perderem Kit Snicket, que desde que fora abandonada por Ishmael, estando grávida acabara perdendo a vida após o parto.

Sabendo bem como é a sensação de se tornar órfãos, os meninos assumem a responsabilidade de cuidar da filha de Kit que se parecia muito com a falecida mãe. Eles continuaram vivendo na ilha, somente os quatro, mas após um ano, no momento em que a plataforma inundara novamente, eles decidem partir no barco Beatrice que fora batizado há muitos anos em homenagem à mãe dos Baudelaire.

Após 13 livros vivendo em situações limite, com perseguições implacáveis e cruéis feitas pelo Conde Olaf, tendo perdido muitas pessoas queridas e, muitas vezes, mesmo tão jovens, precisaram cuidar uns dos outros para viverem juntos, unidos e com certa paz em meio a turbilhões de acontecimentos, os leitores torcem para que enfim, tudo agora possa dar certo na vida dos jovens órfãos e eles possam ser felizes. Principalmente agora que algo novo acontecera na vida deles, ao ter que cuidar e se responsabilizar por mais uma criança inocente que tivera tirada de sua vida seu bem mais preciso: a família. E família é agora mais do que nunca o que eles quatro juntos formam.

No entanto, como a própria ilustração final do livro (uma interrogação) o leitor fecha o último volume da série com uma interrogação na cabeça. Já que nada é muito esclarecido e muitas dúvidas ainda existem. Não sei se por estar sentindo falta da companhia literária dos meninos (sim tenho depressão pós-livro), ou diante de tantos mistérios ainda presentes, cheguei a pensar que mais um volume poderia vir após “O Fim” (acho que na verdade desejei muito que isso acontecesse). Mas tinha consciência que não poderia, pois senão seria uma coleção de livros sem fim, afinal o que mais poderia acontecer com as crianças? Muitas coisas e, o pior, coisas nada boas, como aconteceram durante toda a série com os Baudelaire. Então que fiquemos com as nossas interrogações. Afinal “O Fim” pode ser qualquer um. O meu fim para eles seria algo muito bom para compensar todo o sofrimento vivido. O que importa é que são livros muito legais e super recomendo para todos os leitores, de todas as idades (pelo menos aqueles que gostam de histórias para crianças e jovens adultos).

20
out
07

Desventuras em Série – Mau Começo

desventuras.jpg

O Universo Literário, a partir de hoje, traz uma seqüência de posts sobre as desventuras vividas por três adoráveis e azarados órfãos. A dica de leitura é sobre um não, mas treze livros, “Desventuras em Série”.

O primeiro livro das “Desventuras em Série” – “Mau Começo” conta a história de Violet Baudelaire (uma adolescente de 14 anos que tem um dom muito especial: é uma inventora que sempre quando quer ter novas idéias amarra uma fita no cabelo para a franja não cair nos olhos e atrapalhar seus pensamentos).

Klaus Baudelaire (um garotinho de 12 anos que apesar da pouca idade já leu mais livros que eu e você juntos e sempre quando começa suas pesquisas limpa os óculos e aperta os olhinhos para refletir melhor).

Sunny Baudelaire (um bebe que ainda não anda, só tem 4 dentes e fala de um jeito especial e os únicos capazes de entendê-la são seus dois irmãos e sua atividade favorita é morder).

Os Baudelaire são três crianças que viviam vidas normais com seus pais em uma mansão, porém em um fatídico dia em que eles resolvem ir à praia (Praia de Sal) para um passeio, recebem a notícia por Sr. Poe, um banqueiro amigo da família, que um incêndio ocorrera em sua casa e matara seus pais.

Desolados e sem saber o que fazer, as três crianças ficaram sob os cuidados do Sr. Poe, que inclusive controlam a herança dos meninos. Mas a temporada em que eles passam com o Sr. Poe não é muito fácil e feliz. Os dois filhos do banqueiro parecem não gostar muito dos Baudelaire e demonstram isso. Eles, por outro lado, não gostam do cheiro da casa em que estavam vivendo temporariamente. Mas o testamento dos falecidos pais Baudelaire determina que as crianças sejam criadas por um parente, mesmo que seja distante.

O Sr. Poe então encaminha os órfãos para viverem com o único parente distante existente na família. As crianças nem conheciam e sequer sabiam da existência dessa pessoa.: o conde Olaf, uma criatura bem excêntrica que vive em uma casa literalmente caindo aos pedaços. Era verdadeiro vilão como nas histórias de super-heróis, uma criatura maquiavélica e interesseira. Olaf ao invés de cuidar das crianças maltrata os meninos, os obriga a realizar as tarefas domésticas e o seu único objetivo é se apoderar da enorme fortuna dos Baudelaire. E ele não medirá esforços para conseguir o que almeja. Conta com o apoio de uma turma da pesada e submete as crianças a situações nunca imaginadas por elas e também por alguns leitores. Olaf será tão presente nas nossas vidas quanto nas vidas de Violet, Klaus e da pequenina Sunny. Iremos conviver com esse malfeitor de uma única sobrancelha e uma tatuagem de um olho em seu tornozelo esquerdo. Marca essa que estará presente nos piores pesadelos dos Baudelaire.

As crianças se cansam de serem maltratados e com os abusos do conde Olaf. Então procuram o Sr. Poe e contam ao que estavam sendo submetidos. Mas o Sr. Poe lhes dá a pior notícia: nada poderia ser feito, pois legalmente, Olaf tinha o mesmo poder que um pai tem sobre os filhos, o testamento do pai deles era o que determinava isso.

Como as crianças não tem direito a herança, ao menos que eles atinjam a maior idade ou ao menos que um deles seja emancipado ou através de um casamento, o conde tem uma idéia que ele pretende colocar em prática para poder enfim, colocar as suas mãos asquerosas na herança dos meninos. Olaf anuncia que fará uma peça, “O casamento maravilhoso”, o que deixa as crianças bem desconfiadas. Elas buscam então apoio e ajuda de uma vizinha simpática, a juíza Strauss. As crianças então descobrem o verdadeiro intuito do vilão. Quando jogam na cara dele o que ele pretende, Olaf não nega e ameaça os meninos: se eles não colaborarem irá jogar Sunny pela janela da torre da casa em que ela ela foi sequestrada e encontra-se está presa.

A peça na verdade é uma armação de Olaf. No roteiro consta que ele se casaria com Violet “de mentirinha”, mas na verdade ele planeja um casamento de verdade, para assim, tomar posse do dinheiro dos órfãos. Mas de boba Violet não tem nada. Ela na hora de assinar a certidão de casamento, assina com a mão esquerda, o que invalida o contrato, já que ela é destra, assim, ela estraga os planos do parente distante e interesseiro. Todos achavam que Olaf seria preso por ter mantido Sunny como prisioneira e finalmente, as crianças iriam viver felizes, em paz e em segurança. Mas no último instante, ele desliga as luzes do teatro e consegue fugir, não sem antes alardear para os pequenos Baudelaire que iria roubar a fortuna dos meninos e depois disso matá-los com as próprias mãos. A juíza Strauss tem tanto carinho pelas crianças que gostaria de adotá-las e cuidar para que elas cresçam em paz, mas o testamento dos pais dos meninos não permite isso, as crianças então são obrigadas a morar com um outro tutor.

Uma história triste, com raros momentos de alegria, porém muito interessante e criativa. “Desventuras em Série” é aquele tipo de livro em que não conseguimos fechar, que desejamos ler e ler até a última página como se fosse um longo e duradouro suspiro.

Para quem gosta de ver os filmes dos seus livros favoritos, vai uma dica: existe um filme feito baseado no livro, segue o trailer do filme “Desventuras em Série”.

 




Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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