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Alice no País das Maravilhas

alice no pais das maravilhas

“Alice no País das Maravilhas” foi escrito pelo fotógrafo, professor de matemática e escritor Lewis Carroll em 1862. Foi um sucesso estrondoso na época e quase todas as crianças inglesas do século XIX conheceram, se encantaram e se divertiram com as aventuras de Alice. A boa receptividade foi tão grande que até os adultos se apaixonaram pela obra, o que inspirou Carroll a escrever uma sequencia para as aventuras de Alice, criando o livro “Alice no País do Espelho”.

Confesso que quando li “Alice no País das Maravilhas” pela primeira vez quase acreditei que tinha tomado chá de cogumelo ou estava tendo um surto psicodélico. O livro é uma completa “viagem”, nonsense total e talvez isso contribua para que ele seja tão genial. As situações absurdas encantam, divertem e realmente nos levam para longe. “Alice no País das Maravilhas” parece um sonho, um maluco sonho. Como se você estivesse tendo um dia tedioso e alguém apertasse um botão te levando para viver aventuras incríveis e te dado a oportunidade de conhecer figuras inesquecíveis. Consciente ou inconscientemente após terminar de ler o livro acreditamos que mais do que nunca o sonho é o melhor escape.

A trama de Lewis Carroll cria um universo ficcional caótico que o leitor vai tomando conhecimento de forma bastante veloz. O livro é um convite ao estranhamento das coisas do mundo e não deixa o leitor estabelecer relações cognitivas e emocionais com o texto. O escritor brinca com a história, o texto, com a linguagem e a ressignificação das palavras, principalmente nos momentos de diálogos nos encontros de Alice com as personagens do País das Maravilhas. Talvez quem mais tenha podido aproveitar em sua total plenitude o livro tenham sido os leitores de língua inglesa. Haja vista que Carroll faz trocadilhos de palavras e expressões que tornam os diálogos divertidíssimos. Na tradução para outros línguas essa peculiaridade se perde e, o que para o leitor inglês é engraçado e divertido, para o leitor brasileiro, espanhol, russo, chinês, etc. trata-se de um diálogo sem sentido e com pouco humor.

Mas Carroll não quer apenas jogos, brincadeiras e diversão, ele também quer que a criança e o adulto reflitam sobre a própria existência. Exemplo disto é o capítulo cinco em que a lagarta pergunta para a personagem principal da história: “quem é você?”. Diante de tantas situações estranhas e diferentes por que tem passado Alice, as transformações, o tempo longe da escola, da família e das atividades regulares do seu dia-a-dia, a menina não pode responder mais que ela é aquela de antes de cair no buraco. E o mesmo acontece com todos nós. Se pararmos para refletir de tempos em tempos quem realmente somos, vamos nos surpreender como nos tornamos diferentes em cada época da vida, diante de novas situações que precisamos enfrentar.

Alice é uma menina pequena e curiosa que sonha acordada enquanto ouve sua irmã ler um “livro sem imagens”. Um dia ela estava no jardim com sua irmã quando vê um coelho um tanto estranho passar correndo ao seu lado. O que chamou a atenção dela é que o coelho falava sozinho e consultava um relógio de bolso. Fascinada e intrigada com a visão, ela decide segui-lo, até que ele entra em um buraco em uma árvore. Decidida a ver o coelho mais de perto, ela o segue e quando entra no buraco, percebe que está caindo lentamente e por um bom tempo, até chegar a um corredor cheio de portas.

Alice localiza uma chave em uma mesa que abre uma porta muito pequena e através desta porta ela vê um lindo jardim. Ela sente muita vontade de ir até ele, mas a porta é muito pequena para que ela possa passar. Concomitante a visão do jardim, Alice encontra uma garrafa contendo um líquido em que no rótulo lia-se, “beba me” e um bolo com uma etiqueta escrita “coma me”. Curiosa, Alice prova dos dois e descobre que um deles faz com que ela diminua de tamanho e o outro a faz crescer. Mas ela sente muita dificuldade para utilizar ambos, já que em determinados momentos ela fica uma gigante para passar pela porta para alcançar o jardim e em outro ela fica pequena demais para poder alcançar a chave que dá acesso ao lugar.

Enquanto Alice estava transformada em uma gigante ela se desesperou achando que nunca mais voltaria ao seu tamanho normal e chorou muito. Mas ao descobrir que poderia encolher novamente, ela encolhe em demasia e acaba caindo no que ela pensou ser um lago, formado pelas lágrimas que ela derramara em seu estado de desespero.

Ao atravessar a porta e chegar ao jardim, Alice descobre que chegou em um País encantado, ao País das Maravilhas. A partir daí as aventuras (engraçadas e até mesmo hilariantes em alguns momentos) de Alice estão apenas por começar. A medida que ela vai conhecendo os habitantes do país e os locais, ela começa a se dar conta de que a razão e o conhecimento do cotidiano dela param de fazer sentido, nada parece o “certo” e tudo parece estar de ponta a cabeça.

Alice, a medida que vai caminhando pelo País das Maravilhas passeia pela floresta, participa de jogos, de um julgamento, de um chá, conhece as casas e as personagens que fazem coisas “estranhas” e engraçadas, como o Coelho Branco, os ratos sensíveis, o Rei de Copas, a histérica Rainha Copas, o Gato Cheshire com sua peculiar característica de aparecer e desaparecer a todo momento, a Lebre, Hatter, o Chapeleiro Louco e os seus convidados da esquisita festa de chá, o Rato do Campo, a Lagarta que lhe dá conselhos preciosos, o Pombo, a Duquesa, o Cozinheiro, o Grifo, a Tartaruga Falsa, o Valete de Copas.

Durante o julgamento do Valete de Copas, Alice não se deixa intimidar pelas histerias da Rainha de Copas, e defende o Valete contra as falsas acusações. Motivados pela atitude de Alice, todas as outras cartas se levantam e a batalha das carta começa. Neste momento, Alice acorda e acredita que tudo não tenha passado de um sonho.

O fato é que o mundo seria muito interessante se fosse como o País das Maravilhas, onde as vezes as coisas não precisam fazer sentido, onde você possa falar sozinho sem que ninguém lhe olhe como se fosse um louco, onde você possa fazer tudo que lhe dê na telha sem que a pessoa mais próxima queira internar você em um sanatório. O fato é que o mundo seria muito mais alegre se muitas vezes sonhássemos como Alice ou tivéssemos como modelo o Maluco Beleza do Raul Seixas.

Alice ganhou versões para o cinema, teatro, também virou desenho animado e jogos de computador.

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8 Responses to “Alice no País das Maravilhas”


  1. 2 Aline Borges
    março 16, 2010 às 5:22 pm

    Eu li quando criança e quero muito ver o novo filme. com a tecnologia deve estar esplêndido

  2. abril 13, 2010 às 1:28 pm

    nao gostei porq eu queria o resumo dos insetos do espelho, gostei so de uma parte da parte que estao falando do autor lewis carroll

  3. abril 24, 2010 às 6:52 am

    gostei muito da história vou fazer ate uma copia!quem teve essa ideia de colocar essa historia em um blog e muito criativo!vou sempre visita esse blog.bjs


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Melissa Rocha

Jornalista apaixonada por cachorros e literatura, principalmente o gênero infanto-juvenil. Torcedora (e sofredora) do Palmeiras e Bahia. Fã de Drew Barrymore, Dakota Fanning, Anthony Kiedis e Red Hot Chili Peppers, All Star e Havaianas.

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