Os mais observadores, principalmente os leitores mais atentos que gostam que analisar capas de livros, notarão que “O Garoto no Convés” tem alguma semelhança com “O Menino do Pijama Listrado”. Não se trata apenas de terem sido escritos pelo mesmo autor, John Boyne, mas também pela capa, praticamente igual, só mudando as cores (falta de criatividade ou marca registrada? Risos. Vamos saber quando ele lançar outro livro). Fiz essa pequena montagem só para uma melhor visualização.
Desta vez, Boyne volta muito mais no tempo, o século escolhido é o XVIII e vamos encontrar muitas aventuras, batalhas, dramas, guerras, violências, humilhações, torturas, descoberta do amor, paixões, maus tratos e também amizade e traição entre um navio, um capitão e toda sua tripulação.
Assim como o autor, a personagem principal do livro chama-se John, um garoto órfão inglês, abandonado à própria sorte e criado em um orfanato. Sofreu uma série de abusos, inclusive sexuais. Quando adolescente fora pego furtando nas ruas e recebera como punição embarcar em um navio e passar um tempo ao lado do capitão, como o seu criado. Como combinado, finalizada a viagem, ele poderia retornar à liberdade.
John aceita a oferta, mas não imagina o que enfrentará a bordo do Bounty, o navio que o levará à grandes provações, dissabores e também a grande amadurecimento. Logo de partida, John percebe que a viagem não chega nem perto da grande aventura positiva que ele sonhou ter.
“O Garoto no Convés” é um livro extremamente interessante. Muito diferente de “O Menino do Pijama Listrado”, não tenho nem como comparar, pois a temática é completamente diferente, o estilo é outro, até a escrita é diferente. Não é um livro de todo triste, é muito menos triste que o primeiro, mas também é cheio de passagens fortes, a personagem principal é submetido a diversas provações mesmo para alguém tão novo e tem uma carga emocional muito grande. Tem muitas partes de aventuras, é ambientado em uma época muito mais remota e as descrições dos locais, da época, das personagens, das relações humanas são pontos bastante positivos no livro.
É um livro muito envolvente, a escrita é uma delícia, prende muito o leitor, não é enfadonho em momento nenhum e é uma história muito interessante. Vale a pena demais ler e recomendo muito a todos que se interessam por histórias com cenários exóticos, lições de lealdade e que não se incomodam com um pouquinho de intriga e ingenuidade. Boyne acerta mais uma vez e vai ganhando cada vez mais pontos na escala de excelentes autores da modernidade, pois mostra como é capaz de se reinventar a cada novo livro.



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