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nov
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A Vida Secreta das Abelhas

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Passeando pelo site da Saraiva, olhando os livros que estavam em pré-venda em lançamento, me chamou atenção o título “A Vida Secreta das Abelhas”. Nunca tive nada contra bichos em geral e costumo ler de tudo. Cliquei para ver sobre o que se tratava e, para surpresa, as abelhas em questão eram meras coadjuvantes.

Arriscando, sem saber se iria gostar ou não, acabei comprando o livro. Achei que seria mais um livro com uma historinha água com açúcar, mas para minha surpresa (e agradável surpresa) o livro é bem mais do que isso. Cheio de passagens interessantes e a descrição de como ocorriam os atos preconceituoso em estados altamente racistas nos Estados Unidos, em uma época em que eu nem sonhava em nascer, são carregados de emoção que atingem um leitor mais sensível. Hoje em dia é inconcebível nós aceitarmos que uma pessoa seja humilhada e destratada apenas pela sua cor de pele, mas tão freqüente em alguns locais em outra época e que, tristemente, ainda acontece em alguns estados brasileiros, de forma velada.

“A Vida Secreta das Abelhas” é um romance da premiada autora especializada em biografias, Sue Monk Kidd. E conta a história de Lily Owens, uma garota que cresceu nos anos 60 na Carolina do Sul, sem a figura materna e com um pai severo. O estado em questão é marcado por forte preconceito e segregação racial e religioso. Quando ela era ainda muito novinha, apenas quatro anos de idade, a sua mãe Deborah separou-se do pai e saiu de casa. Em uma oportunidade, ela regressou e enquanto terminava de arrumar suas coisas o ex-marido acabou chegando à casa e diante de uma discussão, Lily encontra uma arma e acidentalmente acaba disparando e o tiro acerta sua mãe que vem a morrer. A menina cresce com a convicção de que assassinou a mãe e o pai jamais tentou modificar esse pensamento e sentimento dela, muito pelo contrário, reafirmava o fato.

Dez anos após o incidente, já com 14 anos, é natural que nesta fase as garotas sintam muita necessidade de uma figura feminina para que possam ter conversas a respeito de suas dúvidas, sobre o corpo estar mudando, reações naturais que não fazem mais parte da infância. Diante disso, Lily pensa muito na mãe e sente muito a sua falta, pois era uma pessoa que a amou e ela também ama sem nem ao menos ter conhecido direito. Lily, acima de tudo, necessita de perdão. Perdão pelo que acredita que tenha feito, por ter sido a causadora da perda que tanto lhe aflige e, principalmente, perdão a si mesma.

Tudo é mais difícil para Lily devido a personalidade do seu pai. Um homem bruto, ríspido, de fala e comportamento árido. Na Carolina do Sul, onde vive, a única representação feminina na sua vida é da sua única amiga, Rosaleen, uma negra que toma conta dela desde que a sua mãe morrera.

Rosaleen decide cumprir o seu papel de cidadã e responder por aquilo que lhe cabia de direito: votar. Mas os brancos não estavam contentes com os novos direitos adquiridos pelos negros e no dia em que Rosaleen sai para votar, é presa e espancada. Indignada, a garota decide agir. A mulher não podia mais continuar morando onde estava e acabou indo embora. Lily resolve ajudar a “mãe adotiva” e foge com ela. Sem nem pensar duas vezes ela abandona o pai, como fizera sua mãe e vai embora sem deixar vestígios. O destino delas é Tiburon. Lily descobre nas coisas particulares de sua mãe uma imagem de uma mulher negra como Nossa Senhora e o endereço de um local em uma outra cidade. Disposta a conhecer o passado da sua mãe ela vai para Tiburon acompanhada de Rosaleen. Mas uma negra e uma adolescente branca viajando fugidas juntas é algo que não deixa de ser facilmente notado e percebido.

As duas encontram refúgio na casa de três mulheres negras apicultoras, irmãs bem excêntricas, as irmãs Boatwright, August, May e June (a mãe delas gostava da primavera e do verão. Então como elas nasceram nos meses de Agosto, Maio e Junho, receberam esses nomes – os correspondentes em inglês).

A princípio a estada delas gera muita desconfiança e desconforto, mas a simpática August passa por cima de tudo, inclusive dos mistérios e de Lily para recebê-las e acolhe-las da melhor forma possível. Ao longo dos dias, a garota aprende com as irmãs o maravilhoso mundo das abelhas, do mel e da Nossa Senhora negra. E foi com essa família de mulheres incríveis que Lily descobriu o verdadeiro sentido e profundidade da palavra família.

Por mais que a garota esconda a verdade do seu passado, August sabe de tudo, quem ela era e, principalmente, conhecia o passado secreto de Deborah. E a revelação disso é muito bacana, quando a garota se aproxima de August que está sentada em um balanço e a negra comenta que está lendo um livro sobre uma menina que perdeu a mãe quando ainda era criança. Sem esconder a ansiedade e profundidade da revelação, Lily pergunta o que acontece com a menina e a outra revela que não sabe, pois ela começou a ler o livro havia pouco tempo, mas que sabia que a menina estava, naquele momento, se sentindo muito perdida e sozinha.

Os problemas da segregação racial continuam presentes na cidade em que elas agora habitam e Lily se vê em uma situação bem difícil quando seu pai aparece para buscá-la, mas é surpreendente o rumo que a história toma.

Apesar de o livro ter como personagens principais predominância de mulheres, não é um livro para meninas, nem se prende a uma específica categoria. Para o leitor que se envolve facilmente em uma boa história, é garantia de momentos de diversão, indignação e emoção. Assim como nas histórias de vilões e heróis, o leitor vai se apaixonar por algumas personagens e detestar outras.

Para quem gosta de um livro bem escrito, leve em alguns momentos e profundo em outros, de histórias de amor, por si próprio, pela família e pelo outro, com certeza vai gostar de “A Vida Secreta das Abelhas”.

Recentemente ele ganhou uma adaptação para o cinema, sendo comentado por ser o primeiro filme mais sério em que Dakota Fanning interpreta, no papel da jovem Lily.

 

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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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