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“Eu sou o mensageiro”, do jovem Markus Zusak, mistura suspense com lições de amadurecimento

Simplesmente amo quando passeio por livrarias e descubro um novo autor, principalmente se ele for de algum país onde a literatura é pouco conhecida por mim. E assim como aconteceu com Stieg Larsson, Carlos Ruiz Zafón e Mario Vargas Llosa, aconteceu com o australiano Markus Zusak.

O primeiro livro que conheci de Zusak foi o diferente e original “A Menina que Roubava Livros”. Gostei muito por conta da excentricidade de ser a Morte a narradora da história. Apesar de a própria Morte já ter se apresentado de forma ativa e marcante em “As Intermitências da Morte”, de outro autor que gosto muito, José Saramago. Quando vi em uma prateleira “Eu Sou o Mensageiro” nem pensei duas vezes em separar debaixo do braço. Após ler a sinopse, confirmei a compra.

Zusak é muito jovem, escreve bem, tem boas ideias, carrega consigo dois grandes livros, altos números de vendas, ótimas críticas, é sempre simpático ao lidar com fãs e a imprensa, ocupou as primeiras posições em top ten e já é um nome conhecido na literatura mundial em muitos países. Nada mal, não é mesmo?

Em “Eu Sou o Mensageiro”, apesar de ser um livro para jovens-adultos e adultos, vamos encontrar um enredo muito comum nas histórias infanto-juvenis: problemas familiares que impulsionam atitudes que mudarão a vida dos envolvidos. Narrado em primeira pessoa, conta a história de Ed Kennedy, um jovem taxista. Com apenas 19 anos, o garoto tem como companhia jovens sem a menor perspectiva de futuro e ele próprio se sente um fracasso, já que nunca conquistou nada que almejou.

Órfão de pai e tendo uma péssima relação com sua problemática mãe, Kennedy vai morar sozinho em uma humilde casinha alugada, tendo apenas como companhia o seu cão fedido, Porteiro. Para completar o cenário depressivo, o rapaz é inexperiente quando o assunto é romance e se apaixona por uma amiga, Audrey, uma garota que seria conhecida por nós como “fácil”, mas não dá a menor bola para ele, porque gosta dele de verdade.

Mas a vida monótona e chata de Ed vai mudar. Por um golpe de sorte, o garoto impede um assalto e alcança seus 15 minutos de fama, sendo considerado um herói na cidade em que mora. Coincidentemente, após o acontecido, ele passa a receber em sua caixa de correio, várias cartas de baralho. Juntamente com as cartas havia uma charada e um endereço. Inquieto com as misteriosas cartas de baralho, o garoto passa a ir aos endereços que eram recomendados.

Ed descobre que os moradores dos endereços eram pessoas totalmente desconhecidas e todas estavam passando por diferentes problemas: doenças, brigas, violência, solidão, viviam alguma situação perigosa, etc.

Sensibilizado, o jovem, mesmo sem saber quem mandava as cartas e qual era de fato a sua função, passou a ajudar essas pessoas estranhas. E as soluções que Ed encontra para resolver os problemas das pessoas são sensacionais e típicas de um garoto. E, justamente por isso, elas são incríveis, divertidas, controvertidas e curiosas.

O suspense sobre o autor do envio das cartas e das missões é inquietante para o garoto e também para os leitores. Mas o melhor de tudo, é que enfim Ed encontra o seu caminho, amadurece ao conviver com a dor e os problemas alheios, se mostra sensível e boa praça, tendo seu próprio valor ao ser um mensageiro.

E, assim como Ed, o leitor também vai amadurecer ou, no mínimo, aprender a se colocar no lugar do outro e tentar entender mais os demais seres humanos. O que é uma boa lição para todos nós em tempos de individualismo e intolerância de todos os tipos. Assim como Ed somos muitas vezes resmungões, apáticos e não percebemos como podemos influenciar de forma positiva tantas pessoas ao nosso redor. Para quem quer bons momentos de leitura e diversão, fica a dica!

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2 Responses to ““Eu sou o mensageiro”, do jovem Markus Zusak, mistura suspense com lições de amadurecimento”


  1. 1 Sandra Oliveira
    agosto 4, 2010 às 10:24 pm

    A capa não é tão atraente, mas acredito que o livro dever ser ótimo. A julgar pelo primeiro, A menina que roubava livros, que é maravilhoso, a gente sempre imagina que a qualidade se mantenha e aumente cada vez mais. E se você, expert no assunto, está dizendo, quem sou eu pra duvidar, não é? 😉

    beijos^^

  2. agosto 8, 2010 às 3:27 am

    Gostei tanto de ler esse livro… sabe, fiquei presa nele até terminar… Sou muito fã do Markus…

    bjus


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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