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O Menino do Pijama Listrado

“O Menino do Pijama Listrado” chegou devagar no Brasil, aos poucos foi avançando nas listas dos mais vendidos, mas na Irlanda, país de origem do autor do livro, John Boyne, permaneceu como o livro mais vendido durante um ano. Conquistou fãs em várias partes do mundo e não foi a toa que ganhou uma versão para o cinema.

Boyne conta a história de Bruno, um garoto de nove anos, alemão que vive em Berlim no período da II Guerra Mundial. Alheio a tudo o que vem acontecendo e a importante posição que o seu pai exerce dentro do governo de Hitler, o garoto se vê obrigado a se mudar de Berlim, onde tem uma vida agradável e feliz, amigos, uma casa enorme de cinco andares para ir viver com a família em um outro país, frio, distante, onde ele não conhece ninguém e seus vizinhos são todos estranhos que vivem sob cercas e usam pijamas listrados.

Ou seja, Bruno e sua família precisam se mudar para a Polônia e têm como vizinhos o campo de concentração de Auschwitz. Bruno se sente sozinho nesta nova vida e com a ociosidade ele passa a observar  da janela do seu quarto os seus vizinhos. Bruno nota em especial um garoto do outro lado da cerca e começa a fazer amizade com ele. A partir desta relação ele começa a descobrir mais sobre a sua própria família, sobre o seu país, sobre os seus vizinhos que moram do outro lado da cerca e sobre tudo o que ele sempre fora alheio.

No entanto, essa amizade pura e singela selará para sempre o destino não apenas de ambos, mas também de toda a família de Bruno. O holocausto em si é terrível de se imaginar, mas é ainda muito pior, muito mais triste e comovente perceber e tentar sentir a dor através dos olhos infantis.

Para os leitores que tem um certo conhecimento, mesmo que superficial, sobre o que foi o holocausto, Boyne, não descreve nem por cima de fato o que aconteceu, acho que para preservar os leitores mais jovens, mas não dá para fingir que não aconteceu. Esse é um tema delicado e a proposta idem.

O livro gira muito em torno de Bruno, algumas passagens são desnecessárias, mas as melhores partes são quando ele e Shmuel estão juntos. Essa amizade que eles constroem sim é o grande ponto alto do livro, o que faz com que valha a pena indicar o livro para outras pessoas lerem.

No geral é um bom livro, uma boa trama, a história é bem amarrada, o final é surpreendente, a história passa uma boa lição, mas eu tenho os meus poréns. Como disse anteriormente, se é um tema delicado, deve ser tratado com cuidado, pois nem infanto-juvenil o livro é, apesar de ter duas crianças como personagens principais. O holocausto foi e é extremamente algo delicado até hoje, dizimou milhões de pessoas, famílias inteiras sofreram e sofrem até hoje. Achei que Boyne “pegou leve” demais. Juro que não entendi e sinceramente já desisti de tentar entender, afinal jamais saberei mesmo. E outro ponto negativo é a edição brasileira. Eu queria muito ver a edição inglesa ou saber se tem uma edição mais nova da brasileira, pois a que tenho é cheia de erros de pontuação. Péssimo isso! Enfim, mesmo assim na balança o livro sai no lucro e eu o indico, pois vale a pena a leitura pela diversão, pelo lazer e pela história.

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3 Responses to “O Menino do Pijama Listrado”


  1. 1 Sandra Oliveira
    junho 27, 2010 às 8:50 am

    Li o livro e vi o filme. De fato, o autor pega de forma mais leve ao lidar com a questão do nazismo e todo seu sofrimento. Mesmo assim, ainda acho um ótimo livro, gostei bastante, até porque como você disse, o foco principal é na amizade das crianças, e mais que isso, acho que o foco principal é perceber como a ingenuidade e inocência deslumbraram aquelas crianças diante de tanta dor e terror. Penso que é um livro muit válido nesse sentido. O filme, não sei se você chegou a assistir, é também bom, mas não passa metade do sentimento que o livro deixa em nós. O impacto da história é bem menor, mas o final, de partir o coração, ainda é muito impactante. Chorei horrores, rs.

    Estou ansiosa para a chegada da Bienal do Livro aqui em São Paulo, pois soube que o autor estará presente. Espero conseguir ao menos vê-lo. Se abocanhar um autófrafo então, será demais! 😉 E quero muito ler também o outro livro dele, O Garoto do Convés, parece ser ótimo. Uma história totalmente diferente, mas tenho certeza que tão boa quanto.

    Sobre Preciosa, o filme é dificílimo de digerir, mas recomendo que você dê uma chance a ele. É forte, mas muito bom, e não está nem um pouco longe do que vemos e ouvimos diariamente nos noticiários por aí. De comover e pensar bastante no que o ser humano tem se tornado. Lamentável.

    beijos

    • junho 27, 2010 às 10:16 am

      Pois é. Essa é uma das grandes críticas minhas a esse livro. Mas gosto muito dele. Fiquei com muito dó dos dois meninos, muito triste né?
      O outro livro é muito bacana. Estamos muito com transmissão de pensamento viu? Pois o post de amanhã é justamente sobre “O garoto no convés”. Já está pronto inclusive.
      Eu adorei e inclusive digo no post que não dá para comparar os dois livros, porque são completamente diferentes. E se alguem tivesse me dito que foram escritos por autores diferentes eu acreditaria, pois até a escrita eu achei diferente.
      Se puder, leia. Acredito que você vai gostar.
      Poxa, que legal =) Tomara que vc consiga um autógrafo, já pensou? Muito legal =)
      E… vou ver se assisto… Fiquei meio estranha quando terminei de ler o livro. Senti muita raiva da mãe dela, do pai, da humanidade, de mim também, porque sei que isso existe e não posso fazer nada e não sei o que faria se eu pudesse fazer algo… Esse tema é muito aberto a discussões, filosóficas, históricas, políticas, sociais, ai… tantos sentimentos que se misturam e nada que se resolve e não se chega a ponto algum, já percebeu? Muito lamentável mesmo.
      Beijos

  2. agosto 5, 2014 às 12:36 pm

    Realmente são ridículos os erros, estou no capítulo 3, e já vi umas 5 palavras escritas erradas, subir no lugar de subiu, casada no lugar de causada… Enfim, editora vergonhosa.


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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