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“Água Para Elefantes” ficou famoso no Brasil por causa do melhor tipo de propaganda que existe: boca-a-boca

Hoje a sugestão de leitura é de um livro que também li já há algum tempo. Como não tenho tido tempo para ler atualmente, os posts serão sobre livros mais antigos, mas muito bons e especiais.

Se alguém pudesse ter dois pés direitos eu diria que esse alguém é Sara Gruen. Autora canadense que estreou de forma brilhante no mundo literário abocanhando o título de best-seller para todos os livros que publica. No Brasil, apenas o seu terceiro e lindo, encantador e surpreendente livro “Água Para Elefantes”, ganhou uma tradução.

Não importa se você, leitor, tem 15, 20, 30, 40 ou 100 anos, porque por mais novo ou mais velho que você seja, esse livro vai despertar a sensação de saudosismo. Principalmente se já foi a um circo quando criança e se divertiu com os palhaços (no meu caso eu tinha pesadelos, pois detesto palhaços), se encantou com os shows dos mágicos, se assustou com as motos no globo da morte, sonhou andar nas cordas bambas e pôde ver de perto animais selvagens (está ai uma grande polêmica, pois sou contra animais em circo, mas quando criança todo mundo gosta, não é mesmo? E prova de que um circo não precisa de animais selvagens para ser fantástico é o Cirque Du Soleil).

O mundo do circo e seus encantos é onde se passa boa parte de “Água Para Elefantes”. Sara narra a história de Jacob Jankowski, um velhinho com mais de 90 anos e misterioso que desde a perda da esposa, passou a viver em uma casa de repouso. Apesar de ter a sua disposição simpáticas enfermeiras que cuidam dele com muito cuidado e ter feito sinceras amizades com outros idosos sente muita falta e saudade do seu passado.

Passado este que ele esconde e não comenta com absolutamente ninguém, nem com os próprios filhos. No entanto, a chegada de um circo itinerante à cidade em que ele mora, se torna um acontecimento muito especial que mexe com as emoções de Jankowski e, inebriado pelo saudosismo, ele decide revelar a uma das suas amigas sobre o seu passado.

Nos anos 30, aos 23 anos, Jankowski era um estudante de veterinária, com um futuro promissor. Mas após um acidente sofrido pelos seus pais, Jankowski vê o seu sonho escapar e sem perspectiva de futuro, decide dar um rumo na sua vida. Para isso ele faz a primeira loucura que lha dá na cabeça: pular em um trem em movimento.

O tal trem era o Esquadrão Voador, que transportava os membros e animais de um famoso circo: Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra. Sem perspectiva, o jovem decide se unir ao circo e conseguir um trabalho. Com isso, ele fora direcionado para cuidar da limpeza e alimentação dos animais.

Nessa jornada louca e incerta, Jankowski conhecerá pessoas interessantes, com estórias de vida tão complicadas quanto a sua, passará maus bocados nas mãos de tiranos, aprende a beber, se apaixonará por uma importante integrante do circo e se encantará por Rosie, uma elefanta especial, doce e aparentemente incompetente para qualquer tipo de aprendizado. E a amizade que ele cria com Rosie é simplesmente um dos pontos altos e lindos do livro.

“Água Para Elefantes” é um livro gracinha, com a capa que é um primor, muito gostoso de ler, com personagens ricas, ilustrado com fotos de circos que fizeram sucesso nos anos 30 nos Estados Unidos, além de trabalhar com uma sensibilidade incrível a questão da velhice, do abandono e da carência que as pessoas sentem quando estão no fim da vida.

Um livro singelo e lindo sob diversos aspectos, inclusive com um final surpreendente que dá vontade de bater palmas se você se encantou e se apaixonou pelas estórias vividas por Jankowski. Mesmo quem não gosta de circos quando fechar os olhos será transportado para esse universo inexplicável e inigualável.

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2 Responses to ““Água Para Elefantes” ficou famoso no Brasil por causa do melhor tipo de propaganda que existe: boca-a-boca”


  1. 1 Sandra Oliveira
    julho 27, 2010 às 7:16 pm

    eu não gosto de circos…rs..não me pergunte o motivo, porque não vou saber explicar, mas é algo que nunca me tocou a fundo, mas acredito quando vc diz que mesmo quem não gosta vai se encantar porque sei do seu bom gosto para os livros.

    Não conheço a autora, mas vou procurar saber mais….talvez seja o pontapé inicial para me fazer mudar de ideia quanto à arte circense, embora como vc disse, o livro aborde várias outras questões que não se resumem apenas à vida no circo…anotado 😉

    beijos

  2. julho 28, 2010 às 4:49 pm

    Ah é um livro gracinha. E apesar de o ponto central ser as experiências da personagem principal no circo, esse não é o único tema do livro.
    =)
    =*


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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