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09

Das histórias familiares – Luciana Sandroni Parte 2

  • E a sua descoberta da leitura?

Na infância eu lia muita revista em quadrinhos, em especial Bolinha e Luluzinha e a Turma do Pererê, do Ziraldo. Adotava os livros com discos coloridos. Os livros maiores que mais me marcaram foram “Viagem ao Céu”, de Lobato, “O Menino Mágico”, de Raquel de Queiroz, e “As Viagens de Marco Pólo”. Mas tenho a impressão de ter descoberto realmente o prazer de ler na adolescência. Comecei a escrever poesia com uns 14, 15 anos. Lembro de ler muito Bandeira, Drummond. Mas também gostava dos românticos: Casimiro de Abreu, Castro Alves, e de Tomás Antônio Gonzaga. Mas a “bebedeira” foi mesmo com os modernistas: Mário de Andrade me surpreendeu com “Paulicéia desvairada”. Lia suas cartas pensando que eram para mim… Tive uma febre machadiana aos 15 anos, quando meu pai me deu “D. Casmurro”. Fui lendo e não parava. Aquele domínio da linguagem, aquela ironia e a transformação de Bentinho em “D. Casmurro” me fascinaram. Clarice Lispector, com “Perto do Coração Selvagem” e depois com “A Hora da Estrela”, também foi uma escritora que me marcou.

  • Como você começou a escrever?

Sempre fui muito tímida, mas notava que quando escrevi eu me soltava. A escrita funciona como uma espécie de catarse e eu me sentia muito bem escrevendo. Escrever também foi uma maneira de me aproximar mais do meu pai, que é escritor e jornalista. Mostrava os meus poemas e ele me dava uns toques. Depois, o meu colégio, o São Vicente de Paulo, dava um estímulo muito grande para as artes e eu fui fazer o jornal do Grêmio e, desde aquela época, achava que eu iria ser poeta ou trabalhar com a palavra de alguma forma.

  • A escola influenciou suas escolhas de leitura?

Muito. Tive excelentes professores, que me estimulavam muito, com Francisca Nóbrega, professora de literatura. Mas não eram só os professores de português que me incentivavam: os de História, Geografia, Matemática sempre liam meus artigos, crônicas no jornal e me davam muita força. Fui conhecer Mário de Andrade com o Aquino, professor de História, que uma vez mandou a turma pesquisar sobre a Semana de Arte Moderna de 22, da qual eu não tinha a mínima idéia. Além do grande estímulo que recebi da família, os professores e toda proposta do colégio também foram muito importantes.

  • E seu método de escrever?

Geralmente tenho a idéia de uma história enquanto estou trabalhando em outra. Fico pensando, anotando uma coisa ali, outra lá, só bem mais tarde é que vou me preparar para escrever. Como tenho trabalhado muito em cima de temas históricos e em biografias, começo sempre com a pesquisa. Leio tudo o que puder sobre o assunto e vou fichando, anotando e aí quando eu me sentir dominando bem o tema eu parto para o texto. Durante o tempo de pesquisa eu anoto, tento fazer um esqueleto mínimo em um caderno, e só depois eu engreno no computador. Quando dá um branco eu volto para a pesquisa e para as anotações.

  • Dá para dizer que você ganha a vida com literatura?

Ainda não, mas sou uma profissional da escrita, quer dizer, não vivo só de direito autoral, mas de trabalhos ligados à escrita e a literatura infantil.

  • O que você acha de visitar escolas?

Gosto muito de conversar com crianças de 8 a 11 anos, idade que geralmente lê meus livros. Os encontros são muito bons quando a escola realmente faz um trabalho de leitura. Quando a professora, a bibliotecária e a escola estimulam a leitura as crianças refletem isso de cara.

Fico emocionada com a produção das crianças, com o carinho e as coisas que dizem. Elas realmente acreditam na Ludi, na Emília… Vou com mais frequência às escolas particulares, mas quando pinta um projeto do governo ou da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para ir conversar com crianças da rede pública é uma coisa especial. Elas me olham como se eu fosse de outro planeta… No final dos encontros elas manifestam um carinho, um afeto… é emocionante.

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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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