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Ayla, a apaixonante heroína da encantadora história sobre os Neandertais e os Cro-Magnons

A autora americana Jean M. Auel ficou mundialmente conhecida por escrever a coleção “Os Filhos da Terra”. Para tanto, foi necessário mais de uma década de extensa pesquisa bibliográfica com descrição de detalhes minuciosos e riquíssimos sobre a Era do Gelo, ocorrida há mais de 35 mil anos atrás.

Diante das pesquisas sobre a moradia, hábitos, vestimentas, formas de comunicação e costumes surgiu a ideia de escrever um romance sobre esse período fascinante na história dos primeiros humanóides.

E a personagem central e mais importante de “Os Filhos da Terra” é Ayla, uma garota/mulher que faz todos os leitores se apaixonarem por ela. Para mim ela é a representação máxima do que significa uma heroína em qualquer universo ficcional. Quando se conhece Ayla, não há chances para Mulher Maravilha, Mulher Gato, She-Ra, Sheena, Tempestade, todas As Panteras juntas ou qualquer outra que já habitou os sonhos e ficção de crianças e adultos.

A coleção “Os Filhos da Terra”, escrita nos anos 80, pensada e criada para ter seis volumes, tem cinco publicados: “Ayla, a Filha das Cavernas”, “O Vale dos Cavalos”, “Os Caçadores de Mamute”, “Planície de Passagem” e “O Abrigo de Pedras”. Um livro melhor e mais gostoso que o outro. Em cada um deles vamos conviver e conhecer Ayla mais profundamente, ao longo de toda sua vida.

No primeiro livro, somos apresentados a uma menininha Cro-Magnon de cinco anos, loirinha dos olhos azuis que perde os pais durante um terremoto e quase perdera a própria vida após um ataque mal sucedido de um leão. Depois disso não há como não perceber de imediato que essa garota teria um papel importantíssimo na história e esse fato, em especial, a irá marcar profundamente. Não pelo medo sentido ou pelos ferimentos que quase a levaram à morte. Mas pelas marcas físicas que a tornam, a partir daí, uma grande e poderosa guerreira (o que nunca é fácil, principalmente para uma pessoa do sexo feminino). Ayla, ferida, segue vagando sem destino e chamando pelos pais. Sub-nutrida e desidratada é encontrada por uma tribo de Neandertais. Mas inimiga declarados dos Cro-Magnons, a tribo segue adiante. No entanto, Iza, uma Neandertal curandeira, se sensibiliza e carrega a criança. Esse acontecimento vai provocar um verdadeiro estranhamento entre os membros da tribo e a criança. Mas Ayla é doce e sente uma incrível necessidade de agradar, o que facilita um pouco a sua vida na sua nova realidade. Os Cro-Magnons desenvolveram habilidades que os Neandertais não tinham capacidade, como a fala, mas tinham estruturas sociais parecidas em alguns aspectos e bem diferentes em outras. E isso fez com que Ayla, que fora criada se comunicando pela fala, passar a desenvolver a comunicação gestual e gutural e esquecendo, com o tempo, como se fala. Assim como Iza, os leitores se apaixonam pela linda menina órfã e sobrevivente que fora marcada por um leão e adotada por uma tribo que odiava tudo o que ela representava. São lindas as passagens de Ayla ao lado de Iza e de Creb, o Mog-ur (uma espécie de feiticeiro) da tribo. Estes são os dois seres que mais vão amar a menina e ensiná-la tudo o que ela precisa para se integrar a todos.

Em “O Vale dos Cavalos”, Ayla está com 14 anos e coisas terríveis aconteceram com ela. Expulsa da tribo, vamos acompanhar o que parece ser o triste destino de uma criança, mas que para os padrões da época, já era considerada uma jovem mulher. Ela não teria como sobreviver sozinha, levando na bagagem apenas algumas ferramentas de caça que ela criou, algumas mudas de roupa e uma angústia sem precedentes pelas pessoas que amava e teve que deixar para trás. Mas estamos falando de Ayla, a garota que enfrentou as arbitrariedades de um líder egoísta, que se recusou a seguir os padrões, mostrou habilidades incríveis como caçadora, que nunca desistiu de um dia conhecer o seu verdadeiro povo e que não se entregava facilmente diante das adversidades. E, sozinha, por três anos ela morou em um vale que ela denominou de vale dos cavalos, pois lá habitava lindos cavalos selvagens e foi lá também que ela conheceu Huin, uma égua que resgatou de uma armadilha que ela mesma armara durante uma de suas caças. Por mais estranho que pareça, Ayla salvou também um filhote de leão, chamado Neném que ela também criou, alimentou e desenvolveu uma relação de amizade indescritível. A forma como Auel descreve como era a relação que os nossos antepassados mantinham com a natureza ao seu redor é um primor. Mas após tantos anos vivendo sozinha, tendo como companhia apenas animais selvagens, a nossa heroína irá encontrar dois homens que são Cro-Magnons como ela. Ayla irá descobrir o amor, o sexo e reaprenderá a falar. Mais uma vez, a jovem precisará tomar uma decisão e fazer uma escolha que não será fácil, mas necessária.

Ayla deixa o vale dos cavalos para traz em “Os Caçadores de Mamute” e vai embora em busca da história do seu povo, acompanhada pelo homem com quem aprendeu as coisas simples da vida e a verdadeira felicidade. O livro é lindo, há descrições incríveis sobre a caça dos mamutes, feitas principalmente pela tribo dos Mamutoi. Tribo esta que se muito se assusta ao encontrar uma jovem que consegue domar e montar em um cavalo e é dona de uma beleza estonteante. Lá Ayla vai mostrar mais uma vez porque é a mais completa heroína da história do mundo ficcional, diante da sua capacidade de entender e se comunicar com um garoto que nascera fruto do mais pecaminoso tabu da época: filho de uma Neandertal com um Cro-Magnon. Ao ver como os Mamutoi sentem-se enojados por essa relação, Ayla precisa de muita força para esconder o seu passado ao lado da tribo que a criou, pois poderia ser rejeitada e era uma difícil tarefa para ela, pois crescera sem saber o que significava a mentira. Mas em momento nenhum ela se envergonhou ou deixou de amar a primeira família da qual se lembrava. É lá também que Ayla será tentada pelo amor de outro homem sedutor e terá que decidir entre dois homens fascinantes.

Após ter ficado dividida entre o amor de dois homens tão diferentes e que bem poderiam se completar em um só, diantes de tantas qualidades e talentos, Ayla enfim se decide e, com muita dor, decide deixar para trás o acampamento dos Mamutoi, tribo que a recebeu de braços abertos e a acolheu com muito amor. Mas ela precisava ir em busca da terra do homem que ama. “Planície de Passagem” representa a mais difícil jornada porque terá que passar Ayla e seu companheiro. Ainda mais porque agora a sua própria família cresceu, além de Huin, Neném (que às vezes aparecia para vê-la) e Racer, Ayla também ganhou um novo companheiro: Lobo, um filhote de lobo selvagem que ela resgatou e salvou da morte após a perda da mãe, criou e ama o lobinho como se fosse um filho. Da mesma forma como ele a ama incondicionalmente.  Curiosa a forma como Ayla observa a natureza e interage com ela sempre para protegê-la e tirar proveito sem prejudicar. Por mais estranho que fosse o “bando” de Ayla, ele despertava curiosidade e fascínio por onde passava. Os caminhos à tribo dos Zelandonii serão difíceis e marcados por perigos, muito frio e adversidades em plena  Era Glacial.

Ayla e seu companheiro chegam enfim a terra dos Zelandonii em “O Abrigo de Pedras” e lá Ayla terá que enfrentar um enorme desafio: enfrentar a fúria da ex namorada do seu parceiro,  vinganças,  novos costumes, a desconfiança de pessoas que estranham o seu modo de ser, falar e agir. Mas Ayla cresceu sem preconceitos, sem receios e acreditando que pode enfrentar tudo com coragem e bravura. É lá também que Ayla aprenderá mais sobre os seus próprios dons, ganhará o melhor presente que uma mulher, daqwuela época, poderia ganhar, faz amigos verdadeiros, conquista o carinho de muitas pessoas e vai aprender ainda mais sobre a história do seu próprio povo, ao lado do homem que ela verdadeiramente ama.

Uma mulher que desperta o desejo de muitos homens, pura, altruísta, valente, guerreira, defensora dos animais, honesta, justa, a frente do seu tempo, teimosa, só poderia representar o lado mais positivo das heroínas e de todas as mulheres. Não consigo encontrar uma heroína que represente melhor a mulher do que Ayla. Se todos lessem a coleção “Os Filhos da Terra” entenderiam perfeitamente do que estou falando. Já li muitos excelentes livros na minha vida, mas nenhum me marcou mais do que essa coleção, pois apesar de ser ficção ele foi todo escrito baseado em objetos, fósseis, pinturas nas cavernas e hábitos dos nossos antepassados. Além de livros maravilhosos, com uma história fantástica, ainda adquirimos cultura e conhecimento geral. Apesar de verdadeiras bíblias de mais de 500 páginas, deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas do país. Em uma época de intolerância de vários tipos, esses livros são uma bela lição de vida sob diversos aspectos. Então fica a dica, você não vai se arrepender!

Curiosidade: Em 1986, o primeiro livro “Ayla a Filha das Cavernas” ganhou uma versão para o cinema: “The Clan of the Cave Bear”, dirigido por Michael Chapman e, atuando como Ayla, a atriz Daryl Hannah. Nunca encontrei o filme para assistir, o que é uma frustração, mas já encontrei alguns vídeos na net. Para a época, os efeitos não são lá essas coisas, mas vamos levar em consideração que o filme foi feito há 24 anos. Enfim, parece bom, o que só aumentou a minha curiosidade. Se alguém encontrar, por favor, eu imploro: me avise!

Para quem ficou curioso, vai um vídeo com trechos do filme. Os primeiros 30 e poucos segundos é mudo mesmo, não achem que é defeito.

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5 Responses to “Ayla, a apaixonante heroína da encantadora história sobre os Neandertais e os Cro-Magnons”


  1. 1 Sandra Oliveira
    agosto 3, 2010 às 8:50 pm

    Essa coleção de livros já está na minha lista, por sua indicação mesmo 😉 Mas eu pensei que eram três e não cinco livros, rs…aumentaram dois..rs Também acho fascinante esse tipo de literatura, que nos leva à épocas tão distantes, sobretudo por tratar um pedacinho da História e todo esse período, que é tão rico de informações. Concordo em gênero, número e grau que esse tipo de leitura deveria ser parte integrante dos currículos escolares, pois além de entreter, reúne um conjunto máximo de aprendizagem acerca dessa época.

    Só não sabia desse filme, rs…vou procurar e te falo tá?!

    beijos^^

  2. 4 wagner Barbosa
    dezembro 1, 2011 às 11:53 am

    Oi gente! Eu já li os dois primeiros livros de Jean Auel,e gostaria de continuar a sequencia.Não to conseguindo baixar os caçadores de mamutes.se alguem tiver ,será que podem me mandar por e-mail.Ficarei agradecido! Ah! Vi o filme tbm.Procurem por O clã dos ursos das cavernas.Valeu até mais!!! Wagner Barbosa

  3. 5 Luis Marques
    novembro 8, 2012 às 8:54 pm

    Li esta obra há muitos anos. Ainda hoje a acho fascinante, ao ponto de me ter lembrado e feito uma pesquisa pelo google, encontrando então este blog. Não sei se ainda não viu o filme, mas penso que, se quiser, o poderei encontrar. Obrigado pela descrição da história, foi bom relembrar esta excelente obra.


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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