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nov
09

A morte do livro?

livros

Hoje comemora-se o dia de finados. E a representação da data me fez refletir sobre a temática da “morte do livro”, constantemente abordada por futuristas ligados aos meios tecnológicos.

A minha geração lê muito pouco e conheço diversas pessoas que não chegam a sequer ler dois livros durante todo um ano. O que, para mim, é um absurdo, já que elas possuem todas as ferramentas à mão. Como a alfabetização, educação, tempo e dinheiro para comprar esses precioso produtos, mas que ainda são muito caros no Brasil: os livros.

Mas aqui mesmo no blog eu já disponibilizei dois sites em que as pessoas podem baixar diversos títulos diferentes, se a questão for exclusivamente dinheiro para comprar os livros que gostariam de ler. Logicamente que a grande maioria de títulos não está disponível, apenas aqueles que usuários digitalizaram, mas são muitos e bem diferentes.

Mais raro ainda é encontrar jovens em bibliotecas públicas e em sebos. Tudo que se quer hoje em dia se encontra na Internet. Eu me pergunto o que faríamos sem o Google. Entretanto, a biblioteca é extremamente importante para o aprendizado e à pesquisa.

A culpa é de quem? Da família que não lê e, por conseqüência, não estimula as crianças e jovens? Da escola que não estimula adequadamente? Dos próprios jovens que não se esforçam para cultivar o hábito de ler? A culpa é do sistema pelos livros serem tão caros e inacessíveis? Por mais que se discuta isso acho que nunca vamos chegar ao “culpado”.

Eu cresci em uma família em que minha mãe nunca foi muito fã de leitura, mas, por outro lado, meu pai sempre devorou livros. Todas as vezes em que ele ia a uma livraria quando eu era criança, me levava junto e, mesmo que eu me recusasse a escolher dois livros para levar, ele comprava três. Mal havia aprendido a ler e ele já me enchia de revistinhas em quadrinhos. A turma da Mônica fazia mais parte de minha vida do que até mesmo os meus avós. Cresci com o hábito de ler como parte fundamental e essencial na minha vida, mas confesso que quando a escola recomendava (e obrigada) que os alunos lessem os livros didáticos que seriam cobrados em provas e vestibulares, isso me frustrava. Os livros não eram o que se pode chamar de inspiradores e que despertassem a imaginação.

A escola tem um papel fundamental e importantíssimo na função educativa das crianças e adolescentes, então porque não escolher títulos mais atrativos? A função moralizante do livro cabia a época de Perrault, desde Monteiro Lobato que essa característica não é mais utilizada nos livros infanto-juvenis. Me pergunto então porque as escolas insistem nisso?

No ano em que fiz vestibular tive que ler “Senhora”, “Vidas Secas”, “O triste fim de Policarpo Quaresma”, “Viva o povo brasileiro”, “Dom Casmurro”, “A mulher no espelho”, “A hora da estrela”, etc. São ruins? Não, mas não são os livros mais atrativos do mundo para um jovem de 17, 18 anos. Clarice Lispector é maravilhosa. Adoro. Mas com certeza quando se está na faculdade o impacto de lê-la é muito diferente de quando se lê quando se tem apenas 16, 17 anos.

A maioria das crianças e jovens querem ler aquilo que o tire do cotidiano, que o transporte para outros mundos, para o diferente. Porque não ler e discutir J.K. Rowling, Edith Nesbit, Philip Pullman e Meg Cabot quando se está na escola? As crianças leriam com prazer e não por obrigação, pois é o que ela lê em casa por lazer.

Tudo é questão de seguir as etapas. Com 12, 13 anos qual a completa capacidade de se entender a mensagem transmitida e o conteúdo em “Vidas Secas”? Só um jovem com grande maturação literária compreenderia.

Enfim, divaguei um pouco ao tema proposto neste post, mas voltando… a morte do livro (livro comum impresso em papel). Será que veremos isso acontecer?

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A empresa estadunidense Amazon lançou o Kindle, um leitor eletrônico e já está a venda no Brasil. O que representa o maior salto dado até hoje em livro digital.

O Kindle é um sucesso nos Estados Unidos, já vendeu mais de um milhão de unidades por lá. Além do Brasil, mais 99 países poderão apreciar o produto.

Tecnicamente o Kindle é um leitor eletrônico e os brasileiros só poderão comprá-lo no site da Amazon, ao salgado valor de R$ 1016,00.

De posse do Kindle, o usuário poderá armazenar 1500 livros e através de um acesso sem fio, ao estoque de mais de 200 mil livros digitalizados a vende no site. Os livros custam em média R$ 20,00 e podem ser baixados por uma conexão 3G em menos de um minuto. Os usuários poderão também ter acesso a revistas e jornais.

As vantagens do Kindle são muitas. Ele tem um mecanismo de busca em que só é preciso digitar as palavras desejadas que ele indica onde elas se encontram. Um espaço exclusivo onde os usuários podem fazer as suas anotações a respeito do livro. Vai resolver a questão do espaço físico para quem tem problema com estantes para guardar os livros e será o mais adequado uso na era do ecologicamente correto, com a não necessidade de uso do papel. Por outro lado, ainda é muito restrito o número de títulos em português. A maioria é na língua inglesa, o que se torna um problema para quem não domina o idioma. A visualização da tela ainda não é o ponto forte, pois é apenas em tons de cinza, mas a Amazon espera que em cerca de dois anos possa ter uma versão colorida.

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Há quem aposte que o Kindle vai colocar a existência do livro físico em extinção. Eu, particularmente, não acredito nisso. Pelo menos não creio que isso acontecerá no Brasil. Convenhamos que a maioria das pessoas não está comprando livros que custam em média R$ 30,00 para comprar um aparelho que custa mais de mil reais e irão pagar R$ 20,00 por livro virtual? Sem falar que vivemos uma insegurança pública muito grande em todas as partes do país. Seja nas médias ou grandes cidades. Será mesmo que aquele usuário que aderir ao Kindle e, por exemplo, precisa se locomover de ônibus vai ter coragem de usar um produto eletrônico dentro de um coletivo e ler os livros enquanto espera chegar ao seu destino? Será que ele não terá receio de ser assaltado? Muito provavelmente sim. Alguém já ouviu falar sobre pessoas que tiveram seus livros roubado em coletivos? Eu não conheço. O ladrão não quer um livro, mas um produto eletrônico sim, mesmo que ele nem saiba o que é e para que serve.

Além do que eu duvido muito que as gerações mais antigas, tão mais resistentes às mudanças, excluam de suas vidas os livros impressos. E, independente de geração, para quem é leitor voraz, nada melhor do que sentir o livro, pegar no livro, sentir o cheiro da impressão, da tinta no papel.

Eu acredito que um completará a existência do outro, não que o Kindle vá representar a extinção e morte do livro físico. Para mim o Kindle veio para somar e não excluir. O importante é que a população (principalmente a brasileira) leia. Seja livro virtual ou livro impresso. O importante é a cultura, é a vontade de continuar conhecendo e se divertindo com boas histórias.

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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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