17
dez
09

Desventuras em Série – O Hospital Hostil

Ao término do sétimo livro da série, “A Cidade Sinistra dos Corvos”, alguns mistérios foram desvendados e outros continuaram existindo. Ficamos sem saber o que aconteceria com os Baudelaire, já que os gêmeos Quagmire conseguiram escapar. E, mais uma vez Conde Olaf estava na cola das crianças, ao lado agora de uma nefasta mulher que já nos foi apresentada, Esmé Squalor, a antiga tutora dos meninos, uma viciada em moda, em o que está in ou out.

Em “O Hospital Hostil” um anúncio de um período funesto se apresenta para os órfãos Baudelaire. Mais uma vez eles estão por conta própria. A impressão que tenho é que a medida que os livros vão dando sequência a série, as coisas vão piorando para os pequenos, por mais inacreditável que seja pensar que as coisas podem ficar piores do que já estão. Mas o autor avisou aos leitores no primeiro livro que essa não seria uma história feliz.

Os meninos conseguem escapar das garras de Esmé e Olaf e saem caminhando sem rumo durante a noite. Porém eles continuam sendo procurados pela polícia, afinal Esmé estava se escondendo sob a identidade de uma policial e Olaf, sob a de um detetive. Ao se depararem com o Armazém Geral Última Chance, eles decidem que a melhor opção é parar e pedir ajuda, já que não podem mais recorrer à ajuda segura dos pais, nem à polícia e nem aos seus amigos Quagmire, afinal eles escaparam.

Klaus, Violet e Sunny, sem perspectiva de futuro, decidem enviar um telegrama para o banqueiro Sr. Poe, responsável para cuidar da herança dos meninos até que Violet completasse a maior idade e possa administrar a imensa fortuna que os seis pais deixaram. Mas ele não chega a receber o telegrama por um problema do banco em que ele trabalhava. Eu sempre tive a impressão de que o Sr. Poe não é lá de grande ajuda para as crianças, mas pelo menos não era malvado ou cruel com eles. Por razões como estas, os órfãos acreditam que ele seja confiável suficiente para que pudesse recorrer à ele. Porém, a partir deste oitavo volume, vamos acompanhar a rotina dos meninos sem a presença constante ou a busca desenfreada de um tutor. Eles terão que viver sob suas próprias responsabilidades e limites, sem qualquer interferência adulta.

Neste novo volume da coleção, os órfãos vão encontrar um hospital, o Heimlich, que ainda não estava totalmente concluído e, por estarem sendo procurados pela polícia, sob a acusação de crime de assassinato, eles ficam muito temerosos, achando que poderiam ser identificados e suas identidades reveladas, caindo assim, nas garras de Olaf. Decidem, desta forma, disfarçarem-se e misturarem-se aos Combatentes pela Saúde do Cidadão (Olha o C.S.C. aparecendo mais uma vez na vida dos meninos… Como ficou claro no último livro, apesar de realmente os gêmeos estarem na Cidade Sinistra dos Corvos, o autor Lemony Snicket, não revela se realmente as letras C.S.C. significava o nome da cidade, pois poderia ter outros significados e comprovamos isso agora neste volume). Os meninos ao se juntarem aos combatentes queriam descobrir os planos de Conde Olaf e sua trupe, em como eles agiriam desta vez. Afinal, se adiantar ao perigo pode ser uma boa defesa.

Os meninos tomam conhecimento do Dossiê Snicket e também, sob o disfarce têm acesso à Biblioteca de Registros e, de certa forma, isso é uma oportunidade de desvendar e descobrir uma parte de suas vidas. Diga-se de passagem que eles só tiveram acesso ao dossiê após acessarem os registros. Fazem uma busca sobre o que poderia se relacionar a eles e descobriram o dossiê. Há um dado no dossiê que os deixa cheio de esperanças: eles lêem a informação de que alguém pode ter sobrevivido ao incêndio que matara os seus pais e destruíra totalmente a sua casa.

Esse é o grande momento de Klaus. Traça de biblioteca, o garoto rapidamente fica familiarizado ao local e disfarça-se de ajudante da biblioteca. Mas para desespero deles, Olaf reaparece e desmascara as crianças.

Apesar de tantos acontecimentos tristes e infelizes, os desafortunados órfãos tem poucos momentos de prazer e descontração. Mas, nós leitores, até que temos descontração em alguns momentos das histórias, nos episódios engraçados e, neste livro, em especial, há cenas muito engraçadas, principalmente nas cenas em que Esmé persegue Violet, que resiste, persiste, mas fora aprisionada.

E é a partir disto que a história retoma o seu ápice. Aos dois órfãos restantes, Klaus e Sunny, cabe a responsabilidade de escapar dos vilões, ter que resgatar a irmã em total segurança e ainda conseguirem fugir do hospital sem serem apanhados e provar que não são assassinos.

Olaf deixa Violet fora de combate e deseja fazer terríveis experiências com a garota. Alegando que ele faria a primeira cranioectomia do mundo e, para isso, ele teria que serrar a cabeça dela para fora do corpo.  Esmé, completamente doida, como sempre, aprova e apóia o novo plano do vilão e namorado, Olaf.

Dando uma de incendiário, o conde tenta colocar fogo no dossiê Snicket e acaba pro provocar um terrível incêndio no hospital, que começara na biblioteca. Como conseqüência, um dos seus comparsas, o que não sabemos se trata-se de um homem ou de uma mulher, acaba morrendo, vítima do incêndio.

Eu não sou muito fã do inexpressivo Sr. Poe e, por mais detestável que seja a personagem Esmé, ela é odiosa, mas também as situações engraçadas sempre tem a participação dela. A partir do livro passado, ele ganha mais destaque que o próprio Sr. Poe e o leitor acaba ganhando com isso.

Resta saber o que acontecerá após o incêndio. Mais uma vez os meninos conseguem escapar ilesos das garras de Olaf e ao final do livro, acabamos também ganhando uma nova pista da nova aventura que os Baudelaire viverão.

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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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