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Entrevista com Meg Cabot

Matéria publicada no caderno Folhateen do jornal Folha de São Paulo, do dia 14 de setembro de 2009, na página 10.

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Princesa Rejeitada

Autora da série da princesa e de “A Mediadora”, Meg Cabot diz que penou por 13 anos antes de vender 15 milhões de livros.

Da reportagem legal

De realeza, Meg Cabot tem “só” os 13 livros derivados de “O Diário da Princesa” e uma coleção de 20 coroas. Nada de rei na barriga para ela.

A escritora americana vendeu mais de 15 milhões de exemplares dos 54 livros que publicou, mas ainda tem que refazer os textos que entrega, depois de broncas da editora.

Um pito, deve vir em breve, ela prevê. É que, na terça passada, ela entregou o terceiro livro da série “Airhead”, que a editora Record deve trazer para o Brasil em 2010. e, aos 42, ela diz que vai reagir como teen: ficar fula e, depois, acatar. Foi o que ela contou, gargalhando ao telefone com a Folha, no dia em que chegou ao Brasil para uma turnê que inclui a Bienal do Livro (no Rio), São Paulo, Curitiba e Salvador.

Arranhando frases num português engraçado, tipo: “Onde ficha o banhéééiro?”, Meg disse que jovens gostam de ler sobre a morte porque estão felizes.

Leia a seguir trechos da conversa (Chico Felitti).

 

  • Folha – Qual foi a primeira coisa que você escreveu?

 

Foi o conto “Benny the Puppy” (Benny, o cachorrinho). A família de Benny morre em um tornado e ele fica sozinho e, depois é adotado por índios. Eu tinha sete anos e estava super deprimida. Ilustrei o conto e me lembro de um desenho da família voando, com as orelhas balançando.

 

  • Folha – Os leitores teen de hoje gostam tanto de vampiros, fantasmas e morte porque estão super deprimidos?

 

Eu acho que, às vezes, quando se está feliz e confortável na sua casa, é bacana ler sobre coisas que são tristes ou assustadoras. Muitas pessoas que são escritoras e escrevem sobre coisas horrorosas são bem felizes e engraçadíssimas!

 

  • Folha – Você acha que a série “A Mediadora” (2000), em que a protagonista teen se apaixona por um fantasma, influenciou “Crepúsculo” (2005), em que a protagonista teen cai de amores por um vampiro?

 

Não tenho a mínima idéia. Tudo o que é lançado na cultura pop influencia… me influencia. Ninguém vive num vácuo, né? Eu não fui a primeira pessoa a escrever sobre uma princesa, nem sobre uma garota que se apaixona por um morto. Quando escrevi “A Mediadora”, o livro foi rejeitado porque os editores diziam “nenhuma menina se apaixona por um garoto morto!” Hahahahaha se eles soubessem….

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 “Quando escrevi ‘A Mediadora’ o livro foi rejeitado porque os editores diziam ‘nenhuma menina vai se apaixonar por um garoto morto”.

 

  • Folha – Assistiu aos filmes baseados em seus livros?

 

Só vi o primeiro. Não ia ver o segundo, porque tinha mudanças demais e não queria ser influenciada por ele… Amei o primeiro filme, que é lindinho! Há dois universos da princesa Mia: o do filme, que é bonitinho, e o meu, que é o certo.

 

  • Folha – Em seu blog, você citou a frase “Sou tão misteriosa que não me entendo”, de Clarice Lispector, você se entende?

 

Eu não sou nada misteriosa, infelizmente! Queria muito ser mais como ela…

 

  • Folha – Já leu algo de Clarice Lispector?

 

Sim, alguns contos fantásticos. Agora, quero ler “A Hora da Estrela”, em inglês, mas tenho dificuldade de achar a tradução.

 

  • Folha – Já leu a tradução de algum livro seu?

 

Já leram para mim, em algumas línguas, e não fiquei muito feliz com a tradução das gírias.

 

  • Folha – Porquê?

 

Ah, é sempre difícil adaptar gírias, bem como palavrões.

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“Há dois universos da Princesa Mia: o do filme, que é bonitinho, e o meu, que é o certo”

 

  • Folha –Você gosta de escrever com palavrões?

 

Sim! É ótimo escrever para adultos porque dá para usar palavrões. Hahaha!

  • Folha – O que tem escrito?

 

Entreguei ontem o terceiro livro da série “Airhead”. Mas sei que vou receber um e-mail da minha editora dizendo que preciso reescrever bastante coisa.

  • Folha – E você refaz numa boa?

 

Isso sempre acontece! Fico brava na hora e digo: “Você está errada!”. Depois vejo que ela tem sempre a razão.

  • Folha – Dá um exemplo?

 

Claro: eu queria chamar o segundo livro de “O Diário da Princesa” de “Princess of Puke” (Princesa do vômito). Ela me disse: “É o pior título da história”. Era mesmo.

  • Folha – Quantas vezes você foi rejeitada antes de ficar famosa?

 

Foram três anos de pura rejeição e mais dez até que pudesse largar meu trabalho “de verdade”. Todo mundo é rejeitado, é bom que os jovens saibam. Só não desista!

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“Tenho mais de 20 coroas. Nenhuma de diamantes. Queria comprar uma. Meu marido não deixou…”.

 

  • Folha – Só lê “coisa de menina”?

 

Não! Atualmente, leio algo de mangás, e não gosto dos “de menininhas”, que são altamente sexualizados. Gosto dos “de garotos”, mais violentos.

  • Folha – Como é sua rotina?

 

Tomo café da manhã e vou para o trabalho. Mas meu trabalho é em casa. Tento escrever umas duas mil palavras por dia, mas é difícil porque a gente se distrai com comida, gatos, marido, sabe como é…

  • Folha – Já foi a uma vidente, como a protagonista de “A Mediadora”?

 

Fui, quando estava no ensino médio, e ela estava completamente errada! Disse que eu ia ser bibliotecária e nunca ia ter um namorado!

  • Folha – Em várias fotos você aparece de coroa. Você usa ela em casa, com pijama?

 

Bem que eu queria. A verdade é que as coroas são desconfortáveis. Tenho mais de 20 delas – nenhuma de diamantes. Queria comprar uma. Meu marido não deixou.

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2 Responses to “Entrevista com Meg Cabot”


  1. 1 Manu
    maio 5, 2010 às 4:18 pm

    mew eu li essa entrevista
    adorooooo *_* d + a meg cabot
    maneiro vc colocar no blog
    naum conhecia
    vou voltar
    xoxo

  2. maio 7, 2010 às 6:53 am

    Volte sempre que desejar =)


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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