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Medos e perigos dos contos de fada são educativos

A literatura para crianças e adolescentes, de fato, surgiu no século XVII com o intuito das novas necessidades da população, de aproximar a família e de haver uma literatura específica para os mais jovens, inexistentes até aquela época. Apesar de as primeiras histórias terem sido adaptações de histórias feitas para os adultos, a criança deixou de receber o status de adulto em miniatura, o que foi muito bom. Pois as crianças tem suas próprias necessidades.

Mas sinceramente, essas discussões de se “A Branca de Neve”, “Chapeuzinho vermelho” e etc são obras racistas, que promovem o mau trato a animais, na época em que vivemos, que existem muitas outras coisas para serem discutidas, como a insegurança pública, a exploração das crianças e adolescentes, a falta de professores competentes e incentivo à educação, o abandono e evasão escolar, o sistema precário da saúde, etc, isso para mim é choramingo de quem está de barriga cheia.

Em relação a essas músicas de axé, me poupe! Detesto axé, simplesmente porque não curto esse ritmo de música. Mas gente, axé não foi feito para se analisar letra, axé fala besteira, axé degrada a mulher, bem como o funk carioca. Se todo cantor for se recusar a cantar essa ou aquela música de axé porque ofende esse ou aquele grupo em particular, não existiria o carnaval de Salvador. Quero deixar claro que não faço apologia a besteirol, mas fazer o que? Tem quem goste e temos que respeitar os gostos alheios. Cabe aos pais permitirem ou não que seus filhos pequenos escutem ou imitem a coreografia. Mas dizer que uma música incentiva a pedofilia já é apelação… Deixa o povo viver.

Medos e perigos dos contos de fada são educativos

Alvo de críticas e até de mudanças, histórias infantis clássicas têm papel importante na formação infantil

CLEIDIANA RAMOS

Duas crianças, depois de seqüestradas por uma velha, passam dias sob a apreensão de acabarem devoradas por ela em algum momento. Em outra situação, uma jovem tenta escapar das armadilhas mortais montadas por sua madrasta. Os dois enredos tratam-se, respectivamente, de João e Maria e Branca de Neve, histórias que crianças de várias gerações ouviram e leram e que, nos últimos tempos, sofrem ataques de quem as considera nocivas. Mas especialistas afirmam que elas têm função a cumprir no desenvolvimento infantil.

“Os contos de fada são projeções de medos e desejos. Têm a função de fazer a criança entender que a vida tem coisas ruins também”, destaca o antropólogo Roberto Albergaria.

Curioso é que, acredita-se, os chamados contos de fadas não foram propriamente feitos para crianças. Originalmente eram para adultos, mas passaram por modificações ao longo dos séculos até finalmente transformarem-se em histórias com cunho de ensinamento moral onde o bem, na maioria das vezes, triunfa sobre o mal.

Assim, a moça órfã, oprimida pela madrasta e irmãs cruéis, transforma-se em uma princesa com a intervenção de uma fada madrinha em Cinderela. Já Chapeuzinho Vermelho e a sua avó acabam salvas de um lobo sanguinário graças ao envolvimento de um caçador na história.

Chapeuzinho Vermelho, aliás, é um exemplo da história infantil que se tornou controversa. As interpretações para a narrativa vão desde maus-tratos a animais – o lobo acaba morto pelo caçador – até conotação sexual e pedófila.

Esta última característica virou polêmica no Carnaval deste ano por conta da música Lobo Mau, da banda Ò Back, que foi popularizada pela cantora Ivete Sangalo. O cantor Tatau, que participou de uma campanha contra a pedofilia teria se recusado a cantar a música. Carla Perez também não quis cantar. Dias depois Tatau negou que tivesse feito críticas à canção ou ao seu uso por Ivete Sangalo como havia sido veiculado.

Fantasia “Há uma cultura atual de super proteção em relação às crianças como se elas fossem super frágeis”, destaca Albergaria.

Para o psicólogo Helson Ramos, este tipo de comportamento não é adequado.

“Se o abandono faz mal, a super proteção também faz, pois a mensagem que pode ser passada para a criança é a de que ela não consegue interpretar a realidade em que vive”, analisa.

A especialista em psicologia infantil, Katia Queiroz, destaca que, por natureza, o universo da criança já é essencialmente mágico. “Ela sempre acha que há uma solução para todos os problemas. Isto também pode ser usado de forma positiva e educativa”, acrescenta a psicóloga.

Para o antropólogo Roberto Albergaria, este componente fantástico está ficando cada vez mais raro no mundo moderno.

“A sociedade atual está vivendo um momento de desencanto em relação à magia, embora ela volte em produtos como os livros de Harry Potter ou a saga do vampiro galã de Crepúsculo. Mas é um mundo que se quer muito racional, colocando o bem e o mal em espaços muito marcados e separados”, acrescenta Albergaria.

Um exemplo deste tipo de racionalismo para combater a fantasia está em um episódio ocorrido recentemente em Tóquio, no Japão. A encenação de Branca de Neve em uma escola primária não teve caçador ou madrasta, mas apenas a princesa por pressão de mães que não aceitaram ver suas filhas preteridas para o papel principal.

“Este é um exemplo do pensamento de que todos têm que ser iguais, sem diversidade, algo inexistente na fantasia”, diz Albergaria.

Fonte: Jornal A Tarde de 24 de maio de 2010

http://educacao.atarde.com.br/?p=2846

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4 Responses to “Medos e perigos dos contos de fada são educativos”


  1. 1 Sandra Oliveira
    junho 8, 2010 às 7:28 pm

    Seu post me lembrou bastante uma aula de Literatura Infantil que tive na faculdade. Discutimos muito sobre tudo o que está por trás realmente dos contos, como há diversas interpretações diferentes para cada estória e como isso reflete na moral e no comportamento, como um alerta para as crianças sobre aquilo que as cerca na vida real. Não sei se você conhece, mas há um livro bem interessante que desvenda o que há nas entrelinhas de vários clássicos da Literatura Infantil. O livro é “Psicanálise dos Contos de Fadas”, de Bruno Bettelheim. 😉

    beijos

    • junho 8, 2010 às 7:48 pm

      Não conheço… mas obrigada pela dica. Toda dica literária para mim é sempre muito bem vinda. Meu post foi meio revoltado hoje, mas é porque não gosto de qualquer tipo de moralismo – no caso os cantores de axé ao qual a matéria se referia – mas gostei do que vc comentou =)
      A minha formação acadêmica infelizmente não foi em letras ou educação, optei por jornalismo, mas minha monografia foi uma análise literária, pena conhecer esse livro agora, pois seria uma ótima fonte para minha monografia, já que escolhi três livros do universo ficcional infanto-juvenil para analisar. Esses dias terminei de ler “Cultura da Convergência” de Henry Jenkins. Muito bom! Ele vem sendo cultuado já há alguns anos no meio de comunicação, mas qualquer usuário de internet, que goste de literatura, hqs, cinema e televisão com certeza irá gostar. Ele investiga o alvoroço por trás do fenômeno survivor, ídolos, matrix, harry potter, lost, heroes, star wars, etc. sempre focando na convergência entre os midias, realizado pelos fãs (seja pelas fan fictions ou pelos spoilers) e também pelos produtores e escritores.
      Como retribuição pela dica, passo essa para você =) Como educadora, para você o livro fala um pouco do sistema educacional nos EUA diante do fenômeno HP e como as crianças reagiram a proibição de algumas escolas permitirem que as bibliotecas adquirissem alguns volumes da série.
      O melhor é que o livro é muito divertido. Parece que estamos assistindo a uma palestra. Mas daquelas que nos prendem, não que nos dão vontade de dormir ou sair gritando, risos.
      Beijos

  2. 3 Sandra Oliveira
    junho 8, 2010 às 8:36 pm

    Também não suporto axé e seus afins, tenho uma longa relação de amor com o rock e o folk, e não troco isso por nada =P
    acabei nem comentando sobre o foco principal do post, mas é que realmente esse tema me fez lembrar dessa aula, que tive há uns dois anos atrás!
    Super obrigada pela dica também, pode ter certeza que vou procurar por esse livro, só estou preocupada com o tamanho da minha lista, mas não tem jeito, agora que encontrei seu blog, a tendência é só aumentar, rs e que bom que o livro se assemelha a uma “boa” palestra, pois a gente imagina que esses livros voltados para o circuito acadêmico sejam sempre entediantes. Bem, vamos combinar que muitos são, mas acredito completamente no seu bom gosto e recomendação 😉

    ah, vc não usa muito seu Twitter não é? mesmo assim vou seguir vc nele…quem sabe vc resolva depois usá-lo mais e se torna mais uma fonte de contato pra gente! =)

    beijos!
    p.s. esse fds vou na Liv. comprar Hush Hush, eu acho. Não tirei o livro da cabeça! =P

    • junho 9, 2010 às 7:09 am

      É verdade, não utilizo muito o Twitter, mas bom que tenhamos outro modo de contato, te segui também =)
      Compreeee, depois me conte se gostou. Eu pedi o meu na Saraiva, mas só deve chegar na semana que vem, pois na Saraiva só vai lançar no dia 12. Tomara que seja bom, né? A maioria das pessoas que leram gostaram, mas agora estou com medo de dar recomendações, a responsabilidade agora tá grande heheheh
      Beijos


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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