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“Meninas Inseparáveis” aborda com ternura e poesia o universo diferente e desconhecido dos gêmeos xifópagos

Uma das grandes surpresas na literatura para mim foi o livro “Meninas Inseparáveis”, da autora canadense Lori Lansens. Uma surpresa porque apesar de não ser uma pessoa curiosa no dia-a-dia, sobre a vida alheia, tenho curiosidade para aprender, conhecer o que não faz parte do meu cotidiano e não há algo melhor do que a literatura para saciar todas as minhas curiosidades. Por isso eu leio temas variados, até mesmo considerados estranhos para algumas pessoas.

E diante do que me é distante, estranho e desconhecido resolvi apostar na leitura de “Meninas Inseparáveis”, e não me arrependi. É um livro fantástico. Uma bela história, escrita com brilhantismo, de forma singela, e carregado de poesia.

Lansens narra a difícil e emocionante história de Rose e Ruby, gêmeas xifópagas craniópagas. E como elas compartilham uma veia no cérebro, não puderam ser separadas no nascimento.

É de impressionar as situações pelas quais as meninas precisam passar, viver e aprender. Dá para imaginar sentir vontade de ir ao banheiro e outra pessoa ter que lhe acompanhar? Você querer dormir e outra usar o computador? Você querer namorar e ter uma vela ao seu lado? Você querer ficar sozinha e não poder? Vida independente? Só em sonho.

Pois é. É assim que desde o nascimento vivem Rose e Ruby. E por mais difícil que seja a vida delas, as garotas reclamam, mas no fundo não gostariam que fosse diferente. Afinal elas enxergam muito mais do que o lado ruim de se viver “preso” a outra pessoa. Elas são amigas, confidentes, companheiras e se amam incondicionalmente.

Conhecidamente a curta vida dos xifópagos, Rose e Ruby estão às vésperas de quebrar um recorde mundial: viver bem e saudáveis aos 30 anos. E sabendo que estavam às vésperas de serem as xifópagas com maior longevidade da história, elas decidem realizar juntas e separadas (como é possível? Só lendo para saber, não vou revelar uma das melhores partes do livro) uma meta.

Pessoas que sofrem com o preconceito e ignorância alheia, sendo chamadas de monstros, e utilizados como aberrações em circos de horrores (graças a Deus em um passado distante) mereciam essa bela homenagem feita por Lansens. E o mais curioso é que a ideia para o livro surgiu quando o filho da autora chegou pertinho, colou o rosto dele ao dela e disse: “Às vezes, eu queria que a gente ficasse grudado desse jeito”, lindo não?

Em várias passagens do livro eu me emocionei profundamente, refleti sobre esses gêmeos especiais e pude aprender um pouco mais sobre esse mistério da genética. Se assim como eu, você é curioso para assuntos que nos faz crescer, amadurecer e aprender, “Meninas Inseparáveis” merece a sua total atenção. Recomendo porque além de um grande aprendizado é uma excelente leitura, com uma escrita agradável, leve e apaixonante.

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3 Responses to ““Meninas Inseparáveis” aborda com ternura e poesia o universo diferente e desconhecido dos gêmeos xifópagos”


  1. 1 Sandra Oliveira
    julho 30, 2010 às 10:00 pm

    Nunca li nenhum livro a respeito de problemas desse tipo. Acho uma proposta interessante, sobretudo como lição de vida, superação e força. É impossível a nós imaginarmos tal situação, senão através da literatura, como vc bem disse, pois só quem está ali pode transmitir o que realmente sente. A nós resta entender e passar a ver tudo sobre outro prisma.

    E além disso, é uma ótima leitura para despertar a sensibilidade no ser humano, pois, salvo raras exceções, acredito que é quase impossível passar por um livro como esse imune de sentimentos. Instigar a reflexão ainda é um bom caminho para tocar mais de perto o coração humano 😉

    beijos

    p.s. mais uma capa para entrar no roll das “capas lindas que chamam a atenção” =]

  2. janeiro 29, 2011 às 10:56 am

    Que demais esta dica quero ler e recomendar tbm o livro depois dqaquela viagem aborda uma adolescente descobrindo que contraiu Aids e o 2º Caminando com minhas próprias pernas Pauê um adolescente que perdeu as pernas em um acidente de trem

  3. 3 juliene
    dezembro 26, 2011 às 9:28 am

    acho que esse livro retrata principalmente a experiência de ser uma pessoa excepcional as outras, e também a experiência de conviver com alguém do seu lado sem se quer poder conviver consigo mesma como é o caso das personagens principais da história.


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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