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jul
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Ensaio Sobre a Cegueira

Autor de livros de sucesso como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Memorial do Convento” e “As Intermitências da Morte”, o português José Saramago, falecido neste ano, encanta e choca os leitores em “Ensaios Sobre a Cegueira”.

Famoso por não dar nomes as suas personagens, Saramago mais do nunca as humaniza nesta obra, expondo a degradação a que pode-se chegar o ser humano.

Um dia normal em uma cidade, um motorista parado em um sinal de trânsito percebe que ficara sem enxergar. Ao contrário da cegueira comum, onde o mundo é negro, a cegueira do motorista era branca como leite.

Desesperado, encontra um suposto bem-feitor que lhe oferece ajuda para levá-lo, bem como o seu carro, para a sua residência. Após chegar em casa e perceber que fora enganado, não lhe restara nada a fazer, a não ser ir à uma consulta com um oftalmologista. E a partir daí ocorre o surto de cegueira em toda a cidade.

O médico, uma das personagens principais da estória, também se contamina, mas misteriosamente, a sua esposa não é atingida pelo surto. E juntamente com todos os contaminados, o médico precisaria ser levado para uma espécie de quarentena em uma unidade desativada do exército. A mulher do médico, preocupada com marido, finge-se de cega e o acompanha.

Os horrores que um ser humano é capaz de fazer outro passar, sequências de abusos, violência e degradação é o que Saramago descreve em “Ensaios Sobre a Cegueira”. Um livro carregado de aflições para as personagens e os leitores, mas essencial e verdadeiro para quem sabe que não há limite para aqueles que são chamados de animais racionais.

E aqui se destaca o cego verdadeiro, a personagem que se aproveita da sua deficiência para tirar proveito dos que estão cegos momentaneamente. O que é um contraste forte entre ele e a mulher do médico, que mesmo sem estar cega não se aproveita de ninguém, é altruísta e cuida de todos, não apenas do seu marido.

Saramago neste livro nos faz refletir sobre questões sempre atuais, tais como o desprezo a falta de cuidado com o outro, o abandono e preconceito com o desconhecido e a falta de ética e a necessidade de sempre tirar vantagem de tudo, mesmo nos momentos em que todos deveriam se unir.

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4 Responses to “Ensaio Sobre a Cegueira”


  1. 1 Sandra Oliveira
    julho 22, 2010 às 7:33 pm

    Esse livro fez história aqui na minha estante. Foi o primeiro e até agora único de Saramago que li, e talvez por não estar acostumada ao seu estilo, achei extremamente difícil. Foi uma leitura que de início parecia que não progredia. A história é genial e uma reflexão mesmo sobre a que ponto o ser humano é capaz de chegar em termos de sobrevivência. Mas é uma leitura bem complexa.
    Ah, estou em dúvida de qual livro escolher para a resenha. A única certeza é que Amanhecer não será…hahahaha….

    Mas a sua resenha está ótima. Como tudo que vc escreve por aqui 😉
    beijos

    **vamos cruzar os dedinhos pra ganhar algo =P

  2. julho 22, 2010 às 7:55 pm

    Quando se lê Saramago pela primeira vez realmente é difícil de digerir. Talvez pela falta de costume em se ler o português de Portugal. A falta de ordenamento com os capítulos, a questão das personagens não terem nomes e pode transmistir a falsa ideia de que ele não as caracteriza e não as humaniza, além de ser um autor bem denso.
    Mas quando se acostuma com o estilo dele, é impossível não querer ler os seus outros livros.
    hahaha, já pensou escrever sobre Amanhecer? Você não pode mesmo, senão seria uma resenha raivosa hehehehe
    Obrigada mais uma vez, mas essa não está lá essas coisas toda não, fiz super rápido, por causa do tempo apertado.
    Mas vamos torcer pos nós não é mesmo =)
    Se eu ganhar filme eu te dou hehehe
    Afinal você é apaixonada por cinema =)
    Beijos

  3. 3 Sandra Oliveira
    julho 23, 2010 às 7:31 pm

    que isso Mel, tá muito boa sim a sua resenha!

    nós duas vamos ganhar!! hahaha ( e aproveita que eu não sou otimista assim o tempo todo! hehehe)

    beijos


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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